“A liberdade sexual é uma utopia”

Conhecida por narrar sua vida sexual livre e muito intensa, a escritora francesa Catherine Millet se roeu de ciúme ao descobrir que o marido seguia a mesma regra. Ela fala sobre esse conflito, que é tema de seu segundo livro Por Amarílis Lage.

Relacionamento aberto? Utopia. A constatação acima vem com o peso da experiência: a francesa Catherine Millet, 61, adotou a liberdade sexual como regra já em seus primeiros relacionamentos e não abriu mão dela nem quando se casou com o escritor Jacques Henric. Crítica de arte e fundadora da conceituada revista Art Press, ela causou estardalhaço ao relatar suas experiências sexuais no livro A Vida Sexual de Catherine M., de 2001.

Já nas primeiras páginas, há o relato de uma suruba, da qual ela participou pouco depois de ter a primeira transa aos 18 anos. Nas surubas seguintes, chegou a participar de eventos com quase 150 pessoas.O que parecia natural para ela começou a ser questionado quando Catherine achou fotos de uma das amantes de seu marido. O ciúme intenso que a dominou e que a levou a espionar a vida sexual de Jacques nos anos seguintes é narrado no livro A Outra Vida de Catherine M., recém-lançado no Brasil.

A experiência, diz, foi quase patológica.“Escrevi A Vida Sexual... como forma de escapar do meu analista”, brincou a autora, em uma entrevista coletiva durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), no início de julho, após declarar que o processo de escrita foi transformador. Suas roupas sóbrias e sua voz pausada desfaziam qualquer imagem de mulher sedutora que as obras poderiam sugerir. Pergunto se ela acha que os livros, tão confessionais, mostram quem ela realmente é. “O autor escolhe o que vai mostrar”, ela diz. “E já me disseram que, apesar de eu falar coisas tão íntimas da minha vida, permaneço misteriosa.

”No livro A Outra Vida de Catherine M., você é bem dura consigo mesma, quando critica seu egocentrismo, seu ciúme... Mas não percebi nenhum sinal de raiva contra Jacques ou uma crítica aos casos extraconjugais que ele tinha. Por que reagiu assim? Nós tínhamos um contrato não escrito: nós nos autorizávamos a liberdade sexual. Jacques viveu essa liberdade, assim como eu a vivi, então não havia uma traição. Havia um acordo. Eu não podia acusá-lo de haver me traído porque, a princípio, nós dois estávamos de acordo com essa liberdade sexual. E é verdade que eu jamais, durante toda essa crise, tive ressentimento ou agressividade contra ele.

Eu não recriminava seus atos. Eu recriminava a mim mesma, por sofrer.Mas por que você se recriminava? É natural sofrer em uma situação assim. Sim, mas nós sempre queremos fugir desse sofrimento (risos). E, para mim, esse sofrimento não era natural. A crise que eu atravessei teve aspectos patológicos. O ciúme que eu experimentei era mais que um sentimento natural, era quase uma doença da alma e se transformou em uma obsessão. Eu estava obcecada.

Você relatou também ter sentido ciúme em relacionamentos anteriores, como o que viveu com um ex-namorado, Claude... Sim, mas aquele ciúme era menos profundo, não se transformou em uma obsessão, como no caso com Jacques. Nesse caso com Claude, sim, era um ciúme mais natural. E onde está a diferença? Acha que o ciúme está conectado ao amor? Sim, claro. Mas, na verdade, acho que a raiz do ciúme é sexual. E que esse ciúme se exprime de modo mais direto quando existe também o sentimento amoroso. Falando em sexo, você conta em seus livros que suas experiências sexuais não tinham como meta sentir prazer. O que você buscava? Encontrar as pessoas (risos).

Para mim, a relação sexual fazia parte de um relacionamento normal com os homens. Se eu tivesse prazer nessa relação, tanto melhor. Mas, se não tivesse, não era algo grave – eu poderia ter outro encontro no qual talvez sentisse prazer. Para mim, a relação sexual era algo que vinha no meio de todas as outras coisas: a discussão, o trabalho em equipe, todas as atividade da vida estavam misturadas. O sexo não tinha uma importância particular. Entretanto, você escreveu que as suas experiências sexuais pareciam um pouco desconectadas das suas outras esferas de vida.

Como se existissem duas Catherine. Elas se tornaram separadas a partir do momento em que eu passei a viver com o Jacques, para que esses encontros sexuais que eu tinha não entrassem em conflito com essa relação de amor. Eu vivia essas experiências como se fosse uma outra Catherine que as vivenciasse. Era um tipo de arranjo comigo mesma para que a mulher apaixonada por Jacques não estivesse em conflito com a mulher que vivia a sua liberdade sexual. É por isso que eu separei as coisas. Na sua opinião, esse conflito entre a liberdade sexual e a vida amorosa é inevitável? Ou é possível conciliar as duas coisas? É inevitável.

Acho que esse contrato não escrito entre Jacques e eu, de respeitar a liberdade sexual um do outro, era uma utopia. A liberdade sexual, como sonhada pela nossa geração, de maio de 1968, era certamente uma utopia. Você acha que viver a liberdade sexual é mais difícil do que optar por uma relação monogâmica? Não. Na verdade, acho que a liberdade sexual é até mais fácil do que a monogamia. Então, por que você a considera uma utopia?

A liberdade sexual é uma utopia na medida em que ela não proporciona a serenidade – para assegurar essa liberdade, será necessário estar sempre em combate, em uma luta. E é uma utopia, também, na medida em que ela não vai evitar o nosso sofrimento. Como aquele que é causado pelo ciúme. Eu sabia que essa obstinação inquisitorial levava ao vício.

Os sintomas foram a repetição mais frequente dos atos, a necessidade de dores mais fortes. Logo, os papeizinhos encontrados ao acaso não foram mais suficientes, e fui procurar no fundo dos bolsos. Cometi dois ou três furtos: uma folha de bloco (...) e a foto de uma jovem nua (...). Não as guardei com o objetivo de mostrá-las a Jacques para acusá-lo. Elas foram se juntar à desordem das minhas gavetas. De vez em quando, olhava para elas (...) Sua única função era relançar o puro abandono na dor.

A crise econômica americana pelo olhar de uma prostituta ...!

Steven Soderbergh analisa a relação dos negócios com o erotismo em 'Confissões de Uma Garota de Programa'. Após um épico de 4h30 sobre Che Guevara, dividido em duas partes, Steven Soderbergh volta-se para um projeto pequeno, tendo por personagem uma jovem prostituta de Manhattan.

Trata-se de "Confissões de Uma Garota de Programa", filme modesto, de baixo orçamento e resumido em meros 77 minutos.
 

O título em português talvez tente apimentar uma história que nada tem de apelativa - no original, chama-se "The Girlfriend Experience". Ela se passa durante a eleição presidencial que levou Obama ao poder contra McCain e, claro, em meio à crise econômica nos EUA, que então se desenhava de maneira catastrófica. Estamos no epicentro do capitalismo e Soderbergh monta o seu posto de observação a partir do olhar dessa garota que tem gente de Wall Street e em outras esferas do poder econômico entre seus clientes.

