Sexo pela internet, você já fez?

Fazer sexo com um estranho, ou com dois homens ao mesmo tempo, ou qualquer outra fantasia... tem bastante gente fazendo, pelo menos através da internet

Tanto que em novembro do ano passado o domínio www.sex.com bateu o recorde de preço por um endereço na WEB: nada menos do que U$ 13 milhões, ou quase R$ 22.000.000,00!

É claro também que a palavra mais buscada na internet é justamente “sex”.

Segundo levantamento da revista americana GOOD realizado em 2009, sexo e internet, parafraseando aquele slogan tão nosso conhecido, têm tudo a ver.

De acordo com o estudo, 12% de todos os sites estão ligados a sexo, 25% das buscas da web são sobre pornografia, 35% dos downloads é de material erótico, a cada segundo 28.258 internautas estão vendo sites pornográficos. Sendo 72% deles homens e 28% mulheres.

O fato é que a internet é amplamente usada por gente fazendo chat erótico. E, sim, sexo pela internet, transmitido ao parceiro (ou parceiros) através de web cams. E, em muitos casos, criando relações duradouras até para pessoas que não aceitam relações firmes na vida real. O site mais freqüentado é o www.adultfriendfinder.com mas há milhares de outros.

Os críticos do chamado Cyber Sex argumentam que as pessoas que você conhece pela internet podem não ser quem dizem ser. E, muito pior, a privacidade de quem se deixa mostrar através das câmeras pode ser corrompida, já que não há meio seguro de saber se o parceiro está ou não gravando tudo.

Outra discussão quente sobre o tema tem a ver com fidelidade.

Sexo pela internet é adultério?

Mas o sexo pela internet tem também ferrenhos defensores e estes argumentam que, fazer sexo através da internet pode ser igualmente excitante e levar a orgasmos incríveis, sem os riscos de contaminação de doenças sexualmente transmissíveis e sem risco de gravidez.

Argumentam ainda que parceiros que estão fisicamente distantes podem manter uma vida sexual através da internet. E ainda: permite que os parceiros façam coisas e realizem fantasias que jamais teriam coragem de realizar na vida real.

De qualquer forma, é fato que, através da internet é muito mais fácil, seguro e barato encontrar outras pessoas que compartilhem das mesmas fantasias.

Mas, se você estiver tendo idéias a respeito, lembre-se sempre de algumas regras básicas de segurança recomendadas pelo Avert:

Não vá se encontrar ao vivo com pessoas que você conheceu pela internet;

Se você for teimosa e decidir ir a um encontro, leve alguém com você e vá a um lugar público e movimentado. E informe tudo isso antes à pessoa que você está indo encontrar;

Não passe informações pessoais e antes de enviar uma foto ou abrir a sua câmera para alguém que você conheceu on line, pense bem. E pense de novo.

Resolvendo se exibir pela webcam, cuide para não ser reconhecida: peruca , óculos escuros e maquiagem podem dar conta do recado.

Finalmente lembre-se que sexo não tem a ver apenas com erotismo, orgasmos e fantasias. Tem também tudo a ver com amor, companheirismo e amizade. Ou seja: não dá para ter tudo via web.

Sexo com os cinco sentidos

Os cinco sentidos têm funções essenciais durante uma relação sexual. São eles os responsáveis pelo elo entre as sensações e a mente. Sem eles nada chegaria ao cérebro, o responsável pela decodificação destes estímulos.

"Definimos os sentidos como uma porta de comunicação do mundo exterior e o interior", revela Celso Marzano, urologista, terapeuta sexual e diretor do CEDES - SP (Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade). Cada imagem, cheiro, toque, som e gosto têm um significado para o nosso cérebro. "O ato sexual é basicamente uma atividade sensorial que utiliza os cinco sentidos", explica o profissional.

Segundo Celso Marzano, a pele é maior órgão sexual do ser humano. Isso porque nela sentimos dor, frio, calor e prazer. "O tato (toque e carinho) que a mulher interpreta como intimidade e o homem como preparo para o sexo libera ocitocina que é um mediador cerebral do prazer", elucida o especialista. Já os estímulos auditivos seriam mais eficientes nas mulheres, os murmúrios atiçam os receptores periféricos dos ouvidos. A voz da pessoa amada é como um poderoso estimulante.

Quando as pessoas dizem: "Tem que ter química", podem estar se referindo ao cheiro, uma vez que ele aproxima os casais. Outro fator importante está relacionado à degustação. "O beijo durante o ato sexual mantém o vínculo de excitação e intimidade entre os parceiros como se fosse um estímulo contínuo de prazer", garante o terapeuta.

A visão é o sentido mais complexo e sua função começa muito antes do sexo. É ela que analisa os requisitos físicos, decidindo se haverá ou não uma maior interação entre os casais. "Os órgãos sexuais não são considerados belos sob o ponto de vista estético, mas tornam-se atraentes e desejáveis na medida em que o sujeito é influenciado pela emoção e pela fantasia", justifica Marzano.

De acordo com o terapeuta sexual, é a paixão e o amor que estimulam todos os sentidos. Além disso, as fantasias sexuais, a sedução e até a aproximação física ajudam. Há momentos em que vários sentidos são utilizados ao mesmo tempo, e do beijo, que empregam tato, paladar e olfato.

A relação sexual, segundo o terapeuta, "não começa no começo e nem termina no final": "O ‘antes do antes’ tem inicio com as posturas corporais ou expressões faciais que demonstram excitação, desejo e volúpia, onde as construções de fantasias eróticas aparecem e fazem com que homens e mulheres entrem com mais facilidade na relação sexual propriamente dita". "No ‘depois do depois’, ou seja, a manutenção do desejo, é demonstrada no aconchego, no ficar juntos, na intimidade e nas confidências", finaliza Marzano.

Bianca de Souza

Ronco atrapalha até a vida sexual

Quem sofre do problema não consegue ter sono profundo, e precisa procurar especialistas para fazer tratamento.

O ronco é um problema que atinge cerca de 30% da população masculina a partir dos 20 anos e da feminina a partir dos 40. E dormir, ao longo de anos, ao lado deste barulho, pode prejudicar também a saúde do relacionamento. Hoje, Dia Mundial do Sono, especialistas alertam que, além de incomodar quem está por perto, o ronco pode levar a brigas e até à falta de desejo sexual.

De acordo com o dentista do sono Ismael Marques, as pessoas que roncam não têm um sono profundo e, por isso, não descansam. “A consequência é sonolência durante o dia, menor capacidade intelectual e de reflexo, e falta de disposição para o sexo. Já em casos mais graves, quando há apneia (espaço mais longo entre uma respiração e outra) pode haver alterações cardiovasculares, como AVC e hipertensão; disfunção erétil, além de alta de colesterol, triglicérides e glicose”, afirma.

O parceiro do roncador também não consegue ter uma noite tranquila de sono. Isto, segundo o especialista, mais pela ansiedade e preocupação de achar que o outro não está respirando do que pelo som do ronco em si.

Por ser causado por questões anatômicas — a estrutura da garganta é parcialmente fechada —, dificilmente o ronco tem cura definitiva. A cirurgia é a opção de tratamento, mas a eficácia não é garantida. “Neste caso, o uso de aparelhos bucais durante a noite irá complementar o tratamento e suprimir o som do ronco, dando melhor qualidade de sono e de vida ao roncador e seu parceiro”, conclui Ismael.
Sono ruim aumenta risco de acidentes

Pessoas que têm algum distúrbio do sono — além do ronco e da apneia, há insônia, síndrome das pernas inquietas e sonambulismo — têm de 7 a 10 vezes mais chances de se envolver em acidentes. E quem dorme ao lado de um roncador também, devido à fadiga.

E crianças também podem sofrer com a falta de sono. Segundo a Associação Mundial de Medicina do Sono, 25% dos pequenos são afetados por pouco sono, o que os predispõe à obesidade e problemas emocionais, além de falta de memória e dificuldade de aprendizagem.

Para conseguir dormir bem, o ideal é manter o peso em dia, não fumar e ter horário regular para adormecer. “Gosto muito de ler antes de dormir e usar travesseiro bem confortável”, ensina a atriz Bruna Pietronave.

Sexo de uma forma leve, prazerosa e descontraída

Ao conhecer os centros do seu prazer,
você será capaz de dividir esse prazer com outra pessoa


Houve um tempo em que falar sobre sexo era um grande pecado. Mulher conversar sobre sexo?

Nem Pensar! Imagine! "Isto não é coisa de mulher direita", se dizia. Pois é, o tempo passou ... e em pleno 2011 estou eu aqui: uma mulher especialista em sexologia para "bater vários papos" sobre sexo com vocês! Quem diria...

Hoje, apesar de se falar sobre o assunto mais abertamente, alguns mitos e tabus ainda persistem. As dúvidas são muitas e o desejo de sentir e proporcionar prazer é imenso!

Fico muito feliz e sinto Muito prazer em poder compartilhar deste espaço com vocês atraves do NE10. Minha proposta como sexóloga é discutir temas relacionados a sexo, amor e relacionamentos de uma maneira leve e descontraída.

Exatamente como o sexo pode ser vivido: com leveza, alegria, prazer e descontração.

"Uma vez que conheça os centros de seu prazer, você será mais capaz de dividir esse prazer com outra pessoa.

