Sonhos sexuais podem revelar desejos do inconsciente, afirma psicóloga

Cerca de 12% dos homens e 4% das mulheres sonham com sexo regularmente, afirmam pesquisadores do Kinsey Institute, nos Estados Unidos. Porém, a maioria das vezes o sonho nada tem a ver com desejos sexuais, e representam anseios reprimidos no dia-a-dia. A vontade de mudar algo no estilo de vida, no emprego ou no relacionamento costumam estar por trás dos significados escondidos dos sonhos.

- Os sonhos são carregados de simbolismo e, muitas vezes, estes símbolos substituem situação que não queremos ou ainda não estamos preparados para encarar de frente no cotidiano - explica a psicóloga Janice Baylis em seu livro "Sex, Symbols and Dreams", relançado nos Estados Unidos e ainda inédito no Brasil. Para ela, os sonhos podem ser uma ótima ferramenta de autoconhecimento, principalmente quando o assunto é o amor.

" Os sonhos são carregados de simbolismo e, muitas vezes, estes símbolos substituem situação que não queremos ou ainda não estamos preparados para encarar de frente"


Confira a interpretação de alguns dos sonhos mais comuns, de acordo com a psicóloga Janice Baylis:

Sexo com um ex-namorado -Se você está namorando e não quer voltar para o antigo amor, é provável que o sonho represente um momento de vida do qual esteja com saudade, ou de um tipo de afeto que você não recebe mais. Estes sonhos, segundo Janice, acontecem mais em momentos de estresse ou de muita responsabilidade.

Sexo com um estranho ou com uma pessoa 'sem rosto' -Este é um dos sonhos mais comuns entre adultos, afirma a psicóloga. O estranho ou a pessoa 'sem rosto' representam a dificuldade de entender o atual parceiro. Também pode apontar para um desejo de firmar laços maiores com alguém que não quer compromisso no momento. Às vezes, quer dizer que a pessoa tem desejos ou anseios secretos que não está pronto enfrentar.

Sexo com uma celebridade -Sonhar com o Brad Pitt, o Rodrigo Santoro ou o George Clooney pode ser sinal de que você sente necessidade da aprovação dos outros. Também pode significar que você quer mudar de vida, ou que você gosta de fama, pode e reconhecimento.

Sexo em locais públicos -Este sonho, se for bom, pode indicar uma pessoa com traços exibicionistas ou que se sente muito confortável com ela mesma. Se o sonho for ruim, é sinal de sentimentos reprimidos, excesso de timidez ou necessidade de se firmar perante os outros.

Traição -O sonho não quer dizer que você tem vontade de trair seu parceiro, mas que você está com vontade de mudar radicalmente de vida. O sonho é mais comum em pessoas passivas, que não costumam tomar decisões, e esperam que o outro resolva seus problemas.

Sexo com outra mulher - Poucas vezes o sonho indica lesbianismo, afirma Janice Baylis. O sonho é comum em mulheres que precisam ter mais contato com o lado feminino. Costuma ser mais comum entre mulheres muito contidas, competitivas ou que tiveram uma criação machista.

Sexo com o chefe - Este sonho nada tem a ver com sexo, diz Baylis. Seu real significado é a vontade de ter mais poder. Quem passa a sonhar com seu superior pode estar querendo tomar as rédeas de sua carreira. Também sinaliza a vontade de mudar de emprego ou que é hora de pedir uma promoção

Sem pudores

Especialista na arte de seduzir, o Brasileiro, Dorival Coutinho lança a Bíblia do sexo e bate um papo exclusivo com o Pink Hot Sex. Ele é produtor, diretor, ator e roteirista. Fez alguns "daqueles filmes" da década de 70, pelos quais ficou conhecido como o O Príncipe da Pornochanchada. Esse é Dorival Coutinho, um apaixonado pelo sexo, que passou mais de 20 anos estudando o comportamento do brasileiro na cama.

Em 1996, fundou a Escola do Sexo. No início, a idéia era dar um curso de formação para atores de filmes eróticos. Com o tempo, percebeu que deveria ir mais a fundo. Hoje, o grande objetivo é reeducar a mentalidade de quem ainda sente algum bloqueio na hora de sentir prazer. É com esse currículo que Dorival lança agora o livro A Bíblia do Sexo, um guia que nasceu das apostilas de suas aulas. Confira aqui as dicas desse guru do amor e apimente a sua performance entre quatro paredes.

Pink Hot Sex: Fale um pouco sobre A Bíblia do Sexo Sagrado - Ciência da Vida? Dorival Coutinho: Esse livro é um conjunto de estudo e pesquisas feitas há mais de 20 anos sobre sexualidade, religiosidade e a vida material das pessoas. O foco central são esses assuntos na nova era, ou seja, traz a consagração da sexualidade, não no sentido da pureza, do santo. O santo é castrativo, incompreensível. O divino não, ele é o contrário. Qualquer um se torna divino, até na cama. Pink Hot Sex: Por que a escolha desse tema? Dorival: Porque nós vivemos no maior país católico e agora evangélico do mundo. Durante os meus estudos detectei que maior conflito do ser humano está entre o santo e a libido. O conceito do santo é uma problemática no cotidiano, as pessoas não conseguem liberar a sua sexualidade, de forma espontânea, sem a culpa, sem o medo. Quanto mais conceitos religiosos existem no seio familiar, mais bloqueada é a pessoa. Nos relacionamentos amorosos, muitas vezes a religião acaba separando os casais, jogando um contra o outro, por causa das divergências religiosas. O próprio Cristo falou: "Amai a Deus sobre todas as coisas". Aí o cara ama mais a religião do que a família, a esposa, que a sua própria sexualidade. Pink Hot Sex: Então a religião atrapalha o sexo? Dorival: A religião atrapalha o desempenho sexual. Pink Hot Sex: Os brasileiros ainda acham que o sexo é uma coisa errada? Dorival: Sexo é pecado. Sexo é sujo. Na nossa cultura sexo ficou associado às doenças, drogas, ao lado mais obscuro da vida, ao pecado mortal, que nem o diabo perdoa. É uma coisa muito séria no inconsciente coletivo, é muito complicado isso. Está lá enraizado, as vezes, é imperceptível. O meu conselho é mudar de crença, não de fé. Quem é católico no Brasil não pode fazer sexo o ano todo, porque o ano todo é dia santo. Pink Hot Sex: Qual é a diferença entre sexo e prazer? Dorival: Um ponto disso é que tiraram o prazer do sexo, deixaram só para procriação e de tudo o que você tira o prazer, você tira o sentido. Nada simboliza mais a vida do sexo, estamos sob esta luz por causa do sexo, somos todos espermatozóides ambulantes. A religião, em nome da espiritualidade, acaba ferrando o psíquico. Pink Hot Sex: Por quê então o título A Bíblia do Sexo Sagrado? Dorival: É uma bíblia mesmo. É uma reunião de livros, de filosofias e pensamentos, um mergulho no eu das pessoas, porque o problema está no íntimo. O mundo interior das pessoas é o de pensamentos, sentimentos e emoções. Então quando o Cristianismo fala que a carne é fraca, na verdade a carne é forte e igual para todos. O que é fraco é o espírito. O nervosismo é uma fraqueza emocional, filho da ansiedade. E o nervosismo não combina com sexualidade.As pessoas não precisam aprender fazer sexo, porque sexo da maneira que se faz está no instinto animal. Agora como se relacionar com tudo isso, sem sofrer, sem dramatizar, é outra coisa. A gente vive com muito drama e para amar não tem drama. Nós sofremos a síndrome da Maria Madalena arrependida. Pink Hot Sex: Quem sofre mais com isso? O homem ou a mulher? Dorival: Ambos. Mas na verdade, acaba rolando uma competição entre os dois na cama. Homem confunde muito ejaculação com prazer. Não tem como competir com a mulher. Enquanto a mulher pode ter dez orgasmos, o homem tem um. O homem tem uma descarga elétrica muito forte, não apenas nas genitálias, mas no corpo todo. Tanto é que depois do orgasmo, o corpo todo se sente relaxado. Os homens precisam de um tempo para recuperar os hormônios, a testosterona. Fora a libido dele, muitos acham que só as mulheres são frigidas, mas isso acontece com o homem também. Pink Hot Sex: E como é a frigidez de um homem? Dorival: É o medo de amar, medo da vida. A maioria quer ser amado, mas tem medo de amar, isso gera um outro conflito. Se eu só quero ser amado, eu vou morrer mendigo do amor, porque é egocentrismo. O correto é apenas amar, em vez de ficar querendo juntar migalhas de amor. Atrás dessa frustração, vem o sentimento de angústia. Pink Hot Sex: Qual a importância do sexo na vida de um casal? Dorival: É tudo de bom, porque é o sexo que une, que aproxima. O amor sem tesão, eu não entendo. No casamento quando você encontra uma pessoa que está numa bifurcação sexual, os dois devem pegar o mesmo caminho. Mas nem sempre acontece isso, e uma a distância se instala entre os dois. Essa distância não é física, mas espiritual, porque fisicamente eles estão juntos, mas espiritualmente estão longe. O que causa essa distância é a diferença. Pink Hot Sex: E como reacender o tesão? Dorival: Tem que reacender a capacidade de fantasiar. Tudo surge no mundo da imaginação. Mas é bom tomar cuidado com a fantasia, como se a criatura voltasse contra o criador. É preciso fazer uma reeducação sexual. Pink Hot Sex: Existe algum pré-requisito para o casal se dar bem na cama? Dorival: Criatividade. E aquela coisa do Kama Sutra, que os hindus tem, que é curtir o sexo, preparar o ambiente. A mulher que é versátil pratica a dança, sabe arrumar o quarto, se perfumar, criar o clima... Hoje nem nos filmes pornôs os caras sabem criar um clima. Vai direto para o sexo. Isso é completamente anti-tesão. É mais gostoso você ver uma mulher lamber os lábios, cruzar as pernas e trocar olhares. O casal para ter uma relação saudável. O matrimônio foi instituído como uma forma de propriedade. É o "meu marido", "a minha mulher", e na verdade, ninguém é de ninguém. Ninguém é obrigado ir pra cama com ninguém. Fazer sexo por obrigação é a pior coisa que tem. Pink Hot Sex: Você é a favor da fidelidade? Dorival: Sou a favor da fidelidade, primeiramente, a si mesmo, ou seja, sou fiel à minha natureza. Se você tem uma natureza e seu companheiro não tem essa natureza por uma razão ou outra, o erro está na escolha. As pessoas não buscam o sexo pelo sexo, elas estão em busca do amor e do prazer. É o amor próprio. Se a pessoa não tem amor próprio, como vai amar o outro? Eu tenho que me amar muito para poder dar amor pro outro. Pink Hot Sex: Para uma boa relação sexual é necessário existir sentimento? Ou sexo pelo sexo pode ser bom? Dorival: São pouquíssimas as pessoas que conseguem isso. Ficar com todo mundo, todo mundo quer. Mas se isso não afetasse o mundo mental, emocional e sentimental seria muito simples. Pink Hot Sex: Teria algumas dicas para quem quer sair do marasmo? Dorival: Não tem nada mais broxante e angustiante do que a mesmice. Ir ao motel de vez em quando, usar uma lingerie, um perfume, um strip-tease. Tem que ousar. A mulher tem surpreender o homem.