Mas também seria demais enxergar nesse filme rápido, de tom urgente, uma "análise" sociológica de um momento particular do século 21 - o do naufrágio das ideias neoliberais. No fundo, tudo, antes, durante e depois da crise, continua acontecendo como sempre, apenas, quem sabe, com os homens mais inseguros e buscando, na call girl de luxo, essa gueixa moderna, algo além do sexo - talvez um pouco do afeto que não tenha em casa, ou algum tipo de consolo maternal, ou mesmo algum tipo difuso de calor humano. A garota, Chelsea (interpretada pela atriz pornô Sasha Grey) também tem lá os seus problemas, apesar de o namorado (Chris Santos) não se importar, em aparência, com o métier dela.

Mas sempre existem conflitos nesse tipo de situação, por mais que os parceiros sejam liberais. Ou profissionais. Sexo é sexo, e não é como beber um copo d'água. O que pode incomodar um pouco no filme é o tom distanciado escolhido por Soderbergh. É algo desenhado não apenas pela trama, mas também pelo tipo de atuação do elenco e pela própria maneira como os atores são filmados. É como se a câmera explicitamente os observasse, sem entrar no jogo da representação, colocando-os em perspectiva, de maneira fria, quase entomológica. A única maneira de curtir o filme é embarcar nessa proposta, respeitando-a como escolha do diretor. Chelsea aparece como a mais desenvolta das criaturas, exerce sua profissão como faria com outra qualquer, com toda a naturalidade e dignidade.

Mas essa frieza de relacionamentos também tem seu preço a cobrar, mesmo que ela assuma seu papel como "atriz" enquanto encontra seus clientes, isto é, como uma tela em branco para projeção de fantasias masculinas. Mesmo assim, a impressão é que Soderbergh poderia ter ido mais longe, e mais fundo, em tudo que se propôs observar, não fosse a pressa em captar um determinado momento e a partir de uma ótica singular, a da garota de programa. Mesmo assim, o filme, apesar de muito distanciado, tem por vezes o tom cativante de um depoimento, de um diário, de uma experiência relatada. Uma depuração maior, um aprofundamento dos personagens, inclusive dos clientes, poderia redundar num retrato mais nuançado e completo dessa ciranda sexual.

Nela se inclui o erotismo mas, acima de tudo, envolve uma questão monetária, como costuma acontecer. O interesse e os negócios mandam, tanto de um lado do balcão como de outro. Vale para Chelsea, a garota de US$ 2 mil a hora; vale para os executivos que podem pagar pelo serviço. Uma relação de troca mercantil, tão velha como a humanidade, mas que, aqui e agora, parece se revestir de outra tonalidade e assumir outra natureza, ainda mais mecânica e impessoal.

Sexo casual para as mulheres, só se ele for muito atraente

Sexo casual para homens e mulheres

Os homens interessam-se muito mais pelo sexo casual do que as mulheres. Enquanto um homem precisa ser excepcionalmente atraente para levar uma mulher a considerar o sexo casual, os homens são muito menos seletivos. Estas descobertas, feitas pela equipe do Dr. Achim Schützwohl, da Universidade de Brunel (Reino Unido), foram publicadas no jornal Human Nature.

A pesquisa mostra que os homens são mais propensos do que as mulheres a relatar que tiveram sexo casual e eles expressam muito mais interesse em experimentá-lo do que as mulheres. E também que as mulheres, mas não os homens, elevam seus padrões de atratividade para um parceiro sexual casual.

Beleza e sexo casual O Dr. Schützwohl e seus colegas estudaram a influência da atração física de um paquerador ou paqueradora imaginários sobre a propensão que teriam homens e mulheres de aceitarem três ofertas distintas: sair, ir para seu apartamento e ir para a cama com o paquerador ou paqueradora.

Um total de 427 homens e 433 mulheres, estudantes dos Estados Unidos, Alemanha e Itália, responderam o questionário. Foi pedido que eles imaginassem estar sendo abordados por uma pessoa do sexo oposto, descrita como "ligeiramente não atraente," "moderadamente atraente," e "excepcionalmente atraente." Os estudantes então davam notas equivalentes a como eles provavelmente reagiriam a cada uma das três propostas.
Diferenças culturais
Os autores descobriram que a aparência do paquerador ou paqueradora afetaram homens e mulheres de forma diferente. Em todos os três níveis de atração física, os homens se mostraram mais propensos a sair, ir para o apartamento e ir para a cama com a mulher que os convidava. Os homens alemães se mostraram menos propensos a ir para o apartamento e ir para a cama com a paqueradora do que os norte-americanos e os italianos, e os italianos se mostraram mais prontos a aceitar o convite para ir para a cama do que os norte-americanos. Essas variações ressaltam diferenças culturais nas preferências e na moral sexual de cada país.

"Se ela não for muito feia, eu topo" Para cada uma das três ofertas, os homens se mostraram mais propensos a aceitar o convite quando a mulher hipotética era moderadamente ou excepcionalmente atraente do que quando ela era ligeiramente não atraente. Mas a diferença entre moderadamente e excepcionalmente atraente não alterou o nível de aceitação do convite pelos homens.

"Se ele for lindão, eu topo" As mulheres também deram mais importância à aparência do candidato, mas elas se mostraram mais propensas a aceitar os convites de ir para o apartamento e ir para a cama quando o convite vinha de um homem excepcionalmente atraente. Elas se mostraram menos sensíveis ao convite quando ele vinha de homens apenas moderadamente atraentes ou ligeiramente não atraentes. "Embora os homens não sejam inteiramente insensíveis à beleza daquela que lhes faz o convite, as mulheres têm padrões mais elevados e são mais abertas a aderir ao sexo casual com um homem excepcionalmente atraente do que com outro que não tenha tanta beleza," concluem os pesquisadores.

Sexo sem camisinha é bom para a saúde mental

As pessoas que fazem sexo sem camisinha têm, em geral, uma saúde mental melhor do que aquelas que se protegem durante a penetração vaginal.

Essa é a polêmica conclusão de um estudo liderado pelo professor Stuart Brody, da Universidade do Oeste da Escócia. Na pesquisa, Brody estudou o comportamento sexual de 99 mulheres e 111 homens de Portugal.

Cruzando as respostas dos voluntários sobre o prazer obtido pelo sexo e o tipo de método contraceptivo que usavam, o professor concluiu que o uso de camisinha estava associado a problemas na hora de lidar com o estresse. Segundo Brody, aqueles que faziam sexo sem preservativo eram capazes de lidar melhor com as situações estressantes, tomando atitudes mais maduras, o que lhes garantia uma melhor saúde mental.

"Quanto maior a frequência do uso de camisinha, independente da idade e da natureza do relacionamento, maior o uso de mecanismos imaturos de combate ao estresse", disse o pesquisador. Brody faz uma crítica às campanhas de saúde que pregam o sexo seguro como forma de prevenir a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, e foi, por sua vez, criticado por pessoas ligadas à saúde pública.