Nisso se resume o Tantra: você precisa saber o que você é, através do conhecimento de si mesmo e de seus prazeres; pois só então poderá dar o prazer que procura e aceitar o prazer que lhe é dado", disse Ashley Thirlby.

Muito prazer para vocês!
Silvana Melo

Confira 10 dicas de sexo tântrico

Atitudes simples para incorporar o tantra no dia a dia do casal.

Você já deve ter ouvido falar que os praticantes de sexo tântrico têm a consciência corporal mais desenvolvida, que a energia produzida durante a relação gera disposição e que os orgasmos duram mais tempo. Tudo isso é verdade, garantem os especialistas. Mas, para chegar nesse ponto, é preciso investir em treinamento - e muitas vezes isso implica em rever o estilo de vida.

A massagem é um dos recursos principais do sexo tântrico, além disso, alguns exercícios mentais e corporais ajudam na ativação da energia sexual, a chamada "kundalini". A prática é recomendada para todo tipo de casal disposto a aprender, sem limitações de idade ou preferências sexuais.

A psicóloga clínica Judy Kuriansky, autora do livro "O Guia Completo do Sexo Tântrico" (Editora Madras), e os terapeutas corporais Gabriel Saananda e Roberta Jaloretto, do Espaço Companhia do Ser, ensinam os dez primeiros passos para iniciantes, que buscam novas experiências prazerosas.

1. Tempo e sincronia
Reserve pelo menos um dia na semana para praticar a massagem tantra com seu parceiro. O horário da manhã é recomendado, após uma boa noite de sono. Antes de começar, Judy Kuriansky recomenda: "É preciso que o casal esteja na mesma sintonia. Inspirar e expirar juntos até estarem no mesmo nível energético", diz.

2. Explore o outro
A mulher pode começar aplicando a massagem no homem. A terapeuta Roberta Jaloretto aconselha: "Toque todo o corpo dele buscando levar sensibilidade para partes que geralmente ficam esquecidas. A ideia é sensibilizar ‘o todo' por meio de toques suaves, trabalhando a pele com toques bem relaxantes", diz.

3. Não tenha pressa
A massagem tântrica não combina com pressa nem pressão. É preciso saborear a experiência, o caminho, sem focar tanto na conclusão. Estar em posição de receber a massagem é especialmente benéfico para o homem, que aprende a controlar e prolongar o seu prazer. Ele deve ficar de meia hora até uma hora apenas curtindo os toques, sem ejacular. "É uma brincadeira que funciona como um treinamento", ensina Gabriel Saanandra.

4. Deliciosos artifícios
Segundo Saanandra, você também pode utilizar as unhas, os cabelos ou um lenço de seda para fazer a massagem. "Isso faz com que a pele fique sensível e acorde - ele começa ficar arrepiado". É recomendado utilizar texturas e brincar com as sensações de quente e frio; use a imaginação!

5. Inverta os papéis
O homem também deve massagear a mulher: são toques longos e circulares, que ligam duas partes do corpo - enquanto uma mão sobe, a outra desce: o ombro com o bumbum, os genitais com a barriga, as costas com o abdome. Existe uma grande variedade de óleos especiais para massagem. Mas, na falta de algum produto específico, você pode usar o hidratante que tiver em casa.

6. Respire, suspire...
A respiração é parte importante durante todo o processo. A inspiração deve ser profunda e a expiração bem relaxada. "Trazer energia para dentro e relaxar na hora de soltar o ar", ressalta Saanandra. Durante o ato, gema, suspire, não tenha vergonha de expressar as sensações boas da massagem por meio de sons.

7. Olho no olho
Olhar nos olhos é uma prática básica do sexo tântrico. Judy Kuriansky, autora de "O Guia Completo do Sexo Tântrico", recomenda olhar fixamente para a chama de uma vela por algum tempo para desenvolver a concentração necessária para intensas trocas de olhares. É recomendável praticar o exercício antes de dormir. Você também pode, ao invés de olhar, ser receptiva e receber o olhar do outro.

8. Crie rituais amorosos
Tomar banho juntos, vestir aquela roupa especial, escolher um perfume estimulante... Esses pequenos ritos preparam para uma troca de amor mais íntima. O ambiente deve estar totalmente limpo, com luz na medida. A roupa de cama pode ser especial para a ocasião e, para aumentar o conforto, disponha também algumas almofadas. Posicione objetos que simbolizem os quatro elementos: uma vela para o fogo, um líquido para a água, uma folha para o ar, uma flor para a terra.

9. Entenda a filosofia tantra
"Sexo tântrico não é o sexo que as pessoas conhecem. O tantra busca ensinar e ajudar as pessoas a se excitarem com o afeto e não com o genital", frisa Gabriel Saananda. A filosofia propõe uma maior conexão com o seu ser, expansão de consciência e percepção do corpo. "Dentro da terapia tântrica você vai aprender a lidar com suas sensações, a trazer intimidade para dentro da sua vida".

10. Ache sua turma e um terapeuta sério
Participar de workshops e vivências tântricas é uma boa pedida para os novatos. Existe uma variedade de treinamentos - em grupo, individuais, para casais, de longa ou curta duração - que variam de acordo com a filosofia de cada espaço. Como não há uma certificação e nem uma licenciatura em terapia tântrica, fique de olho na hora de escolher um profissional.

O especialista tem que ser habilitado em técnicas de massagem, com especialização em tantra, e é essencial que você se sinta confortável com ele. O toque faz parte da terapia, mas não há sexo envolvido durante as sessões. "Com o terapeuta você vai desenvolver a confiança e a técnica para que carregue isso com você e possa aplicar no dia a dia", explica Roberta.

Amor e sexo no tempo de Salazar

Na contracapa, há um parágrafo que nos prende logo a atenção: “Através de uma pesquisa cuidada e de uma série de entrevistas a especialistas e a pessoas que viveram esta época, Isabel Freire conta-nos como se namorava nos anos 50, do flirt ao beijo na boca, explica-nos que a mão na mão dava direito a uma multa no valor de 2$50, já a mão naquilo valia 15$ de coima, fala-nos da vida boémia dos bordeis de Lisboa, do carácter vicioso do sexo bocal, das contraceptivas lavagens vaginais, dos partos em casa e dos abortos clandestinos, das expectativas e ansiedade dos noivos na noite de núpcias, das famílias felizes e da peste que era o divórcio”.

No prefácio, o psiquiatra Pio Abreu ajuda-nos a compreender de que sexo e amor nos tempos de Salazar, nesses anos 50, se vai falar, já que na década seguinte o mundo dos usos e costumes conheceu uma abrupta viragem. O ambiente era dominado pelo tradicionalismo religioso (família procriadora e a esposa dócil), as questões sexuais iludidas ou omitidas, quanto aos papéis da mulher ela era apresentada como passiva, assexuada e confinada ao lar e do homem como activo, aventureiro e pouco respeitador das mulheres em geral; a praia seria um perigo moral, daí a roupagem para esconder ou encobrir as carnes, e a menstruação era uma vergonha.

Pelos interstícios do sistema, abriam-se novas portas: o cinema, mais remotamente o teatro, por fim a televisão; namoro, prostituição, papéis sexuais, gravidez e aborto, eram outras facetas de um universo vincadamente obscurantista, de obediência à moral tradicional. Algo irá mudar logo no início da década de 60 quando surgir o manifesto “Carta a uma jovem portuguesa” que podemos tomar como documento de referência de um tempo novo timbrado pelo acesso da jovem à universidade, por uma crescente liberdade de costumes e pela afirmação, ainda tímida, da emancipação da mulher. No seu conjunto, esta pesquisa é o afastar de uma cortina do pudor velado e escondido, socorre-se da memória dos portugueses que têm mais de 70 anos, chegamos assim a algumas revelações assombrosas sobre esses anos 50, em Portugal: “Amor e Sexo no Tempo de Salazar”, por Isabel Freire, A Esfera dos Livros, 2010.

Primeiro, era um tempo de autoridade masculina, da interdição do corpo, falar de sexo era uma indignidade, era tão indiscutível como pôr em causa a boa vontade do regime. Os assuntos de sexo vivam-se escondidamente, eram questões guardadas a sete chaves, a mulher vivia numa doce sujeição, de preferência cuidando exclusivamente da família, isto em ambiente urbano. Castidade, seriedade, boa reputação, eram praticamente sinónimos. Na escola, como é óbvio, rapazes de um lado, raparigas doutro. Os papéis de género eram demarcados, havia um modelo para a mulher e um modelo para o homem, daí as publicações bem diferenciadas, de um lado a rigorosa gestão doméstica, o ensinar a fazer a roupa ou a culinária, as noções puericultura, os valores educativos para os filhos, as noções de asseio, de boa aparência física, etc. Escreve a autora: “Em casa, no aconchego do lar, a rapariga também precisaria, segundo a Mocidade Portuguesa Feminina, de primar pela simplicidade e devoção. Nada de quadros nas paredes dos quartos, sobretudo nada de gravuras inconvenientes”.

A jovem era educada para o autodomínio, para o conhecimento das proibições, para o controlo nas relações sociais, saber resistir às tentações, enfim, viver na ginástica do sacrifício. Com vários alertas, como escrevia na revista Flama, em 1950 “A juventude mata-se de encontro à fúria das paixões, lança-se à vida de sensações no mundo revolto de imoralidade. (…) se não há religião, haja dignidade.