Os segredos do Pompoar

É uma ginástica vaginal que fortalece os músculos mais íntimos. Aumenta o prazer sexual, previne e trata porblemas de incontinência, facilita o parto e a recuperação. E ainda aumenta a auto-estima.

O pompoar consiste, na sua base, em contrair e distender certos músculos em movimentos repetidos, de forma a tonificá-los e torná-los mais firmes - um exercício como qualquer outro. Os músculos exercitados são os do canal vaginal e pavimento pélvico, cujo nome técnico é pubococcígeos. Com o pompoar ganha-se consciência desses músculos e aprende-se a conhecê-los e controlá-los de forma muito precisa, conseguindo a força e o movimento pretendidos. Incontinência urinária, dores menstruais, prolapso uterino, flacidez e secura vaginal, dificuldade em atingir o orgasmo, ausência de desejo são alguns dos problemas que a falta de tonicidade muscular na zona do canal vaginal pode originar. Por isso, podem ser resolvidos, em parte ou totalmente, através do pompoar. É uma técnica que surgiu na Índia há milhares de anos. Na Tailândia passa de mães para filhas. Em Portugal pode aprender-se desde Setembro de 2007 no Gine-Espaço, em Campo de Ourique, Lisboa, e desde Março deste ano também no centro Barrigas&Bebés, em Odivelas, em workshops pontuais. Sentir-se poderosa, gostar de si própria «Ouvi uma amiga falar do pompoar e não descansei enquanto não fui fazer a formação, no Brasil, há cerca de dois anos. Fiquei fascinada», lembra Maria Rua. «O meu primeiro interesse foi pessoal, mas depois percebi que tinha tudo a ver com o Gine-Espaço que já tinha planeado abrir, com uma amiga. Através do pompoar, a mulher reforça ou ganha uma auto-estima que nunca teve, sente-se poderosa, a rainha lá de casa.

Muitas mulheres pensam que são frígidas e não são, passam uma vida inteira sem sentir prazer, por falta de informação e de comunicação. Não tem de ser assim», garante Maria Rua. «O pompoar pode servir para evitar muitos anti-depressivos, reconquistar amantes separados, salvar casamentos», acrescenta. À descoberta do corpo Ana Beato, terapeuta sexual que colabora com o Gine-Espaço, concorda: «Há muitas pessoas que nem conhecem o seu corpo. Nunca se viram num espelho. Passaram a vida a fugir do seu corpo que é como quem diz a fugir de si próprias. Nunca pensaram descobrir este seu lado mais erótico, mais feminino e o pompoar pode ser uma boa forma de fazer essa descoberta.» Mas qual o segredo? «O facto de se conhecerem melhor e desenvolverem uma nova atenção à sua parte mais íntima vai ter consequências positivas ao nível do desejo, da excitação e do orgasmo. Há melhorias visíveis», garante a terapeuta. «Para além da componente psicológica: se a mulher se sentir mais segura a nível físico, também vai conseguir libertar-se a outros níveis», acrescenta. «O pompoar é uma técnica também aplicada a nível clínico», explica a terapeuta, «mas de uma forma muito mais básica e superficial do que neste curso. O inovador nesta abordagem é poder atingir outros objectivos e de uma forma mais sistemática. Desde a incontinência a vários problemas relacionados com a sexualidade» são muitas as situações que podem ser ultrapassadas com esta técnica.

Sexy toda a vida O Espaço Barrigas&Bebés, em Odivelas, é outro local onde pode descobrir-se a arte do pompoar. No próximo fim-de-semana realiza-se mais um workshop. A formadora é Stella Alves, que vem do Brasil pela terceira vez com este fim. E desta vez estará também no Porto. Também para ela, a auto-estima é a chave do pompoar: «Não adianta dominar a técnica, se não gosta de si própria, se não cuida desse seu lado mais sexy. Por isso, a primeira parte do workshop é dedicada à auto-confiança, para que as mulheres percebam que é importante não perderem o encanto, a magia. Não é só na fase da conquista que é importante ser sexy.» Na segunda parte do workshop, Stella Alves explica os exercícios de pompoar, apresentando as bolas Ben-Wa (tailandesas) que fazem parte do kit de pompoarista. O kit tem ainda um vibrador de tamanho indicado para o "treino" de pompoar, um manual prático e o seu livro «Pompoar: a Arte de Amar». O livro será lançado amanhã em Lisboa, pela Ariana Editora. Malhação íntima Os exercícios são aprendidos no workshop, mas apenas treinados em casa. Depois é uma questão de disciplina. «A disciplina é o grande segredo. Devem fazer-se os exercícios durante 10 minutos de manhã e à noite, todos os dias. Passados 20 dias a mulher já sente diferença na realção sexual. E o homem também», garante Stella Alves. Mas para dominar completamente a técnica, ou seja ser capaz de distinguir e movimentar separadamente os vários anéis musculares que compõem o canal vaginal, são precisos três a quatro meses de «malhação íntima», como lhe chama Stella Alves. «Aí a mulher vai proporcionar e sentir muito mais prazer».

Pompoar na gravidez e no pós-parto Ao fortalecer a musculatura vaginal, o pompoar irá facilitar o parto normal. Mas uma grávida só pode começar a prática até ao quarto mês de gestação e sempre com conselho médico. No pós-parto, terá todas as vantagens em praticar, pois fará uma óptima recuperação através dos exercícios de pompoar. «Na gravidez e no pós-parto, o pompoar pode ser muito benéfico», considera Ana Beato, «pois ajuda a compreender as alterações e a revertê-las». Os exercícios sistematizados pelo Dr. Kegel não são mais do que os conhecimentos do pompoar aplicados à medicina. No entanto, o médico punha a ênfase dos benefícios apenas na saúde física - a prevenção e tratamento de incontinência, a prevenção de prolapso uterino... - ao passo que no pompoar os benefícios físicos são apenas mais uma vantagem a par da descoberta de um potencial sexual desconhecido, que fará aumentar o prazer e o desejo. «No Brasil muitos ginecologistas conceituados recomendam o pompoar como forma de recuperação pós-parto».

Previsão para 2009: mais sexo pra todo mundo

Tá certo que já é dia 4 de Janeiro e previsões para 2009 já estão sendo postas à prova. Mas essa não podeia ficar de fora. A revista Americana The Futurist, que todo ano faz uma compilação dos chutes de algumas eminências da futurologia, prevê que todo mundo vai fazer mais sexo em 2009. Por quê? Dizem os chutadores que à medida em que as mulheres vão ganhando mais espaço, mais poder econômico na sociedade moderna, elas têm mais autonomia e alternativas em suas vidas, sendo o sexo uma delas.

Solange F.

A assunção de liberdade começa no nome. Prolonga-se com a naturalidade com que decidiu aceitar a entrevista em que revelou a sua orientação sexual ou posar para uma revista "de homens". Se há uma luta nela, é essa, a de tornar claro que aquilo que se é, que se escolhe ser, será sempre natural De actriz de Luís M. Cintra a 'comentadora' cor-de-rosa, um percurso livre"Uma data de pessoas se calhar só me conhece por isso. Por um lado fico contente, por outro acho completamente absurdo. Por exemplo, as coisas que aparecem nas publicações do social nunca é pelo teu trabalho... só me faz rir. O Bruno Nogueira, dos Contemporâneos, com quem trabalhei no Curto-Circuito, chama-me "a fufa mais conhecida." Ri. Mas é assim: "Solange F., aquela que é lésbica." "Que recebe prémios por ser lésbica." Foi assim que ela se referiu, com ironia, aos prémios da ILGA e da rede ex aequo, que a distinguiram pela sua luta contra a homofobia. "Estou a ser premiada por dizer quem sou." Esquisito talvez ainda mais saber, mesmo que não queira pensar nisso, que a partir de agora, ou melhor, a partir de Maio, quando "se assumiu" numa reportagem da Única do Expresso, tudo o que lhe aconteceu está contaminado por isso.
Do convite para a Tertúlia Cor- -de-Rosa do programa de Fátima Lopes, na SIC, ao de posar para a revista "de homens" FHM - mesmo se esse convite, o da FHM, já lhe havia sido endereçado antes. A "fufa mais conhecida" tem razão: muito pouca gente sabia dela e menos gente ainda tinha reparado, mesmo depois desta estranha fama, que a estrela mais recente das crónicas de maldizer da TV começou, muito improvavelmente, no teatro puro e duro, escolhida por Luís Miguel Cintra entre os alunos do Conservatório para representar Heiner Müller e Strindberg na Cornucópia. Esteve lá seis anos. Saiu quando alguém lhe sugeriu participar num casting da SIC Radical para um programa novo. "Tinha mandado currículos para várias agências e surgiu isso. Fui escolhida com a Rita Andrade." Entrou no programa em 2004 e nunca mais fez teatro. Porquê? E porquê sair da Cornucópia? "Gostava muito de voltar a fazer teatro, planeio fazê--lo. Mas estava lá há muito tempo e fazia sempre personagens secundárias e era sempre a rebelde, se calhar por ser pequenina e com ar de rapaz... queria experimentar outra coisa." Cintra, o mentor, ficou chocado. "Só me perguntava porquê. Era completamente anti-TV, talvez agora tenha mudado."Do Curto-Circuito, onde se "fez" na TV, em três horas de emissão diária com perguntas em directo
("Ganhei a fama de pessoa frontal, dizia o que pensava"), foi para o Elas sobre Eles, com Luísa Castelo-Branco e Ana Marques: "Mulheres a falar de homens. Claro que não é preciso ter relações de amor e sexo com homens para poder falar deles - mas na altura a minha orientação sexual não era pública. A Luísa sabia e protegia-me muito, como se fosse minha mãe." Depois do Elas sobre Eles era suposto fazer "um programa sobre sexo" que nunca mais começava. "Ainda fiz casting para as novelas, mas não fui chamada - aí acho que já podia ser um problema a minha orientação sexual, tipo eu a beijar um tipo e toda a gente a achar que aquilo não era 'crível'." Surgiu então o convite para a Tertúlia. "Ligaram-me do Fátima Lopes e pensei: 'Ai, não me digam que querem que vá outra vez contar a história da minha vida'. Afinal era para aquilo. Disse logo que não ia dizer mal de ninguém." Dos adolescentes do Curto-Circuito para os reformados do Fátima, uma cambalhota quase tão grande como a de Heiner Müller para a SIC Radical. E o fio da navalha: "Constatar que há gente a filmar e fotografar 'figuras públicas' com telemóvel em qualquer lado fez-me muito mais cuidadosa. A minha namorada não quer ser exposta e evito levá-la a sítios onde possa suceder."
No meio disto tudo, o mais estranho será talvez perceber que as escolhas de Solange - as que fazem tanta gente agradecer-lhe - foram quase todas guiadas pelo acaso. Cruzar fronteiras entre a cultura erudita e a popular, arrasar estereótipos ao integrar o universo cor-de-rosa (mesmo correndo o risco de ser ali a "mulher barbada") ou assumir-se como objecto desejo (ao arrepio da imagem da lésbica que é lésbica porque os homens "não lhe pegam"). "Sou apanhada nas curvas, sou muito ingénua e naif e muito impulsiva - não estou a medir as consequências políticas das coisas." Talvez assim funcione ainda melhor.