O argumento de Brody baseia-se na teoria evolucionista: como o objetivo principal de qualquer indivíduo é perpetuar a espécie, transar sem camisinha seria uma vantagem, já que aumenta as chances de reprodução. "A evolução não é politicamente correta", disse Brody. "Entre uma ampla variedade de práticas sexuais, apenas uma delas (a penetração vaginal) está consistentemente associada a uma melhor condição física e mental e é exatamente aquela que será favorecida pelo processo evolutivo".

O artigo de Brody será publicado na revista especializada Archives of Sexual Behaviour. Em carta a ser divulgada na mesma publicação, o pesquisador escocês diz que uma possível explicação para o resultado de sua pesquisa é que a troca de fluidos – impossibilitada pela camisinha – pode ter efeitos no combate à depressão e benefícios para o sistema imunológico.

Em Berlim, o mercado do sexo se adapta à crise

Nos bordéis alemães, legalizados no país desde 2002, a crise financeira faz aumentarem os "descontos" oferecidos para manter os clientes.

  • Em Berlim, o mercado do sexo se adapta à crise
  • Nos bordéis alemães, legalizados no país desde 2002, a crise financeira faz crescer os "descontos" oferecidos para manter os clientes. Na Alemanha, a crise afeta a prostituição, uma atividade legal e próspera no país. Mas, algumas casas noturnas aplicam o conceito de "descontos", como uma solução milagrosa em Berlim. Um folheto distribuído em toda a capital alemã atrai a população. Uma casa noturna, Schönefeld, situada em frente ao aeroporto de Berlim, oferece um pacote com "tudo incluído": bebidas, buffet e jantar à vontade. Sem mencionar TV a cabo, para não se perder nenhum jogo de futebol. E, em julho, um especial "churrasco com salsichas à vontade". Durante o dia o pacote custa € 70. A tarifa sobe para 100 euros durante a noite. Vender o corpo é uma atividade legal na Alemanha, onde as prostitutas têm os mesmos direitos que os outros trabalhadores, incluindo a segurança social e seguro-desemprego. Existem cerca de 450.000 no país, incluindo os 22.000 profissionais (homens e mulheres), em Berlim. O comércio sexual está enraizado na moralidade sexual após liberação de 1968. A prática da intensiva do FKK (Freie Kultur Koper), a cultura do corpo livre, ou nudismo liberado por uma "comunhão com a natureza", abriu as portas para a legalização da profissão.
    Prostitutas que trabalham na rua representam apenas 3% do total. A grande maioria das práticas são realizadas em bordéis, casas de massagens e residências privadas. A demanda continua forte, mas o número de prostitutas aumentou, devido ao desemprego e à medida que mais e mais pessoas estão voltando a exercer a mais velha profissão do mundo, explica Detlef Marion, da organização alemã de defesa das prostitutas Hydra. Daí a dura concorrência na atualidade. Redução das tarifas reduz a qualidade do serviço "Gina", uma romena de 21 anos, vestindo um minishort, se candidatou para trabalhar no Schönefeld. A legalização da prostituição, decidida em 2002, reduziu a atividade criminosa relacionada com o ambiente, a máfia, sem eliminá-la. Como "Gina", elas somam dezenas por semana a se apresentar em busca de trabalho. "As meninas ganham entre 100 e 250 euros por jornada", explica o proprietário. Um sinal da prosperidade do clube Schönefeld é sua intenção de abrir em breve um novo "wellness" (bem-estar), com spa, piscina, hidromassagem e pista de dança gigante. Os estabelecimentos mais luxuosos não estão dispostos a reduzir seus preços, apesar de uma queda nas receitas. "Isso não mudaria nada", afirma o proprietário do Monrouge, instalado atrás de seu bar. "Não podemos lutar contra a indústria do sexo. Taxas mais baixas afetam a qualidade do nosso serviço e nossa imagem", diz comandante da casa. Os funcionários do seu estabelecimento estão reclamando de uma queda na renda dos últimos seis meses. "Os clientes já não querem pagar para extras ", diz Katharina, funcionária da Romênia. Temos de ser mais empreendedoras para convencer os clientes. "Agora, Katharina faz horas extras como garota de programa, após sair de seu serviço no Monrouge, para completar o seu mês. Mas ela diz que nunca iria trabalhar em uma casa como a de Schönefeld. Ela acha que suas companheiras irão sofrer uma "verdadeira escravatura."

    Espanholas oferecem serviço doméstico sexual

    Trabalho mistura atividades como cozinhar, lavar e passar com atividades eróticas.
    A crise econômica global pode estar ajudando a impulsionar uma nova modalidade de trabalho na Espanha, os serviços domésticos eróticos, que no país ganharam o nome de porno-chachas. O trabalho é uma mistura de serviços de limpeza, cozinha, lavar e passar com atividades eróticas. No último mês foram oferecidos nos jornais e na internet mais de 750 mil anúncios de empregadas que oferecem o serviço. Apenas na última sexta-feira, 3.360 anúncios ofereciam propostas como "gostaria de conhecer moça que goste de se exibir enquanto realiza tarefas domésticas. Pago por hora." Ofertas como esta chamaram a atenção de especialistas em atividades relacionadas com a prostituição, como a ONG Amunod, que trabalha com projetos de reintegração social de prostitutas. "Nunca vimos uma coisa assim. Estão inserindo ofertas de trabalho encobertas como serviço doméstico que incitam à prostituição. Há gente se aproveitando das pessoas necessitadas por causa da crise", disse à BBC Brasil a presidente da ONG, Teresa López.
    A Espanha é um dos países mais afetados pela crise econômica mundial, e a taxa de desemprego no país chega perto de 20%. Queixa A Amunod foi a primeira a prestar queixa policial contra anunciantes dos serviços domésticos eróticos. A denúncia já provocou a retirada de vários anúncios em páginas de classificados e foi feita para demonstrar que os empregadores tentam explorar mulheres desempregadas com ofertas de prostituição. Alguns anunciantes, inclusive, avisam que não pagam ou pagam pouco. Eles propõem casa e comida em troca de sexo ou que as empregadas façam os serviços domésticos com pouca ou nenhuma roupa, pagando 20 ou 30 euros (cerca de R$ 53 a R$ 80) por hora. Segundo estimativas da Associação Espanhola de Prostíbulos, o novo serviço tem atraído principalmente mulheres espanholas que jamais haviam exercido a prostituição. "Isso para nós é um fenômeno surgido da crise. Nos últimos 15 anos não tínhamos nem 5% de espanholas neste mercado e agora elas já representam 30%", disse à BBC Brasil o diretor da associação, Roberto Doval. Ele afirma que a possibilidade de exercer a prostituição de forma livre e escondidas da sociedade faz com que muitas mulheres espanholas estejam aceitando mais a atividade de serviço doméstico erótico.
    "Se você soubesse da quantidade de casadas e com filhos que atendem a estes anúncios se surpreenderia. Tem gente que não consegue pagar as contas no fim do mês e se vê aflita. Em 30 anos neste negócio nunca tinha visto algo assim", afirmou Doval. A prostituição movimenta cerca de 20 bilhões de euros (aproximadamente R$ 53 bilhões) por ano na Espanha, 2% do PIB nacional, segundo estatísticas do Ministério da Igualdade. Desde o fim do ano passado, o número de anúncios de prostitutas na imprensa e internet cresceu 50% mas, apesar do aumento na oferta, empresários da prostituição esperam queda de 40% nos lucros em 2009, como reflexo da crise mundial.