Segundo, uma mulher que se preza recata-se, esconde o corpo, o importante é ser são sem esquecer o portuguesismo e as leis de Cristo. Neste contexto, era abominável falar da menstruação, toda a higiene íntima feminina era dissimulada. As “regras” eram uma vergonha social. Os preceitos da cosmética tinham a sua severidade: o rouge, o pó de arroz, o batom, tudo com conta, peso e medida. Havia proibições: pintar o cabelo, tingir as unhas de escuro, pôr seja o que for nos olhos. Abolida a pinça para as sobrancelhas mas utilizável nos pêlos das pernas, etc. O recatamento era extensivo ao que se via no cinema, era preciso estar atento à classificação moral das películas. Daí passa-se para o quadro de valores e de procedimentos envolvendo o namoro e o flirt, mais regras severas a que tinham de obedecer os ritos do carnaval, as idas ao baile, as conversas em público, entre outras.

Terceiro, a autora escreve-nos a vida das criadas e a ambiguidade dos seus papéis, ainda estamos no tempo das “criadas de todo o serviço” sempre acusadas das patroas de serem imperfeitas e desmazeladas. As casas de meninas, o sexo tolerado e a doença venérea da época aparecem largamente documentados. Por último, a autora fala-nos das famílias felizes e dos seus estereótipos, o ideal do casamento, a mitologia da noite de núpcias, as proibidas técnicas abortivas e a chegada dos novos usos e costumes ligados ao tabagismo, às calças compridas e à tentativa de nova repartição de tarefas domésticas, quando, timidamente, a mulher urbana passa a ter ocupações fora do lar.

Uma leitura estimulante sobre as mitologias dos anos 50 em torno da submissão de género, naqueles tempos em que competia à mulher, sob a dependência económica e afectiva, o absoluto apagamento sexual.

Beja Santos

Abstinência sexual em alta entre jovens norte-americanos

Uma pesquisa revela que os jovens norte-americanos praticam mais a abstinência sexual. Protegem-se por um lado mas o aumento da prática do sexo oral abre novas frentes para as doenças sexualmente transmissíveis.

Um relatório recentemente divulgado, com o título "Comportamento Sexual, Atração Sexual e identidade Sexual nos Estados Unidos", revela que a abstinência está a aumentar entre os adolescentes norte-americanos. Os primeiros impactos já se fazem sentir no nível de doenças sexualmente transmissíveis.

Os pesquisadores do CDC (Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças) verificarem que, em 2002, cerca de 22% dos 13495 rapazes e raparigas entre 15 e 24 anos entrevistados, praticavam abstinência sexual. De acordo com os novos dados, este total subiu para 27% entre os entrevistados do sexo masculino e 29% do sexo feminino. Pessoas que afirmam nunca terem mantido relações de caráter sexual.

Entretanto, mais de 27 mil dos entrevistados desta faixa etárias disseram ter tido pelo menos uma relação sexual oral entre 2006 e 2008, sendo que a maioria antes mesmo de terem praticado sexo vaginal.

A percentagem de raparigas com relações com parceiras do mesmo sexo aumentou de 12,4% para 13,4%, entre 2002 e 2008. Mas esta relação diminuiu entre os rapazes, tendo no mesmo período passado de 5% para 4%.

O organismo de caráter estatístico revela num comunicado citado pelo site Huffington Post que estes dados são tanto mais relevantes quanto permitem às instituições públicas perceberem quais devem ser os alvos de campanhas de esclarecimento sobre comportamentos sexuais de risco. O CDC estima que anualmente nos Estados Unidos cerca de 19 milhões de registos de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis, metade dos quais ocorrem entre jovens dos 15 aos 24 anos.

A questão é que, se por um lado, a abstinência de relações sexuais vaginais protegem os jovens de algumas doenças e de uma eventual gravidez indesejada, o aumento da prática de sexo oral pode induzir a um aumento do cancro por transmissão do vírus HPV.
Christiana Martins

“Chegar ao orgasmo é fácil, ficar satisfeita é difícil”

Para Andreza, é essencial conversar com o parceiro sobre sexo
 e buscar prazer na relação
Mulheres estão explorando melhor a sexualidade e buscando relações mais completas com os parceiros.

“Transei mais, gostei mais, senti mais e tive mais parceiros”, diz Fabiana Motroni, executiva de marketing, sobre sua vida sexual depois que se separou do ex-marido. “Só então me permiti viver a sexualidade fora de relacionamentos formais”, avalia ela, que dos 18 aos 34 anos foi para a cama apenas com os quatro namorados que teve. Hoje, aos 40, ela ilustra o comportamento da mulher brasileira atual: mais satisfeita sexualmente e à vontade com o prazer: “Revi conceitos do que é relacionamento”, afirma.

Fabiana é um dos exemplos do cenário apresentado na pesquisa "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado", realizada pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc, que mostra que a brasileira está mais satisfeita sexualmente na última década. De acordo com o levantamento, divulgado na última semana, 68% das brasileiras declararam estar satisfeitas com a maneira de viver sua sexualidade. Em 2001 o índice era de 61%.

“Esses dados são reflexo da participação ativa da mulher em todos os processos de relacionamento, tanto de trabalho como de sexualidade e prazer”, avalia Gerson Lopes, presidente da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Para ele, elas estão investindo no seu erotismo, aprendendo a se posicionar e argumentar na relação com os parceiros. “Tive uma experimentação muito maior e uma vivência sexual positiva, a ponto de interferir na minha autoestima e na aceitação do meu corpo”, diz Fabiana.

Para Andreza Di Gennaro, comerciante de 32 anos, é preciso se impor na relação com o parceiro: “Quero ter prazer sempre e converso ou demonstro isso para ele”, diz. Com mais abertura e clareza sobre suas preferências, a qualidade do sexo para as mulheres também melhorou: 84% das entrevistadas pela pesquisa dizem "sentir muito prazer" ou "achar o sexo gostoso" na maioria das relações sexuais, frente a 78% em 2001. “Há uma familiaridade maior das mulheres com seu próprio corpo. As que declararam ter feito ‘sexo por obrigação, não sentiu nada ou foi um sofrimento’ diminuíram de 17% para 9% e consideramos este um dado muito positivo”, aponta Gustavo Venturi, sociólogo e coordenador do Núcleo de Opinião Pública (NOP) da Fundação Perseu Abramo. A tendência, segundo ele, é que as mulheres brasileiras continuem na busca por igualdade de direitos e reciprocidade - inclusive entre quatro paredes.
Mais experiência

Para Lopes, as mulheres estão se permitindo mais vivências e têm mais oportunidades de fazer sexo. Essa liberdade de viver explica em parte o maior número de parceiros e experiências sexuais da mulher atualmente. “Antes era um homem para vida toda”, ressalta.

“Não sou de fazer sexo no primeiro encontro, mas também não sou puritana. Acho que mesmo tendo liberdade é preciso existir um envolvimento”, diz Andreza, que teve cerca de 12 parceiros sexuais ao longo da vida. Muito para algumas, pouco para outras, o valor é acima da média das brasileiras, de 3,4 parceiros, segundo dados da pesquisa nacional. O levantamento mostra também que 45% das mulheres afirmam ter tido apenas um parceiro na vida, um número bem expressivo frente aos homens que disseram a mesma coisa: 14%. A tendência é que essa diferença diminua cada vez mais, diz Venturi. “Temos uma toda uma geração de mulheres mais velhas que casou virgem e só teve um parceiro. Isso vem diminuindo com o avanço das gerações”, aponta.

Satisfação não é orgasmo

“Chegar ao orgasmo é fácil, ficar satisfeita é difícil”, diz Andreza. Para ela, sentir prazer não é suficiente se a mulher não se sente desejada, não tem carinho ou atenção. E essa exigência se reflete na pesquisa também: entre as mulheres que sentem muito prazer quando transam, há 21% que não se dizem completamente satisfeitas com a vida sexual. “As mulheres desejam muito mais que o resultado orgástico, a sexualidade para elas é maior e mais inteira”, diz Lopes. Um levantamento feito por ele mostrou que, entre as mulheres que se diziam satisfeitas sexualmente, só 40% chegavam ao clímax. Venturi concorda que a satisfação pode não ter relação com freqüência sexual ou prazer. “É um campo mais amplo. Existem mulheres que têm muitas relações e estão satisfeitas, e outras não têm relação e também estão satisfeitas”, diz.

O Céu das Mulheres

«Metade do Céu: Transformar a Opressão em Oportunidade para as Mulheres de Todo o Mundo», de Nicholas Donabet Kristof, em co-autoria com a esposa Sheryl WuDunn, foi recentemente editado em Portugal pela Bertrand. O título surge através de um provérbio chinês, que, de certa forma, inspira este manifesto de transformação de culturas e pensamentos em relação à discriminação do sexo feminino em todo o Mundo: «As mulheres aguentam metade do céu.»

Nicholas Donabet Kristof e Sheryl WuDunn são jornalistas de renome e é um casal que há alguns anos denuncia os abusos dos direitos humanos em Ásia e África, como o tráfico de seres humanos, por exemplo. Ambos defendem o investimento na saúde, educação e autonomia das mulheres no mundo com o objectivo de se protegerem e superarem os contextos sociais e humanos onde vivem.