O dinheiro e a potência

'Andei pensando', diz Thunder com sua voz estentórea a Pedro. 'Sobre o dilema sinistro de Henry, personagem de Philip Roth em O Avesso da Vida: A Virilidade ou a Morte?' 'É um tema fascinante', diz Pedro. Henry tem que fazer sua escolha. Tem um problema no coração que o obriga a tomar um remédio que o fez impotente, logo ele, um escravo dos sentidos. A alternativa é uma cirurgia com boas chances de matá-lo. Que fazer? 'Penso em mim', diz Thunder. 'Se me coubesse a escolha, optaria pelo risco da cirurgia. A impotência é uma morte em vida. Uma agonia servida em gotas. Não poder entrar numa mulher que se oferece a você. É completamente contra a natureza. Vê-la em sua nudez esplêndida e não ter nada a fazer. Prefiro o pelotão de fuzilamento. Mil vezes ser um mendigo potente do que um milionário impotente.' 'A vida vai além do sexo', diz Pedro. 'O sexo é uma ilusão escravizadora. Marco Aurélio, o rei-filósofo, disse em suas Meditações que o sexo é uma mistura de fluidos de duas pessoas em posição ridícula.' 'Devia ser broxa ele', diz Thunder, sem nenhuma consideração para com o monarca que simbolizou o sonho de Platão de um governante sábio. Um intelectual francês escreveu um dia que a morte de Marco Aurélio deixara a humanidade órfã. 'Pessoas com nome duplo são muitas vezes esquisitas.' Pedro sabia que não havia base científica nenhuma para as palavras de Thunder sobre pessoas de nome duplo como Marco Aurélio, mas sabia também que era impossível tirar algo de sua cabeça imensa e teimosa, nos últimos tempos adornada com uma barba hemingwayana que ele julgava impressionar as mulheres por dar a ele um suposto ar de escritor. 'O homem sábio domina o sexo, e não é dominado por ele', diz Pedro. 'Você precisa parar de ler literatura oriental', diz Thunder. 'Essa história de om, meditação transcendental, ioga. Tudo bobagem. Felicidade é você poder entrar numa mulher bela e infelicidade é não poder. Basicamente isso. O milionário impotente. Quanto ele daria de sua fortuna por uma noite de sexo?'
Ocorreu a Pedro que o Henry de Roth daria a vida. Mas lhe ocorreu também uma dúvida. O típico homem rico. O que ele valoriza mais: o sexo ou o dinheiro. Se ele tivesse que escolher entre um e outro, qual pegaria e qual largaria? Thunder tinha certeza de que ficaria com o sexo, mas Pedro não estava tão convicto assim. 'Pedro.' 'Hmmm.' 'Viu Fatal?' Thunder falava de um filme inspirado em outro romance de Roth, O Animal Agonizante. 'Não. Devo?' 'Sim. A crítica foi dura, mas todos sabemos que os críticos de cinema detestam cinema. Um editor de revistas uma vez disse que o melhor emprego do mundo é crítico de cinema. Te pagam para ver filme. Mesmo assim os caras são mal-humorados.' 'Por que eu devia ver Fatal?' 'Porque é Roth na essência', diz Thunder. 'O mundo governado pelo sexo. Um professor apaixonado por uma aluna bem mais jovem que ele, e que deixa de viver a história porque tem medo de que uma hora apareça um cara jovem que vai roubá-la dele. 'Eu já fui esse cara jovem', o professor diz no filme a um amigo. Você deve ver também porque a Penélope Cruz aparece de peito de fora. Impressionante. Não sei se foi a natureza ou o silicone.' 'Thunder.' 'Hmmm.' 'Olha. A melhor coisa que ouvi sobre essa história de homem mais velho e mulher jovem foi do Mantraman. Ele namora uma moça chamada Rebeldia, uns vinte anos mais nova que ele.' 'E ...' 'E ele disse que quando perguntam se ele não teme o risco de ser trocado por um cara mais novo responde que também ele poderia trocar a Rebeldia por uma mulher mais nova.' 'Preciso ler mais o Mantraman', diz Thunder. 'Grande frase.' 'Pedro.' 'Hmmm.' 'De tudo que eu disse nessa conversa só queria que você gravasse uma coisa. O dinheiro sem ereção é absolutamente inútil. O mendigo potente é um rei perto do rico impotente.'

"Chip do sexo" implantado no cérebro

Cientistas estão desenvolvendo um "chip do sexo" que poderia ser implantado no cérebro para estimular o prazer. A tecnologia já é usada nos Estados Unidos como tratamento para o mal de Parkinson.Pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram recentemente que uma parte do cérebro conhecida como córtex órbito-frontal, associada com o sentimento de prazer causado por sexo e comida, pode ser um "novo alvo de estímulo", segundo artigo publicado na revista Nature Reviews Neuroscience. O chip envia pequenos choques de eletrodos implantados no cérebro, e é conectado a um marca-passo no coração. A cirurgia para implantar o sistema é considerada extremamamente intrusiva pelos médicos. Segundo o Telegraph, os cientistas dizem que o aperfeiçoamento da tecnologia permitirá o estímulo de muitas outras áreas, será mais sutil e dará ao usuário a possibilidade de ligar e desligar o chip conforme desejar.
A equipe responsável pela pesquisa cita uma experiência realizada há alguns anos por um cientista, que implantou um dispositivo semelhante no cérebro de uma mulher com problemas de libido, transformando-a em uma mulher sexualmente ativa. A paciente não ficou satisfeita com a mudança brusca e teve o mecanismo retirado de seu cérebro. O Telegraph lembra que uma máquina chamada "orgasmatron", inspirada no filme O Dorminhoco, de Woody Allen, está sendo desenvolvida por um médico americano, que está modificando um estimulador da medula espinhal para provocar prazer em mulheres.

CAMISETA COM CONVITE AO SEXO CRIA POLÈMICA EM MILÃO

Um convite ao sexo estampado em uma camiseta para ser usada no Natal é a nova polêmica do fotógrafo italiano Oliviero Toscani, conhecido em todo o mundo por suas inusitadas campanhas publicitárias. Toscani foi selecionado pela Prefeitura de Milão, junto com outras 29 celebridades italianas (designers, estilistas, jornalistas, médicos, esportistas, entre outros), para criar uma camiseta com mensagem de Natal para ser vendida em todas as lojas do shopping da Via della Spiga. Habituado a provocar, Toscani não pensou em censura e fez um convite ao sexo em linguagem coloquial para a sua camiseta preta com a frase escrita em branco: "E' Natale? Scopiamo?", em edição limitada, vendida a 60 euros (cerca de R$ 156). "Papai Noel existe..." foi a frase escolhida pelo estilista Roberto Cavalli. Na mesma linha, os outros optaram por mensagens que falam da magia do Natal - "sonhamos juntos" ou "um bom Natal sereno", por exemplo. O lucro obtido com a venda das camisetas, no centro da capital italiana da moda, será destinado a fundações ajudadas pelos clubes Milan e Internazionale. Como ocorreu em outras ocasiões, a mensagem natalina de Toscani acabou chocando o país e deixou a prefeita de Milão, Letizia Moratti, envergonhada. "Espero que a prefeita não fique com raiva", disse Tiziana Maiolo, assessora do setor de Moda da Prefeitura de Milão, responsável pela idéia das camisetas. "Eu não censuro ninguém." De acordo com Tiziana, a camiseta pode ser criticada por quem bem entender. Mas, em hipótese alguma, deve ser considerada uma blasfêmia ou algo que tire o prestígio do Natal. "É a linguagem de hoje, usada pelos jovens, que passa, inclusive, na televisão", justificou. "Eu não escolhi nenhuma das frases da campanha. Seja como for, todo o lucro será doado à caridade." A representante do Parlamento europeu Cristiana Muscardini, do partido de direita Aliança Nacional, disse ter ficado desconcertada com a mensagem do fotógrafo. "O que será que estão pensando de nós na Europa?", questionou Cristiana, ao considerar a mensagem inquietante. "Se está se referindo ao ato sexual, ou ao ato de limpeza na casa ou nas ruas, é reducionista fazer apenas no Natal." Toscani justificou sua campanha ao dizer que, em Milão, as pessoas estão mais frias e se esquecem das relações humanas e de sua importância. Por isso, ele deseja um Natal de sexo à cidade. "É dedicada à Milão", afirmou Toscani. "Assim, engessada, não se goza mais". O polêmico fotógrafo ficou conhecido por assinar inúmeras campanhas da Benetton, como a dos doentes de Aids agonizantes, dos cadáveres de mafiosos, o padre e a freira apaixonados, as camisinhas coloridas, ou os dois cavalos fazendo sexo. Recentemente, ele ganhou as páginas dos jornais do mundo inteiro com a campanha que estampava uma foto, frente e verso, da modelo francesa anoréxica Isabelle Caro nua para publicidade da marca Nolita. Por conta da fotografia de Toscani, o drama da anorexia voltou à tona na Itália com os outdoors - proibidos, no final de outubro, pelo conselho de auto-regulamentação publicitária por violar o código de conduta do setor - colocados em várias cidades do país. A foto de Toscani com a modelo francesa sensibilizou alguns sobre o problema, mas também recebeu críticas de associações que a consideraram exagerada.

