Dezenove mil formas de fazer sexo

Chega ao mercado livreiro um livro com a mais completa compilação das fantasias sexuais modernas. Angelina Jolie está lá, assim como a cunhada, o vizinho, o vagão do trem, as trigêmeas...
Espartilho, cinta-liga, máscaras. Eu e dois homens estranhos. Plateia? Não descarto, mas um lugar reservado talvez fosse melhor. Se houvesse uma segunda mulher, também seria uma bela experiência. Não acho que viraria lésbica por causa disso. Sem falar que o homem entre nós duas ficaria maluco. Uma travessura eu já fiz: um namorado me levou a um prostíbulo. Pedi permissão à dona, pagamos, me vesti a caráter e encenamos. Ele era meu cliente. Foi inesquecível. Acho que fantasio muito porque sou curiosa. Mas não conto nem para minhas melhores amigas. As pessoas são muito preconceituosas. Já me separei de um homem que não era criativo e não fazia nenhum esforço para realizar minhas fantasias. Ele dizia que não tinha, mas era mentira, claro. Todo mundo tem, mas a maioria esconde. O relato da paulistana Roberta, de 36 anos, advogada, ilustra uma certeza: o debate público sobre a sexualidade é cada vez mais natural, mas as fantasias sexuais permanecem tabu. Ela própria não quis se identificar. Os desejos secretos misturam prazer e dor, realização e sofrimento e embaraçam quem os experimenta. Por isso é raro ter um vislumbre desse pedaço da intimidade humana. Agora, porém, escancarou-se uma janela. Durante cinco anos, o psicanalista inglês Brett Kahr pesquisou fantasias sexuais. Coletou tantos relatos que ficou conhecido na Grã-Bretanha como "o homem das 19 mil fantasias sexuais". Os depoimentos foram tomados no consultório, nas ruas e pela internet e depois organizados por temas e padrões. No livro Sexo e psique (Editora Best-Seller), que será lançado no Brasil no fim deste mês, Kahr transcreve mil relatos de homens e mulheres. Eles vão de vontades corriqueiras e totalmente realizáveis a transgressões ligadas a incesto, violência, escatologia e necrofilia. A estrutura lembra o famoso Relatório Hite (de 1976, atualizado em 2004), no qual a sexóloga Shere Hite expôs pela primeira vez e com total crueza os hábitos e as fantasias sexuais das mulheres americanas. Kahr sentou-se "numa ruela escondida de Londres, com um divã e cadeiras aconchegantes" e, como Hite, ouviu o que parecia inconfessável. Seu relato nos leva a um mundo de incestos e perversões que o dramaturgo Nélson Rodrigues, uma espécie de patrono da libido oculta brasileira, reconheceria de imediato como seu, ainda que os devaneios sejam ingleses. "Existem dois tipos de fantasia: aquelas mais festivas, que revelamos com orgulho aos amigos de bar, e outras, que vêm das profundezas de nossa mente, que muitas vezes não revelamos nem aos companheiros ou muito menos a estes", afirma. Para começar, explica Kahr, tais fantasias entranhadas na mente não têm nada a ver com o que somos na realidade. Cidadãos pacatos e civilizados podem simular violência sexual com a companheira e passar a vida sem fazer mal a uma mosca. Um homem heterossexual pode se excitar com a ideia de uma relação com outro homem e não por isso ter uma tendência homossexual. Uma mulher independente e bem-sucedida pode se imaginar submissa e humilhada sem deixar de ser o que é. Aquela que se imagina penetrando o marido com um pênis de borracha certamente não gostaria de vê-lo com outro homem. No livro, há uma paciente que fantasia ser torturada por Saddam Hussein, mas Kahr especula que ela fugiria se ele aparecesse perto dela - e não só porque ele está morto. Kahr perguntou aos pesquisados por que eles fantasiam. As respostas mais comuns foram: as fantasias me ajudam a aliviar o tédio, me animam quando estou deprimido, me deixam fazer sexo com pessoas com quem eu não poderia fazer sexo, me permitem explorar pensamentos e atividades sexuais diferentes, s me ajudam a ficar excitado com meu(minha) parceiro(a). Alguns dizem que não conseguem se controlar: elas simplesmente surgem. Outros garantem preferir as fantasias ao ato sexual real. Segundo Kahr, homens e mulheres fantasiam igualmente, e a impressão generalizada de que há fantasias genuinamente femininas ou masculinas não se confirmou em seu trabalho. A publicitária mineira Carla, de 29 anos, acredita, porém, que, para as mulheres, as fantasias são ainda mais importantes. Não ficamos excitadas de forma tão rápida e prática quanto os homens. Falar sobre isso, inventar situações na hora do sexo é sempre bom. Já transei usando apenas botas, criando um clima sensual. Também fantasio sobre lugares públicos, como o elevador, a praia. Pensar nisso funciona como uma bela preliminar. Algumas fantasias existem desde sempre, mas os tempos modernos trouxeram - além de liberdade de praticá-las - novos ingredientes para a imaginação. Um deles é o sexo virtual. Um grande número de pessoas pesquisadas por Kahr disse se excitar mais com a sugestão do sexo pela internet, por meio de texto ou vídeo, do que com o contato físico. Outra inovação é a diversidade de celebridades que aparecem nas fantasias dos britânicos. Da realeza aos usuais Brad Pitt e Angelina Jolie, eles povoam a imaginação sexual dos entrevistados - mas numa frequência menor que o volume de informações que temos sobre eles sugeriria. A colega de trabalho ou o vizinho estão mais presentes nas fantasias que qualquer famoso. Ou a família, como no caso do dentista carioca Fábio, de 41 anos, casado há sete: Penso sempre em ter relações com minha cunhada. Fazer sexo com a irmã da própria mulher deve remontar a alguma ascendência primata, em que um único macho alfa copulava com as fêmeas do bando. Como não dá para realizar, me satisfaço vendo furtivamente pedacinhos daquela moça proibida entre camisolas larguinhas num domingo de manhã. Já dá o que pensar. A impossibilidade engrandece a fantasia. É o que diz a sexóloga carioca Regina Navarro Lins, que trabalha com o tema em suas pesquisas pela internet: "O conceito de fantasia é extremamente amplo. Há quem considere fantasia aquilo que não pode passar do desejo. Outros correm atrás da realização". Ela diz que a fantasia do momento é o sexo a três. Homens preferem com duas parceiras. Mulheres gostariam de experimentar variações. "Na pesquisa que fiz com 1.634 internautas, 80% disseram que fantasiam com o ménage à trois. E quase 30% já haviam realizado, o que é um número bem alto", diz. Num dos últimos capítulos do livro, Kahr responde a perguntas práticas. As fantasias devem ser compartilhadas? Seria recomendável encenar ou realizar as fantasias com nossos parceiros? A tudo, afirma que não há respostas definitivas. "Não há limites para o que podemos imaginar e desejar no campo sexual", diz. O psicanalista diz que desbravar o tema foi para ele um verdadeiro trabalho de antropologia: "Foi como se eu esbarrasse numa tribo distante e isolada, esperando que, através da minha jornada de pesquisas, eu chegasse a uma ideia do que constitui a sexualidade humana. Mas, se as fantasias são boas ou más, posso dizer apenas que podem nos levar a orgasmos mais potentes".

Catherine Millet fala sobre sexo e ciúmes na Flip

Libertina escritora francesa conta sobre o ciúme que sentiu do marido. Domingo (5) foi o último dia da Festa Literária Internacional de Paraty.

