Laranjinha Poderoso fala de sexo na balada

  • Ele não é um remédio, mas um personagem. Muito fofo, diga-se de passagem. Passagem, aliás, por aquele seu bar predileto. Mesmo na noite de domingo a domingo, ele tem uma função nobilíssima, considerando um assunto que ainda é tabu: motivar homens a buscarem tratamento para disfunção erétil. Isso é um trabalho para o Laranjinha Poderoso!
Produto do laboratório Medley, terceira colocado no ranking brasileiro das indústrias farmacêuticas, ele é o astro da nova etapa de uma bem sucedida campanha criada pela agência Arteria, com veiculação pela New Ad, pioneira em mídia indoor no Brasil. Com frases como "Beba com moderação. Ame com segurança. Conquiste com poder", o Laranjinha tem como missão ir onde o povo, principalmente do sexo masculino, está: nos bares. Fortaleza é a primeira cidade em 2008 a receber o Laranjinha Poderoso, estampando em boards nos banheiros masculino e bolachas de chopp das mais badaladas casas. A ação, que contempla também promotoras, atingirá cerca de 150 mil pessoas. As próximas praças a receber o nosso herói serão Recife e Salvador.Com esta campanha, a NewAd, autora da primeira peça do segmento no mundo a ganhar o famoso Leão em Cannes, em 2006, inova falando sobre saúde de maneira leve e direta.Mais informações em www.laranjapoderoso.com.br

"O sexo não é só uma relação entre o pénis e a vagina"

