Fazer Sexo: Como e com quem?
Sonhos sexuais podem revelar desejos do inconsciente, afirma psicóloga
- Os sonhos são carregados de simbolismo e, muitas vezes, estes símbolos substituem situação que não queremos ou ainda não estamos preparados para encarar de frente no cotidiano - explica a psicóloga Janice Baylis em seu livro "Sex, Symbols and Dreams", relançado nos Estados Unidos e ainda inédito no Brasil. Para ela, os sonhos podem ser uma ótima ferramenta de autoconhecimento, principalmente quando o assunto é o amor.
" Os sonhos são carregados de simbolismo e, muitas vezes, estes símbolos substituem situação que não queremos ou ainda não estamos preparados para encarar de frente"
Confira a interpretação de alguns dos sonhos mais comuns, de acordo com a psicóloga Janice Baylis:
Sexo com um ex-namorado -Se você está namorando e não quer voltar para o antigo amor, é provável que o sonho represente um momento de vida do qual esteja com saudade, ou de um tipo de afeto que você não recebe mais. Estes sonhos, segundo Janice, acontecem mais em momentos de estresse ou de muita responsabilidade.
Sexo com um estranho ou com uma pessoa 'sem rosto' -Este é um dos sonhos mais comuns entre adultos, afirma a psicóloga. O estranho ou a pessoa 'sem rosto' representam a dificuldade de entender o atual parceiro. Também pode apontar para um desejo de firmar laços maiores com alguém que não quer compromisso no momento. Às vezes, quer dizer que a pessoa tem desejos ou anseios secretos que não está pronto enfrentar.
Sexo com uma celebridade -Sonhar com o Brad Pitt, o Rodrigo Santoro ou o George Clooney pode ser sinal de que você sente necessidade da aprovação dos outros. Também pode significar que você quer mudar de vida, ou que você gosta de fama, pode e reconhecimento.
Sexo em locais públicos -Este sonho, se for bom, pode indicar uma pessoa com traços exibicionistas ou que se sente muito confortável com ela mesma. Se o sonho for ruim, é sinal de sentimentos reprimidos, excesso de timidez ou necessidade de se firmar perante os outros.
Traição -O sonho não quer dizer que você tem vontade de trair seu parceiro, mas que você está com vontade de mudar radicalmente de vida. O sonho é mais comum em pessoas passivas, que não costumam tomar decisões, e esperam que o outro resolva seus problemas.
Sexo com outra mulher - Poucas vezes o sonho indica lesbianismo, afirma Janice Baylis. O sonho é comum em mulheres que precisam ter mais contato com o lado feminino. Costuma ser mais comum entre mulheres muito contidas, competitivas ou que tiveram uma criação machista.
Sexo com o chefe - Este sonho nada tem a ver com sexo, diz Baylis. Seu real significado é a vontade de ter mais poder. Quem passa a sonhar com seu superior pode estar querendo tomar as rédeas de sua carreira. Também sinaliza a vontade de mudar de emprego ou que é hora de pedir uma promoção
Sem pudores
Em 1996, fundou a Escola do Sexo. No início, a idéia era dar um curso de formação para atores de filmes eróticos. Com o tempo, percebeu que deveria ir mais a fundo. Hoje, o grande objetivo é reeducar a mentalidade de quem ainda sente algum bloqueio na hora de sentir prazer. É com esse currículo que Dorival lança agora o livro A Bíblia do Sexo, um guia que nasceu das apostilas de suas aulas. Confira aqui as dicas desse guru do amor e apimente a sua performance entre quatro paredes.
