O “arrependimento sexual” e a sobrevivência humana

Posted on 12/01/2013 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

Uma equipe de pesquisadores da área de psicologia descobriu um grande contraste no remorso entre
homens e mulheres em relação à atividade sexual, potencialmente lançando luz sobre a história evolutiva da natureza humana.

Entre os cientistas do estudo, estavam o psicólogo evolucionista David Buss da Universidade do Texas em Austin (EUA), Andrew Galperin, estudante de doutorado em psicologia social da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) e Martie Haselton, professor de psicologia social também da Universidade da Califórnia em Los Angeles. O artigo foi publicado na revista Archives of Sexual Behavior.

Os pesquisadores queriam entender como as emoções humanas, tais como o arrependimento, podiam desempenhar um papel importante na sobrevivência e reprodução.

Em três estudos, eles perguntaram aos participantes sobre seus arrependimentos sexuais. No primeiro, 200 respondentes avaliaram cenários hipotéticos em que alguém se arrependia de perseguir ou não perseguir uma oportunidade de fazer sexo. Eles foram, então, convidados a avaliar o seu remorso em uma escala de cinco pontos. No segundo estudo, 395 participantes receberam uma lista de arrependimentos sexuais comuns e foram convidados a indicar quais experimentaram pessoalmente. O último estudo replicou o segundo com uma amostra maior de 24.230 indivíduos, que incluíam entrevistados gays, lésbicas e bissexuais.

Os três principais arrependimentos mais comuns para as mulheres foram perda de virgindade com o parceiro errado (24%), trair um ex ou atual parceiro (23%) e tomar decisões sexuais muito rápidas (20%).

Para os homens, os três principais arrependimentos foram ser muito tímido para abordar um parceiro sexual em potencial (27%), não ter sido mais sexualmente aventureiro quando jovem (23%) e não ter sido mais sexualmente aventureiro durante seus dias de solteiro (19%).

Mais mulheres (17%) do que os homens (10%) incluíram “ter relações sexuais com um parceiro fisicamente pouco atraente” como um arrependimento principal.

Embora as taxas de realmente se envolver em sexo casual foram semelhantes entre os participantes de ambos os sexos (56%), as mulheres relataram arrependimentos mais frequentes e mais intensos sobre o assunto.

Comparando gays e lésbicas e homens bissexuais e mulheres bissexuais, um padrão semelhante foi visto. As mulheres tinham mais arrependimentos de atividade sexual ocasional do que os homens.

Os pesquisadores concluíram que os homens são mais propensos a se arrepender de não tomar medidas sobre uma ligação potencial, enquanto as mulheres são mais arrependidas de engajar-se em casos de uma só vez.

“Pressões evolutivas podem explicar essa diferença”, disse Haselton. “Para os homens, cada oportunidade perdida de fazer sexo com uma nova parceira é potencialmente uma oportunidade perdida de reproduzir – uma perda cara do ponto de vista evolutivo. Mas, para as mulheres, a reprodução significa muito mais investimento em cada prole, incluindo nove meses de gravidez e, potencialmente, mais dois anos de amamentação. As consequências do sexo casual são muito maiores para elas”.

O arrependimento vem depois do fato, portanto, não é protetivo, mas pode ajudar as mulheres a evitar uma ação potencialmente custosa para ela novamente.

Tendo em vista essa função “biológica” do arrependimento, é provável que os seres humanos continuem a moldar suas reações emocionais às relações sexuais da mesma maneira até hoje.

“Uma coisa que é fascinante sobre essas reações emocionais no momento atual é que eles podem estar longe das consequências reprodutivas do passado ancestral”, argumenta Haselton. “Por exemplo, nós temos métodos seguros de contracepção hoje. Mas isso não parece ter apagado as diferenças sexuais nas respostas de mulheres e homens, o que pode indicar uma história evolutiva de profundidade”.

O estudo não parece ter considerado o peso “social” que o sexo casual tem para as mulheres na sociedade moderna. Muitos podem argumentar que o mundo não anda tão igualitário no quesito gênero, e que mulheres são muito mais mal vistas quando se engajam em “casinhos” do que homens. Será que isso também não desempenha um papel no remorso que as meninas demonstram? Mais, será que esse custo social não está de alguma ligado ao biológico? Difícil saber. O que sabemos é: são elas que acordam arrependidas, quando não dormem com vontade.