Em «Metade do Céu» os autores não se limitam a apelos morais e demonstram como é impossível que os países em desenvolvimento deixem a pobreza sem que as mulheres não participem activamente na vida social e económica das suas aldeias e cidades. Um retrato demasiado violento, mas cheio de esperança e histórias de raparigas e mulheres que conseguiram ultrapassar todo o tipo de obstáculos criados pelas suas sociedades, incluindo pelos familiares mais próximos, como a mutilação genital, a doença, a prostituição, a SIDA, a violação, a mortalidade materna, o tráfico sexual…

«Metade do Céu» já é considerado «O» manifesto do século XXI. Com uma grande repercussão internacional, várias figuras públicas apoiaram de imediato este movimento, como os actores George Clooney e Angelina Jolie e a apresentadora de televisão Oprah Winfrey, que, no seu programa, dá a conhecer instituições, organismos e projectos que ajudam diariamente a vida destas mulheres oprimidas e violentadas a cada segundo pelo Mundo.

Vencedores de dois prémios Pulitzer, Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn disponibilizam entrevistas e testemunhos de violentas realidades, muitas vezes ignoradas por todos. O livro desperta nos leitores uma vontade de intervenção e ajuda, tudo devido aos cenários indignos que relata, ultrajantes para qualquer sociedade desenvolvida em pleno século XXI.

Uma das formas de começar essa mudança é a aposta na educação, quebrando o ciclo da violência e da pobreza, como defendem algumas organizações humanitárias que apoiam mulheres no mundo em desenvolvimento, como a Afghan Institute of learning, a American Assistance for Cambodia, a Apne Aap, a Ashoka, entre muitas outras.

De referir que nos últimos 50 anos foram assassinadas mais crianças, adolescentes e mulheres do que homens mortos em todas as guerras do século XX. Na Índia, por exemplo, a situação das mulheres é umas das piores do mundo, com a discriminação a começar desde o momento da gestação em que se define o sexo da criança. Em muitos casos, após a descoberta do sexo, segue-se o aborto (o infanticídio é quase tão comum como na China), o que acarreta o desequilíbrio entre os sexos, que cresceu 6% nos últimos anos.

Mas mesmo assim as mulheres que sobrevivem à infância têm poucas perspectivas de vida, já que, quando pretendem casar, o pai deve dar um dote valioso à família do noivo, que mesmo assim trata a noiva como uma escrava.

Nos casos de abuso sexual a discriminação não é diferente, já que as estatísticas indicam um aumento alarmante dos números (é o tipo de violência que mais cresce no país) e a tradição cultural ma Índia considera uma mulher que seja alvo de uma violação não como uma vítima, mas como uma criminosa: sofrer uma violação equivale portanto a prostituição…

«Estas histórias mostram-nos o poder e a resistência de mulheres que teriam todos os motivos para desistirem e não o fizeram. Elas serão uma inspiração para qualquer pessoa que leia este livro e um modelo para aqueles que lutam pela justiça por todo o mundo», lê-se em «Metade do Céu: Transformar a Opressão em Oportunidade para as Mulheres de Todo o Mundo».

Como disse Mark Twain, «o que seriam os homens sem as mulheres? Pouco, meus senhores, muito pouco».

Sofia Catarino

GRANDE REPORTAGEM: Sexo & Ancestrais

A ciência traz à tona indícios de que, na horade escolher um parceiro, ainda somos guiados pela biologia e por preferências estabelecidas pela espécie há milhões de anos, Homem alto, forte, caçador habilidoso e dominador.

Mulher jovem, saudável e com potencial para gerar muitos filhos. Em matéria de sexo, ele só quer saber de engravidar o maior número possível de parceiras. Ela é mais seletiva: seu objetivo é engravidar de um macho capaz de lhe dar a prole mais apta a sobreviver e encontrar um provedor que a ajude a alimentar e proteger os filhos. Assim eram, nos tempos das cavernas, os protótipos daquilo que os biólogos chamam de "macho alfa" e "fêmea alfa", os reprodutores ideais da espécie.

Milhões de anos se passaram desde então, mas a ciência não pára de trazer à tona indícios de que o comportamento sexual humano, tal e qual se conhece hoje, segue fundamentalmente os mesmos mecanismos psicológicos ancestrais. A herança evolutiva explica, entre outras coisas, por que sexo e dinheiro – ou melhor, sexo e status – sempre estiveram intimamente ligados. Nem mesmo uma revolução como a conquista dos direitos da mulher alterou significativamente as velhas táticas de sedução e os sinais de atração. A jornalista americana Candace Bushnell, autora do livro que inspirou a série Sex and the City, que retrata as expectativas e frustrações amorosas da mulher moderna, dá seu testemunho a esse respeito.

 "A escassez de machos alfa está na raiz do fato de que muitas mulheres tendem a ver suas iguais como inimigas", diz ela. É natural que os ecos do passado primitivo ainda se imponham. Homens e mulheres, afinal de contas, passaram apenas 1% de sua trajetória evolutiva sob os efeitos da civilização. Durante os outros 99%, estiveram à mercê dos seus instintos – que não têm nada de simples. Pedro Rubens Desde que o naturalista inglês Charles Darwin publicou A Origem das Espécies, em 1859, a ciência se habituou a analisar a evolução por meio de uma norma cardeal: a sobrevivência pertence aos mais aptos, e é para sobreviver no seu habitat que as espécies mudam e se adaptam.

Visto sob esse prisma da seleção natural, o cérebro humano seria uma máquina de resolver problemas ligados à sobrevivência, e o sexo não passaria de uma decorrência dessa necessidade. Mas agora há uma nova revolução em curso na ciência. Ela prega que, se estamos aqui, é porque cada um de nós é fruto de uma seqüência ininterrupta, que já dura milhões de anos, de relacionamentos bem-sucedidos entre homens e mulheres. Aqueles que sobreviveram saudáveis, mas não geraram filhos – uma escolha que o homem, como animal inteligente, está habilitado a fazer –, não estão representados entre nós. A meta da evolução, então, não é outra que não a procriação.

E, se procriar é sumamente importante, é de supor que as estratégias que as espécies desenvolvem para transmitir seus genes têm de ocupar o lugar central nas disciplinas que analisam a evolução. É exatamente isso que vem ocorrendo há cerca de duas décadas. Nunca os cientistas pensaram tanto em sexo – e o que eles estão descobrindo é que, nisso, acabam de se juntar ao resto da humanidade, e de toda a vida sobre o planeta. Todos nós só pensamos naquilo – e já há pesquisadores que propõem que o cérebro humano é, na verdade, uma máquina de cortejar.

Mais: ele é o maior e o melhor ornamento sexual da espécie humana, assim como a cauda o é para o pavão e os chifres, para o cervo. Vejamos: você se senta ao lado de um belo representante do sexo oposto no avião e imagina que nada faria aquelas dez horas de vôo passar mais rápido do que, digamos, uma boa conversa. Aí já está o primeiro diferencial entre o ser humano e, por exemplo, o pavão. Simplesmente mostrar a cauda e partir para o ataque é coisa que costuma resultar em visita à delegacia – e, alguns milhares (ou milhões) de anos atrás, renderia um sensacional corretivo por parte dos familiares encarregados de proteger o objeto de desejo.

Ou seja, é preciso se fazer tão atraente quanto o parceiro pretendido, para que ele concorde em entrar no jogo. Os requisitos são extensos: assunto, senso de humor, bons modos, charme e percepção, para não continuar falando como uma matraca quando a pessoa do assento ao lado dá mostras de que gostaria de tirar uma soneca reparadora. A boa aparência ajuda, e muito, mas não é decisiva.

De nada adianta um homem ter um maxilar forte – um dos traços mais valorizados pelas mulheres desde tempos imemoriais – se ele mantém seu interior à vista enquanto se serve do jantar. Homens e mulheres são guiados em grande parte pelos apelos biológicos. Mas, como a evolução colocou a espécie na situação peculiar de incluir a inteligência nessa equação, os chamados genéticos vêm se misturando, desde tempos ancestrais, ao que se convencionou chamar de cultura. Alguns estudiosos da linha de frente da psicologia evolutiva, como o americano Geoffrey Miller, acham que é aí mesmo, aliás, que está a razão de tudo aquilo que os teóricos da evolução nunca conseguiram justificar, como a arte, a música, o refinamento da linguagem, a moral ou a política. Nenhuma dessas atividades serve para melhor sobreviver à seleção natural.

Até há pouco, elas eram explicadas como subprodutos de um cérebro que tivera de se desenvolver extraordinariamente para se adaptar ao ambiente. Mas se essas habilidades humanas existem, e perduram, e ficam cada vez mais elaboradas, é porque elas têm alguma função biológica direta – ou a evolução já teria cuidado de se livrar desse excesso de bagagem. Mas qual função? Resposta: elas são táticas de seleção sexual e conquista.

Ou seja: se somos o que somos, diz Miller, é para melhor nos acasalarmos. Para homens e mulheres, isso significa combinar seus genes ao que houver de melhor à disposição no mercado. Para as mulheres, mais do que para os homens, significa também que é preciso achar um modo de que a prole sobreviva até o ponto de passar essa combinação privilegiada adiante. Para ambos, esses impulsos mesclam biologia, comportamentos e sentimentos num tal grau que é quase impossível distinguir onde uma coisa termina e a outra começa.