Os segredos do Pompoar
O pompoar consiste, na sua base, em contrair e distender certos músculos em movimentos repetidos, de forma a tonificá-los e torná-los mais firmes - um exercício como qualquer outro. Os músculos exercitados são os do canal vaginal e pavimento pélvico, cujo nome técnico é pubococcígeos. Com o pompoar ganha-se consciência desses músculos e aprende-se a conhecê-los e controlá-los de forma muito precisa, conseguindo a força e o movimento pretendidos. Incontinência urinária, dores menstruais, prolapso uterino, flacidez e secura vaginal, dificuldade em atingir o orgasmo, ausência de desejo são alguns dos problemas que a falta de tonicidade muscular na zona do canal vaginal pode originar. Por isso, podem ser resolvidos, em parte ou totalmente, através do pompoar. É uma técnica que surgiu na Índia há milhares de anos. Na Tailândia passa de mães para filhas. Em Portugal pode aprender-se desde Setembro de 2007 no Gine-Espaço, em Campo de Ourique, Lisboa, e desde Março deste ano também no centro Barrigas&Bebés, em Odivelas, em workshops pontuais. Sentir-se poderosa, gostar de si própria «Ouvi uma amiga falar do pompoar e não descansei enquanto não fui fazer a formação, no Brasil, há cerca de dois anos. Fiquei fascinada», lembra Maria Rua. «O meu primeiro interesse foi pessoal, mas depois percebi que tinha tudo a ver com o Gine-Espaço que já tinha planeado abrir, com uma amiga. Através do pompoar, a mulher reforça ou ganha uma auto-estima que nunca teve, sente-se poderosa, a rainha lá de casa.
Muitas mulheres pensam que são frígidas e não são, passam uma vida inteira sem sentir prazer, por falta de informação e de comunicação. Não tem de ser assim», garante Maria Rua. «O pompoar pode servir para evitar muitos anti-depressivos, reconquistar amantes separados, salvar casamentos», acrescenta. À descoberta do corpo Ana Beato, terapeuta sexual que colabora com o Gine-Espaço, concorda: «Há muitas pessoas que nem conhecem o seu corpo. Nunca se viram num espelho. Passaram a vida a fugir do seu corpo que é como quem diz a fugir de si próprias. Nunca pensaram descobrir este seu lado mais erótico, mais feminino e o pompoar pode ser uma boa forma de fazer essa descoberta.» Mas qual o segredo? «O facto de se conhecerem melhor e desenvolverem uma nova atenção à sua parte mais íntima vai ter consequências positivas ao nível do desejo, da excitação e do orgasmo. Há melhorias visíveis», garante a terapeuta. «Para além da componente psicológica: se a mulher se sentir mais segura a nível físico, também vai conseguir libertar-se a outros níveis», acrescenta. «O pompoar é uma técnica também aplicada a nível clínico», explica a terapeuta, «mas de uma forma muito mais básica e superficial do que neste curso. O inovador nesta abordagem é poder atingir outros objectivos e de uma forma mais sistemática. Desde a incontinência a vários problemas relacionados com a sexualidade» são muitas as situações que podem ser ultrapassadas com esta técnica.
Sexy toda a vida O Espaço Barrigas&Bebés, em Odivelas, é outro local onde pode descobrir-se a arte do pompoar. No próximo fim-de-semana realiza-se mais um workshop. A formadora é Stella Alves, que vem do Brasil pela terceira vez com este fim. E desta vez estará também no Porto. Também para ela, a auto-estima é a chave do pompoar: «Não adianta dominar a técnica, se não gosta de si própria, se não cuida desse seu lado mais sexy. Por isso, a primeira parte do workshop é dedicada à auto-confiança, para que as mulheres percebam que é importante não perderem o encanto, a magia. Não é só na fase da conquista que é importante ser sexy.» Na segunda parte do workshop, Stella Alves explica os exercícios de pompoar, apresentando as bolas Ben-Wa (tailandesas) que fazem parte do kit de pompoarista. O kit tem ainda um vibrador de tamanho indicado para o "treino" de pompoar, um manual prático e o seu livro «Pompoar: a Arte de Amar». O livro será lançado amanhã em Lisboa, pela Ariana Editora. Malhação íntima Os exercícios são aprendidos no workshop, mas apenas treinados em casa. Depois é uma questão de disciplina. «A disciplina é o grande segredo. Devem fazer-se os exercícios durante 10 minutos de manhã e à noite, todos os dias. Passados 20 dias a mulher já sente diferença na realção sexual. E o homem também», garante Stella Alves. Mas para dominar completamente a técnica, ou seja ser capaz de distinguir e movimentar separadamente os vários anéis musculares que compõem o canal vaginal, são precisos três a quatro meses de «malhação íntima», como lhe chama Stella Alves. «Aí a mulher vai proporcionar e sentir muito mais prazer».
