RIO: Conheça a rua do sexo na Ilha do Governador

Posted on 8/20/2012 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

Além da “vitrine” de mulheres expostas, os “negócios” entre clientes e prostitutas se desenvolvem.

O entra e sai em três “bares” na Praia da Guanabara, na Ilha do Governador, é frenético. À porta, mulheres com pouquíssimas roupas — algumas quase nuas — pescam clientes nas calçadas e nos trailers na orla em noites para lá de agitadas e barulhentas.

Uma autêntica Vila Mimosa a céu aberto e bem no meio de casas de classe média. Tudo diante dos olhos de policiais militares, que circulam em carros oficiais e mostram tranquilidade com o ambiente e as personagens.

Os três bares — localizados quase no fim da praia — funcionam como espécie de boate ou termas. A única diferença é que nada fica restrito a quatro paredes. É tudo escancarado. 

Além da “vitrine” de mulheres expostas nas casas, os “negócios” entre clientes e prostitutas se desenrolam na rua. Com direito a beijinhos, abraços e análise minuciosa das garotas — quando vestidos sobem, biquínis caem e bumbuns são empinados. 




Fio dental e botas

Nada a esconder. Uma das mulheres, na semana passada, apesar dos 17 graus no termômetro, desfilava bem à vontade — de fio dental e botas —, entre os carros e clientes.

Fez praticamente um strip-tease: rebolou para a plateia e parou os carros para conversar com interessados. Sumiu e, uma hora depois, retornou à rua, já com outra microcalcinha.

Os “negócios” fechados nas ruas sempre terminam dentro de bares. Nos fundos de alguns comércios, pequenas cabines funcionam como quarto de hotel. Os donos dos bares ficam com metade do valor dos programas, que vai de R$ 45 por 20 minutos até R$ 125 a hora.

Mas a tabela tem taxa mínima fixa: R$ 25 ficam com os bordéis. A cobrança é rigorosa e, no caso de o cliente levar a garota para os hotéis, é obrigado a desembolsar mais R$ 30 de "royalties".

Quem trapaceia corre o risco de ser flagrado pelos seis vigilantes dos bares espalhados na rua. Eles ficam exclusivamente de olho nas mulheres. A segurança é da PM.

Todos os dias, rigorosamente, patamos e patrulhas do 17º BPM (Ilha do Governador) passam pela Praia da Guanabara, entre 22h e meia noite.

Os agentes sempre param e conversam com as mulheres, cumprimentam alguns homens e seguem. Tudo bem natural.

PMs ignoram as cenas de prostituição

Todo pecado deve ser castigado pela tropa do 17º BPM (Ilha). O comandante do batalhão, coronel Ezequiel Oliveira de Mendonça, assegura que as ordens são para os soldados “coibirem os crimes tipificados no Código Penal”.

Nem todos seguem a cartilha. Nos dias em que O DIA observou a "rua do sexo" na Ilha, três patrulhas e uma patamo passaram nos bares e assistiram a cenas de prostituição. 

No cadastro do 17º BPM, duas viaturas não estão na frota do batalhão que na quinta-feira, às 23h10m, ficou pelo menos cinco minutos estacionada em frente à Lilian’s Bar — desde fevereiro, por problemas mecânicos, foi encaminhada à Júlio Simões, empresa responsável pelo aluguel de carros à PM.

A segunda, pertencia a um Gol descaracterizado, vendido pela corporação. Nos carros, estavam homens com fardas da PM e armados de fuzis.