Rapidinhas são ótimas para fazer a adrenalina fluir

Primeiro era aquela vontade louca de namorar em qualquer lugar, a qualquer hora. Depois, veio a preocupação e a ternura com o barrigão imenso da mulher. Até que os tempos de cólica — e de choros — chegaram. Manter a paixão só não foi um desafio maior porque Ian Kerner é o terapeuta sexual de maior sucesso dos Estados Unidos. Após o nascimento de Owen, 5 anos, e Beckett, 2, ele ganhou experiência prática para escrever seu sexto livro, Love in time of Colic (algo como “Amor nos Tempos de Cólica”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, à venda nos EUA a partir de 2009). Nesta entrevista, Ian fala sobre sexo pós-paternidade com conhecimento de causa. E dá dicas práticas para não deixar o desejo desaparecer.
Pink Hot Sex: Em que você se inspirou para escrever este livro? Ian Kerner: Se a paternidade me ensinou alguma coisa, independente da minha profissão, é que estou longe de ser um especialista no meu relacionamento. Como acontece com muitos pais de primeira viagem, fiquei confuso e cheio de conflitos depois do nascimento do meu primeiro filho, sem mencionar a falta de sono, de sexo, as ereções e o tesão. Quando pensei que não agüentaria mais de tanta excitação, nasceu o bebê número 2. Desde então, tudo me fazia pensar em sexo. Um dia, Lisa, minha mulher, estava lendo o livro Hop on Pop (algo como “Pulando no Papai”), do Dr. Seuss, autor que mais vende livros infantis nos EUA, para o Owen, meu filho. Me peguei pensando “Hey, babe, why don’t you come over here and hop on this pop” (“ei, amor, por que você não vem aqui e pula neste papai?”). Deixe-me falar uma coisa: quando até Dr. Seuss faz você pensar em sexo, é sinal de que as coisas precisam mudar. PHS: O que o sexo pode fazer pelo relacionamento? IK: O sexo reforça e recupera a identidade do casal como marido e mulher. Ele leva você de volta à raiz do relacionamento, que é o motivo para vocês terem tido filhos. Muitas vezes, o parceiro que insiste por mais sexo está buscando a conexão emocional que existia antes. Casais felizes fazem bom sexo. PHS: O que acontece com o sexo depois dos filhos? IK: Só nos Estados Unidos, praticamente 50 milhões de pessoas estão presas em uma rotina sexual e, muitas vezes, ela começa depois do nascimento das crianças. Não é só o fato de estarmos estressados ou trabalhando demais, mas também porque os casais tornam-se previsíveis quando viram pais. Eles querem estar num casamento estável e responsável, enquanto o desejo sexual necessita do mistério, do imprevisível. Acredito que a rotina sexual seja comum, principalmente para pais que preferem dormir a transar, mas é preciso fazer do sexo uma prioridade. PHS: O desinteresse sexual é mais freqüente em mulheres? IK: O clichê diz que sim. Na minha prática, o que acontece é o inverso: são eles que têm menos desejo. Estudo feito em comunidades tribais descobriu que homens casados tinham menos testosterona do que solteiros da mesma idade. Aposto que isso ocorre em todas as culturas, pois é uma tentativa natural de ser fiel e focar na família. “Literalmente e cientificamente falando, se quiser levar sua mulher para cama, é bom ela não ter uma pia de louça para lavar.” PHS: Quando um casal deve procurar ajuda por não ter uma vida sexual satisfatória? IK: Nunca é muito tarde ou muito cedo para isso. Muitas traições acontecem até o segundo aniversário da criança. Se você acha que tem problemas, procure auxílio logo. PKS: Como um casal pode se reconectar sexualmente? IK: Rapidinhas são ótimas para fazer a adrenalina fluir e nos ajudam a conhecer as preferências do parceiro, algo que dificilmente os pais têm tempo para desvendar. Masturbar ou abraçar o outro para sentir seu corpo são meios de se reconectar e construir uma atmosfera sexual. Não precisa chegar aos finalmentes todas as vezes, desde que isso aconteça depois. Encare essas rapidinhas como um jeito divertido de tirar uma folga do papel de pai. PHS: Dá para resgatar a libido da mulher sem ser chato? IK: Pesquisadores da Holanda descobriram que a chave para a excitação sexual feminina é o relaxamento profundo e a falta de ansiedade. O estudo escaneou o cérebro de homens e mulheres no processo de excitação e descobriu que, durante o sexo, a parte do cérebro delas responsável pelo medo, ansiedade e emoção tinha atividade reduzida. Segundo Gert Holstege, autor da pesquisa, essa desativação é essencial para o orgasmo. Portanto, literalmente e cientificamente falando, se quiser levar sua mulher para cama, é bom ela não ter uma pia de louça para lavar. PHS: E quais são os passos para ressucitar a vida sexual? IK: Tente transar uma vez por semana. Sexo é o próprio afrodisíaco. Ao transar, a testosterona aumenta e faz você querer mais. Logo vai deixar de ser uma obrigação e se tornar algo que você espera o dia todo para fazer. Saia de casa. Os relacionamentos precisam se expandir. No começo do namoro, isso ocorre naturalmente, pois passamos a noite de mãos dadas, conversando, tentando descobrir tudo (e todos os lugares!) do outro. Quando achamos que acabou a novidade, o relacionamento pára de se expandir. E não é só na cama. É muito fácil entrar numa zona de conforto, ainda mais quando estamos tentando criar nossos filhos com estabilidade. Abrace muito. É verdade! Isso eleva a oxitocina, hormônio que conecta vocês. Lembre-se de que casais que se tocam mais tendem a transar mais.