Pompoar na gravidez e no pós-parto Ao fortalecer a musculatura vaginal, o pompoar irá facilitar o parto normal. Mas uma grávida só pode começar a prática até ao quarto mês de gestação e sempre com conselho médico. No pós-parto, terá todas as vantagens em praticar, pois fará uma óptima recuperação através dos exercícios de pompoar. «Na gravidez e no pós-parto, o pompoar pode ser muito benéfico», considera Ana Beato, «pois ajuda a compreender as alterações e a revertê-las». Os exercícios sistematizados pelo Dr. Kegel não são mais do que os conhecimentos do pompoar aplicados à medicina. No entanto, o médico punha a ênfase dos benefícios apenas na saúde física - a prevenção e tratamento de incontinência, a prevenção de prolapso uterino... - ao passo que no pompoar os benefícios físicos são apenas mais uma vantagem a par da descoberta de um potencial sexual desconhecido, que fará aumentar o prazer e o desejo. «No Brasil muitos ginecologistas conceituados recomendam o pompoar como forma de recuperação pós-parto».
Previsão para 2009: mais sexo pra todo mundo
Tá certo que já é dia 4 de Janeiro e previsões para 2009 já estão sendo postas à prova. Mas essa não podeia ficar de fora. A revista Americana The Futurist, que todo ano faz uma compilação dos chutes de algumas eminências da futurologia, prevê que todo mundo vai fazer mais sexo em 2009. Por quê? Dizem os chutadores que à medida em que as mulheres vão ganhando mais espaço, mais poder econômico na sociedade moderna, elas têm mais autonomia e alternativas em suas vidas, sendo o sexo uma delas.Solange F.
O dinheiro e a potência
'Andei pensando', diz Thunder com sua voz estentórea a Pedro. 'Sobre o dilema sinistro de Henry, personagem de Philip Roth em O Avesso da Vida: A Virilidade ou a Morte?'
'É um tema fascinante', diz Pedro.
Henry tem que fazer sua escolha. Tem um problema no coração que o obriga a tomar um remédio que o fez impotente, logo ele, um escravo dos sentidos.
A alternativa é uma cirurgia com boas chances de matá-lo.
Que fazer?
'Penso em mim', diz Thunder. 'Se me coubesse a escolha, optaria pelo risco da cirurgia. A impotência é uma morte em vida. Uma agonia servida em gotas. Não poder entrar numa mulher que se oferece a você. É completamente contra a natureza. Vê-la em sua nudez esplêndida e não ter nada a fazer. Prefiro o pelotão de fuzilamento. Mil vezes ser um mendigo potente do que um milionário impotente.'
'A vida vai além do sexo', diz Pedro. 'O sexo é uma ilusão escravizadora. Marco Aurélio, o rei-filósofo, disse em suas Meditações que o sexo é uma mistura de fluidos de duas pessoas em posição ridícula.'
'Devia ser broxa ele', diz Thunder, sem nenhuma consideração para com o monarca que simbolizou o sonho de Platão de um governante sábio. Um intelectual francês escreveu um dia que a morte de Marco Aurélio deixara a humanidade órfã. 'Pessoas com nome duplo são muitas vezes esquisitas.'
Pedro sabia que não havia base científica nenhuma para as palavras de Thunder sobre pessoas de nome duplo como Marco Aurélio, mas sabia também que era impossível tirar algo de sua cabeça imensa e teimosa, nos últimos tempos adornada com uma barba hemingwayana que ele julgava impressionar as mulheres por dar a ele um suposto ar de escritor.
'O homem sábio domina o sexo, e não é dominado por ele', diz Pedro. 'Você precisa parar de ler literatura oriental', diz Thunder. 'Essa história de om, meditação transcendental, ioga. Tudo bobagem. Felicidade é você poder entrar numa mulher bela e infelicidade é não poder. Basicamente isso. O milionário impotente. Quanto ele daria de sua fortuna por uma noite de sexo?'