Foto: Reprodução

A escritora e crítica de arte francesa de Catherine Millet, autora do livro 'A vida sexual de Catherine M.', emque contava em detalhes sua vida de 'serial lover'. Na mesa 'As sem-razões do amor', com a participação de Maria Rita Kehl, fala sobre sexualidade e a crise de ciúmes do marido, com quem vive um relacionamento aberto, e que rendeu o livro 'A outra vida de Catherine M.'

A psicanalista Maria Rita Kehl precisou se conter para não transformar a mesa As sem-razões do amor numa sessão de psicanálise: Cathérine Millet é um prato cheio para qualquer divã. É verdade que, em alguns momentos, Maria Rita não resistiu à tentação de enveredar por um jargão ligeiramente fora de lugar, cheio de “interditos” e “recalcados”, o que me parece uma forma involuntária de fugir do assunto que, afinal de contas, realmente interessa nos livros da escritora: as suas aventuras sexuais. Ainda assim, Cathérine, cuja expressão angelical não cansa de me impressionar depois do que li, disse coisas interessantíssimas, a propósito de seus dois livros, A vida sexual de Cathérine M. (surpeendentemente esgotado: me parece que a editora comeu mosca) e A outra vida de Cathérine M. (Jour de souffrance, no original). Exemplos: “A minha crise de ciúme passou quando me dei conta de que ela me dava um prazer masoquista.”

“Não existe ciúme verdadeiro que não seja sexual. A crise não teve nada a ver com amor, sentimento que não estava em questão na minha relação.”

“Sempre tive um duplo olhar sobre as coisas: quando eu tinha relações sexuais, eu via os meus parceiros, mas também via a mim mesma na cena. Isso cortava um pouco o meu prazer, porque penso que o prazer sexual intenso depende de um abandono total. Mas talvez esse outro olhar que me acompanha sempre seja, justamente, o olhar do escritor.”

“Pratiquei muito sexo grupal, em clubes ou com grupos de amigos, mas continuei tendo meus tabus. Justamente imaginar Jacques Henric fazendo amor com outra mulher era algo inconcebível. Mas era nisso que eu pensava quando me masturbava.”

“Não escrevo para me curar de alguma coisa, mas para me desembaraçar de mim mesma. A escritura apaga a memória primária das coisas, a ponto de eu não ter mais certeza de ter vivido tudo aquilo sobre o que escrevi.”

“A liberdade sexual foi algo natural para mim, entrei nela como num jardim cheio de flores perfumadas. Meus pais brigavam muito, e minha mãe tinha um amante. Desde cedo percebi que a família não era um valor absoluto. Então não se tratou de uma transgressão contra pais tradicionais”.

Estou grávida da minha namorada

Um casal de lésbicas de São Paulo pode ser o primeiro a registrar os filhos com o nome de duas mães.

Bruno Miranda

FRUTOS DO AMOR - Adriana, grávida de sete meses, recebe o carinho de sua companheira, Munira, na cama do casal. As duas geraram os bebês juntas.

Munira Khalil El Ourra não vai dar à luz, mas é mãe de duas crianças que vão nascer até a primeira semana de maio. Quem está na 31ª semana de gestação é sua companheira, Adriana Tito Maciel. A barriga é de Adriana. Os óvulos fecundados que grudaram no útero dela pertenciam a Munira. Os bebês já têm nome: Eduardo e Ana Luísa. Serão paridos e amamentados por Adriana, de pele marrom e cabelo que nasce crespo. Mas terão a cara de Munira, branquinha e de cabelo liso.

Para a lei, mãe biológica é quem carrega a criança no ventre. Mas um exame de DNA mostraria o contrário. Nem Adriana nem Munira pretendem disputar na Justiça a guarda das crianças. O que elas querem é sair da maternidade juntas, com um documento que permita registrar as crianças no cartório com o sobrenome de cada uma e o nome das duas mães na certidão de nascimento. Como qualquer família normal.

O sonho de ter filhos era antigo para as moças de 20 e poucos anos que se conheceram em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. A decisão de namorar sério foi influenciada por esse interesse em comum. Em poucos meses, estavam dividindo um apartamento e fazendo planos. Algum tempo depois, Adriana descobriu no ginecologista que seu útero estava ameaçado por uma doença que já lhe tinha arrancado um ovário: a endometriose. “Fiz tratamento desde os 18 anos”, diz Adriana. “Na época, achavam que era cólica menstrual e medicavam com morfina. Quando descobriram, já tinha perdido o ovário direito. E as dores continuavam.” O médico disse a ela que uma gravidez reduziria o problema em 80% e ainda lhe daria a chance de ter um filho antes que o útero ficasse inválido.

Apesar do relacionamento ainda recente, Munira e Adriana aceitaram a ideia e procuraram um especialista em reprodução humana no Hospital Santa Joana para fazer a inseminação artificial. “A gente achava que iria comprar esperma, levar para casa e aplicar com uma seringa”, diz Munira. Os planos mudaram quando o novo médico descobriu que Adriana só tinha metade do ovário esquerdo e já não podia engravidar com os próprios óvulos. Ele sugeriu que Munira cedesse os seus. Se usassem o sêmen de um homem de mesmos traços que Adriana, o filho seria parecido com as duas mães.

As duas moças se animaram com a possibilidade de ter um filho que tivesse um pouco de cada uma. Ainda hoje, Adriana se emociona ao contar essa parte da história. Tinha sido muito dolorido receber a notícia de que não poderia ter filhos do seu próprio sangue, e o gesto de Munira foi mais que bem-vindo. “Foi a maior prova de amor que ela poderia me dar.”

Decisão tomada, era preciso fazer alguns exames e começar o tratamento hormonal para estimular os ovários de Munira e sincronizar os ciclos menstruais das duas. Os óvulos de Munira deveriam estar prontos para a inseminação artificial (em laboratório) na mesma época em que o útero de Adriana estivesse pronto para fixar os embriões. Munira se queixava dos percalços do tratamento. De abril a agosto do ano passado, as injeções diárias na barriga, a oscilação de humor que parecia uma TPM constante, a ultrassonografia vaginal toda semana, o acúmulo de líquido no corpo e o ganho de peso eram o preço que ela tinha de pagar pela bênção de ser mãe. Em breve, seria a vez de Adriana suportar a gravidez.

Quando essa fase chegou, Munira diz ter sentido em seu corpo muitos dos sintomas da gravidez da companheira. “Parecia que eu tinha ficado grávida também.” Ela diz ter sentido enjoos, estrias que nunca haviam existido, mau humor, dores nas costas, dor nas pernas, cansaço de dia, insônia de noite e até desejos estranhos. Fernando Prado, o ginecologista das duas, diz não ter explicação para essa sintonia. Ele não descarta que Munira possa até mesmo ter leite quando os bebês nascerem.

Dos exames à gravidez, todo o processo funcionou até melhor que o esperado. “Eu não imaginava que daria certo de primeira”, diz Prado. Segundo ele, a chance de uma inseminação desse tipo vingar é de 50%, levando em consideração a idade das pacientes e outras condições de saúde. Como Adriana ainda tinha miomas no útero por causa da endometriose, imaginou que seria preciso retirá-los antes. Mas eles nem fizeram cócegas. Para ajudar, em vez dos dez a 15 óvulos esperados após o tratamento hormonal, Munira rendeu mais de 20.

A legislação brasileira não é a única que permanece lenta diante das mudanças na ciência e na sociedade. A chef americana Cat Cora, que comanda um programa de culinária na TV, está passando por transtorno semelhante ao das brasileiras. Ela mantém um relacionamento estável há dez anos e já tem dois filhos gerados por sua companheira, Jennifer. O segundo filho foi feito por fertilização in vitro com óvulos de Cat, mas ela foi impedida pela lei americana de registrá-lo diretamente no cartório como a segunda mãe. Foi preciso entrar com um pedido de adoção para garantir direitos e deveres de mãe sobre ele. “É injusto, mas é a lei”, disse Cat. Agora, Jennifer está grávida de novo, e Cat engravidou pela primeira vez. Desta vez, ambas retiraram óvulos para a fertilização in vitro, formando embriões que foram transferidos para as duas barrigas. Ainda não se sabe de qual delas é o DNA do bebê que vai nascer de cada uma. Para todos os óvulos, foi usado sêmen do mesmo doador anônimo. Assim, as crianças serão irmãs também por parte de pai.