Para se ter uma idéia da complexidade do ser humano, um dos grandes estudiosos da área, o canadense Steven Pinker, elucida um ponto. Na maioria das espécies, o desejo sexual é uma estratégia para propagar os genes. Entre homens e mulheres, não. Entre nós, o desejo sexual é uma estratégia para obter prazer sexual – e esse prazer é que é a estratégia dos genes para se autopropagar. O prazer é tão decisivo para a espécie humana que hoje se credita a ele o fato de os homens terem, proporcionalmente, o maior pênis entre os primatas. Se o objetivo fosse simplesmente introduzir o máximo de sêmen na fêmea, como acontece entre os nossos parentes mais próximos, o importante seria ter grande volume testicular, e um órgão sexual apenas funcional.

Mas as mulheres parecem ter, desde sempre, apreciado o estímulo tátil que um órgão maior é capaz de proporcionar (ainda que a cartilha do politicamente correto hoje mande dizer que tamanho não tem nada a ver com documento). E, como são as mulheres que estão ao volante da seleção sexual – porque elas precisam ser seletivas –, os homens acabaram por adquirir a aparência que têm, sem maior função biológica além de cativar as emoções de suas parceiras.

Pode ser essa também – a implacável seleção sexual exercida pelas mulheres – a razão para o que alguns estudos vêm revelando: que os homens considerados bonitos costumam ter sêmen mais saudável do que o de seus colegas esteticamente menos favorecidos. Isso quer dizer que uma questão tão polêmica nos dias atuais – a da ditadura da beleza – tem origens bem anteriores à indústria da moda. Ainda que os padrões de beleza variem conforme a cultura e a época, eles obedecem a algumas constantes. Primeiro, os sinais de diferenciação sexual. Os homens apreciam nas mulheres os lábios mais cheios, a cintura fina e os seios, enquanto as mulheres valorizam a voz grossa, o queixo forte, a musculatura. Outra constante é a simetria, que hoje se sabe ser um sinal clássico de saúde genética, reconhecido como tal pela maioria das espécies.

O ser humano está tão programado para captar esses sinais que simplesmente observar um rosto belo desencadeia reações intensas de prazer. A área cerebral ativada é, curiosamente, a mesma que dá aos viciados em drogas ou em apostas aquele frisson no momento em que eles se entregam ao seu hábito. E ela calha de ser também uma das áreas mais antigas do cérebro, formada em tempos que precedem em muito o surgimento da linguagem.

Os feios e as feias, assim, que perdoem a evolução: a beleza é mesmo um vício humano, cultivado durante milhões de anos. Ainda que muitas das preferências ditadas pela seleção sexual já não tenham razão de ser hoje em dia, quando a vida é muito menos brutal do que no tempo das cavernas, elas estão tão arraigadas no cérebro humano que continuam a ditar comportamentos. Veja-se, por exemplo, o caso da altura. É um fato estatisticamente comprovado que as mulheres preferem homens mais altos do que elas.

Nos primórdios da humanidade, os motivos para tal eram claros: se um homem podia investir tanta energia nutricional na sua altura, ele tinha saúde para dar e vender – e seus genes, portanto, eram desejáveis. A altura seria, assim, não só uma vantagem em termos de força física, mas também um adorno sexual. Esse raciocínio parece ir frontalmente contra o caso típico, nos dias de hoje, do empresário poderoso, e não muito alto, que se cerca de mulheres com vários palmos de vantagem sobre ele. Para alguns estudiosos, não há aí nenhuma contradição, e sim uma resposta direta aos ditames da biologia. Com sua escolha de parceiras, esse homem estaria propagandeando que o que lhe falta em altura lhe sobra em capacidade como provedor – e, portanto, como difusor de seus genes.

As feministas costumam se arrepiar com essa idéia, mas, pelo menos do ponto de vista da evolução, a igualdade é uma quimera, e não só por causa do descompasso entre o relógio biológico do homem e o da mulher. Hoje os pesquisadores sabem que também os cérebros masculino e feminino não funcionam de modo idêntico. Desde o berço, os meninos tendem, grosso modo, a ser "sistematizadores", enquanto as meninas são, em geral, "comunicadoras": eles resolvem problemas com mais eficiência, elas avançam mais na linguagem. Mesmo na vida adulta, quando a educação, a cultura e a vida em sociedade já cuidaram de igualar a maioria das habilidades entre os sexos, certas diferenças continuam marcantes.

Qualquer casal já passou algum dia por uma discussão em que ela remói como ele a magoou naquele dia de outubro de 1991, e ele jura não ter a menor recordação do episódio. Vários estudos indicam que nenhum dos dois está mentindo. Imagens feitas em ressonância magnética do cérebro de homens e mulheres no momento em que eles estão sendo submetidos a uma mesma experiência emocional intensa mostram um cenário contrastante: enquanto apenas certas áreas do cérebro masculino se acendem, o delas vira uma árvore de Natal. A quantidade, e o tipo, dos circuitos ativados pela emoção é o que explica o fato de eles não tardarem a esquecer os sentimentos provocados pela experiência, enquanto os delas permanecem nitidamente impressos na memória – e prontos a causar muitas desavenças conjugais pelas décadas vindouras. Outro traço que as mulheres têm de forma muito mais acentuada que qualquer outro primata é a ovulação oculta – os homens, e quase sempre as próprias mulheres, não sabem quando elas estão férteis. Trata-se de um truque que ofereceu a elas, e à espécie em geral, uma série de vantagens evolutivas.

O intrigante é que essas vantagens foram mudando de figura no decorrer do tempo. Os machos de muitas espécies matam os filhotes gerados por outros machos para tirar a fêmea da lactação, fecundá-la de novo e garantir que os seus genes, e não os do concorrente, passem adiante. Especula-se que, nos primórdios da humanidade, não tenha sido diferente. Mas, se a fêmea é capaz de ocultar sua ovulação, fica difícil dizer quem é o verdadeiro pai da criança – e eliminar a cria deixa de ser uma opção. À medida que o homem foi se tornando um animal social e politicamente organizado, entretanto, a ovulação oculta começou a atender a outro propósito: o de manter o parceiro interessado.

Já que ele não sabe se seu chute foi a gol, é preciso insistir no treino. Como, no ser humano, biologia e cultura sempre andam juntas, começam a surgir evidências de que hoje as mulheres tiram dessa característica outra vantagem ainda: a de pular a cerca sem dar na vista. Desde que as peculiaridades do ciclo menstrual foram destrinchadas, no século XX, elas podem saber quando estão ovulando – mas não precisam contar a ninguém. E há mesmo provas de que elas olham muito mais para os lados durante o período fértil – e que os homens reagem mostrando-se muito mais atenciosos nessa fase do mês do que em qualquer outra.

Pesquisadores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, se deram ao trabalho de medir a incidência com que os maridos dão buquês de flores, fazem telefonemas inesperados e convidam para jantares românticos, e descobriram que esses mimos coincidem maciçamente com o período fértil das esposas. Ou seja, ambos estão atendendo a desejos ancestrais: elas, o de procurar sempre os melhores genes para combinar aos seus, e eles, o de vigiar a sua fêmea – mas com táticas que empregam todos os benefícios da civilização.

Em sua busca ancestral pelo melhor material genético, as mulheres não raro pulam a cerca de fato. Estudos feitos nos Estados Unidos indicam que em média 10% das crianças não são filhos biológicos dos maridos de suas mães, e sim fruto de escapulidas conjugais. Em outra pesquisa recente, realizada por dois cientistas americanos com um universo de 349 pessoas casadas de ambos os sexos, nada menos que 34% das entrevistadas tinham fantasias sexuais freqüentes com outros homens.

Sejam casadas ou solteiras, no entanto, as mulheres não chegam nem perto da performance dos homens quando o assunto é variação de parceiros. Embora elas costumem ser evasivas sobre o assunto mesmo em pesquisas, as estatísticas sugerem que os homens têm pelo menos três vezes mais relações fortuitas – o tal sexo casual. Garotas liberadas como as da série Sex and the City podem até existir em maior número do que antigamente, mas ainda são uma exceção à regra. "As mulheres que praticam sexo casual sempre foram minoria e, mesmo com a liberação feminina, continuam a ser um fenômeno restrito aos grandes centros urbanos, onde podem ter relações anônimas sem ferir sua reputação", disse o evolucionista David Buss, autor de um estudo fundamental sobre a psicologia do sexo, intitulado A Evolução do Desejo. A voracidade sexual masculina é reflexo da velha meta biológica de fecundar o maior número possível de parceiras.

No meio científico, ganhou o nome de efeito Coolidge, em referência ao ex-presidente americano Calvin Coolidge (1872-1933). Certa vez, ele e sua mulher visitaram, separadamente, uma fazenda. Ao saber que um galo copulava dúzias de vezes ao dia, a primeira-dama se impressionou. "Contem isso ao presidente", pediu ela aos assessores. Mais tarde, ao ser informado, Coolidge também ficou curioso – mas a respeito das parceiras do galo. Descobriu que eram sempre frangas diferentes. "Contem isso para minha mulher", devolveu ele. Os machos de muitas espécies não medem esforços ou riscos em seu apetite por novas conquistas amorosas. Num certo tipo de sapo, os indivíduos são tão rápidos no gatilho que às vezes, por engano, investem sobre rivais do mesmo sexo – que emitem um ruído de alarme para avisar sobre o equívoco.