"Chip do sexo" implantado no cérebro
CAMISETA COM CONVITE AO SEXO CRIA POLÈMICA EM MILÃO
Um convite ao sexo estampado em uma camiseta para ser usada no Natal é a nova polêmica do fotógrafo italiano Oliviero Toscani, conhecido em todo o mundo por suas inusitadas campanhas publicitárias. Toscani foi selecionado pela Prefeitura de Milão, junto com outras 29 celebridades italianas (designers, estilistas, jornalistas, médicos, esportistas, entre outros), para criar uma camiseta com mensagem de Natal para ser vendida em todas as lojas do shopping da Via della Spiga. Habituado a provocar, Toscani não pensou em censura e fez um convite ao sexo em linguagem coloquial para a sua camiseta preta com a frase escrita em branco: "E' Natale? Scopiamo?", em edição limitada, vendida a 60 euros (cerca de R$ 156). "Papai Noel existe..." foi a frase escolhida pelo estilista Roberto Cavalli. Na mesma linha, os outros optaram por mensagens que falam da magia do Natal - "sonhamos juntos" ou "um bom Natal sereno", por exemplo. O lucro obtido com a venda das camisetas, no centro da capital italiana da moda, será destinado a fundações ajudadas pelos clubes Milan e Internazionale. Como ocorreu em outras ocasiões, a mensagem natalina de Toscani acabou chocando o país e deixou a prefeita de Milão, Letizia Moratti, envergonhada. "Espero que a prefeita não fique com raiva", disse Tiziana Maiolo, assessora do setor de Moda da Prefeitura de Milão, responsável pela idéia das camisetas. "Eu não censuro ninguém." De acordo com Tiziana, a camiseta pode ser criticada por quem bem entender. Mas, em hipótese alguma, deve ser considerada uma blasfêmia ou algo que tire o prestígio do Natal. "É a linguagem de hoje, usada pelos jovens, que passa, inclusive, na televisão", justificou. "Eu não escolhi nenhuma das frases da campanha. Seja como for, todo o lucro será doado à caridade." A representante do Parlamento europeu Cristiana Muscardini, do partido de direita Aliança Nacional, disse ter ficado desconcertada com a mensagem do fotógrafo. "O que será que estão pensando de nós na Europa?", questionou Cristiana, ao considerar a mensagem inquietante. "Se está se referindo ao ato sexual, ou ao ato de limpeza na casa ou nas ruas, é reducionista fazer apenas no Natal." Toscani justificou sua campanha ao dizer que, em Milão, as pessoas estão mais frias e se esquecem das relações humanas e de sua importância. Por isso, ele deseja um Natal de sexo à cidade. "É dedicada à Milão", afirmou Toscani. "Assim, engessada, não se goza mais". O polêmico fotógrafo ficou conhecido por assinar inúmeras campanhas da Benetton, como a dos doentes de Aids agonizantes, dos cadáveres de mafiosos, o padre e a freira apaixonados, as camisinhas coloridas, ou os dois cavalos fazendo sexo. Recentemente, ele ganhou as páginas dos jornais do mundo inteiro com a campanha que estampava uma foto, frente e verso, da modelo francesa anoréxica Isabelle Caro nua para publicidade da marca Nolita. Por conta da fotografia de Toscani, o drama da anorexia voltou à tona na Itália com os outdoors - proibidos, no final de outubro, pelo conselho de auto-regulamentação publicitária por violar o código de conduta do setor - colocados em várias cidades do país. A foto de Toscani com a modelo francesa sensibilizou alguns sobre o problema, mas também recebeu críticas de associações que a consideraram exagerada. Rapidinhas são ótimas para fazer a adrenalina fluir
Primeiro era aquela vontade louca de namorar em qualquer lugar, a qualquer hora. Depois, veio a preocupação e a ternura com o barrigão imenso da mulher. Até que os tempos de cólica — e de choros — chegaram. Manter a paixão só não foi um desafio maior porque Ian Kerner é o terapeuta sexual de maior sucesso dos Estados Unidos. Após o nascimento de Owen, 5 anos, e Beckett, 2, ele ganhou experiência prática para escrever seu sexto livro, Love in time of Colic (algo como “Amor nos Tempos de Cólica”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, à venda nos EUA a partir de 2009). Nesta entrevista, Ian fala sobre sexo pós-paternidade com conhecimento de causa. E dá dicas práticas para não deixar o desejo desaparecer.9 razões médicas para se fazer sexo
Há quem diga que o mundo gira em torno dele. Verdade ou não, ninguém discute que, além de perpetuar a espécie, o sexo é a grande fonte de deleite da humanidade. E, mais do que isso, quem se dedica a essa prática como se fosse uma prazerosa modalidade esportiva ainda conquista outras benesses para o corpo e para a mente. Talvez você questione: afinal, quantas transas por dia, semana ou mês são necessárias para garantir tanta saúde assim? Não há resposta. “Até porque quantidade não tem a ver com qualidade”, diz o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano, de São Paulo. Desde que o casal se sinta bem com uma relação diária ou semanal, o organismo já vai tirar proveito. Mas, diante dos bons efeitos que apontaremos a seguir, talvez você não pense duas vezes para intensificar sua atividade entre os lençóis.