9 razões médicas para se fazer sexo

Há quem diga que o mundo gira em torno dele. Verdade ou não, ninguém discute que, além de perpetuar a espécie, o sexo é a grande fonte de deleite da humanidade. E, mais do que isso, quem se dedica a essa prática como se fosse uma prazerosa modalidade esportiva ainda conquista outras benesses para o corpo e para a mente. Talvez você questione: afinal, quantas transas por dia, semana ou mês são necessárias para garantir tanta saúde assim? Não há resposta. “Até porque quantidade não tem a ver com qualidade”, diz o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano, de São Paulo. Desde que o casal se sinta bem com uma relação diária ou semanal, o organismo já vai tirar proveito. Mas, diante dos bons efeitos que apontaremos a seguir, talvez você não pense duas vezes para intensificar sua atividade entre os lençóis.
1 - Proteção cardiovascular O coração pode até sair ganhando de verdade quando um sexo mais caliente marca presença no dia-a-dia. “Durante a relação sexual, como em um exercício físico moderado, há um aumento temporário do trabalho cardíaco e da pressão arterial”, explica o cardiologista José Lazzoli, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Para preservar as artérias, contudo, é preciso suar a camisa no mínimo 30 minutos diários cinco vezes por semana. “E nem todo mundo consegue fazer sexo com essa duração e freqüência”, observa o especialista. Então, a mensagem é somar às noites intensas uma corrida ou caminhada no parque pela manhã, por exemplo. Recado à turma que tem hipertensão descontrolada ou doença coronariana: consulte o médico. Nesses casos, tanto o coração pode atrapalhar o sexo quanto ele pode atrapalhar um coração com problemas.
2 Um remédio contra a dor Durante o bem-bom, o corpo fabrica uma porção de substâncias, entre hormônios e nurotransmissores. Uma delas é a endorfina, a mesma que dá as caras quando se pratica um exercício físico por alguns minutos. Essa molécula capaz de aliviar as sensações dolorosas é descarregada para valer no ápice da relação, o orgasmo. “Ela é o maior analgésico do nosso corpo”, afirma a médica Ruth Clapauch, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. E sua ação se prolonga após o ato sexual. Os especialistas estão começando a acreditar que, somada ao trabalho da ocitocina - outro hormônio liberado na hora do gozo -, a endorfina ajuda a aplacar dores crônicas na cabeça e nas juntas.
3 - Um basta ao excesso de estresse Ninguém precisa ser cientista para saber que uma boa transa apaga a quase inevitável tensão do dia-adia. Mas saiba que até os pesquisadores estão cada vez mais interessados nesse potencial, que é maior quanto mais intenso for o sexo. Um estudo da Universidade de Paisley, na Escócia, constatou: os voluntários que faziam questão da penetração respondiam melhor a situações estressantes. “A atividade sexual diminui o nível de ansiedade”, diz o urologista Joaquim de Almeida Claro, da Universidade de São Paulo (USP). “Só se deve tomar cuidado para não transformar o sexo a dois numa mera descarga de estresse”, lembra a psicóloga Ana Canosa, da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. É que, nesse caso, vira algo mecânico, quase obrigatório, sem envolvimento emocional. Aí não tem graça - e nem tanto efeito.
4 - Auto-estima lá em cima Qual o órgão do seu corpo que mais se aproveita de uma extenuante sessão a dois? Ele mesmo, o cérebro. Ora, lá se encontra o verdadeiro terminal do prazer. Quem agrada constantemente essa central de instintos e emoções ganha uma baita massagem no ego. “A auto-estima melhora porque o indivíduo se sente desejado pelo outro”, resume a psicóloga Ana Canosa, de São Paulo. E não pense que essa guinada no astral se deve apenas ao orgasmo. “As preliminares também são fundamentais, sobretudo para a mulher, que precisa ser tocada e beijada. A excitação promove uma maior liberação de hormônios, aumentando o tamanho do canal vaginal e as chances de chegar ao orgasmo”, diz o ginecologista e obstetra Francisco Anello, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. Ou seja, tudo que antecede a penetração tem o seu valor para o corpo e para a mente dos parceiros. É claro que a relação não se restringe ao momento de catarse. “Mas sem orgasmo não se usufrui de todo o bem-estar após aquele acúmulo de tensão”, diz Ana.
5 - Mais prazer, menos gordura Para manter a forma, homens e mulheres podem se dirigir a uma quadra de futebol, a uma piscina ou, por que não, a uma cama. Ora, o sexo é saboroso esporte de dupla. É óbvio que não dá para pensar em eliminar a barriga de chope ou definir a silhueta apostando apenas nisso. Mas ele não deixa de ser um aliado da queima de pneus. “O esforço de uma atividade sexual equivale, em média, a um trote a 7,5 quilômetros por hora”, calcula o cardiologista José Lazzoli. “Dependendo da intensidade da relação, é possível queimar de 100 a 300 calorias”, contabiliza Anello.
6 - Defesas reforçadas Fazer sexo uma ou duas vezes por semana tornaria o sistema imune mais preparado para entrar em combate. É o que sugerem pesquisadores americanos que compararam amostras da saliva de pessoas sexualmente ativas com as de voluntários que pouco se aventuravam na cama. Eles concluíram o seguinte: quem transava com certa freqüência abrigava mais anticorpos. O resultado, no entanto, ainda carece de um consenso entre os médicos. Isso porque, para muitos deles, uma defesa mais a postos não seria fruto da atividade sexual em si. “Há, sim, trabalhos mostrando que pessoas felizes têm melhor resposta imunológica. E a atividade sexual sem dúvida traz felicidade e qualidade de vida”, pondera Joaquim Claro.
7 - Músculos fortalecidos Não dá para elevar o quarto à condição de academia, mas a atividade entre quatro paredes exige o esforço de alguns grupos musculares. Tudo depende, por exemplo, das posições na hora agá, mas é possível trabalhar as coxas, o dorso e o abdômen. No caso das mulheres, a relação ainda cobra a movimentação dos músculos da vagina. “Há um aumento do fluxo sangüíneo para a região”, conta a fisioterapeuta especialista em urologia Sophia Souto, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, que fica no interior paulista. “Durante o orgasmo, por exemplo, há uma contração dos músculos pélvicos”, diz. Quando unida a exercícios específicos para aumentar o controle da própria vagina, a relação ajudaria a tonificar sua musculatura, diminuindo o risco de problemas como a incontinência urinária
8 - Lubrificação nota 10Essa é para as mulheres que se aproximam da menopausa ou já atravessam o período marcado pela derrocada do hormônio feminino. Um dos principais reflexos da queda de estrogênio é a falta de lubrificação na vagina - um problema bastante comum, que leva à secura nessa região. “Mas aquelas que, após essa fase, mantêm relações sexuais tendem a apresentar menos atrofia do órgão genital”, conta a ginecologista Carolina Carvalho Ambrogini, da Universidade Federal de São Paulo, a Unife. Já as mulheres que raras vezes se divertem com o companheiro não só sofrem mais com o incômodo como também podem sentir mais dores durante a penetração.
9 - Para dormir pesado Sim, uma noite tranqüila também depende de uma cama movimentada. O que o casal costuma comprovar na prática a medicina sabe explicar: “A relação favorece o relaxamento muscular”, afirma o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano. Isso porque, graças ao orgasmo, o corpo recebe uma enxurrada de substâncias que não demoram a agir, fazendo com que o indivíduo sinta uma mistura de bem-estar e exaustão. “O sono costuma vir depressa depois de um sexo mais vibrante”, observa Marzano. Mas, caro leitor, aguarde mais um pouco antes de rumar ao quarto.A ciência está interessada em prolongar a sua atividade sexual. O avanço da idade, não há como negar, cria alguns empecilhos que esfriam uma relação aqui, outra acolá. Mas os profissionais de saúde já têm na manga estratégias para contornálos. É o caso da terapia hormonal, que, quando bem receitada, dá aquela força para a vida sexual ativa. No caso das mulheres, a reposição de estrogênio atenua a secura vaginal - e o destaque é o creme à base do hormônio aplicado na vagina. “Ele melhora a lubrificação sem ser absorvido pelo corpo”, diz Francisco Anello. Ou seja, não há efeitos colaterais. Para reerguer a libido do casal, já foi aprovada na Europa a reposição de testosterona na forma de adesivo. “A questão é polêmica, mas estudos mostram que ela dobra o número de relações sexuais”, conta Ruth Clapauch. A terapia com o hormônio masculino é receitada há mais tempo, só que por outras vias, para os homens. O seu objetivo, porém, não é corrigir somente o tesão minguado. “Ela beneficia a massa muscular e alivia a depressão, além de melhorar a vida sexual, mas a indicação deve ser rigorosa”.
De choque a gel Já imaginou visitar um fisioterapeuta para turbinar a vida sexual? Pois as mulheres já podem desfrutar desse serviço - a fisioterapia uroginecológica. Por meio de diversas técnicas, os especialistas ensinam as pacientes a assumir um maior controle da musculatura da vagina. A medida é recomendada, por exemplo, àquelas que penam para ter orgasmos. “Além disso, há um aparelho que se vale de um eletrodo introduzido na vagina para estimular sua contração”, conta a fisioterapeuta Floripes de Santi, do Rio de Janeiro. A meta é permitir que, conhecendo e dominando a dita-cuja, suas próprias donas possam usá-la melhor - ou seja, com muito mais prazer. Outra fisioterapeuta expert no assunto, Sophia Souto, da Universidade Estadual de Campinas, pesquisa um gel capaz de aperfeiçoar a atividade sexual feminina. “Ele é um doador de óxido nítrico, uma substância que aumenta a vasodilatação local”, explica. “O produto deve ser aplicado sobre o clitóris nas preliminares para aumentar a sensibilidade da região.” Por não apresentar contra-indicações, tanto as mulheres com perda de libido como as sedentas por mais prazer podem utilizá- lo. A previsão é que ele chegue às farmácias no próximo ano.Entre aranhas e genes A ala masculina, já presenteada no final da década de 1990 com os medicamentos para disfunção erétil, deve aguardar mais tempo pelas novidades da medicina. “Novas drogas, que podem ter efeito mais rápido ou duradouro, ainda estão sob estudo”, afi rma o médico Carlos da Ros, da Sociedade Brasileira de Urologia. Um grupo de cientistas da USP tem avaliado uma substância promissora. “Ela é extraída do veneno de uma aranha brasileira e seria capaz de levar à ereção”, conta Joaquim Claro, que participa da investigação. Será que a solução definitiva estaria nos genes? Talvez. “Mas a terapia gênica só poderá ser uma opção a longo prazo”, estima Da Ros. Enquanto tudo isso não chega, investir num estilo de vida saudável e freqüentar o médico de vez em quando continua sendo a garantia do arraso sob os lençóis - ou em qualquer outro lugar.

Sexualidade com mais amor!

Desequilíbrio sexual significa que, em nível de nossa relação sexual, acontecem fatos que evitam que esta relação com outras pessoas se desenvolva com bem-estar completo para todos os envolvidos, não só para uma pessoa. O desequilíbrio nos ajuda a tomarmos consciência e superar o fato causal, mas se escolhemos ficar nesta relação inconscientemente, sua contínua repetição vai desequilibrando-nos mais ainda até fazer com que nos sintamos mais sem possibilidades, com culpa, medo, vergonha, sozinhos, incompreendidos. Provavelmente se seguimos assim, é porque em algum nível de consciência, estamos desfrutando deste mesmo desequilíbrio. Fisicamente, estes desequilíbrios prejudicam e fazem com que a resposta sexual só aconteça dentro deste desequilíbrio, provocando enfermidades físicas, fixando-se como um padrão de respostas. Sadomasoquismo é um exemplo de desequilíbrio sexual. Homossexualismo, apesar de não ser um desequilíbrio sexual e sim uma escolha a muitos níveis inconscientes, provoca desequilíbrio pelo enfrentamento diante da pressão e preconceito social, que pode terminar em um conflito entre o amor e o físico, chamado HIV.
Em nosso setor íntimo o desequilíbrio sexual pode prejudicar-nos como seres humanos, pois somos essencialmente sexuais, e no encontro com o outro. E depois, em todos os demais setores, em nosso desenvolvimento com nossos amigos. É como se jogássemos uma pedra em um lago, a radiação gerada por esta pedra vai mover toda a água para os lados e se é uma radiação conflituosa, vai afetar todos ao nosso redor. No trabalho, a pessoa frígida poderá ter dificuldade de criar, realizar projetos e concretizar objetivos da empresa. Como pais, poderão ter problemas de desorganização em sua família, quando não há satisfação sexual entre eles, pois, quando há desavenças, demora-se muito mais a harmonização do casal. A energia sexual prazerosa faz com que as pessoas envolvidas se unam mais e assim, quebrem os laços de discórdia mais rapidamente. Por quê? Porque a energia sexual é a espiritualidade em si, e esta conexão espiritual faz com que tudo brilhe ao seu redor. E podemos perguntar: como podemos ajudar nossos filhos para que não tenham traumas sexuais? Em primeiro lugar, com uma comunicação amorosa e clara, sem preconceitos sobre as possibilidades e os limites naturais do sexo, permitindo que cada filho desenvolva sua sexualidade em tempo oportuno.
O que quero dizer com sexualidade: desenvolvimento social, cultural, religioso, mental, emocional, ou resumidamente, em todos os aspectos. Os pais que têm problemas entre si e se não compreendem sobre sexualidade, é importante que busquem maior conhecimento com pessoas especializadas neste assunto. Muitas vezes terapeutas, psicólogos e médicos podem colaborar, para que se saibam realmente qual a melhor atitude a ser tomada em cada caso, orientando os pais que depois repassam as informações aos seus filhos, sobre a responsabilidade por sua conduta. Até os sete anos, necessitamos cuidar amorosamente de nossas crianças para um desenvolvimento saudável, com a maior naturalidade possível, pois, através da TV e da internet, terão acesso direto a muitas informações, muita delas equivocadas. Aclarar que o tempo da prática sexual com outras pessoas chegará com o amadurecimento do próprio corpo. Importante orientar nossos filhos pequenos que sejam discretos quanto as informações que os pais lhe passam, pois, tudo se refere a um aspecto íntimo e não necessitam compartilhar em grupos para que assim não sejam interpretados como obscenos, e consequentemente agredidos por pais dos amigos que tem preconceitos, ou que não orientam claramente seus filhos.
Há uma linda correlação entre, sexualidade, amor e sexo que podemos observar da seguinte maneira: Sexualidade: é o desenvolvimento integral do ser humano. Tanto a mulher quanto o homem desenvolvem sua sexualidade ao manifestar-se desde o físico, psicológico, social, econômico, cultural e étnico, até o espiritual como ela é. Isto é sua sexualidade. Sexualidade é o todo do ser.Amor é a energia sexual ativa. Nossas religiões deturparam a idéia, separando o amor do ato sexual. É importante vermos que o sexo é a parte física do corpo, e o ato sexual é a manifestação do amor em si. Mente é também uma das partes do ser, uma parte criadora, que nos liga ao tempo e ao espaço, dando-nos uma idéia de que isto existe. No tema relação sexual, se ela estiver desligada do coração, representará e nos mostrará toda uma bagagem de experiências passadas equivocadas e de padrões negativos inconscientes. Será a manifestação do ego, para limitar nossa atitude presente. Conectada com o coração, fará com que esta pessoa abra seu caminho, manifeste seus desejos, seu amor e sua espiritualidade. Uma boa relação sexual consiste em experimentar a relação sexual com plenitude, e chegar a tal ponto de consciência que faz com que nossa parte feminina (mais expressiva nas mulheres) se encontre com a parte masculina (mais expressiva nos homens), e assim possam se unificar em um todo.
Juntos, podem se complementar e depois disto, perceber que sozinhos também estarão em plenitude. É uma possibilidade de alcançar a consciência de ser parte do todo. Sob o aspecto sexual do ser humano, é necessário tomar consciência de que este caminho de unificação está próximo de nós. Em alguns instantes, na relação sexual, será possível alcançar esta consciência e assim, despertar o poder infinito de iluminação e transmutação através do amor sexual. Quantas vezes observamos a prostituição que acontece na carência de afeto, aonde a pessoa busca complementar-se e unificar-se com várias pessoas, ou mesmo com uma pessoa só, no entanto não consegue. Isto faz com que a insatisfação leve o indivíduo a querer receber uma compensação econômica, material. Podemos observar que muitas vezes isto ocorre entre os casais casados juridicamente. É possível perceber isto tanto nas mulheres quanto nos homens. Importante sabermos que o significado de Eros é amor, mas foi distorcido pela religião. Foi determinado como a parte ruim do aspecto amoroso. Realmente, Eros é o impulso que unifica os seres, a força de atração que fará com que as pessoas se unam para que daí possa ocorrer a vida. É o impulso do desejo de estar com a outra pessoa.
É um aspecto químico que provavelmente estará falando da energia que vibra, e que vem da família da outra pessoa, e que, nesta unificação que poderá resultar no nascimento de um outro ser, poderá ocorrer um maior equilíbrio nestas duas famílias. Quando há um bom desenvolvimento da sexualidade, a pessoa consegue sua prosperidade em todos os sentidos, pois a energia sexual é a energia da criação e do “fazer acontecer”. Quando estamos construindo um projeto ou mesmo concretizando-o, é utilizada a mesma energia do ato sexual. Isto significa que, se há harmonia na projeção desta força, ela será bem-sucedida em todos os aspectos. O contrário também é verdadeiro. Diante de muitos casos que atendo como terapeuta, observo que ao trabalhar o desbloqueio desta energia, a pessoa se desenvolve em todos os setores de sua vida. Tenho trabalhado em vários países, e percebo em todos eles existem dificuldades sexuais nas pessoas. Ser convidada pelo Renascer Saúde para realizar neste mês este encontro: “Sexualidade, um caminho… mais amor” a fim de colaborar com as pessoas neste sentido, me deixa muito grata, pois, quando um conhecimento é desenvolvido em um ser, ele se irradia e colabora com todos a sua volta! E alcança todo o planeta.