  • Homens e mulheres, prestem atenção: o desafio do próximo milénio é fazer-vos entender o papel da estimulação da zona do clítoris durante o coito. Isto pode parecer estranho a alguns (e a algumas, que sempre se julgaram menos do que as outras), mas, na maior parte dos casos, a penetração não basta para fazer uma mulher ver estrelas. Palavra de Marta Crawford, sexóloga sem medo de palavras como clítoris, vagina, pénis, fellatio, cunnilingus. Pronuncia-as com à-vontade porque nada do que é humano, desde que praticado entre adultos e consentido, lhe é estranho. Está tudo, com suficiente detalhe e desenhos educativos, em “Viver o Sexo com Prazer, um guia da sexualidade feminina” e resumido nesta entrevista. Para ler e aprender...
Depois de ‘Sexo Sem Tabus’, escreve ‘Viver o Sexo com Prazer, um guia da sexualidade feminina’. Porquê? Era o plano da editora: um livro mais genérico, dirigido aos dois sexos, um dirigido às mulheres, outro aos homens e um aos jovens. Porquê primeiro o da sexualidade feminina? Porque a masculina é um tema mais batido, sempre se viu a sexualidade sob o prisma masculino, as mulheres estavam lá mas tinham o papel secundário do filme. Era suposto acompanharem o homem no prazer que ele deveria ter. Embora isto seja de um tempo muito antigo, o facto é que muitos casais ainda funcionam assim. Sem prazer feminino? Os casais têm relações, com regularidade ou não, e muitas mulheres não têm prazer nas relações sexuais, mas acabam por participar para manter o equilíbrio do casal. O que digo é que é possível ter-se prazer na sexualidade, mas se calhar é preciso trabalhar algumas coisas para não ser um frete. A sexualidade masculina é mais simples? Não, o prazer feminino é talvez mais contextual, implica uma série premissas, ao nível da relação com o corpo, questões da vida, da casa, dos afectos, o que não significa que as mulheres só funcionem sexualmente quando estão muito apaixonadas, mas têm de se sentir bem na situação, são menos imediatas. No caso masculino, a estimulação é muito mais rápida. Não são necessários tantos estímulos para que um homem atinja uma certa excitação ou queira iniciar uma relação sexual e chegue até ao fim. Já a mulher reage na maior parte das vezes a uma estimulação directa da zona genital, mas são necessárias outras condições. Porque razão oferecer um vibrador a uma mulher pode considerar-se uma ofensa?_ Os brinquedos sexuais parecem uma coisa para as mulheres pervertidas, que não têm parceiros ou não ficam satisfeitas com eles. No mercado existem objectos que permitem à mulher obter níveis de prazer mais elevados, nomeadamente quando, nas relações sexuais com os seus parceiros, não há uma estimulação clitoriana. O coito não basta? Estou numa espécie de campanha para tornar claro que o que não é frequente é as mulheres atingirem o orgasmo só através do coito. O_orgasmo vaginal é um mito. Mas as mulheres sentem-se anormais se isso não acontece. O propósito é o orgasmo vaginal, através do coito. Freud falou nisso: as mulheres que atingiam o orgasmo através da estimulação clitoriana seriam imaturas. Enganou-se. Mesmo porque o fundo da vagina não tem grande sensibilidade, a maior parte desta está na zona anterior, nos primeiros centímetros da entrada e na zona clitoriana. O clítoris tem mais sensores nervosos, mais até do que o pénis, e tem apenas essa função: na maior parte das mulheres, é a zona que lhes dá maior prazer, mesmo que a estimulação não seja lá em cima mas ao lado. O_que pode acontecer quando não há estimulação clitoriana? Saturação e querer despachar o assunto. É o que acontece quando se entende que aquilo que é uma coisa óbvia – estimular durante o coito – não faz parte. Ou então que a mulher é uma coitada pois não consegue atingir o orgasmo de outra forma. Não é verdade, a mulher não é uma coitada porque precisa de estimulação nessa zona. Há mulheres que sentem muito prazer com a penetração. Claro. O que digo é que com a maior parte, 90 por cento, isso não acontece. O sexo não é só uma relação pénis/vagina. Isso é do tempo em que a sexualidade tinha a ver com a procriação. Elas queixam-se nas consultas? Há muitas que dizem sentir-se incompletas, pensam que talvez fosse diferente com outra pessoa. Pode ser um problema ao nível do casal, alguns funcionam sexualmente melhor do que outros, mas também tem a ver com comunicação e habilidade do parceiro. O que dá prazer ao homem pode não ser o que dá maior prazer à mulher. Não há aqui há um desencontro fundamental? A sexualidade tem sido vista à luz do prazer masculino – por isso se considera que o coito é a forma eleita de dar prazer aos dois. Mas, se continua a insistir-se na mesma fórmula, a mulher nunca sentirá prazer. Porque a obsessão em atingir esse orgasmo é tal que se despreza a estimulação de outros sítios. Então é que mulher perde a competência para chegar lá. Os preliminares não ajudam? Muitos casais dizem ‘nós fazemos um período de preliminares e depois passamos ao coito, ao sexo’, ou seja, a mulher já está excitada e esse grau de excitação devia continuar até conseguir atingir o orgasmo. Muitas vezes isso não acontece. Porquê? As mulheres passam por muitos altos e baixos na sua capacidade de excitação, lubrificam mais num certo período, depois deixam de lubrificar e é preciso voltar de novo a um tipo de estimulação mais particular, mais fininho ou mais intenso. É um jogo para o qual é preciso ter disponibilidade. Também é_importante que a mulher perceba como é que o corpo vai respondendo à estimulação, seja genuína e diga aquilo que quer. Muitas mulheres não têm muito prazer mas já estão saturadas e só querem é que a relação termine, que o parceiro ejacule. O clítoris pode ser o tal sininho ao som do qual se diz a missa? Há mulheres que detestam ser tocadas directamente no clítoris mas o que é certo é que indirectamente sentem prazer. O clítoris é a única parte do corpo da mulher sem outra função além de dar-lhe prazer. Há que conjugar as diversas formas de obter prazer no jogo amoroso. Não há uma eleita. Não sei se o clítoris é o sininho ou o tal botão mágico mas facilita. O tamanho do pénis do parceiro importa? Pensar que um pénis grande é garantia de muito prazer feminino é um mito. De facto, se homem não for habilidoso e atencioso às necessidades da parceira, de nada lhe vale um pénis grande. Pode impressionar a mulher e levá-la a fantasiar – também pode ser assustador...– mas terá pouco interesse se o homem não souber usá-lo. O ponto G existe mesmo? Supostamente, o ponto G, uma espécie de anel esponjoso de tecido eréctil, fica a três ou quatro centímetros da entrada anterior da vagina, por baixo do osso púbico, junto à zona da uretra. Há mulheres que referem ter muito prazer com a estimulação desta zona. É assim tão importante? Sou um bocado céptica em relação a tudo o que é vendido nas revistas cor-de-rosa como o novo santo Graal, primeiro o clítoris, depois os multiorgasmos... no fundo obstáculos que fazem a mulher sentir-se sempre abaixo do exequível. Agora cria-se outro patamar em que a mulher para ter um prazer extraordinário tem de ter um Ponto G e anda tudo à procura dele. O pénis não toca no Ponto G, mas o Ponto G quer ser estimulado ou através da masturbação ou de um vibrador especial. Andar à procura até pode ser engraçado, mas não faz sentido centrarmo-nos no ponto G só porque alguém vendeu o ‘produto’, nem julgar que as mulheres que não o têm são piores do que as outras. As revistas cor-de-rosa também falam muito de sexo anal. Antes não se falava de sexo anal, mas sempre se praticou. Quando as mulheres estavam menstruadas ou grávidas optavam pelo sexo anal. Também as que não queriam perder a virgindade o faziam, o que tem o seu lado cómico... mais uma vez, o sexo lícito é o sexo vaginal. Há a ideia de que o ânus tem a ver com sujidade ou com a homossexualidade. Falar abertamente de sexo anal faz com que as pessoas não tenham medo de pensar sobre isso e até se disponham a experimentar de uma forma que não crie prejuízo. Como as pessoas não me vêem exactamente como alguém pervertido, suponho que pensem ‘se ela fala é porque há outra perspectiva’. O sexo anal não é mais uma fantasia masculina? Penso que as mulheres que fazem sexo anal gostam, mas é importante que cada casal o faça de uma forma satisfatória para os dois e não só para o homem. Esse é o truque em relação a seja o que for. Há mulheres que não gostam de fazer fellatio, só que os homens gostam muito e elas não estão ali para tirar-lhes o prazer. Mas elas também gostam de cunnilingus. Tem de fazer-se o contraponto. Há casais que fazem tudo, há casais que só gostam de fazer uma coisa e não outra. Tudo bem, é a maneira de funcionar daquele casal, não tem de existir um menu e fazer-se o “check list”. Ou seja, cada um sabe de si? É mais: na sexualidade cada coisa vale por si, um beijo, um abraço, não é preciso ir até ao fim. Só que as pessoas estão preocupadas em atingir o orgasmo, que dura mais ou menos dez segundos – é contar até dez e já passou – que não usufruem do resto, das massagens, dos beijos. O orgasmo é bom, mas só pelos dez segundos mais vale comer um gelado. [risos.] Em ‘Viver o Sexo Com Prazer’, refere-se a uma paciente que sentiu o primeiro orgasmo aos 36 anos através da masturbação. Era uma mulher que nunca tinha masturbado. Tinha dificuldades na relação sexual com o parceiro, não experimentava prazer mas dor. Tudo era no sentido negativo. O que aconteceu? No início, a terapia é muito orientada para a sensualidade, mais genérica. Programam-se sete sessões de 15 em 15 dias. Ela levou algum tempo até que acontecesse. Sentia-se ridícula a masturbar-se. Mas acabou por criar um ambiente especial na sala, estava sozinha, os filhos dormiam. Quando aconteceu ela não sabia o que era aquilo. Não disse ao marido. Ele só soube durante a terapia. Depois ela começou a sentir umas coisinhas. Ela, que não sentia absolutamente nada, começou a sentir uma certa excitação. Nunca tinha usado lubrificantes, começou a usá-los. Para uma mulher que não lubrifica a relação coital é do pior que pode haver, a fricção é dolorosa. E quanto ao sexo oral? Há homens que pensam que o cunnilingus é só lamber... Pois... se calhar também há homens incompetentes. Isto não é contra eles. É dizer-lhes ‘abanem-se lá’. Eles passam a vida a dizer que as mulheres não querem ter relações sexuais, mas se calhar é porque eles são incompetentes, não porque elas são frígidas, termo que já nem sequer existe. Temos de elaborar um bocadinho mais. Pensar ‘o que é que se está a passar?’. E o que é que se está a passar? Se eles souberem ouvir e ver elas tornam-se mais disponíveis. O que acontece é as mulheres dizerem ‘ele só quer é aquilo’. Se ela sabe que ele só quer aquilo, então ele fica sem nada. São as pequenas atenções que fazem com que uma pessoa tenha mais desejo. Tudo o que já está completamente estipulado e que não surpreende acaba por cansar. Há homens que parecem não gostar muito de estimular oralmente as mulheres... E há a atitude francamente machista de sentido oposto que é as mulheres acharem, em relação ao fellatio: ‘é uma coisa que eles gostam e eu faço porque eles gostam; não me importo’, mas em relação ao cunnilingus pensam: ‘mete-me nojo ou acho que ele não vai gostar – dizem que tem um cheiro qualquer a peixe –, o melhor é não fazer.’ Ora, há mulheres que têm grande prazer nisso porque é uma estimulação muito directa, que vai directamente aos sítios, estimula a zona clitoriana, as virilhas... Quando há conjugação da estimulação oral e digital, as mulheres têm muito prazer. Naturalmente, não é uma lambidela de alto a baixo durante um minuto. Deve haver da parte da mulher um incentivo a que o parceiro, ou parceira, continue. Há uma quase genérica resistência à utilização do preservativo no sexo oral. É uma ideia corrente e errada a de que não se apanham doenças no sexo oral e é difícil passar a ideia de que tem de se usar o preservativo. Há muitos jovens, e não só, que ainda pensam “como ele (ou ela) é bonito, não tem doenças”. Depois da menopausa, as mulheres também pensam que ficam imunes, associam não engravidar a não apanhar doenças. Mas há uma série de doenças que são transmitidas através do sexo oral, portanto tem de se utilizar o preservativo. Obviamente que, numa relação de confiança e alguma regularidade entre um casal que se entenda como estável, não é preciso usar, embora o sexo oral seja mais frequente em relações ocasionais, como primeira forma de abordagem. É preciso usar o preservativo. Torna tudo mais higiénico e até evita alguns constrangimentos, relacionados com lubrificação excessiva, sabores que se consideram desagradáveis ou a ejaculação na boca da parceira quando ela não gosta. É ridículo não usar preservativo. Mas é complicado, nomeadamente no caso do cunnilingus. Sim, pode ser complicado, se pensarmos que podíamos estar a fazer outra coisa qualquer. Mas uma toalhinha de látex, um bocado de papel aderente, uma luva cortada ou o preservativo cortado permite que se faça à vontade pois não há transmissão de doenças e isso torna-nos mais livres. Qual é o mal? Até é divertido. O que diz às mulheres que fingem ter prazer quando não têm? São elas que perdem porque o parceiro, normalmente, tem. Da parte feminina, o fingimento faz com que eles repitam exactamente o mesmo procedimento e não aprendam. Há a ideia de que eles ficam chateados se lhes disserem. Outras receiam que se transforme numa obsessão, que se disserem ‘não consigo atingir o orgasmo’ eles ficam ali a insistir e é uma pressão para a mulher aquela ideia de que tem de ter um orgasmo em cada relação. Há mulheres frígidas ou homens incompetentes? Há mulheres e homens que são pouco habilidosos. Também não vou dizer que todas as mulheres estão completamente disponíveis para dar prazer aos homens. Mas há uma premissa de que ‘sexo é coito’. ‘Prazer só no coito.’ ‘O coito é suficiente para a mulher atingir o orgasmo.’ Os homens correspondem a estes parâmetros porque é mais fácil, eventualmente gostam mais que haja uma relação coital e também não dá muito trabalho. Mas é preciso dar aqui uma grande volta e encontrar novas formas de dar prazer um ao outro. Dizia-se que as mulheres eram frígidas. Talvez fossem mal estimuladas. Uma mulher satisfeita vai decerto procurar ter relações sexuais mais frequentemente. Terceira idade significa necessariamente o fim do sexo? A sexualidade na terceira idade sempre foi vista como uma coisa pouco própria. Ninguém imagina os avós ou os bisavós na cama. Mas não tem de ser pouco própria. E não é. Não é porque se tem mais quilos ou celulite que o sexo não pode acontecer. O sexo não tem prazo de validade desde que o casal tenha vontade e disponibilidade para continuar a explorar o próprio corpo. Há alterações físicas e fisiológicas que, de alguma forma, podem comprometer a sexualidade tradicional, a tal coital, e então ‘se não há penetração, acabou-se a minha vida sexual.’ Porquê? Não há outras maneiras de obter prazer? Há. Mas, se na minha cabeça a única forma de sexo é aquela, tudo o resto fica aquém e é desnecessário. Voltamos à história dos dez segundos de orgasmo. O que é então o sexo? É muito mais do que uma relação pénis/vagina. É comunicação, conseguir uma liberdade na relação de forma a dar e receber, é ter espaço para a ternura, para a sensualidade. Repare que a definição da OMS nem sequer refere a relação coital, o que é interessante. Mas esta troca entre as pessoas é essencial para o bem estar dos seres humanos. Diz-se que somos cada vez mais sociedades sem Deus. Não temos ainda vergonha do olhar Dele? É uma vergonha que nos chega através da educação. Mesmo se não há tantos católicos praticantes, mesmo que não pratiquemos, sentimo-nos todos católicos ou, pelo menos na nossa infância e juventude, herdámos essa forma de pensar católica. Eu tive uma instrução católica bastante intensa e penso que caridade, dar e receber são princípios básicos do catolicismo. Não se pode repudiar a homossexualidade, por exemplo. Não se pode dizer que é uma coisa do demo. As pessoas não escolhem ser homossexuais. Ninguém tem nada a ver com isso, desde que sejam dois adultos e os dois queiram. Como é que, com essa educação católica intensa, acaba por escolher o caminho da Sexologia? O meu percurso foi muito normal. Fiz o curso não perspectiva de ser psicóloga, trabalhei primeiro como actriz. Só nos últimos anos me apaixonei pelo curso de Psicologia. Porque a parte prática era mais ou menos como estar num palco. No último ano tínhamos de fazer o estágio académico e surgiu a hipótese de fazê-lo, no Hospital Júlio de Matos, na área da Sexologia. Fui influenciada por um colega que agora também é sexólogo. Fui e já não saí. Primeiro comecei a assistir, depois a ter os meus próprios casos. A minha tese final foi sobre trasnsexualidade, uma realidade muito difícil. Desde que fez o programa ‘AB..Sexo’ na TV, costuma ser abordada na rua? O tipo de abordagem é para confirmar se sou a Marta Crawford – quando não e maquilho sou uma rapariga discreta e ando sempre de óculos escuros – ou esclarecer alguma dúvida. Bocas foleiras nunca ouvi. Uma vez, um senhor seguiu-me até ao interior de uma loja para expor o seu problema. Tentei fazer-lhe ver que aquele não era o sítio indicado, mas ele continuou, ainda por cima em voz muito alta, porque era surdo.