O homem da idade da pedra também era insaciável: há evidências arqueológicas de que era comum que ele tivesse até dez mulheres. Para os cientistas, o fato de os machos humanos serem 15% maiores que as fêmeas é um indicativo de que havia competição violenta entre eles pela posse delas. Enquanto os vencedores conseguiam propagar seus genes à vontade, aos perdedores restava se aproveitar dos vacilos dos rivais – quando estes partiam para uma longa caçada, por exemplo –, para ter acesso às mulheres. Uma estratégia adotada pelos machos de algumas espécies de animais permanece até hoje em voga entre os homens: se ele não é o líder do pedaço, pode tirar bom proveito da amizade com o maioral.

Veja-se, por exemplo, o que pesquisadores descobriram sobre uma espécie australiana de pássaro.

Os machos menos vistosos não desgrudam daqueles que são mais coloridos e apreciados pelas fêmeas. Ficam sempre por perto, cooperam com o casal – e, quando o titular menos espera, fecundam a fêmea. Entre os homens, os amigos também podem ser rivais traiçoeiros. Segundo David Buss, os companheiros mais íntimos de um homem são aqueles que têm mais condições de vir a traí-lo – sob o manto da fraternidade, podem acalentar desejos inconfessáveis pela namorada alheia e, com sorte, até concretizá-los. A evolução forneceu aos machos humanos, ainda, uma característica psicológica que as mulheres detestam: eles são capazes de se apaixonar loucamente e fazer as maiores juras de amor – para logo se desinteressarem da parceira. E ambos os sexos aprenderam que uma boa intriga pode ser uma arma valiosa para desancar eventuais concorrentes. Pesquisadores da Universidade do Texas fizeram um estudo para saber até que ponto as pessoas são capazes de se valer da maledicência para fisgar um parceiro alheio.

Nada menos que 60% dos homens e 53% das mulheres responderam que já haviam tentado sabotar alguma relação – e disseram-se bem-sucedidos em um terço dessas tentativas. A psicologia evolutiva mostra que o modo de pensar dos homens muda radicalmente quando eles estão à procura de uma parceira fixa.


Quando isso acontece, eles revelam-se tão seletivos quanto as mulheres, pois estão fazendo aquilo que os cientistas chamam de "alto investimento parental" numa futura prole – quer dizer, abdicam da estratégia de propagar seus genes com o maior número de fêmeas possível e passam a apostar suas fichas numa eleita. Nessa hora, eles podem até enumerar inteligência, simpatia e companheirismo como atributos desejáveis numa mulher. Mas a herança ancestral faz com que procurem, acima de tudo, outras qualidades: beleza e juventude.

Eis um exemplo brasileiro: na agência de relacionamentos virtual Comovai, que possui um cadastro de mais de 350.000 clientes, a maioria dos candidatos ao altar é composta de quarentões à procura de mulheres na faixa dos 20 aos 30 anos. "Os homens não querem mesmo saber das feias e das mais velhas. É muito triste", diz a psicóloga Marly Kotujansky, sócia da agência. A ciência vem demonstrando que, ao embarcar num casamento, os homens sofrem uma notável alteração biológica. No ano passado, pesquisadores da Universidade Harvard compararam os níveis de testosterona de solteirões e de maridos que dedicam boa parte de seu tempo à família. É esse hormônio que regula, entre outras coisas, o apetite sexual e a agressividade dos homens. Verificou-se que a quantidade de testosterona no organismo dos casados tende a ser menor do que naqueles indivíduos que estão livres, leves e soltos no mercado da azaração.

Ou seja: não é à toa que muitos se tornam mais pacatos depois do casamento, transferindo a energia que gastariam na corte às fêmeas para tarefas como levar as crianças ao shopping e passear com o poodle da família. Qualquer homem ou mulher à procura de um parceiro sabe, por experiência e intuição, que o tipo de social-darwinismo descrito por Candace Bushnell continua vivo e operante no território romântico. O biólogo Kevin J. McGraw, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, achou que seria possível traduzir a competição em números. McGraw examinou milhares de classificados pessoais publicados por mulheres em jornais de 23 cidades americanas, e chegou a conclusões no mínimo curiosas.

Nas cidades maiores, onde há grande disputa pelos "recursos naturais" – emprego, residência, dinheiro –, os requisitos mais comuns são que o candidato seja "financeiramente estável", ou "profissional e inteligente". Nas menores, onde os confortos do dia-a-dia são mais acessíveis, as mulheres tendem a enfatizar, em seus anúncios, as qualidades morais e sentimentais da alma gêmea que gostariam de encontrar. O mais intrigante na espécie humana é que a quantidade de semelhanças entre os sexos supera em muito a quantidade de diferenças.

Nas outras espécies não é assim. Pavões machos têm cauda longa, colorida e ornamentada, enquanto suas fêmeas são arrematadas por umas poucas peninhas sem graça. Cervos machos ostentam galhadas impressionantes, mas, na maioria das espécies, suas fêmeas não têm chifres. Já homens e mulheres compartilham todos os seus "adornos sexuais" – seu gosto pelo esporte, pela arte, pela linguagem e pelo poder. Isso nos torna realmente uma espécie única. A pavoa não precisa ter uma cauda bela para apreciar a dos machos à sua volta.

Mas uma mulher tem de dominar os refinamentos da linguagem para entender que um homem que usa melhor as palavras lhe está fazendo uma corte mais elaborada que a do pretendente que não sabe juntar o sujeito ao predicado. Um homem tem de ter algum senso estético para, naquela visita à galeria de arte com a namorada, não dizer que a pintura que ela tanto apreciou parece ter sido feita por uma criança de 5 anos.

Quando homens e mulheres produzem e assimilam cultura, pode-se dizer que estão refinando suas estratégias de sedução, ainda que nem lhes ocorra que é isso que estão fazendo, e que os benefícios são muito mais amplos do que o sucesso com o sexo oposto.

Em suma: homens e mulheres têm de se aprimorar sempre, e no mesmo passo, para serem capazes de julgar os méritos uns dos outros e atribuir-lhes o devido valor. A seleção sexual pode ser o mais antigo e primitivo de nossos instintos. Mas é ela que nos faz civilizados.

Isabela Boscov e Marcelo Marthe

Gritar durante o sexo é coisa de macaco

Como cantariam os Mamonas Assassinas, “no mundo animal, ‘ixeste’ muita…” promiscuidade. Não é fácil existirem espécies animais (exceto, claro, os humanos) que não fazem sexo apenas para a reprodução, mas entre os nossos parentes próximos, algumas espécies estão com a macaca.

Entre os bonobos, o sexo serve também como uma ferramenta social. Uma nova pesquisa descobriu que seus gritos durante a relação sexual podem servir como símbolos de status e publicidade que mostram quão populares são os seus parceiros.

Esses macacos são irmãos dos chimpanzés comuns, e, como eles, são os parentes vivos mais próximos dos seres humanos. Apesar disso, são uma das espécies menos compreendidas. É por isso que este estudo pode ajudar os humanos a entenderem um dos aspectos de seu comportamento: sua comunicação vocal.

Os primatas, hoje ameaçados, são lendários pela sua fama sexual: frequentemente se envolvem em encontros sexuais com membros de ambos os sexos. Durante o sexo, os bonobos fêmeas gritam muito alto.

Em muitas espécies, as fêmeas possuem chamados de cópula vistos como maneiras de mostrar que elas são “boas de cama”, talvez para atrair mais companheiros e melhorar suas chances de se reproduzir.

No entanto, os bonobos fêmeas dão esses gritos mesmo quando têm relações sexuais com outras fêmeas, com quem elas não podem ter filhos. Safadinhas?

Não. Os cientistas estão descobrindo que, assim como os bonobos se acasalam normalmente, por razões que não têm nada a ver com a reprodução, eles também podem gritar por outras razões mais amplas, como um papel social além da simples reprodução.

Esclarecimentos não são fáceis, entretanto. Relatar e documentar o sexo dos bonobos é tarefa complicada. Com a chuva, eles se escondem. Às vezes, quando comem em grupos grandes, há tanto sexo e tanta coisa acontecendo entre cada combinação de sexo e idade que fica difícil acompanhar quem está fazendo sexo com quem.

Porém, após um ano de estudo, os pesquisadores conseguiram entender um pouco melhor a atitude: durante o acoplamento entre o mesmo sexo, o parceiro de baixo escalão sempre grita. As chances do parceiro menos popular gritar geralmente aumentam com a posição social do parceiro, independentemente do fato de ser macho ou fêmea.

Desta forma, os cientistas concluíram que os gritos dos macacos são a publicidade que informa que eles estão “a fim” do Sr. ou Sra. Popular. As fêmeas alcançam o poder através da formação de coligações com outras fêmeas, assim como os machos, de modo que ter amigos poderosos, e anunciar isso, importa.

Pesquisas futuras vão analisar se esses gritos são realmente significativos para os outros chimpanzés que o ouvem.

Live Cience

GRANDE REPORTAGEM: A nudez está na moda

Depois da fase politicamente correta e conservadora iniciada nos anos 1990, um terremoto abala as publicações de moda: a sensualidade e os pelos pubianos voltaram. Será o fim da caretice?

Em fevereiro de 2007, quem folheou distraidamente a Vogue Paris, a mais deslumbrante revista do mundo da moda, foi sacudido por um pequeno terremoto. O epicentro se encontrava precisamente em uma matéria chamada Sex Fort, pautada, de acordo com a chamada, pela “lei do desejo” e pelo “vinil afrodisíaco”. Eram seis páginas com uma modelo loira.