    Sexo «tipo» rodízio na Alemanha

    Na Alemanha a prostituição está legalizada mas, mesmo assim, parece haver limites ao negócio. Para combater a crise, surgiu um novo tipo de bordel que oferece, em troca de um valor fixo (70 euros), «sexo ilimitado». Ou seja, «tipo rodízio». A notícia é avançada pelo site da BBC. Os anúncios publicitários a estes espaços fizeram levantar um coro de protestos, lê-se na mesma notícia. Incluindo o próprio secretário de Justiça do Estado de Baden-Württemberg, Ulrich Goll, que se mostrou indignado: «Se levarmos o anúncio a sério, podemos concluir que há uma violação da dignidade humana das prostitutas que lá trabalham». Várias entidades de defesa dos direitos humanos e até representantes da Igreja também já criticaram este tipo de oferta. Polícia no terreno Perante as criticas e as suspeitas de que haveria uso de prostitutas «ilegais» levou a polícia a realizar uma grande operação, no passado domingo. Mais de 700 polícias passaram a pente fino vários bordeis, em quatro cidades alemãs. Foram detidas 10 pessoas. Dois dos espaços foram fechados por falta de condições sanitárias e um por «prostituição forçada». Os bordeis «Pussy Club» são os principais defensores da nova fórmula de negócio e o slogan é claro: «Sexo com todas as mulheres, quantas vezes quiser e como quiser».

    Máquinas de sexo

    festa

    A Justiça do Rio de Janeiro liberou um Guia Turístico, onde as mulheres cariocas são apresentadas como “máquinas de sexo”. O Guia diz também que elas são “bundudas e gostosas”.

    Para se ter uma idéia, um dos trechos do livro diz: “As popozudas são máquinas de sexo. Elas malham, vestem calças apertadas que entram no bumbum, pintam o cabelo de louro e fazem de tudo para ficarem lindas. Bom investimento, já que o motel é sempre uma possibilidade com estas gatas…se você também é sarado”.

    O guia, que é editado em inglês, também afirma que as mulheres acima de 30 anos gostam de se divertir, dançar e beber. Resumo da ópera: o Guia vende sexo, vende as mulheres cariocas, como se todas fossem de “programa”.

    A Advocacia Geral da União tentou proibir o Guia, alegando que o texto viola a dignidade humana e expõe o povo brasileiro à situação vexatória, mas a Justiça carioca decidiu ontem que pode divulgar isso, sim senhor!

    Mostre ao mundo... você acabou de fazer sexo!

    Apesar de bizarro, esta é uma boa idéia. Um mapa de todo o mundo que mostra em tempo real as pessoas que acabaram de fazer sexo. Qualquer pessoa pode ir lá e, sem nenhum cadastro, pode deixar registrado seu ato sexual. Se você acabou de fazer sexo, não deixe de dizer ao mundo, anonimamente, claro.

    E se... humanos tivessem só um sexo?

    Esqueça a briga pelo controle remoto e a fila para disputar o buquê de noiva. Ignore a passeata do orgulho gay e o Dia Internacional da Mulher. Abstenha-se de qualquer papo cujo objetivo seja discutir a relação a dois e deixe de lado aqueles livrinhos que promovem a conciliação entre o universo feminino e o masculino. Afinal, na sociedade do sexo único, todo mundo nasce igualzinho e ninguém faz sexo. As pessoas se auto-reproduzem. Para garantir a sobrevivência da espécie o novo humano seria fisicamente parecido com a mulher. Isso porque o aparelho reprodutor delas é mais completo que o deles: além do útero, onde o feto se desenvolve, elas têm glândulas mamárias, que garantem alimento ao recém-nascido. “E são os hormônios femininos que permitem a gestação”, diz Carlos Alberto Petta, professor de ginecologia da Unicamp. Mas, no lugar de um óvulo ou um espermatozóide com 23 cromossomos, o novo humano teria um “nóvulo” com 46 cromossomos. Com a carga genética completa, ele não precisaria de um parceiro para lhe fecundar e os seres simplesmente não fariam sexo. O presidente da Associação Médica Brasileira de Sexologia, José Carlos Riechelmann, acredita que as mudanças seriam ainda mais radicais no assunto comportamento. Palavras como casal e amor não constariam do dicionário dessa sociedade. É que, em última instância, ao procurarmos uma namorada, nosso objetivo é levar nossa carga genética adiante. Mensagens apaixonadas e flores não passam de um ritual para apagar a luz e rolar na cama. O ser de sexo único não entraria nessa porque não precisaria de um parceiro para ter filhos. Diga aí, que tal a vida sem sexo, comédia romântica e jantar à luz de velas? Além de chato, isso pode ser perigoso. Os seres auto-suficientes estariam em perigo de extinção por causa de sua pequena variabilidade genética. O sexo com fins reprodutivos é uma poderosa ferramenta evolutiva. É que a reprodução sexuada garante a troca de genes entre os parceiros e, portanto, permite a variabilidade genética de seus descendentes. “Sem sexo, os seres seriam clones uns dos outros e estariam extremamente frágeis às alterações do meio”, esclarece Nilda Maria Diniz, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Brasília (UnB). Então, trate de conciliar as diferenças...
    Mais Eva do que Adão O humano de sexoúnico seria parecido coma mulher de hoje Nem tão feminina Nós não teríamos o hormônio testosterona, abundante nos homens e que, nas mulheres, está ligado à libido sexual. Assim, o ser de sexo único teria poucos pêlos e voz fina. Já o corpo seria musculoso, resultado das atividades físicas diárias Coisa da sua cabeça O ciclo reprodutivo seria muito parecido com o que conhecemos. Tudo começaria com o hipotálamo e a glândula hipófise liberando hormônios que seriam levados pela corrente sanguínea até o “clonário” Casa de clone No lugar de dois ovários, um “clonário”. Ali se desenvolveriam as células reprodutivas. Elas já estariam “fecundadas” quando atingissem a maturação Ponto Zero Sem precisar copular, o novo ser humano não teria necessidade de prazer sexual. Não haveria clitóris, zonas erógenas ou ponto G No automático Se não houvesse um anticoncepcional para impedir a auto-reprodução, teríamos um filho por ano. O remédio poderia atuar no hipotálamo, impedindo o início do ciclo gestacional, ou no “clonário”, impedindo que o “nóvulo” se desenvolvesse Sem YO “nóvulo” teria 46 cromossomos e nenhum Y. Sem muitas trocas genéticas seríamos clonezinhos de nossas mães. Quer dizer, pais. Quer dizer, pães. Enfim, do(a) nosso(a) gerador(a)