Chocolate ou Sexo ?

  • Esta foi uma das perguntas de uma pesquisa feita por uma revista semanal, entre os seus leitores. Os mais experientes, esperavam a resposta óbvia, mas, para seus espantos, a resposta que venceu foi o chocolate. Foi então realizada outra entrevista, pedindo para que fossem enumerados os principais motivos. Confira as respostas:

1. O chocolate satisfaz mesmo quando amolece.2. Você pode comer chocolate no carro sem ser interrompido pela policia.3. Você pode comer chocolate na frente da sua mãe.4. Se você morder com força, o chocolate não grita e não reclama.5. Duas pessoas do mesmo sexo podem comer chocolate juntas sem serem chamadas por nomes feios.6. Chocolate não reclama que você o comeu muito rápido.7. Você pode pedir chocolate a alguém sem levar um tapa na cara.8. Chocolate não deixa pelos na sua boca.9. Você não precisa mentir para o chocolate.10. O chocolate não liga se você é virgem ou não.11.Você pode comer chocolate quando está menstruada.12. Você pode comer chocolate em qualquer dia da semana.13. Um bom chocolate é fácil de se encontrar.14. Você nunca é muito jovem ou muito velho para comer chocolate. Basta que seu médico não descubra...15. Quando você come chocolate os vizinhos não ouvem.16. O tamanho do chocolate não importa, apenas o prazer que ele proporciona.17. O chocolate sempre cheira bem.18. Não dói comer chocolate pela primeira vez.19. Você pode levar o chocolate na bolsa.20. Você pode comer chocolate à vontade que nunca vai engravidar.21. Chocolate não transmite Aids ou outra DST.22. Você não precisa usar camisinha pra comer chocolate.23. Se o seu filho lhe vir comendo chocolate, não vai ficar fazendo perguntas constrangedoras.24. Ninguém termina um casamento por falta de chocolate.25. Você não precisa esperar quase uma hora pra comer outro chocolate.26. Depois de comer, não precisa ficar abraçado com a embalagem a noite inteira. UM HISTÓRIA DE AMOR (confirmando o que se disse sobre o chocolate):Uma loura gostosíssima ia-se jogar ao mar no porto de Santos, quando apareceu um marinheiro:- Moça, não faça isso!!!- Vou jogar-me na água! Minha vida é uma droga!- Por que você não vem comigo e pensa melhor? Meu navio está indo para a Europa, e lá, você pensa melhor e decide... Que tal?A loira achou boa proposta, mas disse que não tinha dinheiro para a passagem. O marinheiro respondeu:- Não tem problema. Você vem clandestinamente. Vou escondê-la nesse bote e tenho a certeza de que ninguém virá importuná-la...- Durante duas semanas, ele a visitava todas as noites, levava-lhe comida e bebida, e, depois, fazia amor com ela.- Mas um dia, o Capitão fez uma inspeção nos botes e encontrou a loura. E ela, sem saída, contou-lhe a verdade.- Olha, eu estou aqui, porque um marinheiro me escondeu. E estou indo para a Europa... Todas as noites ele me traz comida, e, em agradecimento, eu transo com ele... Ainda falta muito para chegarmos à Europa?

A correlação entre o espanador e o sexo

Não há como cruzar estudos para chegar a conclusões divertidas. Chegar a conclusões divertidas é meio caminho andado para sermos capazes de ver as situações sem fanatismos, aplicando-lhes uma dose equilibrada de emoção, bom senso e cinismo. Além do mais, como toda a gente sabe, quando rimos libertamos hormonas que melhoram o nosso humor, por isso não há mesmo assunto nenhum que não mereça uma boa gargalhada. Há dias foi divulgado um estudo que garantia que os homens que ajudam em casa têm «direito» a mais sexo do que aqueles que se sentam no sofá com pantufas, ou aparecem em casa, tarde e a más horas, sempre depois das crianças estarem na cama, evidentemente. A correlação parece lógica, e bastava terem feito a pergunta a uma única mulher para obterem a mesma resposta. Simplesmente, se pegarmos no estudo Global Health Survey, da revista Men's Health, levada a cabo em 20 países, somos informados de que os portugueses são aqueles que praticam sexo com mais frequência. Ora, se há ainda um outro trabalho sério que indica que os machos latinos continuam a ser dos que se empenham em menos tarefas domésticas, e daqueles que menos se ocupam dos filhos, temos que tirar três ilações imediatas: ou os nossos conterrâneos são uns fanfarrões e mentem quanto à frequência, ou as mulheres portuguesas não são ainda capazes de dizer que não, mesmo que andem exaustas e injustiçadas, ou ainda, os rapazes descobriram a pólvora e não mexem uma palha, até porque estão em parte incerta, a contribuir para a estatística de garanhões. O estudo da Global Health, de facto, diz também que os portugueses se situam em 4.º lugar no número de parceiras por ano e naqueles que têm mais experiências extraconjugais. Ficam, porém, apenas em 19.º quando lhes perguntam qual o seu grau de satisfação com a sua vida sexual. Se realmente assim é, dá impressão de que ganhariam mais se em lugar de traidores e infelizes, pegassem mas é no espanador e tratassem de pôr a brilhar o lar, doce lar.

