Falar de sexualidade sem falar de afetos não faria sentido, uma vez que dela são parte integrante e indissociável. Falar de afetos é falar de relação, visto que condicionam as nossas atitudes e comportamentos, são eles que nos aproximam ou afastam dos que nos rodeiam.
Como seres sociais o nosso dia a dia é feito de relações pelas quais somos afetados, porque a relação é dar e receber, torna-nos únicos e especiais, como seres pensantes com sentimentos, necessidade de pertença, sendo assim, os mais vulneráveis à face da terra.
O afeto é algo espontâneo no indivíduo e, ao mesmo tempo, é sinal de extrema sensibilidade da alma humana. As pessoas mais insensíveis ao toque e às trocas afetivas costumam apresentar mais dificuldade em conquistar um amigo. Uma das características das pessoas que não expressam a afetividade é a amargura para com a vida e o mundo.
A noção de sexualidade como busca de prazer, descoberta das sensações proporcionadas pelo contacto ou toque, atração por outras pessoas (de sexo oposto e/ou mesmo sexo) com intuito de obter prazer pela satisfação dos desejos do corpo, entre outras características, está diretamente ligada e dependente de fatores genéticos e principalmente culturais.
O desejo sexual evidencia-se com a adolescência, denunciando que o corpo se está a modificar, que cresceu e exige adaptações, mudanças de relações, e de responsabilidade. Conforme vamos crescendo, descobrimos também o prazer provocado pelo contacto sexual, através do estímulo que originamos em nós mesmos ou com outras pessoas.
Assim, a vivência da sexualidade na adolescência, torna-se numa fase de crescimento conflituosa, de grandes dúvidas e incertezas em que a educação sexual deve estar presente, pois caso contrário a falta de informação ou busca de informação de forma desadequada pode levar a atitudes incorretas, que podem por em causa o futuro dos jovens alterando-o e tornando-o difícil e infeliz.
Tendo em conta as ligações da sexualidade às outras dimensões da identidade pessoal e das relações interpessoais e a sua mediatização social, a educação sexual integra um vasto conjunto de áreas de aprendizagem, tais como os valores e os afetos, ou as questões de género, a estrutura de personalidade, ou as competências dos indivíduos para lidarem com a intimidade.
Nesse período, que é quando se inicia a vida sexual, o jovem precisa de se preocupar em prevenir doenças e a gravidez precoce, para que a etapa de adaptação às mudanças não seja ultrapassada.
No âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar, o programa de educação sexual tem vindo a ser implementado por profissionais de saúde da UCC Chaves 1, nomeadamente enfermeiros, em sala de aula com sessões interativas, desde o 1º ciclo até ao secundário nas escolas da sua área de abrangência.
Também está disponível a todos os alunos nas diversas escolas, um gabinete de apoio ao aluno (GAA) com o objetivo de transmitir conhecimentos, oferecer ajuda e apoio, na tentativa de os capacitar nesta área, para que cada um tome as suas próprias decisões. Proporciona confidencialidade das informações e respeita o direito e escolhas de cada um, permitindo ao aluno expor as suas dúvidas relativas à saúde em geral.
Estas atividades têm-se revelado pertinentes, uma vez que os alunos apresentam dúvidas e curiosidade num tema de crucial importância do desenvolvimento pessoal e social inerente ao crescimento do indivíduo.
Todo este trabalho não invalida o constante e importante papel dos pais, pois a família é a primeira escola da criança e deve ter como objetivo a busca e a prática do bem-estar físico, psicológico, social, afetivo e moral, da criança.