    Dezenove mil formas de fazer sexo

    Chega ao mercado livreiro um livro com a mais completa compilação das fantasias sexuais modernas. Angelina Jolie está lá, assim como a cunhada, o vizinho, o vagão do trem, as trigêmeas...
    Espartilho, cinta-liga, máscaras. Eu e dois homens estranhos. Plateia? Não descarto, mas um lugar reservado talvez fosse melhor. Se houvesse uma segunda mulher, também seria uma bela experiência. Não acho que viraria lésbica por causa disso. Sem falar que o homem entre nós duas ficaria maluco. Uma travessura eu já fiz: um namorado me levou a um prostíbulo. Pedi permissão à dona, pagamos, me vesti a caráter e encenamos. Ele era meu cliente. Foi inesquecível. Acho que fantasio muito porque sou curiosa. Mas não conto nem para minhas melhores amigas. As pessoas são muito preconceituosas. Já me separei de um homem que não era criativo e não fazia nenhum esforço para realizar minhas fantasias. Ele dizia que não tinha, mas era mentira, claro. Todo mundo tem, mas a maioria esconde. O relato da paulistana Roberta, de 36 anos, advogada, ilustra uma certeza: o debate público sobre a sexualidade é cada vez mais natural, mas as fantasias sexuais permanecem tabu. Ela própria não quis se identificar. Os desejos secretos misturam prazer e dor, realização e sofrimento e embaraçam quem os experimenta. Por isso é raro ter um vislumbre desse pedaço da intimidade humana. Agora, porém, escancarou-se uma janela. Durante cinco anos, o psicanalista inglês Brett Kahr pesquisou fantasias sexuais. Coletou tantos relatos que ficou conhecido na Grã-Bretanha como "o homem das 19 mil fantasias sexuais". Os depoimentos foram tomados no consultório, nas ruas e pela internet e depois organizados por temas e padrões. No livro Sexo e psique (Editora Best-Seller), que será lançado no Brasil no fim deste mês, Kahr transcreve mil relatos de homens e mulheres. Eles vão de vontades corriqueiras e totalmente realizáveis a transgressões ligadas a incesto, violência, escatologia e necrofilia. A estrutura lembra o famoso Relatório Hite (de 1976, atualizado em 2004), no qual a sexóloga Shere Hite expôs pela primeira vez e com total crueza os hábitos e as fantasias sexuais das mulheres americanas. Kahr sentou-se "numa ruela escondida de Londres, com um divã e cadeiras aconchegantes" e, como Hite, ouviu o que parecia inconfessável. Seu relato nos leva a um mundo de incestos e perversões que o dramaturgo Nélson Rodrigues, uma espécie de patrono da libido oculta brasileira, reconheceria de imediato como seu, ainda que os devaneios sejam ingleses. "Existem dois tipos de fantasia: aquelas mais festivas, que revelamos com orgulho aos amigos de bar, e outras, que vêm das profundezas de nossa mente, que muitas vezes não revelamos nem aos companheiros ou muito menos a estes", afirma. Para começar, explica Kahr, tais fantasias entranhadas na mente não têm nada a ver com o que somos na realidade. Cidadãos pacatos e civilizados podem simular violência sexual com a companheira e passar a vida sem fazer mal a uma mosca. Um homem heterossexual pode se excitar com a ideia de uma relação com outro homem e não por isso ter uma tendência homossexual. Uma mulher independente e bem-sucedida pode se imaginar submissa e humilhada sem deixar de ser o que é. Aquela que se imagina penetrando o marido com um pênis de borracha certamente não gostaria de vê-lo com outro homem. No livro, há uma paciente que fantasia ser torturada por Saddam Hussein, mas Kahr especula que ela fugiria se ele aparecesse perto dela - e não só porque ele está morto. Kahr perguntou aos pesquisados por que eles fantasiam. As respostas mais comuns foram: as fantasias me ajudam a aliviar o tédio, me animam quando estou deprimido, me deixam fazer sexo com pessoas com quem eu não poderia fazer sexo, me permitem explorar pensamentos e atividades sexuais diferentes, s me ajudam a ficar excitado com meu(minha) parceiro(a). Alguns dizem que não conseguem se controlar: elas simplesmente surgem. Outros garantem preferir as fantasias ao ato sexual real. Segundo Kahr, homens e mulheres fantasiam igualmente, e a impressão generalizada de que há fantasias genuinamente femininas ou masculinas não se confirmou em seu trabalho. A publicitária mineira Carla, de 29 anos, acredita, porém, que, para as mulheres, as fantasias são ainda mais importantes. Não ficamos excitadas de forma tão rápida e prática quanto os homens. Falar sobre isso, inventar situações na hora do sexo é sempre bom. Já transei usando apenas botas, criando um clima sensual. Também fantasio sobre lugares públicos, como o elevador, a praia. Pensar nisso funciona como uma bela preliminar. Algumas fantasias existem desde sempre, mas os tempos modernos trouxeram - além de liberdade de praticá-las - novos ingredientes para a imaginação. Um deles é o sexo virtual. Um grande número de pessoas pesquisadas por Kahr disse se excitar mais com a sugestão do sexo pela internet, por meio de texto ou vídeo, do que com o contato físico. Outra inovação é a diversidade de celebridades que aparecem nas fantasias dos britânicos. Da realeza aos usuais Brad Pitt e Angelina Jolie, eles povoam a imaginação sexual dos entrevistados - mas numa frequência menor que o volume de informações que temos sobre eles sugeriria. A colega de trabalho ou o vizinho estão mais presentes nas fantasias que qualquer famoso. Ou a família, como no caso do dentista carioca Fábio, de 41 anos, casado há sete: Penso sempre em ter relações com minha cunhada. Fazer sexo com a irmã da própria mulher deve remontar a alguma ascendência primata, em que um único macho alfa copulava com as fêmeas do bando. Como não dá para realizar, me satisfaço vendo furtivamente pedacinhos daquela moça proibida entre camisolas larguinhas num domingo de manhã. Já dá o que pensar. A impossibilidade engrandece a fantasia. É o que diz a sexóloga carioca Regina Navarro Lins, que trabalha com o tema em suas pesquisas pela internet: "O conceito de fantasia é extremamente amplo. Há quem considere fantasia aquilo que não pode passar do desejo. Outros correm atrás da realização". Ela diz que a fantasia do momento é o sexo a três. Homens preferem com duas parceiras. Mulheres gostariam de experimentar variações. "Na pesquisa que fiz com 1.634 internautas, 80% disseram que fantasiam com o ménage à trois. E quase 30% já haviam realizado, o que é um número bem alto", diz. Num dos últimos capítulos do livro, Kahr responde a perguntas práticas. As fantasias devem ser compartilhadas? Seria recomendável encenar ou realizar as fantasias com nossos parceiros? A tudo, afirma que não há respostas definitivas. "Não há limites para o que podemos imaginar e desejar no campo sexual", diz. O psicanalista diz que desbravar o tema foi para ele um verdadeiro trabalho de antropologia: "Foi como se eu esbarrasse numa tribo distante e isolada, esperando que, através da minha jornada de pesquisas, eu chegasse a uma ideia do que constitui a sexualidade humana. Mas, se as fantasias são boas ou más, posso dizer apenas que podem nos levar a orgasmos mais potentes".