Na Espanha, a legislação é mais aberta. Com base em uma lei do Código Civil de 2005 que iguala em direitos e deveres a união estável de homossexuais ao casamento heterossexual, no final do ano passado o governo espanhol permitiu que um casal de mulheres gerasse um bebê por fertilização in vitro, usando um doador de sêmen anônimo, e o registrasse no nome das duas. Ambas são oficialmente consideradas mães biológicas porque uma doou os óvulos e a outra gestou o feto em sua barriga – exatamente como fizeram Adriana e Munira. O presidente da Comissão Nacional de Reprodução Humana Assistida do Ministério da Saúde e do Consumo da Espanha, Augusto Silva, diz que a lei garante direitos iguais a casais de qualquer gênero. “Não estamos estabelecendo uma obrigação. Mas deve ficar claro que a permissão que demos a essas mulheres vale para todos.” Silva diz que a Comissão está trabalhando pela modificação da lei de assistência reprodutiva para que não haja mais dúvidas de que, onde há casamento, há o direito à reprodução assistida.

Munira poderia ter seus direitos de mãe reconhecidos de forma mais fácil. Bastaria entrar com uma ação para adotar seus próprios filhos. Com a jurisprudência construída desde 2006, é provável que ela ganhasse uma ação desse tipo. Mas não é isso que ela e Adriana querem. Sua expectativa é ganhar a ação da maternidade e dar origem a uma jurisprudência para favorecer casos como este no Brasil. Embora não sejam ativistas, Munira e Adriana dizem que ficariam orgulhosas de abrir caminho para outros casais homossexuais. Se perderem o caso, ficarão tristes. Mas a derrota não terá efeito nenhum na forma como pretendem criar seus filhos. “Registrando ou não, elas serão mães dessas crianças”, diz a advogada Maria Berenice. “Juiz nenhum vai apagar o que já existe.”

Gravidez a duas As lésbicas Adriana e Munira serão mães biológicas dos mesmos bebês. Os embriões formados com os óvulos de uma delas estão se desenvolvendo na barriga da outra

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Doador de sêmen O casal de moças foi a um banco de sêmen e procurou na ficha de doadores anônimos um que se parecesse com Adriana: pele morena, cabelo encaracolado

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Coleta dos óvulos Munira tomou hormônios injetáveis durante dez dias para estimular a produção de vários óvulos naquele mês. No consultório, o médico extraiu mais de 20 óvulos maduros dos seus ovários

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Fertilização Dois dias depois, o médico retirou os óvulos do corpo de Munira e selecionou cinco. No laboratório, dentro de uma placa de vidro, injetou um espermatozoide do doador anônimo em cada óvulo

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Transferência de embriões Três dias depois, os embriões já estavam prontos para ser transferidos para o útero da mãe. Neste caso, de Adriana. O médico escolheu os três melhores embriões para introduzir nela pela vagina

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Gravidez Doze dias depois, Adriana fez um exame de sangue e confirmou o sucesso de dois embriões: estava grávida de gêmeos

10 dicas para dar um upgrade na vida sexual

Ao dizer o "sim" no altar, o casal consuma uma vida em conjunto. O "felizes para sempre", porém, pode encontrar seus percalços com o passar do tempo.
Especialistas reforçam a necessidade de cada um manter seu espaço, mas também deixam claro que é imprescindível buscar objetivos a dois. E o diálogo franco é a saída para realizar os pequenos ajustes na relação, inclusive, no âmbito sexual. "Quando o sexo não vai bem, a primeira coisa a fazer é ter uma conversa para falar das insatisfações e propor um acordo para melhorar", afirma a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello. O descompasso entre quatro paredes é apontado como a principal causa do término de relacionamentos.
Os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2006, dão conta de que houve um aumento de 7,7% nos divórcios em relação ao ano anterior. E esse acréscimo denota uma mudança no comportamento feminino nas últimas décadas. Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) mostrou que os divórcios subiram mais de cinco vezes desde 1980. A causa apontada é a influência das novelas da Rede Globo, já que as transmissões da emissora foram expandidas para 98% dos municípios do País na década de 1990.Com tantos relacionamentos fracassados, a rotina sexual acaba se transformando num fantasma que ronda a cabeça das mulheres.
Reinventar a intimidade é o primeiro passo de uma relação saudável e duradoura. "Sexo tem que ser uma brincadeira gostosa", afirma a personal sex trainer Fátima Moura. "Se o casal estiver sempre recriando o básico, a rotina acaba virando novidade", diz Fátima.Mas o ritmo de vida agitado exige, muitas vezes, horas extras no trabalho, além dos cuidados com os filhos e com a casa. As mulheres acabam, então, deixando de lado os momentos para curtir a sós com o parceiro. Esse é um comportamento que deve ser banido da vida a dois. "É preciso reservar tempo para o casal", fala a psicóloga e terapeuta de casal Marina Vasconcellos. "Eles não devem deixar de existir como marido, esposa e amante para priorizar os filhos", afirma a especialista.Portanto, ao menos uma vez por semana, vale deixar os filhos com uma pessoa de confiança para namorar. "Transar em diferentes lugares da casa esquenta a relação", diz Carla Cecarello.A personal sex trainer, por sua vez, aconselha provocar os sentidos do parceiro. "A mulher deve preparar o ambiente para o sexo com perfumes, vinho, música e finalizar com uma massagem erótica.
" Já Marina Vasconcellos acredita que criar um clima gostoso é o primeiro passo para uma transa de sucesso. "No meio do dia, mandar mensagens carinhosas por SMS ou email, por exemplo, são estimulantes. À noite, o casal pode sair para dançar ou ir a um show porque o retorno para casa terá um ambiente harmonioso e propício para o sexo", acredita Marina.Quem busca aventura e quer inovar na cama, ainda pode procurar brinquedinhos eróticos. Mas a atenção na escolha é algo relevante. "Há uma grande rejeição pelos homens em relação a vibradores em formato de pênis porque eles se sentem ameaçados", afirma Carla. "Criar uma competição só vai prejudicar ainda mais a vida sexual." Dê preferência, portanto, para artigos "mais inofensivos". Existe uma gama de produtos, como géis, estimuladores de clitóris e esponjas vibratórias para o banho.Se há um consenso de que a vida sexual não tem lá mais aquele clima ardente, é importante buscar alternativas para retomar o fogo de outrora. Para isso, os especialistas listaram 10 dicas incendiárias. Confira:
1. Deixar os filhos com alguém para ter a casa só para os dois e namorar à vontade. Explore todos os cômodos da casa para fazer sexo, a cama deve ser a última opção;
2. Deixar a vergonha de lado e conversar sobre sexo com mais frequência;
3. Cuidar do corpo, pois se a mulher está feliz consigo, ela se sente segura e poderosa para ousar na cama;
4. Buscar informações e novidades para apimentar a transa. Pode ser um livro erótico para ser lido a dois ou filme para servir de inspiração;
5. Varie as posições sexuais. O papai-e-mamãe é infalível, mas experimentar outras pode trazer um prazer jamais sentido até então;
6. O orgasmo não deve ser visto como objetivo final. Curta o corpo do parceiro, toque-o, massagei-o. O clímax vai chegar e será nada mais do que a consequência das preliminares;
7. Técnicas novas surpreendem o parceiro. Para não cair no ridículo, adapte-as a sua realidade e grau de timidez. O pompoarismo colabora com a conscientização corporal, o striptease provoca o parceiro por meio da visão e a massagem erótica estimula as zonas erógenas;
8. Mostrar a ele como gosta de ser tocada. O parceiro não tem a obrigação de saber o que dá mais prazer à mulher. Guie-o;
9. Surpreender o homem é sempre excitante para ele. Espere-o em casa com uma bela maquiagem, roupa sexy e jantar a luz de velas. A cama será o destino final;
10. Acrescente diversão ao sexo. Busque brinquedinhos eróticos, como géis que esquentam ou esfriam, estimuladores de clitóris ou esponjas vibratórias para o banho a dois.