Sexualidade com mais amor!
Desequilíbrio sexual significa que, em nível de nossa relação sexual, acontecem fatos que evitam que esta relação com outras pessoas se desenvolva com bem-estar completo para todos os envolvidos, não só para uma pessoa. O desequilíbrio nos ajuda a tomarmos consciência e superar o fato causal, mas se escolhemos ficar nesta relação inconscientemente, sua contínua repetição vai desequilibrando-nos mais ainda até fazer com que nos sintamos mais sem possibilidades, com culpa, medo, vergonha, sozinhos, incompreendidos. Provavelmente se seguimos assim, é porque em algum nível de consciência, estamos desfrutando deste mesmo desequilíbrio. Fisicamente, estes desequilíbrios prejudicam e fazem com que a resposta sexual só aconteça dentro deste desequilíbrio, provocando enfermidades físicas, fixando-se como um padrão de respostas. Sadomasoquismo é um exemplo de desequilíbrio sexual. Homossexualismo, apesar de não ser um desequilíbrio sexual e sim uma escolha a muitos níveis inconscientes, provoca desequilíbrio pelo enfrentamento diante da pressão e preconceito social, que pode terminar em um conflito entre o amor e o físico, chamado HIV.
Sexo, net e casamento
Um fantasma assola as esposas: não mais a vizinha boazona mas uma máquina gélida – o computador. Mais propriamente, a net, em cujas curvas virtuais os maridos derrapam até às quinhentas da madrugada, atrás de conteúdos eróticos e, até, facadas no matrimónio. As alcovas são agora o Explorer, o Firefox, o MSN, o Hi5,Orkut e até o Tube8.
A revista ‘Atlantic’ publicou um ensaio: ‘Será a pornografia adultério?’ Eis a questão: quando um dos cônjuges tem o hábito (geralmente secreto) de assistir a material porno, será que o outro se sente traído? E terá esse direito? Uma pesquisa nos EUA mostrou que só 30% das mulheres já se embrenharam num site erótico, contra 86% dos homens. O ensaio conclui que, bem mais do que as damas, os marmanjos alimentam o desejo com fantasias sexuais conscientes e pormenorizadas. Será mesmo assim? Até 40 anos atrás, a nossa cultura fingia que as mulheres não tinham sequer libido – nasciam mamãs abnegadas e fadas do lar. Ora, é cómodo esquecer que um dia, numa galáxia distante, o parceiro da vida já foi um príncipe encantado inspirador de taquicardias, e não o sapo que hoje ressona no sofá.
Puritanismos a "nú"
A nudez pode ser arte ou protesto, pode significar afeto ou defender causas humanitárias. Tornou-se uma manifestação de liberdade vencedora no mundo de hoje. É, portanto, intrigante que ela esteja sendo contestada agora no Brasil por atores e atrizes. Tudo bem, mas cuidado para não incentivar a censura.
Nudez não é coisa simples. Ela aparece logo nas primeiras páginas da Bíblia e de outros textos fundadores da civilização. Para Adão e Eva, tornar-se consciente da nudez é o resultado da mordida no fruto proibido – e logo eles sentem vergonha, fraqueza e derrota, diante de si próprios e diante de Deus. O grego Homero, no épico Odisséia, descreve os apuros do náufrago Ulisses nu diante da princesa Nausícaa – que no final gostou do que viu. No século XX, em seu esforço para desvendar o inconsciente, Sigmund Freud, pai da psicanálise, disse que o sonho de estar nu em público é comum a todos os homens. Apesar da ligação estreita com vergonha e fragilidade, contudo, não se pode dizer que essas sempre tenham sido as conseqüências da nudez: ao longo da história, em diferentes contextos, o corpo despido também expressou orgulho, desafio ou liberdade. Nas últimas semanas, a discussão sobre o significado da nudez para os brasileiros ressurgiu de onde não se esperava. Quem pôs o tema em circulação foi o ator Pedro Cardoso, em um discurso durante o lançamento de seu novo filme, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais. Ele depois fez o assunto render em seu blog.