Fóssil mostra 'primeiro animal a fazer sexo'

  • Uma espécie de minhoca de 30 cm de comprimento, que vivia no fundo do mar, pode ter sido o primeiro ser vivo a praticar sexo, há pelo menos 565 milhões de anos, segundo descoberta da paleontóloga Mary Droser, da Universidade da Califórnia Riverside.
A paleontóloga e sua equipe argumentam que o ecossistema da Terra já era complexo muito antes do que se pensava, ainda na Era Neoproterozóica, quando começaram a aparecer os primeiros organismos multicelulares. Até hoje acreditava-se que os primeiros organismos multicelulares eram simples, e que as estratégias atuais usadas pelos animais para sobreviver, se reproduzir e crescer em números só teriam aparecido bem depois, por causa de uma série de fatores, que incluiriam pressões evolucionárias e ecológicas, impostas por predadores e pela competição por alimentos e outros recursos. Mas a paleontóloga encontrou fósseis da Funisia dorothea no deserto do sul da Austrália, que demonstram que o organismo tubular tinha vários meios de crescer e se reproduzir - similares às estratégias usadas pela maioria dos organismos invertebrados para propagação atualmente. Há 540 milhões de anos... A Funisia dorothea crescia em abundância, cobrindo o solo do oceano, durante a Era Neoproterozóica, um período de 100 milhões de anos que se encerrou há cerca de 540 milhões de anos, quando não havia predadores. "O modo como a Funisia aparece nos fósseis mostra claramente que os ecossistemas eram complexos desde muito cedo na história dos animais na Terra - isso é, antes de os organismos desenvolverem esqueletos e antes do surgimento da predação ampla", disse Mary Droser, que descobriu os organismos pela primeira vez em 2005. "Geralmente, os indivíduos de um organismo crescem próximos uns aos outros, em parte, para garantir o sucesso reprodutivo", afirmou a paleontóloga. "Na Funisia, nós estamos muito provavelmente vendo reprodução sexual num antigo ecossistema - possivelmente a primeira ocorrência de reprodução sexual entre animais em nosso planeta." Os fósseis mostram grupos de indivíduos da espécie com aproximadamente a mesma idade, o que sugere uma "ninhada", o que, normalmente, seria fruto de reprodução sexual, afirma a cientista. "Entre os organismos vivos, a produção de ninhadas quase sempre é fruto de uma reprodução sexuada, e muito raramente de reprodução assexuada", disse Droser. Além das ninhadas, o organismo se reproduzia por "brotos", gerando novos indivíduos a partir de pedaços, e cresciam adicionando pedaços às suas pontas. Segundo a paleontóloga Rachel Wood, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, a descoberta mostra que estratégias de desenvolvimento fundamentais já haviam sido estabelecidas nas primeiras comunidades animais conhecidas, há cerca de 570 milhões de anos. "O fato de que a Funisia mostra o crescimento em grupos de indivíduos próximos uns aos outros no solo do mar nos permite inferir que esse organismo também se reproduzia sexualmente, produzindo ninhadas limitadas de larvas", disse a paleontóloga, que não está envolvida no estudo. "Este é o modo como muitos animais primitivos, como esponjas e corais, se reproduzem e crescem hoje em dia. Então, apesar de não conhecermos as afinidades de muitos desses animais mais antigos, nós sabemos que suas comunidades foram estruturadas de modos muito similares aos que existem ainda hoje. " O estudo de Mary Droser foi publicado na edição desta sexta-feira 21 de Março de 2008, da revista científica Science.

Sexo, poder e glória

  • Quando moço, a vida se apresenta como um vasto e infinito horizonte, não se enxerga nem se imagina o fim. O fim nunca haverá de chegar! Já quando velho, sem nada pela frente, apercebese que o passado transcorreu estupidamente depressa.
Nas peripécias da vida a sensação de tempo do jovem difere daquela do velho. Parece que as paixões juvenis conseguem reter o escorrer do tempo, ao contrário, as agruras senis o aceleram. Chega-se no momento em que a água quase parada no reservatório do tempo precipita- se por corredeiras, "o abismo nos contempla de volta". A alteração acontece quando os instintos primordiais se acalmam, quando o dever de perpetuar a espécie se apazigua. Curioso: passando-se pelo ponto de mutação do acasalamento, certas espécies animais falecem, suas existências deixam de ter sentido. Já para o homem, substância mais aperfeiçoada, o tempo se acelera e os dias intermináveis da juventude não se repetem. Na primeira parte da existência o homem é movido pelo desejo da mulher, por ela faz loucuras. Na maturidade persegue com obstinação o poder ou o dinheiro que é a mesma coisa do poder, e por ele vende a alma. E no final, quando as perspectivas de permanência no planeta se aproximam do nada, aplica suas forças remanescentes para alcançar a glória - última fantástica ilusão - fórmula que procura a "sobrevivência virtual" num mundo que continuará a escaldar outros indivíduos. A imortalidade se encontra na glória que perpetuou Moisés, Alexandre, Júlio César, Augusto, Napoleão, Einstein. Porém, a glória é de poucos, enquanto o sexo é de todos e o dinheiro de muitos. Glória que esplende nas obras do faraó, no esplendor dos templos de Michelangelo, nos sorrisos pintados por Leonardo, nos anjos de Rafael, nos versos de Dante, nas harmonias de Beethoven e Mozart. Segundo Artur Schopenhauer, "A glória é o sol que ilumina os mortos... é o poente de vida que se converte na aurora da imortalidade". Mais sutil ainda Shakespeare, olhando para o "abismo" usa palavras mágicas, "Senhores, bom dia, apagai as tochas (do mundo)..." a glória já se encarregava de iluminá-lo para sempre. Pois é. Sexo na juventude, poder na maturidade e glória na velhice, eis os nomes da pedra de Sísifo. Três são as idades. Três as mot ivações. Três os pecados principais: luxúria, avidez, orgulho. Os raros fulgurados pela compreensão desaparecem na autosuficiência de seu enlevo, não podem explicar o "estado de ser" que se conquista individualmente como a vida ao sair do ventre que a gerou. Dizem os sábios que a dor acelera a evolução, é banhada de sangue, passa pela cruz e conduz a Deus. Os budistas não enxergam a imortalidade nas obras e nas provações, acreditam que "aniquilando a vontade", matando o Eu, apagando a mente e os desejos, entregando-se ao que há de divino dentro do homem, quebra-se a corrente das reencarnações. Acede-se ao nirvana, morada dos deuses. Já o Eclesiastes afirma que "O dia da morte é melhor do que o dia do nascimento" por considerar que o fim do corpo esgota um ciclo penoso. Iniciaríamos assim um descanso sem sexo, que é transitório, sem poder, que é desgastante, e sem glória, que só a Deus pertence.

Nos primórdios da vida, havia muito sexo e nada de predadores

  • A reprodução sexuada pode ser tão antiga quanto a vida animal, segundo pesquisadores que descobriram uma espécie de organismo que viveu há 540 milhões de anos.

A Funisia Dorothea, uma criatura em forma de tubo, se aglomerava em bandos abundantes nas águas rasas e arenosas do mar onde hoje fica o sertão australiano. Aparentemente, nada havia evoluído para comê-los, de modo que esses animais viviam vidas pacíficas, às vezes usando o sexo para se reproduzir, às vezes não, segundo artigo de Mary Droser, da Universidade de Riverside, na Califórnia, e de seus colegas na revista Science. Por telefone, ela explicou que essas criaturas se comportavam como corais, esponjas e outros organismos multicelulares da atualidade. Os aglomerados muito compactos de organismos, chegando a mais de um palmo de altura, são segundo ela uma característica de animais sexuados, pois permitem que óvulos e esperma flutuem na água e se encontrem.

Os restos fossilizados também mostram que as criaturas formavam "botões" que se desenvolviam até virarem animais plenos, algo que corais e esponjas fazem hoje. "Eles eram complicados a ponto de terem diferentes modos de reprodução e um ecossistema em geral bastante complexo", disse Droser. Eles viviam em grupos densos, de animais de tamanho e idade similar, como fazem mexilhões e ostras. "É uma estratégia ecológica moderna comum, e esses caras faziam isso nos primeiros ecossistemas animais deste planeta", afirmou. Pensamos que essas estratégias foram em reação à competição e em reposta à predação", explicou a cientista. Mas não havia predadores, pois não surgira no planeta nada que tivesse dentes ou mesmo ossos. Supõe-se que a vida multicelular tenha surgido ha cerca de 600 milhões de anos. O nome "Funisia" vem da palavra latina para "corda", enquanto "dorothea" é uma homenagem à mãe de Droser, Dorothy. "Ela se instalou em casa para cozinhar e cuidar das crianças. Eu achei que era a coisa certa a fazer", brincou ela.