O divertido campeonato de sexo imaginário

O pessoal disputa quem finge o melhor orgasmo

Air Sex World Championship / Reprodução

É o que eu sempre falo: a capacidade do ser humano para inventar não tem limites. Por exemplo, quem será que inventou o air guitar, aquela modalidade onde as pessoas FINGEM tocar guitarra, e que tem até campeonatos ao redor do mundo?

Quando a gente acha que nada vai superar essa, eis que surge... o air sex!

E não, não tem nada a ver com transar no banheiro do avião. O air sex é a modalidade onde as pessoas fingem fazer sexo. Em público. Na frente de muitas pessoas. E são filmadas, fotografadas e devidamente registradas para a posterioridade. E competem entre si. Tipo... quem finge melhor que está fazendo sexo. Estou atonita até agora.

O campeonato mundial está rolando atualmente nos Estados Unidos. Se você estiver no Texas no próximo sábado pode participar da etapa de Austin, por exemplo. O "coito imaginário" dura dois minutos e tem trilha sonora escolhida pelo competidor - que sobe ao palco vestido, logicamente, porque air sex é um esporte família.

Tá duvidando de mim? Super entendo, eu também achei que essa história de air sex era brincadeira. Mas os caras tem até site, onde vocês podem ver mais fotos e ler pérolas como: "a hora de perder sua air virginity é agora". Corre lá e dê boas risadas!

Sete cursos para se dar bem com o sexo feminino

Quer garantir bom resultado na performance? Aposte no curso de sexo tântrico. Sendo uma pessoa apresentável, agradável e com um bom papo, e ainda dominando as 11 habilidades básicas masculinas, você já está com meio caminho andado para fazer com que a moçoila se interesse por sua pessoa. Acontece que, se tiver algumas outras aptidões, a coisa pode ficar ainda mais memorável.
Confira a lista: Curso de gastronomia: saber preparar na cozinha algo além de arroz com ovo cozido já é um diferencial interessante.
Convidar a guria para sua residência e preparar um delicioso risoto de queijo brie com prosciutto de Parma e rúcula, já vai dar outra impressão à noite e você seguramente vai sair como um cara descolado e independente.
Curso de enologia: você não precisa se tornar aqueles chatos que ficam discorrendo durante horas sobre o tipo de uva utilizada no vinho, seu método de cultivo e colheita, e nem precisa fazer aquele ritual de decantação na hora de servir, mas saber escolher o vinho certo, de uma boa safra e pedi-lo na temperatura adequada é um desses diferenciais que mostram o quanto sofisticado e exigente você é. Sem contar que pode dar um porre na menina, não é mesmo?
Curso de massagem: hoje em dia existe uma série de regras e legislação para você cursar e praticar profissionalmente a milenar arte da massagem, mas ainda assim não há quem resista a uma boa pegada nas costas ou nos pés. E, por ser algo que mexe com a troca de energia e físico, imagine o fim da brincadeira.
Curso de dança: saber dançar vários ritmos e não somente se chacoalhar numa danceteria também pode ajudá-lo a se dar bem com o público feminino.
Só o fato de você ter a condução e a pegada na dança, mostra à sua parceira que tipo de homem você é, além de funcionar como uma fantástica forma de sedução.
Curso de mergulho: muitas moças adoram caras que se aventuram em esportes radicais, mas o mergulho ainda tem aquela aura de mistério e romance envolvendo estar em outro mundo, com vida, sons e paisagens diferentes. E o mais legal nisso tudo é que não é caro e dá para se fazer a dois!
Curso de vôo livre ou paraquedismo: se você faz o tipo com a cabeça nas nuvens, o vôo livre, seja em asa-delta ou parapente, vai não só te dar muita adrenalina como assunto para muitas histórias emocionantes sobre como viu o mundo lá de cima. Existem escolas espalhadas no Brasil inteiro, mas tome cuidado para não fazer como aquele padre e se amarrar em um monte de bexigas só para virar notícia.
Curso de sexo tântrico: o Tantra é uma filosofia oriental em que a mulher é encarada como divindade e sua prática adia ao máximo o orgasmo com o objetivo de obter prazer prolongado. Quem pratica com fervor, acha o máximo. E, pelo jeito, pode ajudar os mais apressadinhos a entender que o prazer dela é tão ou mais importante quanto o seu.

Padre escreve manual de sexo pra casais casados

Fiquei sabendo da existência do ''Kama Sutra Católico'' pelo Mauri, amigo meu, que ouviu um taxista falar sobre a obra. O tal taxista queria ler o livro porque a mulher dele não gostava da referida prática. Pra compensar, como ela não falava (nem fazia) sobre sexo, ele ''não discutia problemas do Terceiro Mundo com ela''. O cara era um doido, mas deu uma dica interessante.

Sexo como você não conhece - para casais casados que amam Deus foi escrito pelo padre polonês Ksawery Knotz, que pretende acabar com as atitudes excessivamente conservadoras de muitos fiéis.

A obra já é um sucesso de vendas na Europa. As primeiras 5 mil cópias sumiram das prateleiras em poucas semanas. Para o sacerdote, o sexo no casamento deveria ser ''apimentado, surpreendente e cheio de fantasia''.

Quer mais? Dá uma lida nesse trecho do livro:

''Algumas pessoas, quando escutam falar no caráter sagrado do sexo no casamento, imaginam imediatamente que esse tipo de sexo tem que ser desprovido de alegria, brincadeiras e posições atraentes. Cada ato — um tipo de carícia, uma posição sexual — com o objetivo de excitar é permitido e agrada a Deus''.

Adorei esse cara!

Loucura, sexo e mutilação de Lars Von Trier chocam críticos de Cannes

O mestre do escândalo dinamarquês Lars Von Trier conseguiu mais uma vez: deixou em estado de choque a plateia de críticos de Cannes com seu novo filme, "Antichrist" ("Anticristo"), um suspense sobre amor e loucura que abusa de cenas de sexo explícito e mutilação. Willem Dafoe e a francesa Charlotte Gainsbourg adicionam performances poderosas ao filme, que conta a história de um casal que se isola em um chalé distante para tentar superar a morte do filho bebê.

A primeira cena é um close-up em câmera lenta de penetração sexual, que evolui para uma dramática sequência de violência e termina com uma chocante visão de Gainsbourg extirpando seu clitóris com uma tesoura.

"Isso é um pesadelo sobre culpa, sexo e outras coisas", resumiu o diretor, de 53 anos, falando para uma platéia visivelmente chocada e hostil sobre seu novo filme, que concorre com outras 19 produções pela Palma de Ouro.

Von Trier, que no ano 2000 saiu de Cannes com a Palma de Ouro por "Dançando no Escuro", explicou que o filme foi como uma terapia para ele, depois do colapso nervoso que sofreu dois anos atrás, e que considera o mais importante de sua carreira.