Sua tese surge meio deslocada em um tempo em que a nudez em suas várias formas – como os biquínis com tecido insuficiente para fazer uma gravata-borboleta – parece ter vencido. Mas ele atacou com força, sustentando que toda a indústria do entretenimento no Brasil (inclusive revistas masculinas como Playboy, publicada pela Editora Abril, que edita VEJA) estaria tomada por uma mentalidade "pornográfica", que força os artistas a se expor e assim os degrada. A nudez está em toda parte. Está em novelas como A Favorita e Pantanal e em quase todos os filmes em cartaz com censura acima de 16 anos. O recém-lançado Entre Lençóis tem os atores Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira quase pelados todo o tempo. Alguns atores aproveitaram a oportunidade para revelar que despir-se diante das câmeras envolve sempre uma dose de aflição. Ninguém, entretanto, endossou o discurso de Cardoso, cuja ira se mostrou, afinal, isolada entre os seus colegas.
"Não acho que essa cor vistosa, que é a nudez, possa ser retirada da nossa palheta. Eu passei por constrangimentos
ao longo da minha
carreira e muitas
vezes estava vestida"
Maitê Proença, 50, protagonizou vinte filmes e dois ensaios de capa para revista masculina |
Entre os apoios óbvios que Cardoso recebeu está o de Graziella Moretto, atriz e sua namorada, que afirmou desconhecer ator ou atriz que não se sinta "pessoalmente aviltado com a tênue linha que hoje nos separa da pornografia". Outras atrizes, que já se expuseram bem mais que ela, como Maitê Proença e Claudia Ohana, admitem que já se sentiram constrangidas, mas não necessariamente em cenas de nudez. Não deixa de ser intrigante que essa questão esteja sendo discutida no Brasil nos dias atuais. Quando a nudez é aceitável? Quando ela é ofensiva? E quem decide isso? Uma varredura cultural e histórica sobre essas questões nos leva a conclusões surpreendentes. É errada a idéia de que a "evolução da mentalidade", como dizia a geração que adorava tirar a roupa nos anos 60, vai sempre na direção de mais para menos roupa, de menor para maior permissividade. Cada cultura em cada era tem sua própria etiqueta e suas formalidades. Pruridos somem e reaparecem tempos depois. Essa é uma das graças da civilização.
O Brasil está vivendo uma fase mais recatada? Talvez não seja uma fase. Para o antropólogo Roberto DaMatta, a tese de que o Brasil do biquíni e do Carnaval é particularmente permissivo em relação à nudez é enganosa. Do ponto de vista de sua disciplina, explica ele, o uso de roupas, ou a falta delas, responde a certas molduras ou rituais. No Carnaval, por exemplo, ninguém está realmente nu enquanto estiver coberto com algum elemento alegórico – ainda que seja a purpurina. E o regulamento da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um eloqüente exemplo das sutilezas envolvidas nas definições da nudez: um destaque pode desfilar com seios, nádegas e tudo o mais à mostra. Mas, se deixar cair o tapa-sexo, comete falta grave e sua escola perde pontos. "A fronteira entre a nudez aceitável e a obscena é uma dessas questões que não têm solução pronta", diz DaMatta.
Tampouco na história da arte as demarcações são claras. Obras-primas universais foram objeto de censura em diferentes épocas. Pouco antes da conclusão das pinturas da Capela Sistina, um dos assessores do papa Paulo III advertiu Sua Santidade de que as imagens do Juízo Final criadas por Michelangelo eram mais adequadas a uma taverna do que a uma capela. Assim, em 1558, véus e folhas de parreira foram acrescentados a elas – e só retirados em restaurações recentes. A célebre Vênus de Milo, que incorpora o ideal de beleza feminina da antiga Grécia, também já foi alvo de repúdio: em meados do século XIX, foi objeto de um processo num tribunal alemão e "condenada" como imoral. Meses atrás, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconni demonstrou que o pedigree de uma obra de arte não basta para pô-la a salvo de reservas: ele mandou encobrir o seio de uma figura alegórica pintada por Giovanni Battista Tiepolo no século XVIII, pois o quadro adorna a sua sala.
Vários tipos de justificativa são apresentados quando uma obra de arte com figuras nuas é censurada – do simples pudor até as teorias mais complicadas. Um argumento clássico é o de que o "nu artístico", ao contrário do "nu vulgar", não desperta sensações carnais no espectador. Esse argumento foi desmontado pelo crítico inglês Kenneth Clark. "Se um nu deixa de despertar no espectador um vestígio de sentimento erótico, por menor que seja, ele não é apenas arte ruim como falsa moral", escreveu Clark. Mais recentemente, a crítica americana Camille Paglia sustentou que a grande arte não se mistura apenas ao erotismo, mas, em certas ocasiões, também à pornografia – quando explora "as forças extremas do instinto e da sexualidade atuando por baixo das convenções sociais".