'Na confraria das sedutoras' mostra as diferentes facetas do sexo e do amor

  • Álbum do 3namassa reúne atrizes e cantoras interpretando canções sensuais.Serge Gainsbourg, Milo Manara e Chico Buarque são algumas inspirações.
Descalce os sapatos, abra uma garrafa de vinho, diminua a luz – ou, então, leve os fones de ouvido cidade afora - e deixe a sonoridade envolvente do 3namassa girar. A receita, preparada à base de baixo, bateria e programações, é infalível: vozes macias interpretam letras picantes compostas por homens, criando um clima sensual que remete à obra do francês Serge Gainsbourg ou aos quadrinhos eróticos de Milo Manara. Não tem como desandar: Rica Amabis (produtor do coletivo Instituto), Pupillo e Dengue (Nação Zumbi) usam toda a sua experiência a serviço de sonoridades nada óbvias - da massa do trio saem as mais inusitadas guloseimas. Da vinheta de abertura, em francês, recitada pela atriz Leandra Leal, à brasileira "Enladeirada", composição de Jorge Du Peixe interpretada por Thalma de Freitas, apelidada depois de "O seu lugar", nome gravado no encarte, "Na confraria das sedutoras" mostra as diferentes facetas do amor e do sexo, ingredientes básicos desse banquete audiovisual. Do pernambucano Junio Barreto vêm as delicadas "Doce guia", interpretada pela paulistana Céu, e "Morada boa" – essa última um sambinha antigo cuja clarineta sinuosa de Luca Raele acompanha a voz de Nina Miranda pelos labirintos do coração. Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, assina "Tatuí", interpretada por Karine Carvalho, devidamente guarnecida pela guitarra e os teclados de Fernando Catatau, cearense do Cidadão Instigado. O MC Rodrigo Brandão quebra o "modus operandi" do Mamelo Soundsystem e deixa as rimas de lado para compor "Estrondo", um dos pontos altos do disco, na interpretação da cantora e modelo Geanine Marques. Ainda na seara das boas surpresas, a roqueira baiana Pitty mostra um lado obscuro ao entregar-se ao surrealismo de "Lágrimas pretas", de Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado. A atriz Simone Spoladore é a "Pecadora" em vinheta que prepara o ouvinte para o segundo tempo. Chegam os integrantes da banda pernambucana Mombojó com "O objeto", na voz de Nina Becker. "Quente como asfalto", de China, ganha a doçura da cantora Cyz. O jornalista Alex Antunes manda bem em "Certa noite", cuja letra começa recitada na voz de Karina Falcão. Lurdez da Luz, a metade feminina do Mamelo Soundsystem, surpreende com o rap "Sem fôlego", escrito pela própria. "Fecha o sinal ele me amassa, abre a gente passa", rima a bela. Exceção entre os marmanjos compositores, a MC prova ainda que o estilo pode ser pra lá de sexy. Ao final de pouco mais de 40 minutos de som, é Alice Braga, de "Cidade de Deus", quem avisa: "tarde demais para nos tornarmos santos".

A Rainha do Sexo

Se os atores brasileiros ainda não levaram o Oscar, a atriz Mônica Mattos pode se orgulhar da façanha. Aos 24 anos, a moça foi a primeira latino-americana a ganhar o prêmio AVN 2008, considerado o Oscar da indústria cinematográfica pornô. Ela levou o troféu de melhor performance estrangeira feminina do ano. “Amei. Isso é o reconhecimento de cinco anos de muito trabalho”, diz Mônica, que não pôde comparecer à festa, em Los Angeles, realizada em janeiro, por causa da agenda lotada.Feliz com a profissão (“vou continuar até quando me sentir bem”), a atriz paulista conta que começou na carreira por acaso “Trabalhava numa boate e era garota de programa. Aí uma amiga me apresentou ao trabalho. No começo, fiquei intimidada por causa da câmera, mas depois de um mês já estava solta”, comenta Mônica, que ganha até R$ 15 mil por filme e, geralmente, trabalha duas vezes na semana. Apesar de gostar do que faz (“adoro ser observada”), Mônica já chorou em cena. “Era a simulação de um estupro e comecei a imaginar que era verdade”, conta ela, que, normalmente, pensa em outras coisas durante as filmagens: “Às vezes, fico com a cabeça na novela que vou ver à noite.”

Sexo com a morte

Era o ano de 1950, um velho e conhecido fazendeiro de Piranga acabara de ficar viúvo. A dor que sentia de ver o seu grande amor ir embora o deixava deprimido, sem vontade de andar pela sua fazenda e conduzir o comando de sua vida. Conhecido por todos pela sua bondade e riqueza, distribuía a todos os pobres carinho e conforto. Não foi à toa que o funeral de sua esposa ficou cheio. Parece que a cidade estava ali em peso. Desde os pobres até os políticos e os mais influentes da cidade. Viveu com a sua esposa durante 25 anos. Não tinha notícia em Piranga que ele a traia e nem mesmo ela... Hum... E nem podia! Ela esteve doente por muitos anos e foram anos que o velho fazendeiro dedicava à sua amada. Sempre com carinho e dedicação. Era um amor muito lindo, no qual ele sentiria um canalha se traísse a confiança dela. Até em pensamento. Não que ele não tivesse desejos, mas ele soube controlar. Entregou-se ao trabalho e nos problemas diários e se satisfazia vendo o seu patrimônio crescer. Maldita hora que ele contratou uma morena linda que completara 18 anos. Cabelos cacheados, corpo definido, olhos de jabuticaba e um sorriso perfeito. Usava um vestido de chita e dançava com Boi-Bumbá as musiquinhas de roda. A saia rodava e os homens ficavam encantados com a sua beleza... Aquele fazendeiro que acabara de complentar 55 anos tinha o seu charme... Mas a vaidade sumiu com a sua vida, o seu amor incondicional à sua esposa e ao trabalho. Quando chegou o tempo de colher o feijão, o velho fazendeiro entrou em sua ampla sala e sentou na cadeira de balanço. Seis meses se passaram... A morena entrou na sala e com um sorriso travesso perguntou se queria almoçar. Era assim todo dia. Olhares... Nos últimos meses um desejo louco por ela. Mas e a sua esposa? O amor que nutria por ela? Poderia amar outra? Mas logo essa moreninha, que tem idade para ser sua filha? Num domingo, o dia sagrado para aquele povo, o senhor fazendeiro (que agora se cuidava), esperou a moreninha entrar na sala e o chamar para o almoço. Longe ouvia o povo cantando com o Boi-Bumbá, que estava se aproximando da fazenda. O fazendeiro e a moreninha aos beijos, logo estavam na cama. Lá fora, o povo chamando a todos para verem a passagem do boi. Na fazenda, o fazendeiro beijava a moreninha e esta correspondia à sua paixão. O boi lá fora e um homem tomado pelo desejo na cama com a morena. Ele olha a porta de seu quarto e vê sua esposa. Chorando... Com uma rosa na mão. Sentiu um calafrio. Fez um gemido... E morreu. Morreu ao lado da morena que o chamava desesperadamente. Foi encontrado morto na cama, de pijama. Coitado... Morreu dormindo. No velório, todos conversavam e os pobres choravam. Perderam um grande padrinho. Os filhos chegaram da capital e não entendiam a morte súbita do pai. Quando o padre fez a última oração, a moreninha entrou na sala com uma rosa na mão. Colocou sobre as mãos do morto fazendeiro e beijou a sua testa. Tampou-se o caixão e a morena saiu correndo pela fazenda chorando... Chorou até ver o Boi-Bumbá pelas estradas de terra... O seu vestido rodava, ela sorria e os homens a desejavam...