Qustionado sobre o porquê de ter produzido um trabalho visualmente tão violento, o diretor não pensou duas vezes: "Eu não acho que deva uma explicação a ninguém. Fiz (o filme) para mim mesmo".

"É a mão de Deus", acrescentou, com um sorriso sarcástico. "E eu sou o melhor diretor do mundo!".Imagens do imaginário gótico, referências a perseguições de bruxas na Idade Média e alucinações apavorantes de animais falantes se combinam para criar uma atmosfera de assombro e escuridão ao longo do filme.

Os críticos de Cannes se dividiram entre reações de amor e ódio a "Antichrist".

"Era insuportável. Eu odiei. É misógino, e vai ser um escândalo", comentou Victor Saint-Macary, do estúdio Gaumont, que assistiu à premiére nesta segunda-feira.

Outros, como o suíço Marc Bahud, estavam extasiados."É fascinante, algo de total beleza", elogiou. "É muito, muito louco. Há algumas coisas muito difíceis. Mas é assim mesmo. É a exploração de uma alma torturada". Perguntado sobre por quê decidiu incluir no filme a cena mais perturbadora de todas - a mutilação genital de Gainsbourg -, Von Trier respondeu que "não mostrar isso para mim seria como mentir. Veio naturalmente". Von Trier insiste que não é um misógino, e que apenas acha a sexualidade feminina "assustadora".

Juliana Paes diz não ter dúvidas sobre sexo

Juliana Paes levou o público ao delírio diante da sexóloga Laura Müller na gravação do “Altas horas”.

Zé Paulo Cardeal / Divulgação / TV Globo

Questionada por Serginho Groisman a fazer uma pergunta para Laura, a Maya de “Caminho das Índias” fez cara de sabida e provocou. “Não, não tenho nenhuma dúvida. Não preciso”, disse soltando uma gargalhada logo depois. A espontaneidade de Juliana não parou por aí. Ela ainda contou que quer se livrar do cigarro, mas não consegue. “Sempre pensei em parar de fumar, mas nunca tive determinação suficiente, nunca me empenhei de verdade”, entregou: “Mas não acho que fumar tenha glamour nenhum. Fumar é o maior mico.”

Expo sexo na África do Sul

A Sexpo, na Cidade do Cabo, é o maior evento do mundo na área

Sexpo, na Cidade do Cabo, África do Sul - Foto EPA

A Cidade do Cabo, na África do Sul, já abriu as portas da Sexpo 2009, a maior feira da especialidade em todo o Mundo. Aliás, segundo a agência EPA, o conceito destes eventos nasceu mesmo na África do Sul. Milhares de visitantes podem conhecer as últimas novidades do mundo do erotismo, espalhadas por mais de 150 expositores e, ainda, ver actuações de verdadeiras estrelas do mundo do sexo. Veja tudo sem pudores aqui

Parque dedicado ao sexo causa polêmica na China

Boneca gigante decora a entrada do parque temático Love Land, em Chongqing

Boneca gigante decora a entrada do parque temático "Love Land", em Chongqing

Um parque dedicado ao sexo que abrirá em outubro, na cidade chinesa de Chongqing, já está causando polêmica. Segundo publica nesta sexta o jornal China Daily, uma estátua da parte inferior do corpo feminino colocada no arco de entrada do parque tem sido o principal alvo de críticas.

O parque, criado e dirigido por Lu Xiaoqing, se chamará Love Land (Terra do Amor, em tradução livre). "Na China, o sexo é um tema tabu e as pessoas realmente necessitam ter mais informações sobre o assunto", disse o criador do parque, de acordo com a agência Ansa.

Uma policial, que trabalha em frente ao parque, disse ao jornal chinês que se sente desconfortável ao olhar para a estátua. "Me sinto incomodada", disse Liu Daiwei. Já um jovem chinês ouvido pelo China Daily elogiou a criação e garantiu que visitará o parque. "Quero aprender mais sobre sexo e melhorar minha qualidade de vida", declarou o morador da província de Henan.

O parque terá esculturas nuas de ambos os sexos, mostras fotográficas, exposições permanentes sobre HIV e sobre o uso apropriado de preservativos.

Mulheres com quociente emocional mais elevado têm mais orgasmos

Quanto mais alto for o “quociente emocional” de uma mulher – algo equivalente ao célebre QI, mas para medir a capacidade de nos relacionarmos emocionalmente e não a inteligência –, mais orgasmos terá essa mulher. Nem mais. É isto que afirma um estudo publicado na revista científica “The Journal of Sexual Medicine”, e relatado pela edição “on-line” da revista “New Scientist.” A equipa responsável, do King’s College de Londres, recrutou 2035 mulheres, voluntárias do grande estudo epidemiológico britânico TwinsUK, com idades entre os 18 e os 83 anos. Deram-lhes um questionário para preencher, que avaliariam o seu quociente emocional (QE) e também os seus hábitos e atitudes em relação ao sexo. O que concluíram deste questionário (não houve experiências) foi que as mulheres que demonstravam ter um mais elevado QE eram as que mais orgasmos tinham, fosse durante relações sexuais ou masturbação. As mulheres com um QE mais baixo tinham mais ou menos duas vezes mais possibilidades de terem orgasmos com pouca frequência, diz a equipa de Andrea Burri. “A inteligência emocional parece ter um impacte directo na função sexual das mulheres, influenciado a sua capacidade de comunicar as suas expectativas e desejos ao parceiro”, diz Burri, citado pela “New Scientist”. Por outras palavras: falar abertamente leva a uma vida sexual mais satisfatória.

Segredos do orgasmo

Quase todos o procuram. É puro prazer físico. Há uns tão intensos que provocam um pequeno apagão, uma "petite mort", um momento de descontrolo que... sabe tão bem. Orgasmo, sim obrigado.
Segredos do orgasmo

Numa boa partida de futebol há golos. Às vezes muitos. As equipas querem ganhar o jogo, despir a camisola, suar, gritar alto e levar a taça. Alguns jogos ficaram para a história mesmo quando o resultado foi um empate, mas com satisfação para ambas as partes. O mesmo se passa na cama. No jogo dos lençóis todos querem ganhar. O orgasmo é a taça, o ponto sublime, e poucas vezes a equipa chega ao empate. Há vitórias, derrotas, cartões amarelos e até expulsões. O que todos querem é ter muitos e memoráveis golos.

Mas nem todos são pontas-de-lança. Há quem nunca marque, nem tenha prazer com isso, mas também há quem queira sempre mais e mais. Dados recentes revelam que 27% das mulheres portuguesas raramente ou nunca atingem o orgasmo. Um número demasiado alto em comparação com o residual 1% de homens que não chega ao ponto máximo de prazer.

Estes indicadores resultam de um estudo coordenado por Nuno Monteiro Pereira sobre as disfunções sexuais dos portugueses residentes em Portugal Continental, a que chamou de "Episex dos Portugueses". Para o investigador, isto explica-se porque fisiologicamente os homens estão mais aptos a ter orgasmos e atingem-nos de forma mais rápida. "Eles têm um orgasmo, em média, ao fim de três minutos de iniciarem a relação sexual, enquanto elas precisam de oito." É, aliás, este o motivo que leva mais de um quarto das portuguesas a não atingirem o auge.

