"Strauss-Kahn gosta do sexo, mas não das mulheres", diz Le Figaro

Posted on 2/16/2015 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

Capa do jornal francês Libération.
Os franceses acompanham há dois dias o julgamento de Dominique Strauss-Kahn por proxenetismo com um misto de curiosidade e indignação. Os depoimentos das mulheres que participaram de orgias e festas com o ex-diretor do FMI, assim como seus comentários de defesa, são esmiuçados pela imprensa. A audiência dessa quarta-feira (11) revelou a "sexualidade rude" de Strauss-Kahn, expressão que está em todos os jornais de hoje.

Com a manchete "Processo de uma prostituição ordinária", o jornal de esquerda Libération afirma em primeira página que os depoimentos de prostitutas e clientes envolvidos no caso mostram que, por trás de um cotidiano aparentemente banal, a prostituição oculta práticas sexuais "sórdidas, dolorosas para as mulheres e que a sociedade se recusa a enxergar". O choro das mulheres no tribunal de Lille é a prova dessa insensibilidade, diz o Libération.

O diário descreve o testemunho de Jade. "Alta e magra", Jade acusa Strauss-Kahn de saber que ela era uma prostituta, que ganhava dinheiro para fazer sexo com ele. Jade descreveu aos juízes uma noitada em 2009, ocorrida em uma boate belga, em que foi chamada para atender Strauss-Kahn. Chegando ao local, ela afirmou ter visto uma tal quantidade de "corpos entrelaçados" que teve a impressão de estar num "açougue" e se recusou a participar da orgia.

Relação anal violenta e imposta

Jade declarou que na mesma noite, dois amigos de Strauss-Kahn pagaram € 500 para que ela o acompanhasse até o hotel. No local, Strauss-Kahn teria submetido a mulher a uma relação anal com brutalidade, a tal ponto que, nas palavras de Jade, ela foi "empalada". "Nenhum outro cliente teve um comportamento assim comigo", disse Jade aos prantos.

A testemunha tem certeza que Strauss-Kahn sabia que ela era uma prostituta. "Se ele acreditasse mesmo que eu era adepta da libertinagem, teria perguntado se eu aceitava esse tipo de relação", acrescentou. Jade destacou que nos clubes onde se pratica a libertinagem as relações são consentidas e não chegam a esse grau de imposição e violência.

Sexualidade rude

O conservador Le Figaro observa que Strauss-Kahn fica irritado com as questões dos juízes, consideradas invasivas de sua intimidade. Na verdade, escreve o diário, "esse julgamento tem mostrado ao mundo o segredo que Strauss-Kahn tentou esconder a vida inteira: ele gosta de sexo, mas não das mulheres", avalia Le Figaro.

O jornal também detalha o depoimento de Jade e a defesa de Strauss-Kahn diante das acusações de brutalidade na cama. Na audiência de ontem, ele afirmou ter descoberto durante o processo que tem "uma sexualidade mais rude do que a média". O ex-diretor do FMI, que foi processado nos Estados Unidos pelo estupro de uma camareira de hotel, em 2012, ainda teve o mau gosto de salientar que pratica essa mesma sexualidade desenfreada com todas as mulheres que encontra.