Sexo, net e casamento

Um fantasma assola as esposas: não mais a vizinha boazona mas uma máquina gélida – o computador. Mais propriamente, a net, em cujas curvas virtuais os maridos derrapam até às quinhentas da madrugada, atrás de conteúdos eróticos e, até, facadas no matrimónio. As alcovas são agora o Explorer, o Firefox, o MSN, o Hi5,Orkut e até o Tube8. A revista ‘Atlantic’ publicou um ensaio: ‘Será a pornografia adultério?’ Eis a questão: quando um dos cônjuges tem o hábito (geralmente secreto) de assistir a material porno, será que o outro se sente traído? E terá esse direito? Uma pesquisa nos EUA mostrou que só 30% das mulheres já se embrenharam num site erótico, contra 86% dos homens. O ensaio conclui que, bem mais do que as damas, os marmanjos alimentam o desejo com fantasias sexuais conscientes e pormenorizadas. Será mesmo assim? Até 40 anos atrás, a nossa cultura fingia que as mulheres não tinham sequer libido – nasciam mamãs abnegadas e fadas do lar. Ora, é cómodo esquecer que um dia, numa galáxia distante, o parceiro da vida já foi um príncipe encantado inspirador de taquicardias, e não o sapo que hoje ressona no sofá.
Creiam-me: também elas vivem as suas aventuras virtuais, realizando fantasias sem rupturas – depois, acolhem os esposos como se o dia tivesse sido mais um na rotina infinita. Bem, antes à tarde do que nunca. A revista acha que as escapadelas virtuais dos varões não devem suscitar ciúmes nas mulheres, na medida em que tal passatempo acaba por robustecer o erotismo masculino – e assim também beneficiar as consortes. A ideia é de que podemos pôr os palitos na nossa cônjuge (e vice-versa) sem lhe faltar com o respeito. Tenho as minhas dúvidas. A novidade cibernética, a meu ver, é esta: eles e elas encontraram na net um instrumento para compensar a insatisfação crónica com a vida que levam. Já não como as quimeras solitárias de uma ‘Madame Bovary’, mas numa espécie de ‘bovarismo a dois’. Hoje, o devaneio é sustentado pelo diálogo virtual com alguém que pode estar a milhares de quilómetros de distância – o que facilita imenso a duração do encantamento. Mas, pessoalmente, creio que um casal só funciona quando um consegue fazer parte das fantasias do outro. Senão, caímos numa cena de um dos meus romances, em que tanto o marido como a esposa falham o acto sexual. Ela resmunga-lhe: 'O que é que se passa? Também não consegues pensar noutra pessoa?' O MENINO CARLINHOS O príncipe Carlos fez 60 anos. Tem duas coisas a seu favor. Foi o único herdeiro do trono britânico que frequentou uma escola ao lado de outros meninos. E, graças a Camilla, não pode ser acusado de se apaixonar por uma mulher só pela beleza dela. Ainda assim, nem a mãe morre nem ele se torna rei. O TRENÓ DE OBAMA Diante do memorial a Lincoln, um marco de Washington, está o muro em que terráqueos deixam recados para Obama. Miríades de papelinhos pedinchões. A ‘Obamania’ ofusca até o Pai Natal. São t-shirts, canetas, balões, canecas e bonés com a foto do presidente eleito. Esperemos que no dia 20 de Janeiro tudo não se transforme numa abóbora. HOT DOG Suspense sobre o cão que habitará a Casa Branca, rendendo Barney, o cão de Bush. As apostas preferem um rafeiro, um labrador ou um poodle. Seja como for, o Mundo está em pulgas (os futuros visitantes esperam que o quadrúpede não esteja).

Puritanismos a "nú"

A nudez pode ser arte ou protesto, pode significar afeto ou defender causas humanitárias. Tornou-se uma manifestação de liberdade vencedora no mundo de hoje. É, portanto, intrigante que ela esteja sendo contestada agora no Brasil por atores e atrizes. Tudo bem, mas cuidado para não incentivar a censura.

Nudez não é coisa simples. Ela aparece logo nas primeiras páginas da Bíblia e de outros textos fundadores da civilização. Para Adão e Eva, tornar-se consciente da nudez é o resultado da mordida no fruto proibido – e logo eles sentem vergonha, fraqueza e derrota, diante de si próprios e diante de Deus. O grego Homero, no épico Odisséia, descreve os apuros do náufrago Ulisses nu diante da princesa Nausícaa – que no final gostou do que viu. No século XX, em seu esforço para desvendar o inconsciente, Sigmund Freud, pai da psicanálise, disse que o sonho de estar nu em público é comum a todos os homens. Apesar da ligação estreita com vergonha e fragilidade, contudo, não se pode dizer que essas sempre tenham sido as conseqüências da nudez: ao longo da história, em diferentes contextos, o corpo despido também expressou orgulho, desafio ou liberdade. Nas últimas semanas, a discussão sobre o significado da nudez para os brasileiros ressurgiu de onde não se esperava. Quem pôs o tema em circulação foi o ator Pedro Cardoso, em um discurso durante o lançamento de seu novo filme, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais. Ele depois fez o assunto render em seu blog.

LIMITES EM PAUTA Graziella Moretto e Pedro Cardoso, atores e namorados, falam de "pornografia disfarçada". Em manifesto, ele denunciou abusos na relação entre diretores e atores. Na última foto da seqüência acima, Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira: em Entre Lençóis, ele vetou um nu frontal, ela atuou de tapa-sexo e ficou a maior parte do tempo coberta: direito de veto estabelecido em acordo

Sua tese surge meio deslocada em um tempo em que a nudez em suas várias formas – como os biquínis com tecido insuficiente para fazer uma gravata-borboleta – parece ter vencido. Mas ele atacou com força, sustentando que toda a indústria do entretenimento no Brasil (inclusive revistas masculinas como Playboy, publicada pela Editora Abril, que edita VEJA) estaria tomada por uma mentalidade "pornográfica", que força os artistas a se expor e assim os degrada. A nudez está em toda parte. Está em novelas como A Favorita e Pantanal e em quase todos os filmes em cartaz com censura acima de 16 anos. O recém-lançado Entre Lençóis tem os atores Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira quase pelados todo o tempo. Alguns atores aproveitaram a oportunidade para revelar que despir-se diante das câmeras envolve sempre uma dose de aflição. Ninguém, entretanto, endossou o discurso de Cardoso, cuja ira se mostrou, afinal, isolada entre os seus colegas.