À escala global poderão ser milhões as mulheres que têm uma vida sexual insatisfatória. E, nesta matéria, a bola está do lado deles. Em regra, eles são mais dependentes do orgasmo, têm-no de forma mais frequente, estão obcecados com o coito e excitam-se facilmente. Chegam ao fim muito mais depressa. E nem sempre esperam por elas, nem sabem como ajudá-las a ter um orgasmo. Pensemos no homem como um interruptor on e off e na mulher como um ferro de engomar. Nele basta ligar e desligar, ou seja ter uma erecção para que tudo corra bem.

nquanto a mulher precisa de algum tempo para aquecer. "Elas demoram mais a chegar a um estado de excitação, a estarem suficientemente lubrificadas e preparadas para o coito", explica a terapeuta sexual Marta Crawford, que neste momento apresenta na TVI 24 o programa semanal "Aqui há sexo". É importante que os homens saibam que o clítoris é a zona do corpo que dá mais prazer à mulher. "Aliás, a sua única função é dar prazer sexual. E se não for estimulado durante o sexo, provavelmente elas nunca atingirão o ponto mais alto do prazer. O orgasmo é clitoriano e não vaginal."

O principal problema que leva os casais ao 'divã' da terapeuta é a falta de desejo. Logo seguido da preocupação feminina quando não consegue obter um orgasmo durante o coito. "Ainda há a ideia de que é só através dele que o sexo faz sentido. E quem não tem prazer com isso acha que não é normal. É um disparate. O sexo é muito mais do que a penetração.

Deve ser encarado como uma paleta de cores, com várias tonalidades, subtilezas e cambiantes para explorar a dois." Talvez assim o cobiçado orgasmo simultâneo aconteça. Mas não desespere no seu encalço. Ele é um assunto tornado mito através das falsas ideias veiculadas pelas revistas femininas. Consegui-lo é bem mais difícil do que parece.

O truque é investir nos preliminares. Cumplicidade, afecto, carícias, beijos e toques serão um bom caminho para que a mulher chegue ao mesmo estado de excitação do homem. E assim juntos poderão desfrutar do clímax em simultâneo ou em tempos muito próximos. Mas se é preciso complicidade para que as mulheres consigam acompanhar o homem no contra-relógio do prazer, elas têm uma arma de que eles não se podem gabar. Chama-se fingimento e algumas usam-no para "protegerem o ego dos seus homens. Todavia, a médio prazo, não resultar". Quem o afirma é o sexólogo Júlio Machado Vaz.

Segredos do orgasmo

Ficou famosa a cena do filme "Um Amor Inevitável", de 1989, em que Meg Ryan simula um espectacular orgasmo num restaurante, perante um Billy Crystal embaraçado. A cena é um ícone da história do orgasmo no cinema. Perante um homem incrédulo, a actriz demonstra como uma mulher é capaz de simular prazer, entre duas garfadas, no meio de um restaurante cheio. É algo adquirido, conhecido de cor pelas mulheres. Ao longo da história muitas mulheres já usaram esse truque para ludibriar os seus parceiros.

Uma artimanha que aos homens está vedada. Hoje as mulheres já não fingem tanto. De acordo com a experiência clínica de Marta Crawford, o sexo feminino já não está para isso. Também elas querem ter prazer e exigem mais. É esse um dos motivos que leva os terapeutas a afirmarem que na última década tem aumentado o número de homens a solicitar ajuda médica. "Quando vejo entrar no meu consultório homens com menos de 30 anos, das duas uma, ou vêm queixar-se da falta de desejo, e então trata-se de casos quase sempre ligados ao ecstasy, uma droga altamente destruidora da líbido e irreversível. Ou então entram por aqui adentro angustiados, por se sentirem diminuídos perante as exigências da sua parceira. Actualmente os homens estão mais preocupados com a sexualidade delas. E isso perturba-os imenso", esclarece Nuno Monteiro Pereira, andrologista e terapeuta sexual.

Essa realidade era bem visível na série televisiva americana "O Sexo e a Cidade", de Candance Bushnell, onde quatro amigas se tornaram populares pelas suas numerosas conquistas e devaneios sexuais, sem pudores, limites ou tabus. A provar que nos tempos que correm, em matéria de sexo, as mulheres podem desejar e actuar como os homens. A loura e fogosa Samantha Jones, a personagem interpretada pela quarentona Kim Cattrall, é o paradigma da mulher moderna e cosmopolita. Emancipada, profissional e sexualmente muito activa.

Fora dos sets de filmagens, a actriz que deu corpo a Samantha falou da sua experiência íntima e pessoal no livro "Satisfação - A Arte do Orgasmo Feminino", onde se propôs, em conjunto com o ex-marido, ensinar os segredos para se chegar ao ponto mais alto do prazer. "No início dos meus trintas, o sexo queria dizer ser fisicamente dominada por um homem e ter algum prazer através da penetração, mas nunca chegar ao orgasmo com os meus parceiros. Cheguei aos quarenta e tinha passado por duas décadas de relações sexuais insatisfatórias."

Não é de estranhar, por isso, que também a maioria das portuguesas (56%) confesse que gostaria de receber do parceiro mais e melhor estimulação sexual. Um resultado a que chegou Ana Carvalheira, psicóloga clínica e autora do estudo português sobre "A Resposta Sexual Feminina" a ser apresentado brevemente. Ao Expresso adiantou ainda que há uma percentagem considerável de mulheres (12%) que apenas atinge o orgasmo através da masturbação. A maioria delas toca nos genitais, outras usam uma almofada (15%) ou optam por se satisfazer com o jacto do chuveiro (21%). A investigadora reforça ainda que as mulheres que sempre se masturbaram têm uma boa relação com o seu corpo e têm tendência a ter mais orgasmos.

A mesma opinião tem Marta Crawford. A sexóloga afirma que a maior parte das pacientes que recebe nas consultas de terapia sexual com problemas em atingir o orgasmo tem algum desconforto em tocar-se. "Não se masturbaram na adolescência, nem mais tarde. Talvez devido a uma educação conservadora e asfixiante em que a masturbação era tabu ou pecado."

Esta ideia de culpa vem de há muito tempo. Até aos finais do século XIX, a masturbação era ainda mais mal vista e tida como a origem de vários males, e até causa de algumas doenças, como a tuberculose. Hoje sabe-se que o prazer solitário não tem inconveniente nenhum, desde que não interfira na relação com o outro e não atinja excessos. Machado Vaz considera, no entanto, que "acaso seja interpretada pelo parceiro como um sinal de impotência para preencher a sua vida erótica pode tornar-se um problema".

Mudam-se os tempos e as vontades. Se, no passado, falar de sexo era tabu e a cópula tinha como objectivo a procriação, hoje andamos todos obcecados com o prazer físico. Seja através do sexo ou da masturbação, a corrida à serotonina e oxitocina produzidas pelo orgasmo e à momentânea descontracção muscular constituem as drogas mais potentes e apetecíveis que possuímos. E mesmo que não tenhamos uma grande apetência para o sexo, somos diariamente alvo de uma forte pressão cultural, social e mediática para conseguirmos altas performances.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), praticam-se todos os dias em todo o mundo mais de 100 milhões de actos sexuais. Os portugueses parecem contribuir, e muito, para estas estatísticas. De acordo com o estudo "Epidemiologia das Disfunções Sexuais em Portugal Continental", promovido pela Sociedade Portuguesa de Andrologia, cerca de 50% dos portugueses têm sexo duas ou mais vezes por semana. Ao tomarmos esse número como referência e tendo em conta que a duração média de um orgasmo é de cerca de dez segundos, a maior parte dos indivíduos experimenta uns meros 20 segundos por semana. Cerca de um minuto por mês, ou um total de 12 minutos de êxtase por ano.

Segredos do orgasmo

No livro "A História Íntima do Orgasmo", do americano Jonathan Margolis, publicado em Portugal pela Bizâncio, "se considerarmos cinquenta anos um período de actividade sexual normal, numa visão algo optimista, poderemos então desfrutar umas dez horas de orgasmo em toda a vida". Parece pouco para todo o tempo que passamos a pensar, a analisar, ou a falar de sexo. Mas convenhamos que sabe bem.