    Catherine Millet fala sobre sexo e ciúmes na Flip

    Libertina escritora francesa conta sobre o ciúme que sentiu do marido. Domingo (5) foi o último dia da Festa Literária Internacional de Paraty.

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    A escritora e crítica de arte francesa de Catherine Millet, autora do livro 'A vida sexual de Catherine M.', emque contava em detalhes sua vida de 'serial lover'. Na mesa 'As sem-razões do amor', com a participação de Maria Rita Kehl, fala sobre sexualidade e a crise de ciúmes do marido, com quem vive um relacionamento aberto, e que rendeu o livro 'A outra vida de Catherine M.'

    A psicanalista Maria Rita Kehl precisou se conter para não transformar a mesa As sem-razões do amor numa sessão de psicanálise: Cathérine Millet é um prato cheio para qualquer divã. É verdade que, em alguns momentos, Maria Rita não resistiu à tentação de enveredar por um jargão ligeiramente fora de lugar, cheio de “interditos” e “recalcados”, o que me parece uma forma involuntária de fugir do assunto que, afinal de contas, realmente interessa nos livros da escritora: as suas aventuras sexuais. Ainda assim, Cathérine, cuja expressão angelical não cansa de me impressionar depois do que li, disse coisas interessantíssimas, a propósito de seus dois livros, A vida sexual de Cathérine M. (surpeendentemente esgotado: me parece que a editora comeu mosca) e A outra vida de Cathérine M. (Jour de souffrance, no original). Exemplos: “A minha crise de ciúme passou quando me dei conta de que ela me dava um prazer masoquista.”

    “Não existe ciúme verdadeiro que não seja sexual. A crise não teve nada a ver com amor, sentimento que não estava em questão na minha relação.”

    “Sempre tive um duplo olhar sobre as coisas: quando eu tinha relações sexuais, eu via os meus parceiros, mas também via a mim mesma na cena. Isso cortava um pouco o meu prazer, porque penso que o prazer sexual intenso depende de um abandono total. Mas talvez esse outro olhar que me acompanha sempre seja, justamente, o olhar do escritor.”

    “Pratiquei muito sexo grupal, em clubes ou com grupos de amigos, mas continuei tendo meus tabus. Justamente imaginar Jacques Henric fazendo amor com outra mulher era algo inconcebível. Mas era nisso que eu pensava quando me masturbava.”

    “Não escrevo para me curar de alguma coisa, mas para me desembaraçar de mim mesma. A escritura apaga a memória primária das coisas, a ponto de eu não ter mais certeza de ter vivido tudo aquilo sobre o que escrevi.”

    “A liberdade sexual foi algo natural para mim, entrei nela como num jardim cheio de flores perfumadas. Meus pais brigavam muito, e minha mãe tinha um amante. Desde cedo percebi que a família não era um valor absoluto. Então não se tratou de uma transgressão contra pais tradicionais”.

    Estou grávida da minha namorada

    Um casal de lésbicas de São Paulo pode ser o primeiro a registrar os filhos com o nome de duas mães.

    Bruno Miranda

    FRUTOS DO AMOR - Adriana, grávida de sete meses, recebe o carinho de sua companheira, Munira, na cama do casal. As duas geraram os bebês juntas.

    Munira Khalil El Ourra não vai dar à luz, mas é mãe de duas crianças que vão nascer até a primeira semana de maio. Quem está na 31ª semana de gestação é sua companheira, Adriana Tito Maciel. A barriga é de Adriana. Os óvulos fecundados que grudaram no útero dela pertenciam a Munira. Os bebês já têm nome: Eduardo e Ana Luísa. Serão paridos e amamentados por Adriana, de pele marrom e cabelo que nasce crespo. Mas terão a cara de Munira, branquinha e de cabelo liso.

    Para a lei, mãe biológica é quem carrega a criança no ventre. Mas um exame de DNA mostraria o contrário. Nem Adriana nem Munira pretendem disputar na Justiça a guarda das crianças. O que elas querem é sair da maternidade juntas, com um documento que permita registrar as crianças no cartório com o sobrenome de cada uma e o nome das duas mães na certidão de nascimento. Como qualquer família normal.

    O sonho de ter filhos era antigo para as moças de 20 e poucos anos que se conheceram em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. A decisão de namorar sério foi influenciada por esse interesse em comum. Em poucos meses, estavam dividindo um apartamento e fazendo planos. Algum tempo depois, Adriana descobriu no ginecologista que seu útero estava ameaçado por uma doença que já lhe tinha arrancado um ovário: a endometriose. “Fiz tratamento desde os 18 anos”, diz Adriana. “Na época, achavam que era cólica menstrual e medicavam com morfina. Quando descobriram, já tinha perdido o ovário direito. E as dores continuavam.” O médico disse a ela que uma gravidez reduziria o problema em 80% e ainda lhe daria a chance de ter um filho antes que o útero ficasse inválido.

    Apesar do relacionamento ainda recente, Munira e Adriana aceitaram a ideia e procuraram um especialista em reprodução humana no Hospital Santa Joana para fazer a inseminação artificial. “A gente achava que iria comprar esperma, levar para casa e aplicar com uma seringa”, diz Munira. Os planos mudaram quando o novo médico descobriu que Adriana só tinha metade do ovário esquerdo e já não podia engravidar com os próprios óvulos. Ele sugeriu que Munira cedesse os seus. Se usassem o sêmen de um homem de mesmos traços que Adriana, o filho seria parecido com as duas mães.

    As duas moças se animaram com a possibilidade de ter um filho que tivesse um pouco de cada uma. Ainda hoje, Adriana se emociona ao contar essa parte da história. Tinha sido muito dolorido receber a notícia de que não poderia ter filhos do seu próprio sangue, e o gesto de Munira foi mais que bem-vindo. “Foi a maior prova de amor que ela poderia me dar.”

    Decisão tomada, era preciso fazer alguns exames e começar o tratamento hormonal para estimular os ovários de Munira e sincronizar os ciclos menstruais das duas. Os óvulos de Munira deveriam estar prontos para a inseminação artificial (em laboratório) na mesma época em que o útero de Adriana estivesse pronto para fixar os embriões. Munira se queixava dos percalços do tratamento. De abril a agosto do ano passado, as injeções diárias na barriga, a oscilação de humor que parecia uma TPM constante, a ultrassonografia vaginal toda semana, o acúmulo de líquido no corpo e o ganho de peso eram o preço que ela tinha de pagar pela bênção de ser mãe. Em breve, seria a vez de Adriana suportar a gravidez.

    Quando essa fase chegou, Munira diz ter sentido em seu corpo muitos dos sintomas da gravidez da companheira. “Parecia que eu tinha ficado grávida também.” Ela diz ter sentido enjoos, estrias que nunca haviam existido, mau humor, dores nas costas, dor nas pernas, cansaço de dia, insônia de noite e até desejos estranhos. Fernando Prado, o ginecologista das duas, diz não ter explicação para essa sintonia. Ele não descarta que Munira possa até mesmo ter leite quando os bebês nascerem.

