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Brasil, futebol e sexo

No Brasil, o Mundial prepara-se para dar um abanão em todo o comércio, incluindo, claro, o comércio do sexo.

Os brasileiros são conhecidos por gostar das “escapadinhas” e os motéis são o lugar indicado. 

Alguns, como este, no Rio de Janeiro, estão a tentar transformar-se num hotel tradicional, para acolher os visitantes, mas sem descuidar a função inicial.

“O futebol e o sexo são as duas grandes paixões dos brasileiros. Agora, temos um conflito entre essas duas paixões. 

Não sejamos hipócritas, hoje o sexo faz-se em qualquer lado, não podemos dizer que este ou aquele local só serve para isso”, diz o gerente, António Cerqueira.

No Brasil, o dia dos namorados celebra-se a 12 de junho, justamente o dia de abertura do Mundial. Para os donos dos motéis, há toda uma mudança de calendário a gerir, para poder agradar quer aos casais de namorados quer aos visitantes do Mundial. 

A ideia foi antecipar a celebração para o dia 11 e oferecer descontos neste dia.

Futebol e sexo

Futebol e sexo não são incompatíveis, desde que o futebol seja praticado com parcimônia.

O problema é que nossos atletas são submetidos a uma rotina desgastante de jogos e treinamentos. É claro, esses excessos acabam prejudicando o desempenho sexual e criam sérios problemas de relacionamento em casa, com a patroa.

A questão fica agravada em época de campeonato. A imprensa está lá presente, registrando tudo, aí os caras exageram, perdem o controle e só pensam naquilo: futebol. E descuidam dos fundamentos que deveriam dominar e fazer acontecer debaixo dos lençóis, que, afinal de contas, é o que interessa para o desenvolvimento da espécie humana.

Em geral, os jogadores de um time ficam em concentração antes de uma partida. Concentração é uma tortura psicológica a que são submetidos os atletas com o objetivo de deixá-los com os nervos à flor da pele, para que possam estraçalhar os inimigos quando entrarem no ringue, quer dizer, no gramado. Ficam lá jogando sinuca, paciência e dominó. Uma maldade com esses rapazes na flor da idade, cheios de amor pra dar. Esse tipo de lazer inocente acaba funcionando como uma terapia ocupacional ao contrário. Afeta o equilíbrio mental dos caras que, perturbados, entram em campo bufando e transformam qualquer jogo em uma batalha de vida ou morte. Esse é o princípio da coisa, a estratégia por trás da clausura.

Imagine 23 homens trancados num lugar durante meia hora. Já é complicado. Mantenha o castigo por algumas horas. Vá aumentando a carga horária. Depois de 2 ou 3 dias os caras entram em desespero. Imagine então uma Copa do Mundo, onde o suplício pode chegar a 1 mês. Tem gente que começa a subir pelas paredes. E pra quem consegue subir paredes, é barbada pular o muro do campo de concentração - quer dizer, do hotel - e cair na noite. Como já se viu em mais de uma oportunidade.

No início, em qualquer concentração, a convivência é tranqüila. Mas em pouco tempo, no banho do vestiário, ninguém mais quer abaixar pra pegar o sabonete. Isso vai criando um clima pesado e afeta psicologicamente o grupo.

Minha opinião é que na próxima Copa do Mundo deviam liberar o pessoal pra cair na farra. Provavelmente não conseguiremos levantar a taça, mas o que importa, repito, é não perder o foco da questão fundamental que está em jogo: o desenvolvimento da espécie humana.