"Não acho que essa cor vistosa, que é a nudez, possa ser retirada da nossa palheta. Eu passei por constrangimentos ao longo da minha carreira e muitas vezes estava vestida" Maitê Proença, 50, protagonizou vinte filmes e dois ensaios de capa para revista masculina

Entre os apoios óbvios que Cardoso recebeu está o de Graziella Moretto, atriz e sua namorada, que afirmou desconhecer ator ou atriz que não se sinta "pessoalmente aviltado com a tênue linha que hoje nos separa da pornografia". Outras atrizes, que já se expuseram bem mais que ela, como Maitê Proença e Claudia Ohana, admitem que já se sentiram constrangidas, mas não necessariamente em cenas de nudez. Não deixa de ser intrigante que essa questão esteja sendo discutida no Brasil nos dias atuais. Quando a nudez é aceitável? Quando ela é ofensiva? E quem decide isso? Uma varredura cultural e histórica sobre essas questões nos leva a conclusões surpreendentes. É errada a idéia de que a "evolução da mentalidade", como dizia a geração que adorava tirar a roupa nos anos 60, vai sempre na direção de mais para menos roupa, de menor para maior permissividade. Cada cultura em cada era tem sua própria etiqueta e suas formalidades. Pruridos somem e reaparecem tempos depois. Essa é uma das graças da civilização.

"Não fico nem um pouco à vontade atuando sem roupa. Já fui convidada para fazer trabalhos em cinema, no Brasil e no exterior, que recusei por conta disso, achei apelativo. A nudez não pode ser maior que a história." Cristiana Oliveira, 44, participou de onze novelas e está no ar novamente como Juma, na reprise de Pantanal. Posou nua para revista masculina.

O Brasil está vivendo uma fase mais recatada? Talvez não seja uma fase. Para o antropólogo Roberto DaMatta, a tese de que o Brasil do biquíni e do Carnaval é particularmente permissivo em relação à nudez é enganosa. Do ponto de vista de sua disciplina, explica ele, o uso de roupas, ou a falta delas, responde a certas molduras ou rituais. No Carnaval, por exemplo, ninguém está realmente nu enquanto estiver coberto com algum elemento alegórico – ainda que seja a purpurina. E o regulamento da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um eloqüente exemplo das sutilezas envolvidas nas definições da nudez: um destaque pode desfilar com seios, nádegas e tudo o mais à mostra. Mas, se deixar cair o tapa-sexo, comete falta grave e sua escola perde pontos. "A fronteira entre a nudez aceitável e a obscena é uma dessas questões que não têm solução pronta", diz DaMatta.

"Quando uma cena de sexo é malfeita, quem está nu fica muito mais exposto. Eu mesma, no cinema, já fiz algumas que não gostaria de ter feito. Mas o nosso lado sensual precisa ser mostrado, é natural do ser humano." Claudia Ohana, 45, trabalhou em treze filmes, treze novelas e posou duas vezes nua

Tampouco na história da arte as demarcações são claras. Obras-primas universais foram objeto de censura em diferentes épocas. Pouco antes da conclusão das pinturas da Capela Sistina, um dos assessores do papa Paulo III advertiu Sua Santidade de que as imagens do Juízo Final criadas por Michelangelo eram mais adequadas a uma taverna do que a uma capela. Assim, em 1558, véus e folhas de parreira foram acrescentados a elas – e só retirados em restaurações recentes. A célebre Vênus de Milo, que incorpora o ideal de beleza feminina da antiga Grécia, também já foi alvo de repúdio: em meados do século XIX, foi objeto de um processo num tribunal alemão e "condenada" como imoral. Meses atrás, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconni demonstrou que o pedigree de uma obra de arte não basta para pô-la a salvo de reservas: ele mandou encobrir o seio de uma figura alegórica pintada por Giovanni Battista Tiepolo no século XVIII, pois o quadro adorna a sua sala.

Vários tipos de justificativa são apresentados quando uma obra de arte com figuras nuas é censurada – do simples pudor até as teorias mais complicadas. Um argumento clássico é o de que o "nu artístico", ao contrário do "nu vulgar", não desperta sensações carnais no espectador. Esse argumento foi desmontado pelo crítico inglês Kenneth Clark. "Se um nu deixa de despertar no espectador um vestígio de sentimento erótico, por menor que seja, ele não é apenas arte ruim como falsa moral", escreveu Clark. Mais recentemente, a crítica americana Camille Paglia sustentou que a grande arte não se mistura apenas ao erotismo, mas, em certas ocasiões, também à pornografia – quando explora "as forças extremas do instinto e da sexualidade atuando por baixo das convenções sociais".

LIBERTÁRIA E HUMANITÁRIA A partir do alto, em sentido horário, Lennon e Yoko em capa de disco; foto de Spencer Tunick contra o aquecimento global; folhinha do time de futebol feminino da Austrália; e jovem do movimento Peta em campanha pelo vegetarianismo

Na segunda metade do século XX, um novo fenômeno despontou com os movimentos hippie e beatnik: a nudez como forma de protesto social. Nos anos 80, os protestos envolvendo pessoas nuas passaram a fazer parte do repertório de entidades humanitárias. A ONG americana Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), por exemplo, opõe-se ao uso de peles na indústria da moda conclamando ativistas e celebridades a tirar a roupa em suas manifestações. Mais recente ainda é a chamada Naked Charity (caridade nua). Todos os anos, pelo menos 100 calendários beneficentes com pessoas nuas são lançados nos Estados Unidos e na Europa, para ajudar menores carentes, pesquisas de combate ao câncer ou desabrigados por desastres naturais. "Esses calendários são uma provocação aos códigos, em que pessoas exibem corpos fora dos padrões estéticos valorizados, e por isso chamam atenção", diz o antropólogo José Carlos Rodrigues, da PUC do Rio de Janeiro. No Brasil, uma entidade de apoio a crianças com câncer chamada Graacc produziu, em 2006, um calendário com onze voluntárias, de 50 a 81 anos, todas seminuas. Foram vendidas 10 000 unidades. A atração pelo nu é explorada ainda pelo fotógrafo americano Spencer Tunick, que roda o mundo fotografando grupos de pessoas peladas. Em 2002, ele conseguiu atrair 400 voluntários nus no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Recentemente, levou uma legião aos Alpes suíços, para protestar contra o aquecimento global.

Em seu blog, Pedro Cardoso sustenta que a nudez da televisão e dos filmes, na verdade, é uma deturpação de todas as manifestações legítimas da nudez, da arte real às passeatas para proteger os animais. Ela seria algo assim como uma forma de dominação imposta pelo "sistema" – e por isso deveria ser banida. Nesse ponto, seu pensamento se aproxima do de feministas americanas como Andrea Dworkin e Catherine McKinnon, que atacaram a indústria pornográfica sustentando que ela era um fator de escravização política e econômica da mulher. "A pornografia", dizia McKinnon, "institucionaliza a supremacia masculina." No começo dos anos 90, essas feministas conseguiram inclusive a aprovação de uma lei no estado de Indiana, banindo qualquer tipo de material que mostrasse "a subordinação gráfica e sexualmente explícita de mulheres, em palavras ou imagens". A lei foi contestada na Suprema Corte americana, que a declarou inconstitucional, por ferir o direito básico de liberdade de expressão. Essa tem sido a diretriz da corte em julgamentos semelhantes desde o fim da década de 50 – a exemplo da história da liberação do filme Os Amantes, de Louis Malle. Ainda que resulte em produtos ofensivos, ou até repugnantes para certos grupos, diz o tribunal, a liberdade de expressão deve ser preservada, pois é um dos pilares da democracia. Outro exemplo clássico dessa linha de atuação é a vitória de Larry Flynt, dono da revista pornográfica Hustler, em processo movido por um pastor alvo de uma paródia sórdida, em que perdia a virgindade em incesto com sua mãe. O que pode haver são restrições – impedindo que a pornografia, por exemplo, circule em qualquer lugar ou atinja as crianças.

RIDÍCULOS HISTÓRICOS A Vênus de Milo foi considerada obra obscena em julgamento na Alemanha, no século XIX. Em pleno século XXI, o premiê italiano Silvio Berlusconi mandou cobrir um seio no quadro atrás de sua mesa, uma obra-prima de Giovanni Battista Tiepolo

Esse é, aliás, o limite para a nudez em sociedades como a americana – ou a brasileira. Controlá-la para impedir que atrapalhe o desenvolvimento de crianças faz sentido. "A exibição de conteúdo erótico na televisão, ainda que eventual, pode afetar as crianças mais do que se imagina", diz o psicanalista Joel Birman. "Elas são seduzidas sem perceber, e o resultado pode até mesmo ser traumático." Bani-la para satisfazer adultos melindrosos ou puritanos é um erro (e não é descabido lembrar que a vida ascética costuma ser uma marca dos grandes autoritários – como Hitler ou Stalin). Mais vale a filosofia expressa – com a ironia e o exagero típicos dos modernistas, é claro – por Carlos Drummond de Andrade no poema Em Face dos Últimos Acontecimentos: "Oh! sejamos pornográficos / (docemente pornográficos). / Por que seremos mais castos / Que o nosso avô português?".