Entenda porque os homens traem mais sexualmente

O passatempo mais velho da humanidade é a prostituição, seguida do adultério. Não que seja feito apenas por homens, ao contrário, as mulheres estão se tornando cada vez mais adúlteras. Mas não tem jeito: o adultério é algo tipicamente masculino. A palavra adultério vem do latim adulterare (ad “para” e alter “outro”) e implica em um relacionamento entre pessoas casadas ou não casadas. Ou seja, é a infidelidade que acontece em um relacionamento monogâmico. Os homens não vêem o sexo como um aspecto de amor e intimidade emocional como as mulheres. Para eles, o ato sexual não passa de uma diversão. Jung explicou que a psique masculina é diferente da psique feminina. Os homens são preparados para serem agressivos, firmes, dominadores, competitivos e orientados para o prazer. Já as mulheres tendem a serem mais afetuosas, compreensivas, intuitivas, pacientes e orientadas para a resolução. Analisando sob esta ótica, a infidelidade está mais próxima da psique masculina, ou seja, alguém dominador e orientado para ter prazer têm mais chances de ser infiel do que uma pessoa afetuosa e dedicada. Os fatores que levam ao adultério são: o tédio, o desejo da eterna juventude, a hostilidade contra a mulher (ou namorada), a fuga de um tormento psicológico ou a paixão por outra mulher. Alguns homens traem com medo de perder sua masculinidade. Neste caso, surge uma questão interessante: a masculinidade tem seu foco na feminilidade. Ao relacionar-se com uma mulher, o adúltero tem certeza que sua masculinidade não foi atingida. Quanto mais bonita ela for, maior será o seu desafio. Por isso, eles dão tanta importância para a beleza da mulher. Quanto mais bonita, mais se aproxima da idéia de perfeição que inconscientemente procuram. Assim, o sexo feminino acaba sendo uma projeção masculina. Os homens são educados para ver a mulher como um potencial da perfeição na vida. Como a mulher está associada (segundo Jung) para a resolução (note que em uma separação, quem toma a iniciativa é a mulher), ela entende o adultério de duas maneiras: ou o perdoa ou pede a separação, pois a traição simboliza a morte do seu relacionamento, já que este era baseado na confiança e no amor. O problema é que, enquanto o homem se diverte, deixa literalmente a cônjuge de lado. Não se pode negar o direito de ele se divertir, desde que não seja à custa da dignidade da sua parceira. O adultério é algo grave e tem um efeito devastador. A esposa sofre (em muitos casos ele diz que a culpa é dela), desestrutura a família, além da dor emocional intensa. Só é possível acabar com o adultério quando um dia, o marido (ou namorado) entender que está em busca de uma ilusão e que este comportamento terá influência no seu futuro.

Polícia quer que sexo seja permitido em todos os parques da Holanda

A polícia do Centro Nacional de Especialização da Diversidade (LECD) quer que o sexo seja permitido em todos os parques públicos na Holanda. O instituto da polícia tem aconselhado as cidades a seguir o exemplo de Amsterdã. No Vondelpark de Amsterdã, donos que deixam seus cães sem coleiras podem ser multados, mas o sexo em breve será permitido. "Por que devemos tentar manter algo [a lei] que na verdade é impossível de se manter, e que causa, inclusive, pouco incômodo para os outros e para determinado grupo realmente significa ter muito prazer?", disse Paul van Grieken, responsável do conselho municipal de Oud-Zuid em Amsterdã. Van Grieken confirmou que o plano de tolerar sexo em público no Vondelpark faz parte de uma nova versão do projeto de regras de conduta para o parque mais conhecido da cidade. Os regulamentos entrarão em vigor após o verão. "Claro que há regras estritas em anexo. Assim, preservativos devem ser sempre descartados longe do local, isso nunca deverá acontecer em locais vizinhos aos parques infantis e as relações sexuais devem acontecer depois do anoitecer." O memorando do projeto diz que as multas serão mantidas para os cães que correrem sem coleira, pois pode causar incômodo para quem quer tomar sol ou usa bicicleta no parque. "A pesquisa mostrou que muitas pessoas consideram isto preocupante", afirmou o conselheiro. LECD agora apela em Rotterdã, Utrecht e Haia para tolerar sexo entre gays em todos os seus parques. Em uma carta aos administradores das três cidades, o instituto da polícia diz que, regulamentando sexo em público, a segurança de homossexuais em relação aos homófobos pode ser mais bem garantida. Assim, as recomendações dizem que "os agentes não devem perturbar as atividades, desde que não cause qualquer incômodo real" e que "apenas têm de tomar medidas corretivas se existir uma real questão de comportamento ofensivo que seja visível do caminho público". A organização homossexual COC ficou feliz ao saber que o distrito de Oud-Zuid será o primeiro a admitir sexo no Vondelpark. "Fazer sexo é algo que pertence a todos os tempos e proibir isso não funciona de qualquer jeito. Eles fazem isso de forma ilícita e principalmente sem serem incomodados pelos outros. Mas os locais de sexo homossexuais são freqüentemente atacados. Agora, acatando as regras de comportamento a segurança pode ser aumentada", disse o presidente da COC de Amsterdã, Dennis Boutkan.

Natália do BBB questionando o sexo anal

O vídeo em que a miss Natália Casassola, 22, admite ter feito sexo anal é o mais discutido do mês e o segundo mais visto no YouTube Brasil, em sua categoria. Em conversa no "Big Brother Brasil 8", a gaúcha questionou seus colegas Rafinha e Marcão se eles já fizeram sexo anal com alguma "guria". A investigação espinhosa dos hábitos íntimos masculinos foi feita pela loira de Passo Fundo (RS) em linguajar curto, grosso e sem eufemismos. É só mais uma pérola do conteúdo do programa de maior audiência da TV no verão. Há versões do vídeo com mais de 390 mil acessos e comentários de internautas condenando a exposição pública de um tema, digamos, tabu (imagina o rebuliço se o tempo fosse o dos generais).

Sexo, liberdade e romance: do que as mulheres gostam?

"Casar? Palavra muito forte, comprometedora". A frase é da secretária Camila Sampaio. Se tivesse nascido há 50 anos, ela chegaria à juventude pensando no vestido branco de noiva, na casa de três quartos, com geladeira, fogão e sofá novos, além da batedeira para preparar a sobremesa predileta do marido. Mas aos 26 anos, esse tipo de pensamento passa longe de suas aspirações de mulher moderna. "Não acredito em relacionamentos, porque ninguém se leva a sério. Prefiro permanecer do jeito que estou agora, solteira, ficando com quem eu quero, sem dar satisfações a ninguém", dispara.

A teoria de Camila sobre o casamento foi reforçada após viver uma relação de quatro anos, que chegou ao fim há um ano. "Morei junto, mas não deu certo. E esse período foi bem esclarecedor sobre o que é a vida a dois. Intimidade é uma coisa linda, você acordar com o bafo do outro, ir ao banheiro de porta aberta. Mas quando cada um vive no seu canto, ainda tem aquela magia, sabe? Você se arruma, faz escova, tem aquele mistério. Com o casamento, isso acaba. Hoje em dia, prefiro encontrar tudo limpinho a ter que lavar cueca", diz. Não se trata apenas de não morar na mesma casa - Camila quer voar alto, e casos fixos não fazem parte de seus planos. "Acabei de fazer um curso de comissária de bordo, e esse é o tipo de vida que não dá para conciliar com marido. Hoje você está aqui, outro dia, no exterior... É preciso ter liberdade". Nem os filhos estão nos projetos a curto prazo da secretária. Se tiver que ser mãe, posso procurar uma produção independente. Não confio nos homens, mas acredito na minha própria responsabilidade. Quando quiser ser mãe, não vou querer passar a obrigação para mais ninguém", diz, taxativa. Questionada sobre o papel dos homens em sua vida, Camila não hesita: "Eles são essenciais, mas eu só quero companhia para satisfazer minhas necessidades físicas". No entanto, por mais contemporânea que seja a história da jovem, a mulher moderna não se define exclusivamente por esse tipo de comportamento, de acordo com a visão da psicanalista Ana Laura Pepe. Para ela, ainda há o anseio pela vida a dois. "As mulheres de hoje não deixaram de querer ter um companheiro. A diferença é que elas partem para relações mais eqüitativas, de parceria", explica.
A psicanalista afirma que a vida profissional oferece novas alternativas de realização para a mulher contemporânea. "Nos anos 70, se a mulher não conseguisse formar família, era o fim da linha. Hoje, ela pode se realizar profissionalmente e, de certa maneira, não ficar frustrada", diz. A consultora de negócios, Luciene Leal, 36, confirma a tese de que o casamento é perfeitamente conciliável com a vida profissional. "Quando me casar, não vou perder minha independência. É cada um com sua rotina, não muda nada. Trabalho desde os 12 anos e sempre ganhei meu dinheiro. Não nasci para depender de ninguém, mas o trabalho nunca atrapalhou meus relacionamentos", conta.
  • Pacto de liberdade - Para a estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental, Audrey Borde, 24, "a melhor coisa de ser solteira é ser livre". Audrey não tem relacionamento fixo há um ano, quando terminou um namoro de três anos e fez um pacto com a irmã. "A idéia era ficar solteira até janeiro deste ano. Planejamos uma viagem por quatro países da América Latina, e não queríamos namorado por perto". Nos últimos dois meses, Audrey e Andréa viajaram de ônibus por Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia, e já estão pensando em projetos para o ano que vem. "Queremos ir para o México e estamos pensando em renovar o pacto e continuar curtindo a solteirice". O "curtir a solteirice", Audrey aprendeu no convívio com os homens, maioria numérica no curso universitário que freqüenta. "A gente percebe os truques, a malícia, o jeito de "dar um zig" na namorada. Não que eu vá fazer a mesma coisa, mas a gente acaba ficando com um pouco desse comportamento", assinala. Durante o período que esteve namorando, ela teve de agüentar os ciúmes do ex-namorado, que não gostava de vê-la cercada de homens. "Ele era muito ciumento, não segurava a onda. Agora que nos separamos, posso usar a roupa que eu quero. Também posso ficar com quem quiser, sem precisar dar satisfação". Para o médico. Elsimar Coutinho, a liberdade sexual da mulher contemporânea é conseqüência de uma descoberta que já tem mais de 40 anos: "A pílula foi a maior das revoluções. Fez nascer a possibilidade de se poder fazer sexo e não engravidar. Tudo depois dela foi secundário. Claro que depois veio a AIDS, mas também veio a disseminação da camisinha. De qualquer jeito, aquela revolução hoje está completa", defende.
  • Romantismo sobrevive - A veterinária Eliane Raftley, 26, nunca namorou na vida, só ficou. "Quero casar, mas o difícil é encontrar alguém bom o suficiente para isso. Já estou chegando aos 30, a gente começa a sentir falta de um relacionamento duradouro, algo mais sério". Segundo a psicanalista Ana Laura Pepe, a vontade de Eliane ainda é muito comum entre as mulheres. "O casamento não deixou de ser um ideal feminino. As mulheres querem casar, ter filhos. Nem sempre dá certo, porque isso deixa a mulher sobrecarregada, já que os cuidados com a casa e a educação dos filhos não são compartilhados pelos homens. Esse tipo de mudança é muito gradual". E mesmo decidida a não ter filhos, Eliane não esconde o lado sonhador. "Sou romântica. No fundo, quero mesmo é receber flores", diz.