O que acontece aos homens e mulheres quando atingem o orgasmo? Todos nós achamos que sabemos, mas o facto é que se desencadeia um processo físico e psicológico complexo que nos escapa. Vamos a factos. Na hora do grande Ó, apesar do espasmo durar apenas alguns segundos, muita coisa acontece. Os órgãos genitais dilatam-se com o fluxo sanguíneo, os movimentos cardíacos e respiratórios aceleram-se, os músculos contraem-se, as bocas entreabrem-se, os rostos ruborizam-se, os dedos grandes dos pés reviram-se e há aquilo a que os franceses chamam de la petite mort. Ou seja, uma espécie de apagão. Um momento de descontrolo total. Variável de pessoa para pessoa e com intensidades diferentes.

Durante muito tempo achou-se que o orgasmo feminino era menos intenso do que o masculino. Nuno Monteiro Pereira desfaz esse mito: "Os orgasmos femininos podem ser tão poderosos como os masculinos. O apagão tanto pode acontecer ao homem como à mulher. Só acontece menos na mulher porque ela tem orgasmos menos frequentes." E quando o tem resulta de uma forma mais refinada de desejo. Jonathan Margolis chega mesmo a considerar que "o orgasmo feminino é uma experiência infinitamente maior e mais expansiva do que a sensação que os homens têm quando ejaculam". O autor diz que neles a experiência se resume, descontando o aspecto emocional, "a algo semelhante ao alívio da micção de uma bexiga a transbordar, de um espirro ou de um movimento intestinal".

Mas, se no estudo "Episex dos Portugueses" se fica a saber que para esmagadora maioria dos homens (85%) o sexo é muito importante ou fundamental na sua qualidade de vida, nenhum consegue atingir aquilo que é exclusivo de algumas mulheres, os multiorgasmos. São elas que têm a capacidade de fazer durar o prazer e de voltar ao poderoso estremecimento duas, três ou mais vezes, se o estímulo persistir - mais de 20% das mulheres consegue esta proeza. Um estado de êxtase ao que parece vedado a eles. "O homem tem um período refractário a seguir a ter um orgasmo. Fisiológicamente é incapaz de voltar logo a ter outro.

Para um melhor domínio da arte do sexo o que podemos todos é tentar prolongar o prazer. Há quem o faça através da prática do sexo tântrico. Uma técnica que passou a ser mais conhecida a partir dos anos 90, quando o cantor pop Sting veio a público fazer alarde deste seu gosto. O ex-vocalista dos Police apregoava mesmo que as suas performances sexuais chegavam a durar oito horas. Uma proeza mais tarde posta em causa pelo seu amigo e músico Bob Geldof ao afirmar que Sting incluía nessa sua contagem "o jantar mais a ida ao cinema". Verdade ou mentira, talvez não seja preciso ir tão longe. "A técnica para um bom orgasmo é a tentativa de atrasar a inevitabilidade ejaculatória, prolongar o prazer e adiar o clímax", considera Monteiro Pereira.

E se nos homens o orgasmo é sinónimo de satisfação sexual, no caso feminino não é bem assim. "As mulheres têm uma coisa fantástica. Muitas vezes ficam bem, realizadas, sem atingir o clímax. Mas muitos homens não percebem isso. Eles não aceitam que as mulheres não os acompanhem no pico de prazer. O padrão é que as mulheres se sentem satisfeitas, compensadas numa relação sexual, mesmo sem orgasmo", esclarece Monteiro Pereira. Certo é que a esmagadora maioria deles e delas não dispensa o sexo. Querem sempre mais e melhor. E aquele momento fugaz, de plenitude, que provoca formigueiro no corpo todo é procurado por todos. Mesmo quando se sabe que é um fogo-fátuo.

Piadas

Sobre o tema "sexo" muitas piadas circulam na Internet. Eis uma lista de vários tipos de orgasmo:

O matemático: Mais, mais, mais, mais... O religioso: Ai! Meu Deus! Ai! Meu Deus!... O ateu: Oh! Que diabo! O suicida: Ai que eu morro, ai que eu morro... O homicida: Se parares agora, eu maaatooo-teeeeeeeeee!!! O exigente: Agora! Agora! Agora! O enfadado: Hum! O guloso: Que delícia, que delícia... O bondoso: Oh! É bom! É bom! O masoquista: Bate-me, bate-me! O sádico: Toma, toma, toma! O negativo: Oh! Não... Não... Nãoooooo!... O positivo: Oh! Sim... Sim... Simmmm!... O egocêntrico: Estou-me a vir! Estou-me a vir! O asmático: Uhh... Uhhh... Uhhh... O geógrafo: Aqui, aqui, aqui, aqui... O sôfrego: Outro, outro. Mais! Mais! O inseguro: É meu? É meu? O possessivo: É meu! É meu! O acidental: Ups! O paternal: Oh! Sim, bebé! O desinformado: O que é isto? ....o que é isto? O cozinheiro: Mexe... Mexe... Mexe... O analista de sistemas: OK! O rápido: Já está! O asneirento: F#&#=ee!

Tabus, falsas crenças e mitos

Ao longo dos séculos muitos foram os tabus, falsas crenças e mitos em redor do sexo. Subsistem ainda hoje algumas superstições. Os especialistas afirmam que a culpa é das revistas femininas.

1. Até ao século XIX acreditava-se que as mulheres não tinham orgasmos e que as que desfrutavam o sexo eram mentalmente doentes, moralmente degeneradas ou ambas as coisas. Pelos médicos eram chamadas histéricas. 2. O único sentido que o sexo tinha para a maior parte das pessoas era que o homem devia ejacular o mais rápido possível, com vista a despachar o 'serviço' - e, de preferência, emprenhar a mulher. 3. A masturbação era vista como um pecado, psicologicamente corrosivo e perigoso para a saúde. Aliás, no século XIX consideravam que era a causa directa de algumas doenças, como a tuberculose. 4. A maior parte das mulheres desconhecia que possuía um clítoris ou onde se situava. 5. O orgasmo que valia a pena ter era o simultâneo e conseguido através do coito. 6. Durante décadas acreditou-se que o orgasmo feminino era vaginal. 7. O orgasmo clitoriano era próprio das mulheres imaturas. 8. Todas as mulheres são capazes de ter orgasmos múltiplos. 9. Não há sexo sem penetração. 10. As mulheres que não têm um orgasmo não são sexualmente felizes. 11. Se um homem tem falta de desejo por uma mulher é homossexual. 12. As mulheres têm dois tipos de orgasmo: vaginal e clitoriano. 13. O sexo só é bom quando há orgasmo simultâneo. 14. Ejaculação e orgasmo são sinónimos. 15. É possível um homem ter multi-orgasmos. 16. No homem não é possível atingir o orgasmo sem ejaculação.

Depressão diminui o desejo sexual feminino

O Estudo Mosaico Brasil, realizado pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, confirmou que a depressão diminui a libido feminina. A pesquisa, realizada em 2008, analisou o comportamento afetivo-sexual de mais de 8.200 brasileiros, sendo 49% do sexo feminino.

O resultado mostrou que 22,6% das mulheres entre 41 e 50 anos que faziam tratamento para depressão apresentavam inibição da libido, contra 15,4% das mulheres que não estavam em tratamento. A coordenadora da pesquisa, Carmita Abdo, explica que a depressão afeta diretamente a produção e liberação de hormônios sexuais, diminuindo assim o desejo sexual.