O nome dela: Lara Stone (nome de heroína de história em quadrinhos). O do fotógrafo: Mario Testino. Em duas imagens Lara deixava aparecer a calcinha branca com estampa da Margarida, a namorada do Pato Donald. Na última imagem, ela estava sem calcinha, exibindo, desinteressadamente, os pelos pubianos – e tudo mais – para os leitores. A editora responsável por essa reportagem era Carine Roitfeld. Fotos de modelos nuas já foram mais freqüentes nas revistas de moda. Especialmente nas francesas. França não rima apenas com croissants, St. Tropez, vinho incomparável ou Gauloises sem filtro. É o lugar onde as mulheres mais seguras de si desafiam as convenções sociais. Especialmente em Paris, que, além de tudo, é a capital da moda mundial. Não à toa a Vogue francesa leva no logotipo a palavra Paris. Vogue Paris. Uma sutileza que poucos percebem, mas que é fundamental.


Durante os anos 1970, a Vogue Paris teve como colaboradores duas das maiores lendas da fotografia de moda: Guy Bourdin e Helmut Newton. Bourdin colocava sua imaginação em um universo anárquico, provocador. Newton, mais cerebral, envolvia suas matérias em um ambien te de sexo e luxuosa decadência. Os dois publicaram inumeráveis ensaios de moda em que, frequentemente, suas modelos apareciam quase nuas. Ou totalmente nuas. Foi no estúdio da revista, na Place du Palais Bourbon, que Newton fez um de seus clássicos: o autorretrato com uma modelo nua refletindo em um espelho o fotógrafo, vestido com uma capa de chuva (um trench, no mundo da moda), enquanto, a seu lado, sua mulher, June, o contempla. Pela janela se podem ver a praça e Paris ao entardecer. Puro Velásquez.

Em 1981, por exemplo, a Vogue Paris publicou uma série de fotos de Newton na matéria Beaute Silhouette 82. Em uma página, um grupo de modelos aparecia vestido com as roupas da ocasião, enquanto que, na página oposta, elas estavam na mesma posição, mas nuas. Da cabeça aos pés. Não provocaram grande comoção, mas a série acabou sendo exposta em vários museus e no famoso – e volumoso – livro Sumo.

A moda vive sempre em um processo de gangorra no qual aquilo que um dia era “cool” depois de um tempo deixa de sê-lo. A partir dos anos 1990, o politicamente correto começou a se infiltrar nos conceitos criativos das redações e a sexualidade nas fotos, de certa maneira, foi deixada para um segundo plano (a descoberta do vírus HIV ajudou, também, a frear o frenesi tanto na vida real como na imaginária). Carine Roitfeld foi redatora da Elle francesa por algum tempo e depois se interessou por produção de moda.

Um dia, em uma sessão de fotografia para crianças – sua filha era uma das modelos –, conheceu o fotógrafo Mario Testino. Surgia ali uma dupla que revolucionaria o marasmo em que a fotografia de moda havia estacionado. Eles produziram campanhas memoráveis para clientes como Gucci, Calvin Klein e Versace. De alguma forma, em algum lugar das corporações sempre tem alguém que detecta quando é preciso mudar. Em 2001, Carine Roitfeld foi convidada para ser editora da Vogue Paris.

O ponto de partida dela era criar uma publicação descaradamente desencanada em fazer a moda acessível para seus leitores. Uma revista em que Juliette Greco se misturasse com Ziggy Stardust1. E foi o que fez. Isso a colocou fora do alcance da neura de ter de agradar a todo mundo, a verdadeira kryptonita2 de qualquer publicação. O resultado? Aumento de 60% de publicidade durante sua gestão, o melhor desempenho desde os anos 1980. Criatividade e ousadia compensam. Isso a colocou, também, na posição de poder utilizar as páginas da revista como um terreno fértil para suas criações. E de decidir que a nudez não seria castigada.

“Gosto dela [Lara] porque é diferente das outras modelos, mais redonda, fica com vergonha…”, disse Carine na ocasião3. As modelos passaram a confiar nela e se entregar aos fotógrafos para ser transformadas em deusas. Na edição de dezembro de 2007, a revista publicou um calendário com 13 imagens da modelo Karen Elson vestindo algumas peças do megaestilista John Galliano. E amarrada por cordas. Glamour Bondage era o título da matéria. Em qualquer outra publicação isso seria uma provocação. Na Vogue Paris, não. O efeito era absolutamente chique.

Não adiantaram muito os poucos telefonemas de leitores ultrajados (sempre existe o leitor ultrajado, essa figura que, em vez de não comprar mais a revista que o incomoda, faz questão de ligar para a redação e perder seu tempo e o dos outros dizendo que não vai mais comprar a revista; o resultado é o mesmo). Carine continuou firme no cargo. Já na Mikael Jansson foi para a Ilha de Antígua e de lá voltou com fotos de uma mergulhadora com todas as garrafas de oxigênio a que se tem direito, nua – da cintura para cima, é verdade – e vestindo apenas um relógio. A matéria era de… relógios, claro.

A nudez não pertence a nenhuma revista, e a moda é feita de muitos espelhos. Logo outras publicações começaram a mostrar modelos nuas em suas páginas. Um seio aqui. Um outro ali. O corpo todo. A relativamente nova Love (“Fashion & Fame” está escrito em pequenas letras abaixo do logotipo), em sua terceira edição, desembarcou nas bancas de Londres com oito capas – entre elas, Amber Valletta, Christen McMenamy, Naomi Campbell, Daria Werbowy, Natalia Vodianova e Kate Moss.

Todas na mesma pose e nuas. Dentro – envoltas pelo manto do título The Fashion Icons –, elas se expõem por inteiro e em preto e branco por páginas e mais páginas de fundo branco. Antes, em seu primeiro número, a Love (bianual) tinha deixado claro ao que vinha: na capa e em uma longa matéria, a opulenta cantora Beth Ditto se apresentava nua em um ensaio de moda minimalista.

Kate Moss, aliás, é um caso à parte na pequena constelação das supermodelos. Nunca antes na história da moda uma profissional apareceu o mesmo número de vezes tanto vestida quanto nua em tantas publicações.

Sua nudez nunca afetou os volumosos contratos que fez para ser o rosto de inúmeras marcas, e sua última aparição nua foi na mais recente edição da Vogue Homme International, uma revista de moda masculina bianual cuja editora é ninguém menos que Carine Roitfeld, que acumula a função com seu cargo na Vogue Paris.

Em 1976, quando a revista se chamava apenas Vogue Homme, Helmut Newton (sempre ele) publicara o que mais tarde se tornaria uma das imagens clássicas da fotografia de moda: uma modelo nas ruas de Paris – iluminada pela luz que Brassai já havia registrado – vestindo um terno Saint-Laurent. A seu lado, uma outra modelo totalmente nua.

Hoje, sob o comando de Carine, a maior parte da redação é composta por mulheres. A teoria dela é que ninguém melhor do que uma mulher para saber o que é bom para um homem. Na última edição de verão, dez páginas mostram a esplendorosa Kate Moss fotografada pelo ex-namorado Mario Sorrenti, tão ao natural quanto as intocáveis praias do Caribe que servem de cenário para a matéria.

O efeito Roitfeld tem se espalhado com rapidez por outras revistas de moda. A francesa Numero, a inglesa Pop 4 e a edição japonesa da Vogue mostram com frequência modelos nuas. Uma prova de que a nudez nas páginas de revista não será mais castigada. E que as modelos – famosas ou não – não têm problema em tirar a roupa se for para publicações femininas e misturadas à elegância das grifes mais caras do planeta. O luxo, nesse caso, compensa.

SEXO ! SEXO ! SEXO !

- Na verdade, bastava escrever a doce palavrinha uma vez. Sem ponto de exclamação. Eu poderia ter digitado até conforme a nova ortografia a entrar em vigor no ano que vem: "secso". O efeito teria sido o mesmo. Captada estaria a total atenção do freguês.

Não há ninguém no mundo que passe pela palavra e não dê ao menos uma conferida. A suave, ou por vezes enérgica, conjunção das letrinhas são mais ou menos idênticas em qualquer língua falada e escrita. Sex, sexe, sesso e umpa-umpa são em seus respectivos idiomas originais, a saber, inglês, francês, italiano e somali, prontamente identificáveis por qualquer indivíduo ou indivídua, não importa o seu, uai!, sexo. O sexo é a a coisa mais interessante na face da Terra.

Não fosse ele e a própria, a Terra, isto é, não giraria e nem estaríamos todos aqui gozando, por assim dizer, das artes e estratagemas de Cupido, que é para dar uma coloração menos violenta a este texto. Embora um pouco de violência...

Ah, deixa isso pra lá. O que eu queria mesmo é chamar a atenção de quem passou os olhos por aqui. Se o senhorinho ou a senhorinha ainda me acompanha é sinal de quem fui bem sucedido. Podemos, pois, passar ao que realmente interessa. Sim, sim, claro, é sobre sexo! Por que é que os seres humanos fazem sexo? Ou têm sexo. No sentido de um no outro, coisa e tal.

Não estou querendo me fazer de engraçadinho, mas esse é o título de um artigo publicado na augusta edição de agosto da revista Arquivos do Comportamento Sexual, publicado pela editora da Universidade do Texas, na cidade de Austin, e assinada por Cindy Meston e David Buss, que, no por certo prestigioso estabelecimento escolar, realizaram uma pesquisa entre 1549 participantes.