O prazer sexual feminino

Especialistas apontam mudanças de comportamento no campo da sexualidade feminina. Curiosamente, uma das principais conquistas femininas das últimas décadas, tratando-se de sexualidade, é a palavra. Hoje, elas podem falar de seus desejos, frustrações, emoções, problemas e dúvidas. Têm a liberdade de expor seus sentimentos - os quais, para a mulher, estão intrinsecamente ligados ao sexo. Aliás, faz tempo que o prazer sexual - ou a falta dele - passou a fazer parte da roda de conversas femininas.
"A mulher se calava por se culpar pela falta de prazer", avalia a ginecologista e obstetra Albertina Takiuti, especialista em saúde da mulher e coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria Estadual da Saúde. "Com o fim do pacto do silêncio, as dúvidas se tornaram coletivas e, portanto, reivindicatórias. Em vez de achar que tinha um problema grave, porque o marido a acusava de ser fria, ela começou a questionar se sua falta de prazer estava associada a alguma dificuldade dela ou do parceiro."Com as conquistas profissionais em plena ascensão, as mulheres agora lutam por mais qualidade e prazer na cama. Quando a psiquiatra Carmita Abdo fundou o Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do HC, no início da década de 1990, para cada sete homens que procuravam tratamento de disfunção sexual, apenas uma mulher tomava essa atitude.
Hoje, quase 20 anos depois, para cada dois homens, uma mulher recorre ao serviço do ProSex. A mudança é comemorada com entusiasmo pela médica:- Nos vários campos da saúde, sempre há mais mulheres do que homens procurando tratamento. Mas, com relação ao sexo, eles - sempre preocupados com o desempenho - eram os que mais buscavam orientação médica. Não é à toa que surgiram mais medicamentos específicos para eles do que para elas. Atualmente, atendemos predominantemente homens entre 40 e 50 anos, enquanto que as mulheres estão na faixa dos 20 e 30 anos. Por serem mais novas, têm menos restrições e constrangimento, são informadas e querem usufruir melhor do sexo.Disfunção erétil e ejaculação precoce são os grandes tormentos dos homens que procuram tratamento. Já as mulheres acima de 45, na maioria, reclamam da falta de desejo, sobretudo com a chegada do climatério, que prenuncia a menopausa. As mais novas buscam ajuda por sentirem dificuldade de atingir o orgasmo. Pesquisa coordenada por Carmita, intitulada O Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, aponta que 26,2% das mulheres têm esse problema, que é mais acentuado entre as mais jovens, até os 25 anos, e entre as que têm mais de 61 anos.
A repressão sexual à qual muitas foram submetidas prejudica o prazer feminino. Mas a obsessão das mulheres pelo orgasmo também pode atrapalhar. Entre as entrevistadas na pesquisa, 32,5% iniciaram-se sexualmente preocupadas em atingir o clímax. Quando isso ocorre, deixam de aproveitar outros momentos do sexo. Porém, Carmita vem acompanhando um número significativo de mulheres que, embora procure tratamento, já se desvencilhou dessa obrigação. Mais: em vez de se culparem, elas começam a questionar se a falta de orgasmo não é conseqüência da inabilidade masculina. Alguns dados podem confirmar essa hipótese. De acordo com o estudo do ProSex, 45% dos homens brasileiros não estão totalmente satisfeitos com sua capacidade de ereção, e 26% andam insatisfeitos com o controle da ejaculação. Enfim, poucos lidam com a sexualidade de maneira tranqüila. "Os números mostram que o homem não consegue se desenvolver bem no sexo", observa Carmita. "Não por egoísmo, como se acredita, mas porque ele está tão preocupado com o próprio desempenho que acaba não dando atenção à parceira."NA MÍDIANão é à toa que a mulherada tem colocado a boca no trombone. No filme Mulheres Sexo Verdades e Mentiras - que foi exibido em janeiro nos cinemas, e será lançado em DVD no segundo semestre -, o autor e diretor Euclydes Marinho especula sobre a sexualidade feminina, unindo uma história fictícia a depoimentos reais de mulheres. A atriz Júlia Lemmertz assume o papel da divorciada que descobre o prazer sexual. A partir desse mote, a própria personagem faz um documentário, no qual insere as declarações reveladoras e sem pudores das entrevistadas. "Não esperava que as mulheres falassem com tanta franqueza e disposição sobre sua sexualidade", confessa Marinho. "Esta inquietude revela como elas estão insatisfeitas com seus parceiros. Pensei em fazer também um filme sobre a sexualidade masculina, mas desisti porque os homens não falam sobre suas dúvidas e frustrações. Quando se reúnem, o máximo que conseguem é contar quem comeram e quem não comeram."Essa dificuldade de diálogo entre homens e mulheres, além das queixas femininas, inspiraram o ator e diretor Darson Ribeiro a escrever sua primeira peça, a divertida Herótica (com "h" mesmo) - Cartilha Feminina para Homens Machos, em cartaz e com casa cheia de casais e mulheres. Darson e as atrizes Karina Barum, Márcia Manfredini e Iná de Carvalho ensinam o bê-á-bá sexual para os corajosos que encaram as alfinetadas femininas, sempre com muito humor. "Saí em defesa das mulheres", afirma Ribeiro. "Quando dirigi a peça Oito Mulheres, no Rio de Janeiro, convivi intensamente com as atrizes. Compartilhei de suas intimidades, com conversas que iam da meia furada, menstruação a relacionamento. Além delas, minhas principais amigas, que não são atrizes - uma de 41 e outra de 52 anos - estão solteiras e reclamam muito dos homens na cama. Dizem que eles só sabem introduzir. Percebi como a conduta masculina difere das expectativas femininas, que querem mais erotismo do que sexo básico."Além de reivindicarem mais prazer e mais qualidade, as mulheres vêm derrubando tabus. Um deles refere-se à masturbação. Se antes a busca pelo prazer solitário era motivo de culpa - ou algo escondido por muitas -, hoje, isso mudou. Não é raro surgir, nos papos entre amigas, indicação de acessórios, como tipos de vibradores, e de outras técnicas de excitação.
"Elas aceitam mais a prática, porque sabem que têm direito a todas as formas de prazer sexual", ressalta a sexóloga Regina Navarro Lins, psicanalista e autora de diversos livros, entre os quais, A Cama na Varanda - Arejando Nossas Idéias a Respeito de Amor e Sexo (Editora Best Seller) e O Livro de Ouro do Sexo (Ediouro). "As mudanças profundas são lentas e graduais, e só são percebidas quando implantadas", lembra Regina. "Por isso que ainda nos deparamos com pessoas que desaprovam e não vivenciam os avanços." A médica Albertina também confirma a nova forma de encarar a masturbação: "Agora elas sabem que a prática é muito importante para o autoconhecimento."A menopausa, que era sinônimo de velhice e estigmatizava a mulher por não poder engravidar, é tratada hoje com naturalidade e sem sobressalto. Por trás da mudança, Carmita Abdo vê uma grande revolução sexual: "No início do século 20, a expectativa de vida da brasileira era de 58 anos. Neste século, saltou para 78. Portanto, a queda brusca de hormônios, que antes surgia no fim da vida da mulher, agora incide no meio de sua vida." Junte-se a isso a controversa reposição hormonal e o afinco no cuidado à saúde, para acreditarem que sua sexualidade não acaba com a idade.MELHOR IDADEMais qualidade de vida, longevidade e recursos como Viagra e reposição hormonal estão dando suporte à separação de muitos casais mais velhos. Esse fenômeno ganhou o nome de "divórcio grisalho", de acordo com reportagem publicada no jornal The New York Times, pois acontecem entre pessoas de 55 a 80 anos. Mas o fator que está por trás dessa reviravolta é, indiscutivelmente, a crescente independência econômica das mulheres. Para a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins, com recursos financeiros, a mulher não precisa mais "arrastar" um relacionamento desgastado por anos. Agora o que elas querem, independentemente da idade, é buscar seus prazeres pessoais, inclusive os sexuais. No entanto, como atesta Albertina Takiuti, em alguns tópicos, as mulheres não conseguiram avançar. Ainda persiste, em grande parte, o medo de não agradar ao parceiro. Este tipo de insegurança continua escravizando a mulher com relação ao seu prazer sexual, afinal, ela deposita no outro a valorização de si mesma.
Para a médica, isso comprova que ela ainda não descobriu a sua força:- A baixa auto-estima está associada a um índice de aumento de 13% de gravidez na adolescência. O fato de conhecerem os métodos contraceptivos não garante a mudança de comportamento. O que está precário é a negociação com o parceiro. Muitas temem desagradá-lo ao exigir segurança, com preservativo. As mulheres se apoderaram de tantas técnicas de beleza para ficarem mais bonitas, mas não conseguiram garantir sua própria segurança no sexo - seja para evitar gravidez, seja para evitar doenças sexualmente transmissíveis que vêm crescendo entre elas. Nos anos de 1980, para 80 homens soropositivos, apenas uma mulher era infectada por HIV. Hoje, a proporção é de dois para um.PAPAI-E-MAMÃEO liberalismo sexual e alguns ganhos concretos são restritos a um pequeno universo de pessoas, aquelas mais escolarizadas e que residem nos grandes centros urbanos. É o que mostra pesquisa realizada pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida, que foi publicada no livro A Cabeça do Brasileiro (Editora Record), de sua autoria. "O Brasil é o país do papai-e-mamãe", constata. Segundo ele, diante de um expressivo contingente de pessoas de baixa escolaridade, percebe-se um alto grau de conservadorismo com relação a sexo. Conforme levantamento, homossexualismo, masturbação, sexo oral e anal são desaprovados pela maioria da população. Principalmente pelas mulheres, estatisticamente mais conservadoras do que os homens. "Costumo brincar nas minhas palestras, dizendo que a família é brochante", fala Almeida. "A mulher, independentemente da escolaridade, é a peça-chave dessa instituição e, quando tem filhos, costuma seguir a cartilha das regras familiares conservadoras. Portanto, a liberalidade sexual está mais presente num pequeno grupo, que faz bastante barulho."O conservadorismo perde força, porém, entre os jovens, escolarizados e moradores dos grandes centros urbanos.
Há uma diferença abissal entre as mulheres mais novas, quando comparadas às mais velhas. Segundo Carmita Abdo, a separação de sexo e amor já começa a despontar entre garotas na faixa dos 20 anos. Por conta disso, usufruem da sexualidade com mais liberdade, têm mais parceiros e adiam o casamento. "As com mais de 50 anos vêem nessa nova geração perdas amorosas, uma vez que a falta de compromisso dos relacionamentos atuais deixa a mulher com a sensação de desamparo e de poucas trocas sentimentais - bem diferente do que essas cinqüentonas viveram na juventude", observa Carmita. "Como as mais jovens não tiveram o mesmo referencial das mais velhas, elas não têm essa dimensão negativa. No meio disso, estão as de 40 anos, que viveram o modelo de troca das relações amorosas, mas também se depararam com a liberdade do sexo sem compromisso, mas sentem dificuldade de encarar essa nova forma de se relacionar."