Trecho do livro "Sexo no Capitólio", de Jessica Cutler

Capítulo 1 Apenas entre nós, meninas, Washington, DC, é um lugar fácil para se conseguir transar com alguém. Não que eu fosse a garota mais bonita da cidade nem nada. Normalmente não era nem a garota mais bonita da sala. Mas posso lhes dizer com certeza que não era minha personalidade que trazia todos os caras até mim. Era uma simples questão de economia: oferta e procura. Washington não tem aquelas indústrias que atraem Gente Bonita, como entretenimento e moda. Em vez disso, tem o governo, também conhecido como a “Hollywood dos Feios”. E sem a população de modelos-atrizes para competir, minha cotação cresceu rapidamente quando me mudei para a capital. Não era preciso muito para fazer as cabeças se virarem por lá. Todo mundo estava a fim e tornava isso bem óbvio. Washington era uma cidade cheia de jovens solteiros e casados entediados, todos desesperados para se ligar a, bem, qualquer pessoa. Tudo o que você tinha de fazer era dizer oi a alguém, e eles eram seus. Se quisesse, você podia ir para casa com um homem diferente a cada noite da semana. Tantos homens, tão pouco tempo. Como eu poderia perder isso? O lado ruim era que quase todo mundo em Washington era nerd e inseguro.
Até os de melhor aparência tinham aqueles esqueletos de nerds nos armários. Isso era especialmente verdade quando se tratava de alguém que trabalhava com política. Só um nerd ficaria atraído pelo poder legislativo, entre todas as coisas. Os nerds amam a idéia de criar regras para as pessoas, não amam? Eles verdadeiramente acreditam que deveriam tomar todas as decisões por nós, só porque fizeram pós-graduação. Quer dizer, você consegue citar o nome de pelo menos uma pessoa legal na política? Simplesmente não há nenhuma. Se qualquer um de nós fosse verdadeiramente legal, estaríamos morando em Nova York. Cheguei a Washington via Manhattan, e tinha construído uma boa vidinha para mim por lá antes de estragar tudo. Em Nova York, quer dizer. E, sim, acho que isso aconteceu em Washington também, porém foi mais tarde. Nova York veio primeiro. Todos nós crescemos com grandes sonhos de nos mudar para Nova York e viver a Vida Glamourosa, mas eu estava presa a uma bolsa de estudo de quatro anos na Syracuse University, enquanto minhas amigas foram para a New York University, Columbia ou uma das muitas escolas de “arte e design” de Nova York. Nos intervalos das aulas na Syracuse, eu andava com dificuldade pela neve suja para conferir meus e-mails em uma das unidades de informática do campus. A lama marrom em minhas botas práticas e razoavelmente caras da L.L. Bean se transformava numa poça sob meus pés enquanto eu lia sobre os clubes e as situações loucas que minhas amigas estavam vivendo em Nova York. Estavam todas lá, divertindo-se e vivendo coisas fabulosas sem mim, enquanto eu padecia em festas de barris de chope e lutava para cumprir meus prazos no jornal da universidade.
Nunca poderia superar a sensação de que estava perdendo alguma coisa: eu tinha de sair de Syracuse o mais rápido possível, antes que ficasse louca de tédio. Apenas pelo mérito de meu currículo, consegui uma entrevista na editora Condé Nast, em Nova York. Eu tinha ganhado de incontáveis aspirantes (que incluíam muitos de meus colegas de classe em Syracuse) a chance altamente invejada de me tornar uma Condé Nastie. Essas eram as Grandes Garotas: Vogue, Glamour e, naqueles tempos, Mademoiselle, a revista que contratou minha melhor amiga, Naomi, logo que ela saiu da escola de jornalismo de Columbia. Eu conhecia Naomi desde o segundo ano, quando ainda vestíamos roupas pouco femininas da OshKosh B’Gosh e grudávamos meleca nas outras crianças quando elas não estavam olhando. Não seria fantástico se nós duas acabássemos trabalhando na Condé Nast? Telefonei para contar a novidade a ela, que me parabenizou por conseguir uma entrevista, mas me alertou que, se eu não “mostrasse posição”, o RH me mandaria para casa sem nada, a não ser uma pilha de revistas como brinde. — Certifique-se de estar com uma boa aparência, Jacqueline! — disse ela. — Faça uma boa refeição e consiga uma manicure antes de vir.
E você pode malhar um pouco também. Eu sabia que as garotas em Nova York pareciam modelos, mas esta era uma entrevista de emprego, não um quadro de avisos num spa. No entanto, eu tinha um currículo excelente e uma personalidade agradável. Como eles poderiam não me contratar? Obviamente, eu tinha muito o que aprender. — Então, como foi? — perguntou Naomi. Nós nos encontramos do lado de fora para fumar um cigarro depois da minha entrevista. Eu não fumava, mas gostava de fingir que sim. Fumar parecia tão bem em mim. Além do mais, aquilo me dava algo para fazer sempre que eu me sentia preguiçosa e com vontade de ficar do lado de fora. Abri a bolsa L.L. Bean Boat and Tote que eu usava, percebendo que ela não combinava muito com o pesado terninho de gabardine que eu estava vestindo em junho. Era o único terno que tinha na época — e estava todo errado. Tudo em mim estava errado: eu tinha prendido os cabelos num rabo-de-cavalo bagunçado, pois estava suando com toda aquela roupa de lã, e meus deselegantes sapatos Nine West precisavam ser engraxados; mas por que se preocupar com sapatos brilhantes de U$40? Sem maquiagem, sem bronzeado, sem manicure: errado, errado, errado. Mostrei a Naomi a pilha de revistas de brinde que a gerente do RH tinha me dado antes de apontar a saída. — Eles teriam lhe dado um emprego — Naomi disse —, se você tivesse se arrumado do jeito que falei. Naomi estava usando um vestido com estampa de girafa de Tracy Feith, sandálias douradas de saltos finos e grandes pulseiras de ouro nos braços.
Isso era o que as funcionárias de nível subalterno usavam nos escritórios da Condé Nast. Ela parecia estar na Vogue, parecia estar na Mademoiselle. Naomi mostrava posição. Então percebi como eu parecia grosseira em comparação a ela. Precisava de uma transformação radical o mais rápido possível. — Eles fizeram você se sentar numa das Cadeiras Magrelas? — Naomi perguntou, mas eu não tinha certeza do que ela estava falando. — Elas têm essas cadeiras lá — explicou. — Se sua bunda sai pelas beiradas quando você se senta, não contratam você. Ela olhou para o meu traseiro. — Acho que você não se encaixou — concluiu. — Muita pizza e cerveja lá em Syracuse — expliquei, envergonhada por ser grande demais para ser uma das Grandes Garotas da Condé Nast. Naomi pareceu horrorizada. — Garotas de Nova York não comem — ela disse. — Aprenda isso. Viva isso.

Sexo é atividade gratuita favorita de britânicos

Em tempos de crise financeira, o sexo se tornou a atividade gratuita favorita dos britânicos, de acordo com uma nova pesquisa online. Cerca de 37% dos mais de 2 mil adultos entrevistados apontaram o sexo como passatempo grátis predileto. No questionário de múltipla escolha, constavam ainda as opções "conversar com amigos", "olhar vitrines", "ir a um museu", "nenhuma destas opções" e "não sei". A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 23 de novembro pela empresa YouGov para a Terrence Higgins Trust - uma das principais instituições de caridade britânica voltada para portadores de HIV e em defesa de uma vida sexual saudável. A organização, que faz campanha pelo sexo seguro, elogiou o fato de que foi registrado um aumento nas vendas recentes de preservativos no país. Escoceses Os escoceses foram os que mais votaram na opção "fazer sexo" - cerca 43% dos entrevistados. A segunda alternativa mais votada pelos internautas foi "nenhuma destas opções", com 25% de preferência. "Conversar com amigos", recebeu 18% dos votos, "olhar vitrines", 9%, e "visitar um museu", apenas 6%.

As 'bobagens' que Jolivaldo Freitas transformou em livro

Falar de sexo, em pleno século XXI, ainda é tabu. Não para Jolivaldo, que sabe falar de assunto polêmico como esse, sem chocar, sem bloquear o interlocutor. "Vulgar – Brincando de Sexo & Outras Bobagens", é um livro feito para brincar e ao mesmo tempo para nos guiar pela seriedade do tema e nos instigar a encarar a vida com um sorriso largo, como faz seu escritor, que tira do sério até os mais sisudos.

Sexo para o autor do livro é algo que eleva a alma humana ao ápice de sua existência. Não que o ato sexual, em si, seja a última instância do vivente na Terra. Isso, não. Mas Jolivaldo fala de atos aparentemente banais da vida, de uma forma tão peculiar e especial, que tudo vira festa. Sexo bem feito, com a esposa ou com a prostituta da rua, tira o peso da responsabilidade que a vida impõe. Fazer sexo, falar de sexo, sempre é bom. Que me perdoem os puritanos, ou puristas, os assexuados. Mas sexo é necessário, faz bem ao corpo e à alma, não é carnaval apenas. Sexo é sexo. E se praticado com assiduidade, mantém a jovialidade do corpo e da mente. E o livro traz lições tiradas da vida pelo olhar aguçado, pela vivência do escritor Joli, que transformou fatos triviais em literatura, boa literatura baiana!

"A menina da janela" não é besta, não. Quem disse que ela se engana com piscadinhas e galanteios de um jovem pretendente? Com seu jeitinho inocente, essa menina nos passa uma lição: ela parece boba, mas de boba não tem nada. Em outra passagem do livro Jolivaldo brinca com um incesto às avessas, em que mãe, filha e padrasto se relacionam: nada pecaminoso, nada vulgar. Mas falemos de 'bobagens', de pensamentos, e de piadas de sexo. Afinal, o livro do Joli (já estou me sentindo parte do rol dos amigos) nos remete à infância, em que falar sobre sexo, ouvir ou fazer sexo era apenas uma nuvemzinha negra na cabeça dos meninos e meninas pervertidos e candidatos ao purgatório. Aprendi, desde criança, que não deveria, jamais, fazer sexo fora do matrimônio. E que deveria viver eternamente com a pessoa amada...

A eleita se foi, e me deixou com meus pensamentos e sonhos. Joli me salvou, pois agora sei que posso falar sobre sexo e sorrir das minhas limitações e das demais pessoas. Os medos e os preconceitos se foram... Viva Joli e a Revolução Sexual! Vamos rir das bobagens que acreditamos por anos serem verdadeiras e adotar este livro como livro de cabeceira. Se não nos livrarmos dos maus entendidos, pelo menos aprendemos que sexo é saudável, é gostoso, e estimula a leitura de literatura relativa ao tema. Sem nenhum constrangimento, sem falso pudor.

Além de sexo, as "bobagens" do livro são reflexões sobre patrimônio histórico, política baiana, modo 'pobre' de viver (mesmo sendo rico), exame de próstata e tantas outras pérolas da nossa vida cotidiana, vistas com um olhar aguçado, literário e literal, brincalhão, sagaz e didático do jornalista e escritor Jolivaldo Freitas. Ele é um mestre que apresenta toda esta riqueza de patrimônio cultural aos baianos que, muitas vezes, fingem não ver – ou não vêem mesmo – o que é que a Bahia tem de bom e de melhor. É o Joli, espontâneo e sorridente, o profissional da imprensa, que nos brinda com este presente, que ele chama de "Vulgar" e de "Outras Bobagens". No entanto, de vulgar e de bobagens o livro não tem nada. Jolivaldo Freitas é jornalista e estreou na literatura em 1976 com o livro de contos "Cemitério de Cães Noturnos". Em seguida, em 1978 lançou o livro de poemas "A Lâmina no Coração", pela Editora da Terra, vindo a seguir o livro-saco de poemas "Malvinas – Autofagia", com poemas de guerra. Em 1984 lançou a novela "Amor Roxo", pela Editora carioca Shogun, onde aborda de forma ficcional os últimos dias de Lampião e Maria Bonita.