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| "Vamos tirar o sexo brejo e o casamento do pântano!" |
No meu tempo de adolescente não se falava em sexo ― o que já é lamentável ―,
salvo em algumas aulas de educação sexual, na escola. Nelas, era ensinado como
não engravidar nem contrair DSTs. E só.
Hoje em dia, em vez de não ter
educação sexual, a garotada recebe deseducação sexual nos lugares mais
impróprios ― como nos vídeos pornográficos da internet, e nas novelas e em
filmes que assistem com a família. Ainda hoje, com tanta informação circulando,
ninguém fica sabendo que uma energia sexual saudável é importante para a saúde
do corpo, para a autoestima, a beleza e a longevidade. Aliás, feliz do casal que
realmente sabe o que é um sexo gostoso, e que tem energia para
praticá-lo...
Em geral, as mulheres até querem, mas não sabem como curtir
de verdade. Tudo bem que, às vezes, o problema está nelas mesmas, que
simplesmente não aprenderam a se entregar ― de verdade ― ao marido. Aí caem no
truque do prazer fingido, e isso é péssimo para ambos, pois a mulher pode
começar a cobrar do marido de outras formas: por exemplo, se irritando com ele e
criticando-o em situações que nada tem a ver com a cama.
Por outro lado,
o marido ― que antes parecia ter uma dúzia de mãos cheias de desejo, passa a
concentrar tudo na "etapa final", deixando a esposa meio frustrada. A pressa, a
falta de cumplicidade, de companheirismo e de carinho transformam o que poderia
ser puro amor em uma cena daquelas de filme erótico da pior qualidade...
Com um agravante: mulher nenhuma sente o que as atrizes do gênero "interpretam"
nesse tipo de filme. Sem conseguir dar prazer à esposa, o sujeito começa a achar
que ela é "fria". Mas é ele quem traz o freezer para sua própria
cama...
E qual é a mulher que tem coragem de dizer ao marido, com todas
as letras, que ela não tem vocação para atriz de filme pornô? Isso significaria,
para a grande maioria dos homens, um tiro no ego. Descobrir que o príncipe virou
sapo não é pra qualquer um, não. Tem que ser muito macho para reverter a
situação!
O que é preciso para se ter uma cama sempre quente?
Segundo a diretora da Escola do Feminino no Brasil, é muito
importante a correta escolha do parceiro, pois a mulher precisa de segurança ―
mesmo dentro do casamento. Para a diretora, a mulher precisa aprender a
ser seletiva, reconhecer o bom parceiro e dele não ter medo, se entregar, e ter
confiança. "Se a mulher não souber escolher o parceiro adequado sempre estará em
estado de alerta, esperando alguma traição ou abandono, e neste estado não pode
haver sexo bom", diz a especialista.
Alguns maridos não entendem essa
necessidade feminina. Depois de alguns anos de casamento, não percebem que
atitudes como indiferença, grosseria gratuita (que pode ser gerada por fatores
externos ao ambiente familiar), falta de carinho e atenção, como nos tempos de
namoro ou primeiros meses depois da lua-de-mel, afetam a capacidade de entrega
das suas esposas. E só enxergam o que fica faltando: um jantar especial, mais
visitas ao salão de beleza, renovação das roupas íntimas, casa arrumadinha...
Voz doce e o mínimo possível de reclamação! (Tudo isso se reflete na, e é
reflexo da, cama.)
Na cama do casal, os sentidos (audição, paladar,
olfato, visão, tato) precisam estar aguçados. Marido e mulher devem estar
presentes de corpo e alma, e não mergulhados nas suas preocupações ou em sonhos
particulares. Só que, em situações de estresse e de insegurança, quando a mulher
sente que passou a ser vista como uma "boneca inflável", é exatamente isso que o
esposo vai encontrar na cama: o corpo dela estará sob os lençóis - mas seus
pensamentos estarão muito, muito distantes...
Toda esta informação já é
um grande diferencial, tanto para os homens como para as mulheres ― já que nos
tempos da minha avó, como dizem, as mulheres aprendiam a ter medo do sexo
oposto, o que tornava a cama um local de sacrifício para a mulher, e um prazer
medíocre para o homem.
Hoje não precisa ser assim. Vivemos em tempos de
comunicação aberta, informação gratuita e à disposição de todos. Resta decidir
ter uma boa educação sexual, ou continuar aprendendo a fazer tudo errado ― o que
pode colocar em cheque um casamento que poderia ser feliz...
Rituais
de sedução
Segundo especialistas, o ato sexual, quando bem preparado,
bem intencionado e com um parceiro compatível, acende a chama da energia vital,
tornando a mulher mais radiante, mais bela, magnética e jovial.
A troca
de energia sexual entre marido e mulher vai além do sexo em si. A sintonia pode
ocorrer em uma simples conversa, compartilhando atividades, troca de olhares...
Toques de carinho, massagens...
Não é porque se está casado há mais de
cinco anos que os rituais de paquera, encanto e sedução estão dispensados. Muito
pelo contrário. Sem aquela adrenalina da paixão ― que não dura a vida toda ―
esses rituais tornam-se mais necessários do que nunca. Para o casal, é muito
importante intimidade e confiança, mas ao mesmo tempo não deve haver uma rotina
que acabe transformando o sexo em algo mecânico, e até entediante. (Também se
recomenda um certo mistério e renovação contínua.)
A mulher necessita ter
admiração pelo seu parceiro, pois sem essa não há desejo. E como admirar alguém
que a trata com grosseria ou que não toca em seu corpo com carinho? (Ninguém
gosta de se sentir uma boneca-inflável...)
Para o homem, é muito
importante que a mulher saiba recebê-lo, com paixão e ternura, sem competição,
nem exigências. Como ter ternura por uma mulher que só sabe reclamar e gritar? E
ambos devem pensar no bem estar do outro, saindo do próprio
egoísmo...
Segundo o terapeuta americano Wilhelm
Reich, "energia sexual é a vida em sua melhor expressão, é fonte de beleza,
juventude, vigor e longevidade". Quando essa energia está em baixa, a pessoa
acaba se tornando apática, cansada, sem vigor, mal humorada, cheia de dores,
desinteressada pela vida e desinteressante para o outro.
Ao contrário
disso, sexo feito casualmente, sem intenção ou admiração pelo parceiro, pode se
tornar mecânico e ser um desperdício de vitalidade, além de perder a graça
rapidamente...
Sexo bom não tem necessariamente a ver com muitas
experiências, nem com diferentes parceiros (e nem de reproduzir o que se vê em
vídeos...). Trata-se de conhecer-se a si mesmo e ao outro, respeitar e superar
as diferenças.
Casamento deveria ser sinônimo de sexo bom e seguro, e
melhor a cada ano que passa ― e não o contrário. Tem até uma campanha no
exterior que fala sobre isso. Lembre-se sempre: "Faça amor, e não faça
pornô!".
Débora Carvalho