Saiba as manias que podem atrapalhar a sua vida sexual

Todo mundo tem hábitos ruins no dia-a-dia. Manias que são acumuladas ao longo dos anos e que na grande maioria das vezes, não possuem muita lógica, mas que podem trazer malefícios para diversas áreas sociais, profissionais e pessoais, sem esquecer das relações sexuais também. Para cada novo parceiro ou parceira, um novo recomeço e uma inédita chance de fazer tudo dar certo desta vez. Porém, se você é daqueles que mantêm um comportamento padrão em cada união, precisa ler urgentemente esta reportagem.
O problema: Preguiça Esse é típico dos casais que estão há muito tempo juntos. Você já sabe fazer de olhos fechados, o que agrada mais o seu parceiro. Beijos, mordidas e outras ações que o levam ver estrelas em poucos segundos. Aí é que está o problema. A partir do momento em que se descobre o que fazer e como fazer, vira um costume, deixa as surpresas de lado e parte-se logo pra o piloto automático. Isso acomoda a relação. Mas existe uma forma de salva-lá do tédio da rotina. Apimente as coisas com um velho jogo de ‘Gato Mia’, por exemplo. Na completa escuridão do quarto ou com vendas nos olhos, você e sua companhia poderão descobrir novos toques e formas de atiçar as coisas sem a mesmice de sempre.
O problema: Muita bagagem Essa é fácil de abordar e muito comum. Lembra quando você fez auto-escola de direção e o orientador disse que precisava tirar os vícios do passado? É mesma coisa. Não importa a idade ou quantos relacionamentos teve. Quem já está na corrida por um grande amor, possui algumas manias próprias que são complicadas de tirar e também uns pensamento auto destruidores que atrapalham na performance sexual com um novo companheiro. Renegue seu passado o quanto puder. De nada adianta ir para a cama com fantasmas e medos que não existem mais. Um exemplo disso é achar que se já foi traída uma vez, será novamente. Esqueça e bola para frente. Na sua cama só deve ser você e seu atual. Não visite o cemitério dos ex.
O problema: Sempre servir Se ele quer, você quer na hora também. Se ele diz que não tá a fim, você vira para o lado e dorme. Quem age conforme as vontades do outro perde completamente o respeito dentro de um relacionamento. É lógico que ceder é uma das regras do sucesso para qualquer união, mas fazer isso rotineiramente torna-se um perigo para ambos os envolvidos no caso. Para quem ‘manda’, perde o interesse, a vontade de domar um desafio. Quem obedece, acaba por ver diminuída a vontade de tomar iniciativas e de descobrir o que realmente deseja. Homens ou mulheres que sempre servem seus parceiros, possuem altas doses de insegurança. Pensam erradamente que, realizar tudo e em qualquer momento é sinônimo de ganhar um comprovante de bom amante. Mantenha sua individualidade e seu poder de dizer não.
O problema: Péssima imagem Esse é o item mais comum entre a população feminina. Querer que durante a sessão quente de beijos e amassos, fique com o visual impecável, perfeito como os das estrelas nas capas de revistas. Normal, todo mundo tem encanações com o próprio corpo, mas é completamente inaceitável ressaltar esse tipo de neura entre quatro paredes. Para que o sexo role de forma prazerosa e naturalmente, é preciso amar primeiramente a sua figura. Quem moderadamente sente-se o ‘último biscoito do pacote’, consegue repassar essa mesma imagem para os próximos.
O problema: Sensação de culpa Assistir filmes românticos demais ou ter a mão livros com historias amorosas simplórias é um passo para ver a vida sexual despencar em instantes. Quem se inspira com coisas ingênuas, tende a achar que manobras mais ousadas são sinônimo de imoralidade ou pecado. Sentir culpa por fantasias e desejos é renegar o próprio prazer. Aceite seu estilo sexual do jeito que for e tudo ocorrerá de maneira natural, com plenitude e satisfação.

O Homem que mudou o jeito de olharmos o sexo completa 83 anos

Hugh Hefner sempre é visto em eventos ao lado de suas  playmates

Hugh Hefner sempre é visto em eventos ao lado de suas playmates

Na última quinta-feira, dia 10, foi aniversário do homem mais invejado do mundo: Hugh Hefner, o criador da revista Playboy. Em 1953, o ex-funcionário da revista Esquire, resolveu passar o chapéu entre os familiares e após juntar US$ 8 mil lançou a publicação com a megastar Marylin Monroe na capa (em fotos que ela fez em 1949 para um calendário). "A revista não tinha número nem data na capa, porque eu não acreditava que teria uma segunda edição", disse Hefner anos depois. O resultado foram 50 mil exemplares vendidos e a descoberta de um filão de ouro que iniciaria um império envolvendo programas de TV, clubes, bares e mais do que isso, a filosofia de vida que sexo era uma coisa normal.

Em 2003, em uma entrevista, Hefner brincou que as três maiores invenções da humanidade foram o fogo, a roda e a Playboy. Segundo ele, antes da revista ser lançada, ninguém fazia sexo. Na realidade o empresário teve sua iluminação criativa em uma época em que sexo começava a sair do escuro e do proibido para entrar nos lares americanos, especialmente depois do controverso relatório Kinsey, que expunha a sexualidade e manias da classe média. A grande sacada é que mais do que uma revista de sexo, a cria de Hefner era uma publicação voltada para um estilo de vida onde sexo era apenas um dos componentes. Não só mostrava a garota da porta ao lado, nua, como também em suas páginas desfilavam grandes escritores, cronistas, matérias interessantes e tudo o que o jovem solteiro da época queria ler para se tornar um homem mais completo. E dentro da visão de Hefner, a revista também alavancou o movimento feminino justamente por mostrar que meninas boazinhas também transavam. Era uma quebra total de paradigmas vigentes na época, onde havia dois tipos de garotas: as virginais e as liberadas, e apenas as primeiras eram consideradas produto para um casamento ou relação de longo prazo. A atual presidente do grupo, Christie Hefner, filha de Hugh, corrobora essa visão na introdução do livro O Mundo de Playboy. "Reconhecemos que mulheres podem ser patrões, e companheiras de bebidas ou mentores ou colegas. A revista escreve sobre isso, sobre ambas as possibilidades e complexidades na relação homem-mulher". Até mesmo um dos mais radicais representantes da direita americana, William F. Buckley Jr, que faleceu em fevereiro de 2008, foi colaborador da revista por mais de 40 anos. Era a idéia de Hefner dar abertura aos vários lados da mesma história, mesmo que este lado fosse, em princípio, contra sua filosofia. Quando perguntado certa vez qual seria a solução para o crescimento populacional, Buckley disse: "faça as pessoas pararem de ler Playboy!". Outro exemplo foi uma visão diferenciada de Cristo, escrita por um pastor batista anti-Playboy, Harvey Cox, que saiu na revista na década de 70 e ainda foi premiada. A brincadeira de que as pessoas compravam Playboy pelas reportagens e entrevistas não era tão infundada assim. Foi nas páginas de Playboy que leitores conheceram a história de Ron Kovic, depois transformada no filme Nascido em 4 de julho ou o texto do hoje diretor, Cameron Crowe, que virou o filme Picardias Estudantis com Sean Penn, leram a última entrevista de John Lennon, a visão de Fidel Castro sobre o mundo nos anos 70 e viram o puritano presidente americano Jimmy Carter discorrer sobre suas fraquezas. A revista investia também em artistas de primeira para ilustrar suas matérias e também não se esquecia da música, quando os leitores participavam de eleições de melhor músico do ano em várias categorias, começando com jazz nos anos 50 e 60 e incorporando o rock depois. Hoje Hefner vive na mansão Playboy com suas muitas mulheres e ainda tem um prestígio inigualável entre políticos e artistas. E quer mais um motivo para invejar o homem? Quando ele entrou na terceira idade, o Viagra foi lançado. Parabéns, Mr. Hefner.