A pergunta indagava das pessoas os diversos motivos para terem, fazerem ou se envolverem em sexo. O questionário constitui, segundo as pessoas que entendem disso (de pesquisas e não sexo), a mais extensiva lista de motivos para a propagada copulação, para dar um nome nada eletrizante ao mais antigo dos passatempos ("passatempo" foi um dos apelidos dados ao ato, ou "acto" como dizem os portugueses, coitados, em questão).
Um pequeno parêntese: Cindy é nome de acadêmica sexual? Mesmo no Texas? Cindy ou é boneca ou pseudônimo de moça de programa. Sejamos sinceros.

Vamos a algumas das motivações conforme o texano estudo.

"Eu estava com vontade de reproduzir" (motivo que pegou o 231º lugar). "Eu queria me castigar"(motivo 148). "Eu (ou ela) estava ovulando" (motivo 232). "Trata-se de meu imperativo genético" (motivo 180). "Eu estava apenas querendo reproduzir" e "Eu queria fazer um bebê" (empatados no motivo 27). Sem dar a ordem da motivação, os texanos - diga-se de passagem - 96% dos quais entre os 18 e os 22 anos, 5% judeus e 36% cristãos fundamentalistas - optaram ainda pelas seguintes motivações, desculpas ou pretextos, conforme queiram: - Eu queria passar pela experiência. - Eu precisava me sentir atraente. - Eu necessitava me sentir feminina. (Apenas no caso das mulheres. Espero.) - Eu estava a fim de me sentir bem comigo mesmo(a). - Eu queria me conectar com a outra pessoa. - A outra pessoa era inteligente. - A outra pessoa tinha muito senso de humor.

E motivo que não acaba mais. Já entrei, mais do que devia, nos méritos do assunto. Abstenho-me de comentar, além de citar apenas mais dois dos motivos mais populares para, no Texas, tendo entre 18 e 22 anos de idade, queimar incenso no altor de Eros, conforme diziam as pessoas educadas e meio virgens de meu tempo: - Todo mundo estava indo nessa.

Segredos de uma lésbica para homens

Inúmeras coisas podem fazer certas pessoas pararem para pensar atualmente. Os tempos mudaram e isso é visível onde quer que estejamos neste momento.

Convenções são quebradas a cada instante e sempre há uma ´nova´ para contar sobre algo velho que se converteu em uma nova direção, uma nova certeza. Ao escrever “Segredos de Uma Lésbica para Homens”, a escritora Milly Lacombe, que atua ainda como editora da revista TPM, onde ousou inaugurar a primeira coluna gay para mulheres, expõe um universo totalmente desconhecido por parte da maioria dos homens. Pelo menos os heterossexuais.

Lacombe desvenda fatos e derruba mitos em seu livro, que tem um texto leve e dinâmico e muitas doses de humor na hora certa. Como um manual de sobrevivência no corpo feminino, o livro não chega a ser uma ´receita´ mas pode sim, ajudar e muito a relacionamentos cansados ou no mínimo, rotineiros.

Dividido em três partes, a psicológica, o conto e a parte prática, a obra aborda desde a complexidade da mente feminina, nos ajudando a entender e a aceitar certos paradigmas que para nós são mistérios indecifráveis até compreender diretamente as respostas do corpo feminino. No capítulo O Conto, uma breve história sobre o envolvimento de duas mulheres, uma lésbica e a outra, vinda de um casamento em crise e que por conta de uma forte amizade com a primeira, descobre novos sentimentos e sensações que o relacionamento convencional jamais havia lhe mostrado.

Bancando a conselheira sexual, a autora divide a obra em parte prática, parte psicológica e num conto pra lá de esclarecedor quando o assunto é “porque ela se aventurou pelo outro lado?” Conversamos com ela numa tarde de Fevereiro e descobrimos novos segredos que apenas uma lésbica poderia passar para os rapazes...

De onde surgiu à idéia de escrever esse livro?
Fui convidada pela editora Jaboticaba porque o Andre Fischer tinha feito um livro de dicas sexuais de um homem gay para mulheres heterossexuais. O livro foi sucesso de vendas e critica.

Ai eles pensaram: por que não fazer o contrário?

O que mudou do momento em que você resolveu escrevê-lo até a sua publicação?
Achei super divertido poder falar de sexo abertamente e procurei não ter nenhum tipo de preconceito. Quis falar com homens e mulheres heteros antes de fazer o livro. Por isso, antes de falar com grupos heteros não escrevi nada. A dica mais bacana que recebi foi ensinar o sujeito a se comportar como um lésbico, esquecer que ele tem um pau antes da relação.

Como o público recebeu o livro? Você ouviu algum comentário curioso depois de sua publicação?
O pessoal está achando divertido. Algumas mulheres me agradeceram, disseram que a vida delas melhorou muito, mas acho que era brincadeira, não era sério...

Qual é a maior falha dos homens na cama, aquilo que as mulheres mais se queixam? E como evitar que isso aconteça?
Uma falha que se tornou reclamação comum foi querer ir direto ao assunto e confiar demais no pau, achando que bastava a penetração para deixá-las satisfeitas. Algumas mulheres sugeriram que eu colocasse um mapa do clitóris, afirmando que muitos homens não conhecem o local. A dica é esquecer do pau antes da transa, durante as preliminares, pra quando você colocar ele na relação, no segundo tempo do jogo, ficar até melhor. Tipo o Denílson, que muda o ritmo da partida, mas nunca entra no primeiro tempo (risos). No livro consta que o conto Gabriela e Bruna foi baseado em fatos reais.

Seria você uma das protagonistas?
Não fui eu não, foi baseado numa história de uma amiga. A outra é uma mulher que eu não conheci. Numa das passagens da parte prática você afirma que as mulheres não gostam do homem metrossexual, e que o conceito é apenas uma forma de disfarçar a homossexualidade.

Você não acredita que existam homens heterossexuais vaidosos?
Existem homens heteros levemente vaidosos, mas o metrossexual é extremamente vaidoso, tira a sobrancelha, faz a unha... Esse sujeito tão vaidoso agrada a homens, e não a mulheres. O que quer dizer que conscientemente ou não ele está pronto para agradar outros homens. Pelas pesquisas que fiz vi que as mulheres não se atraem por esse tipo de homem.

Da forma como o assunto é tratado no livro, parece que por conhecer o corpo feminino as mulheres automaticamente são parceiras sexuais perfeitas para outras mulheres. Isso é verdade? Ou existe lésbica ruim de cama também?
Eu acho que nenhuma verdade é absoluta, deve existir lésbica ruim de cama sim. Mas é a mesma coisa que o homem gay, a chance dele agradar outro homem na cama é maior que de uma mulher agradar.

Beneficio do equipamento.

Por que o homem entra em crise sexual?

Moças, o japonês broxou. A pesquisa e as provas estão aí, circulando ao alcance de um www. Mas eu resumo: membros do Ministério da Saúde amarelo foram às ruas de Tóquio e arrabaldes com caderno, caneta e inquietação. Voltaram ao escritório do ministro com certeza, suspiro e inquietação.

Batucaram os seguintes porcentos: 40% dos casais japoneses não fazem sexo regularmente. Trinta e seis por cento dos samurais (rapazes entre 16 e 19 anos) maldizem suas transas. Têm aversão a elas. As nipônicas vão ainda mais longe na corrida contra as trepadas: 59% delas, garotas nos tenros 16 a 19, contaram seu completo desinteresse por camas, pênis, camisinhas, beijocas e gozadas.

A esse festival de broxadas, a esse Caravaggio de tristezas, a esse Marat estirado na cama, a esse carnaval de agamia, jornalistas batizaram de “geração herbívora” – uma grande idiotice e uma grande injustiça, já que nabos, cenouras, melões, mamões e pupunhas obviamente demandariam vomitinhos, gases e um Engov na dieta dessa gente sem sal e sem sexo.

O que pensar, meninas? O que pensar? Eu pensei em checar. Pensei vasculhar os e-mails que vocês me mandam. Leio todos. Sofro com todos. Gostaria de distribuir um beijinho e um abracinho a cada pedido de conforto. Mas entendam: eu não consigo nem me bastar, o que dizer do grande público? O que posso soltar, o que posso distribuir são as minhas groselhentas generalidades.

E direi a primeira groselha: aqui, brasileiras e brasileiras, não está tão diferente! Aqui no Brasil não está tão diferente, moças! Noto nos seus e-mails uma quantidade grande de reclamações quanto ao comparecimento sexual do moços. Noto uma dor da gente tentando entender por que, às vezes, o relacionamento esfria. Noto uma súplica por uma luz: “J., vai voltar a ser o que era? Me diz! Me diz!?!” Noto a multiplicação dos náufragos, as garotas perdidas num caiaque, porque não sabem como atiçar as fantasias dos seus homens.

Pois noto, assim, que o brasileiro é o novo japonês.

E eu direi: muita calma! Muita prudência! A coisa tá russa, a coisa tá japonesa, mas tem jeito e tem explicação. Nos próximos posts – a começar pelo que publico quarta que vem –, mergulho nos abismos dos casais, dos casinhos, dos romances em crise carnal.

Por que os relacionamentos esfriam? Tem volta? O que passa na cabeça de um homem quando isso acontece? O que reaviva o desejo masculino? E por que você jamais deve fazer um striptease!

Até!