    Dos exames à gravidez, todo o processo funcionou até melhor que o esperado. “Eu não imaginava que daria certo de primeira”, diz Prado. Segundo ele, a chance de uma inseminação desse tipo vingar é de 50%, levando em consideração a idade das pacientes e outras condições de saúde. Como Adriana ainda tinha miomas no útero por causa da endometriose, imaginou que seria preciso retirá-los antes. Mas eles nem fizeram cócegas. Para ajudar, em vez dos dez a 15 óvulos esperados após o tratamento hormonal, Munira rendeu mais de 20.

    A legislação brasileira não é a única que permanece lenta diante das mudanças na ciência e na sociedade. A chef americana Cat Cora, que comanda um programa de culinária na TV, está passando por transtorno semelhante ao das brasileiras. Ela mantém um relacionamento estável há dez anos e já tem dois filhos gerados por sua companheira, Jennifer. O segundo filho foi feito por fertilização in vitro com óvulos de Cat, mas ela foi impedida pela lei americana de registrá-lo diretamente no cartório como a segunda mãe. Foi preciso entrar com um pedido de adoção para garantir direitos e deveres de mãe sobre ele. “É injusto, mas é a lei”, disse Cat. Agora, Jennifer está grávida de novo, e Cat engravidou pela primeira vez. Desta vez, ambas retiraram óvulos para a fertilização in vitro, formando embriões que foram transferidos para as duas barrigas. Ainda não se sabe de qual delas é o DNA do bebê que vai nascer de cada uma. Para todos os óvulos, foi usado sêmen do mesmo doador anônimo. Assim, as crianças serão irmãs também por parte de pai.

    Na Espanha, a legislação é mais aberta. Com base em uma lei do Código Civil de 2005 que iguala em direitos e deveres a união estável de homossexuais ao casamento heterossexual, no final do ano passado o governo espanhol permitiu que um casal de mulheres gerasse um bebê por fertilização in vitro, usando um doador de sêmen anônimo, e o registrasse no nome das duas. Ambas são oficialmente consideradas mães biológicas porque uma doou os óvulos e a outra gestou o feto em sua barriga – exatamente como fizeram Adriana e Munira. O presidente da Comissão Nacional de Reprodução Humana Assistida do Ministério da Saúde e do Consumo da Espanha, Augusto Silva, diz que a lei garante direitos iguais a casais de qualquer gênero. “Não estamos estabelecendo uma obrigação. Mas deve ficar claro que a permissão que demos a essas mulheres vale para todos.” Silva diz que a Comissão está trabalhando pela modificação da lei de assistência reprodutiva para que não haja mais dúvidas de que, onde há casamento, há o direito à reprodução assistida.

    Munira poderia ter seus direitos de mãe reconhecidos de forma mais fácil. Bastaria entrar com uma ação para adotar seus próprios filhos. Com a jurisprudência construída desde 2006, é provável que ela ganhasse uma ação desse tipo. Mas não é isso que ela e Adriana querem. Sua expectativa é ganhar a ação da maternidade e dar origem a uma jurisprudência para favorecer casos como este no Brasil. Embora não sejam ativistas, Munira e Adriana dizem que ficariam orgulhosas de abrir caminho para outros casais homossexuais. Se perderem o caso, ficarão tristes. Mas a derrota não terá efeito nenhum na forma como pretendem criar seus filhos. “Registrando ou não, elas serão mães dessas crianças”, diz a advogada Maria Berenice. “Juiz nenhum vai apagar o que já existe.”

    Gravidez a duas As lésbicas Adriana e Munira serão mães biológicas dos mesmos bebês. Os embriões formados com os óvulos de uma delas estão se desenvolvendo na barriga da outra

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    Doador de sêmen O casal de moças foi a um banco de sêmen e procurou na ficha de doadores anônimos um que se parecesse com Adriana: pele morena, cabelo encaracolado

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    Coleta dos óvulos Munira tomou hormônios injetáveis durante dez dias para estimular a produção de vários óvulos naquele mês. No consultório, o médico extraiu mais de 20 óvulos maduros dos seus ovários

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    Fertilização Dois dias depois, o médico retirou os óvulos do corpo de Munira e selecionou cinco. No laboratório, dentro de uma placa de vidro, injetou um espermatozoide do doador anônimo em cada óvulo

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    Transferência de embriões Três dias depois, os embriões já estavam prontos para ser transferidos para o útero da mãe. Neste caso, de Adriana. O médico escolheu os três melhores embriões para introduzir nela pela vagina

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    Gravidez Doze dias depois, Adriana fez um exame de sangue e confirmou o sucesso de dois embriões: estava grávida de gêmeos

