O dia que publicidade impedir sexo e fumo eu me rendo

Posted on 9/01/2012 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

Campanhas de conscientização e informações sobre métodos contraceptivos não surtem efeitos e ‘encucam’ especialistas. Pergunto: como é possível que um panfleto deixe de segurar o ímpeto sexual de uma pré-adolescente em ebulição hormonal?

Porto Velho, RO – Dizem que se for pra criticar, tem de fazer melhor. Não igual, nem pouco a mais. Tem de ser MUITO melhor. Uma pena! Não vou poder falar absolutamente nada porque, sinceramente, eu não faço a mínima idéia de como frear desejos sexuais; se houvesse uma fórmula, talvez pudesse ter salvado alguns de meus ídolos.

Agora.., mesmo não sabendo nada sobre coisa alguma, algo é certo: não seria com um panfletinho do Ministério da Saúde que eu conseguiria impedir a morte de Mercury ou Renato Russo – que se foram por serem desvairados demais pelo picote.

Em trecho de uma matéria que revela os números absurdos em relação à gravidez na adolescência – especificamente abordando partos realizados no Hospital de Base, em Porto Velho –, uma frase se destaca:“...mesmo com todas as campanhas de conscientização e informações sobre os métodos de prevenção, o número de grávidas adolescentes vem aumentado a cada ano”.

Hum....

Sei lá, de repente não tenho mesmo nada a dizer.

Não lembro, por exemplo, de ‘se dirigir não beba’ coibindo bêbados e diminuindo acidentes causados por eles. Não me lembro da frase ‘drogas nem morto’ evitando a construção de novas unidades de reabilitação, tirando os zumbis do crack das ruas, nem impedindo o surgimento de novos traficantes.

Por fim, um desafio: além de retirar o que disse, faço uma retratação pública se e quando, comprovadamente, a publicidade (inclusos aí panfletinhos e eteceteras) influir positivamente em questões como o sexo ou o tabagismo.

Até lá nossos especialistas irão pasmar todas as vezes que, ao contrário das expectativas, os números os frustrarem.

Vinicius Canova