
Futebol e sexo não são incompatíveis, desde que o futebol seja praticado com parcimônia.
O problema é que nossos atletas são submetidos a uma rotina desgastante de jogos e treinamentos. É claro, esses excessos acabam prejudicando o desempenho sexual e criam sérios problemas de relacionamento em casa, com a patroa.
A questão fica agravada em época de campeonato. A imprensa está lá presente, registrando tudo, aí os caras exageram, perdem o controle e só pensam naquilo: futebol. E descuidam dos fundamentos que deveriam dominar e fazer acontecer debaixo dos lençóis, que, afinal de contas, é o que interessa para o desenvolvimento da espécie humana.
Em geral, os jogadores de um time ficam em concentração antes de uma partida. Concentração é uma tortura psicológica a que são submetidos os atletas com o objetivo de deixá-los com os nervos à flor da pele, para que possam estraçalhar os inimigos quando entrarem no ringue, quer dizer, no gramado. Ficam lá jogando sinuca, paciência e dominó. Uma maldade com esses rapazes na flor da idade, cheios de amor pra dar. Esse tipo de lazer inocente acaba funcionando como uma terapia ocupacional ao contrário. Afeta o equilíbrio mental dos caras que, perturbados, entram em campo bufando e transformam qualquer jogo em uma batalha de vida ou morte. Esse é o princípio da coisa, a estratégia por trás da clausura.
Imagine 23 homens trancados num lugar durante meia hora. Já é complicado. Mantenha o castigo por algumas horas. Vá aumentando a carga horária. Depois de 2 ou 3 dias os caras entram em desespero. Imagine então uma Copa do Mundo, onde o suplício pode chegar a 1 mês. Tem gente que começa a subir pelas paredes. E pra quem consegue subir paredes, é barbada pular o muro do campo de concentração - quer dizer, do hotel - e cair na noite. Como já se viu em mais de uma oportunidade.
No início, em qualquer concentração, a convivência é tranqüila. Mas em pouco tempo, no banho do vestiário, ninguém mais quer abaixar pra pegar o sabonete. Isso vai criando um clima pesado e afeta psicologicamente o grupo.
Minha opinião é que na próxima Copa do Mundo deviam liberar o pessoal pra cair na farra. Provavelmente não conseguiremos levantar a taça, mas o que importa, repito, é não perder o foco da questão fundamental que está em jogo: o desenvolvimento da espécie humana.