Femen chega ao Brasil

Posted on 8/20/2012 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

O Femen chegou ao Brasil, mas você sabe do que se trata? O Femen é um movimento que nasceu na Ucrânia, em 2008, que diz ter como objetivo exterminar práticas como Turismo sexual, exploração sexual de adultos e crianças, sexismo e todo tipo de patriarcado. Segundo pesquisas realizadas pela equipe do SRZD, o Femen Br luta contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, é a favor dos indígenas e contra violência doméstica. 

O mais curioso do grupo é que as ativistas usam o nu para protestar. Segundo elas, seus corpos são armas de combate e com eles, elas mostram aos responsáveis pela indústria do sexo que no mundo existem garotas que usam a nudez para lutar e que jamais serão exploradas.

O SRZD entrou em contato com a antropóloga e professora de antropologia da UERJ, Paula Lacerda, para entender porque as ativistas do Femen escolheram a nudez para reivindicar. "Eu acredito que as manifestantes têm a expectativa de que a nudez possa atuar na desconstrução de barreiras impostas pela sociedade, tais como o tabu em torno do corpo e a vergonha que, desde meninas, aprendemos a ter. 

Ao despirem seus corpos, estas mulheres parecem estar chamando a atenção, de modo contundente, para a mercantilização do corpo feminino. Neste sentido, o que pode parecer um paradoxo é na verdade uma linguagem política que vem se mostrando bastante eficaz na repercussão de ações e protestos", explicou.

Uma das grandes questões que envolvem o movimento é o impacto que ele pode causar na sociedade. Paula Lacerda mostrou como a mídia explora a nudez. "No Brasil, durante a Cúpula dos Povos, por exemplo, houve uma manifestação pelo direito das mulheres em que algumas participantes tiraram suas blusas, e isso ganhou muita atenção da mídia. 

Para outras participantes deste mesmo protesto, a mídia teria explorado a nudez e obscurecido as demandas das mulheres o que seria, na visão dessas manifestantes, mais uma face da exploração do corpo feminino e de boicote aos protestos", declarou.

Por não estar dentro dos padrões normais, o Femen pode acabar causando uma antipatia da sociedade contra as causas que defende. Para a antropóloga, além da antipatia, por ser uma mobilização social, o movimento pode atrair simpatia. "Como toda forma de mobilização social, o movimento Femen está sujeito a antipatias e simpatias, tanto por parte da sociedade mais ampla, quanto por parte dos outros agentes e instituições que atuam neste campo político. 

O que me parece importante em termos do engajamento, é não se isolar enquanto movimento social, mas construir sua força em conjunto", concluiu Paula Lacerda, antropóloga e professora de antropologia da UERJ.