Adeus, inocência, viva o sexo...

  • Terceiro volume da HQ ‘Lost girls’ deixa claro que as protagonistas nunca foram cândidas.

Aos poucos, elas deixaram os recônditos onde se escondiam e foram revelando aspectos impensáveis da meninice. E o que Alice (Alice no País das Maravilhas), Wendy (Peter Pan) e Dorothy (O mágico de Oz), protagonistas de clássicos infantis, deixam claro é que não eram, assim, tão cândidas. Inocência, aliás, não era exatamente a tônica do dia-a-dia das meninas. É a lição que se tira ao conferir o último volume da deliciosa série Lost girls, escrita por Alan Moore e ricamente ilustrada por sua mulher, Melinda Gebbie. Dessa vez, em O grande e terrível eles apelam para temas bem mais incisivos, como incesto e pedofilia – antes sugeridos, mas agora explicitamente detalhados. Ainda no hotel austríaco onde se encontraram de forma inesperada às vésperas da Primeira Grande Guerra, elas se reúnem para sessões de prazer extremo e revelações picantes. Dorothy, a mais jovem das três, confessa que, apesar das horas de diversão que tinha com os funcionários da fazenda no Kansas, nutria desejos secretos pelo pai, a quem chamava de tio. Todos supunham que o grau de parentesco era esse mesmo o que os unia. Mas, excitada com o incentivo das amigas, Dorothy Gale avança nas confissões: foi mesmo o pai quem a iniciou nos mistérios mais profundos do sexo. Juntos, viajavam a Nova York e lá experimentavam de tudo, sem pudores ou tabus. Até que um dia, de volta ao campo, a madastra da menina a flagou numa cena nada paternal. Foi quando Dorothy saiu pelo mundo, com a missão de virar uma mulher coquete.

Wendy Darling, aparentemente, uma pudica dona de casa, se transforma quando estimulada da maneira certa. É por ela que sabemos das brincadeiras perigosas que Peter Pan e seus amigos faziam nos parques de Londres. Viciada em sexo, a Wendy adolescente pintava e bordava em casa, com os irmãos, com o amigo Peter e até mesmo com o misterioso homem com mão em forma de gancho que perseguia a todos. Um dia percebeu a coisa que passava dos limites e entendeu que ele estava era se aproveitando dos meninos. Alice Fairchild, a mais velha e experiente do trio, sucumbe à pressão das amigas e experimenta coisas que há tempos não sentia. E acaba revelando que sua aversão aos homens não passa mesmo de medo. Constantemente drogada com ópio, à mercê de uma tutora insaciável, ela conta que teve, sim, envolvimentos com homens e que, obviamente, teve muito prazer com aquilo. Mas, ensinada a dominar, preferia exercer esse tipo de poder com outras mulheres.

À medida que a série avança, Alan Moore se torna cada vez mais explícito em sua narrativa. Claro que as imagens acompanham isso com louvor. Mas o importante é que em Lost girls o sexo ganha ludismo e poesia necessários. Até mesmo o que parece gratuito tem um sentido escondido na vida das personagens, vindas de universos completamente diversos. O resultado flui de forma harmoniosa, até porque Moore já tinha trabalhado dessa forma antes nos três volumes de A liga extraordinária, cruzando personagens extraídos de obras literárias de épocas e estilos diferentes.