    10 dicas para dar um upgrade na vida sexual

    Ao dizer o "sim" no altar, o casal consuma uma vida em conjunto. O "felizes para sempre", porém, pode encontrar seus percalços com o passar do tempo.
    Especialistas reforçam a necessidade de cada um manter seu espaço, mas também deixam claro que é imprescindível buscar objetivos a dois. E o diálogo franco é a saída para realizar os pequenos ajustes na relação, inclusive, no âmbito sexual. "Quando o sexo não vai bem, a primeira coisa a fazer é ter uma conversa para falar das insatisfações e propor um acordo para melhorar", afirma a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello. O descompasso entre quatro paredes é apontado como a principal causa do término de relacionamentos.
    Os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2006, dão conta de que houve um aumento de 7,7% nos divórcios em relação ao ano anterior. E esse acréscimo denota uma mudança no comportamento feminino nas últimas décadas. Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) mostrou que os divórcios subiram mais de cinco vezes desde 1980. A causa apontada é a influência das novelas da Rede Globo, já que as transmissões da emissora foram expandidas para 98% dos municípios do País na década de 1990.Com tantos relacionamentos fracassados, a rotina sexual acaba se transformando num fantasma que ronda a cabeça das mulheres.
    Reinventar a intimidade é o primeiro passo de uma relação saudável e duradoura. "Sexo tem que ser uma brincadeira gostosa", afirma a personal sex trainer Fátima Moura. "Se o casal estiver sempre recriando o básico, a rotina acaba virando novidade", diz Fátima.Mas o ritmo de vida agitado exige, muitas vezes, horas extras no trabalho, além dos cuidados com os filhos e com a casa. As mulheres acabam, então, deixando de lado os momentos para curtir a sós com o parceiro. Esse é um comportamento que deve ser banido da vida a dois. "É preciso reservar tempo para o casal", fala a psicóloga e terapeuta de casal Marina Vasconcellos. "Eles não devem deixar de existir como marido, esposa e amante para priorizar os filhos", afirma a especialista.Portanto, ao menos uma vez por semana, vale deixar os filhos com uma pessoa de confiança para namorar. "Transar em diferentes lugares da casa esquenta a relação", diz Carla Cecarello.A personal sex trainer, por sua vez, aconselha provocar os sentidos do parceiro. "A mulher deve preparar o ambiente para o sexo com perfumes, vinho, música e finalizar com uma massagem erótica.
    " Já Marina Vasconcellos acredita que criar um clima gostoso é o primeiro passo para uma transa de sucesso. "No meio do dia, mandar mensagens carinhosas por SMS ou email, por exemplo, são estimulantes. À noite, o casal pode sair para dançar ou ir a um show porque o retorno para casa terá um ambiente harmonioso e propício para o sexo", acredita Marina.Quem busca aventura e quer inovar na cama, ainda pode procurar brinquedinhos eróticos. Mas a atenção na escolha é algo relevante. "Há uma grande rejeição pelos homens em relação a vibradores em formato de pênis porque eles se sentem ameaçados", afirma Carla. "Criar uma competição só vai prejudicar ainda mais a vida sexual." Dê preferência, portanto, para artigos "mais inofensivos". Existe uma gama de produtos, como géis, estimuladores de clitóris e esponjas vibratórias para o banho.Se há um consenso de que a vida sexual não tem lá mais aquele clima ardente, é importante buscar alternativas para retomar o fogo de outrora. Para isso, os especialistas listaram 10 dicas incendiárias. Confira:
    1. Deixar os filhos com alguém para ter a casa só para os dois e namorar à vontade. Explore todos os cômodos da casa para fazer sexo, a cama deve ser a última opção;
    2. Deixar a vergonha de lado e conversar sobre sexo com mais frequência;
    3. Cuidar do corpo, pois se a mulher está feliz consigo, ela se sente segura e poderosa para ousar na cama;
    4. Buscar informações e novidades para apimentar a transa. Pode ser um livro erótico para ser lido a dois ou filme para servir de inspiração;
    5. Varie as posições sexuais. O papai-e-mamãe é infalível, mas experimentar outras pode trazer um prazer jamais sentido até então;
    6. O orgasmo não deve ser visto como objetivo final. Curta o corpo do parceiro, toque-o, massagei-o. O clímax vai chegar e será nada mais do que a consequência das preliminares;
    7. Técnicas novas surpreendem o parceiro. Para não cair no ridículo, adapte-as a sua realidade e grau de timidez. O pompoarismo colabora com a conscientização corporal, o striptease provoca o parceiro por meio da visão e a massagem erótica estimula as zonas erógenas;
    8. Mostrar a ele como gosta de ser tocada. O parceiro não tem a obrigação de saber o que dá mais prazer à mulher. Guie-o;
    9. Surpreender o homem é sempre excitante para ele. Espere-o em casa com uma bela maquiagem, roupa sexy e jantar a luz de velas. A cama será o destino final;
    10. Acrescente diversão ao sexo. Busque brinquedinhos eróticos, como géis que esquentam ou esfriam, estimuladores de clitóris ou esponjas vibratórias para o banho a dois.

    O divertido campeonato de sexo imaginário

    O pessoal disputa quem finge o melhor orgasmo

    Air Sex World Championship / Reprodução

    É o que eu sempre falo: a capacidade do ser humano para inventar não tem limites. Por exemplo, quem será que inventou o air guitar, aquela modalidade onde as pessoas FINGEM tocar guitarra, e que tem até campeonatos ao redor do mundo?

    Quando a gente acha que nada vai superar essa, eis que surge... o air sex!

    E não, não tem nada a ver com transar no banheiro do avião. O air sex é a modalidade onde as pessoas fingem fazer sexo. Em público. Na frente de muitas pessoas. E são filmadas, fotografadas e devidamente registradas para a posterioridade. E competem entre si. Tipo... quem finge melhor que está fazendo sexo. Estou atonita até agora.

    O campeonato mundial está rolando atualmente nos Estados Unidos. Se você estiver no Texas no próximo sábado pode participar da etapa de Austin, por exemplo. O "coito imaginário" dura dois minutos e tem trilha sonora escolhida pelo competidor - que sobe ao palco vestido, logicamente, porque air sex é um esporte família.

    Tá duvidando de mim? Super entendo, eu também achei que essa história de air sex era brincadeira. Mas os caras tem até site, onde vocês podem ver mais fotos e ler pérolas como: "a hora de perder sua air virginity é agora". Corre lá e dê boas risadas!

    Sete cursos para se dar bem com o sexo feminino

    Quer garantir bom resultado na performance? Aposte no curso de sexo tântrico. Sendo uma pessoa apresentável, agradável e com um bom papo, e ainda dominando as 11 habilidades básicas masculinas, você já está com meio caminho andado para fazer com que a moçoila se interesse por sua pessoa. Acontece que, se tiver algumas outras aptidões, a coisa pode ficar ainda mais memorável.
    Confira a lista: Curso de gastronomia: saber preparar na cozinha algo além de arroz com ovo cozido já é um diferencial interessante.
    Convidar a guria para sua residência e preparar um delicioso risoto de queijo brie com prosciutto de Parma e rúcula, já vai dar outra impressão à noite e você seguramente vai sair como um cara descolado e independente.
    Curso de enologia: você não precisa se tornar aqueles chatos que ficam discorrendo durante horas sobre o tipo de uva utilizada no vinho, seu método de cultivo e colheita, e nem precisa fazer aquele ritual de decantação na hora de servir, mas saber escolher o vinho certo, de uma boa safra e pedi-lo na temperatura adequada é um desses diferenciais que mostram o quanto sofisticado e exigente você é. Sem contar que pode dar um porre na menina, não é mesmo?
    Curso de massagem: hoje em dia existe uma série de regras e legislação para você cursar e praticar profissionalmente a milenar arte da massagem, mas ainda assim não há quem resista a uma boa pegada nas costas ou nos pés. E, por ser algo que mexe com a troca de energia e físico, imagine o fim da brincadeira.
    Curso de dança: saber dançar vários ritmos e não somente se chacoalhar numa danceteria também pode ajudá-lo a se dar bem com o público feminino.
    Só o fato de você ter a condução e a pegada na dança, mostra à sua parceira que tipo de homem você é, além de funcionar como uma fantástica forma de sedução.
    Curso de mergulho: muitas moças adoram caras que se aventuram em esportes radicais, mas o mergulho ainda tem aquela aura de mistério e romance envolvendo estar em outro mundo, com vida, sons e paisagens diferentes. E o mais legal nisso tudo é que não é caro e dá para se fazer a dois!
    Curso de vôo livre ou paraquedismo: se você faz o tipo com a cabeça nas nuvens, o vôo livre, seja em asa-delta ou parapente, vai não só te dar muita adrenalina como assunto para muitas histórias emocionantes sobre como viu o mundo lá de cima. Existem escolas espalhadas no Brasil inteiro, mas tome cuidado para não fazer como aquele padre e se amarrar em um monte de bexigas só para virar notícia.
    Curso de sexo tântrico: o Tantra é uma filosofia oriental em que a mulher é encarada como divindade e sua prática adia ao máximo o orgasmo com o objetivo de obter prazer prolongado. Quem pratica com fervor, acha o máximo. E, pelo jeito, pode ajudar os mais apressadinhos a entender que o prazer dela é tão ou mais importante quanto o seu.