Na segunda metade do século XX, um novo fenômeno despontou com os movimentos hippie e beatnik: a nudez como forma de protesto social. Nos anos 80, os protestos envolvendo pessoas nuas passaram a fazer parte do repertório de entidades humanitárias. A ONG americana Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), por exemplo, opõe-se ao uso de peles na indústria da moda conclamando ativistas e celebridades a tirar a roupa em suas manifestações. Mais recente ainda é a chamada Naked Charity (caridade nua). Todos os anos, pelo menos 100 calendários beneficentes com pessoas nuas são lançados nos Estados Unidos e na Europa, para ajudar menores carentes, pesquisas de combate ao câncer ou desabrigados por desastres naturais. "Esses calendários são uma provocação aos códigos, em que pessoas exibem corpos fora dos padrões estéticos valorizados, e por isso chamam atenção", diz o antropólogo José Carlos Rodrigues, da PUC do Rio de Janeiro. No Brasil, uma entidade de apoio a crianças com câncer chamada Graacc produziu, em 2006, um calendário com onze voluntárias, de 50 a 81 anos, todas seminuas. Foram vendidas 10 000 unidades. A atração pelo nu é explorada ainda pelo fotógrafo americano Spencer Tunick, que roda o mundo fotografando grupos de pessoas peladas. Em 2002, ele conseguiu atrair 400 voluntários nus no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Recentemente, levou uma legião aos Alpes suíços, para protestar contra o aquecimento global.
Em seu blog, Pedro Cardoso sustenta que a nudez da televisão e dos filmes, na verdade, é uma deturpação de todas as manifestações legítimas da nudez, da arte real às passeatas para proteger os animais. Ela seria algo assim como uma forma de dominação imposta pelo "sistema" – e por isso deveria ser banida. Nesse ponto, seu pensamento se aproxima do de feministas americanas como Andrea Dworkin e Catherine McKinnon, que atacaram a indústria pornográfica sustentando que ela era um fator de escravização política e econômica da mulher. "A pornografia", dizia McKinnon, "institucionaliza a supremacia masculina." No começo dos anos 90, essas feministas conseguiram inclusive a aprovação de uma lei no estado de Indiana, banindo qualquer tipo de material que mostrasse "a subordinação gráfica e sexualmente explícita de mulheres, em palavras ou imagens". A lei foi contestada na Suprema Corte americana, que a declarou inconstitucional, por ferir o direito básico de liberdade de expressão. Essa tem sido a diretriz da corte em julgamentos semelhantes desde o fim da década de 50 – a exemplo da história da liberação do filme Os Amantes, de Louis Malle. Ainda que resulte em produtos ofensivos, ou até repugnantes para certos grupos, diz o tribunal, a liberdade de expressão deve ser preservada, pois é um dos pilares da democracia. Outro exemplo clássico dessa linha de atuação é a vitória de Larry Flynt, dono da revista pornográfica Hustler, em processo movido por um pastor alvo de uma paródia sórdida, em que perdia a virgindade em incesto com sua mãe. O que pode haver são restrições – impedindo que a pornografia, por exemplo, circule em qualquer lugar ou atinja as crianças.
Esse é, aliás, o limite para a nudez em sociedades como a americana – ou a brasileira. Controlá-la para impedir que atrapalhe o desenvolvimento de crianças faz sentido. "A exibição de conteúdo erótico na televisão, ainda que eventual, pode afetar as crianças mais do que se imagina", diz o psicanalista Joel Birman. "Elas são seduzidas sem perceber, e o resultado pode até mesmo ser traumático." Bani-la para satisfazer adultos melindrosos ou puritanos é um erro (e não é descabido lembrar que a vida ascética costuma ser uma marca dos grandes autoritários – como Hitler ou Stalin). Mais vale a filosofia expressa – com a ironia e o exagero típicos dos modernistas, é claro – por Carlos Drummond de Andrade no poema Em Face dos Últimos Acontecimentos: "Oh! sejamos pornográficos / (docemente pornográficos). / Por que seremos mais castos / Que o nosso avô português?".
Trecho do livro "Sexo no Capitólio", de Jessica Cutler





