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Presidente do Conselho Islâmico de Moçambique critica incentivo ao preservativo e associa a transmissão do HIV à melhoria da qualidade de vida da população
Posted on 12/10/2009 by UNITED PHOTO PRESS
Na recente cerimónia central alusiva ao Dia Mundial de Combate à Sida, promovida pelo Conselho Nacional de Combate ao HIV e Sida na Presidência da República, o sheik Aminuddin Mohamad foi convidado para representar os muçulmanos no evento, e dar sua mensagem sobre a problemática que envolve a epidemia.
Na ocasião, Mohamad criticou o incentivo ao uso do preservativo como principal estratégia de prevenção do HIV, provocando polémica na platéia presente no evento.
Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias de Resposta ao SIDA, o sheik reiterou sua opinião sobre o preservativo; criticou o Governo pela fraco combate nacional contra a doença; e disse que a televisão está a colaborar com a propagação do HIV porque transmite programas pornográficos.
Questionado sobre qual seria o principal factor para a propagação do HIV em Moçambique, o convidado pelo Governo na cerimónia central afirmou:
“Em parte o HIV tem a ver com a evolução das coisas, por exemplo, se você deixa fechada uma pessoa dentro de um quarto por uma semana sem dar comida ou outra coisa, depois de retirar–lhe de lá com barriga vazia e perguntar–lhe se quer mulher ou pão ele vai responder que quer pão. Se barriga está vazia, não há pensamento no sexo. Isso significa que como a vida do moçambicano melhorou e a barriga já está cheia, ele procura descarregar em algum lado, na forma de sexo. Não estamos contra o bem estar, temos é que disciplinar as pessoas.”
Além de presidente do Conselho Islâmico de Moçambique, Aminuddin Mohamad escreve artigos opinativos para os jornais Savana e Zambeze.
Em Moçambique, estima-se que cerca de 18 por cento da população é muçulmana, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
Confira a entrevista na íntegra:
Agência SIDA: Na recente cerimónia alusiva ao Dia Mundial de Combate à Sida, promovida pelo Governo, o senhor disse em seu depoimento ser contra o preservativo como método principal de prevenção do HIV. Por que se opõe a este método de prevenção?
Sheik: Não mostrei oposição em se usar o preservativo, mas nós temos que focar muito mais na questão da moral, devemos olhar para a questão ética. Os números estão a aumentar e vocês como media, o Governo, as organizações privadas, a sociedade civil têm uma obrigação de focar nesta questão. Nós achamos que o discurso do sexo seguro é uma aprovação ou um carimbo para a promiscuidade óbvia… É uma desconsideração geral para a santidade de relações sexuais dentro do casamento. Estamos a ver que esta campanha de preservativos não deu resultados suficientes, está sendo gasto muito dinheiro na produção de preservativos e na sua distribuição a nível de todo mundo, mesmo assim os números continuam a crescer alarmantemente. É altura de olhar para outros meios de prevenção.
Agência SIDA: A religião muçulmana então não é a favor da camisinha para enfrentar o HIV?
Sheik: A igreja Católica opõe-se completamente ao preservativo, nós como muçulmanos não nos opomos ao seu uso, devemos estudar caso a caso. Por exemplo, se uma mulher não quer conceber, pode usar o preservativo para evitar a gravidez indesajada, excluindo outros meios que possam perigar a sua saúde. Não estamos a favor do uso do preservativo para casos de jovens solteiros, porque isso estimularia os jovens a promiscuidade. Usando o preservativo os jovens perdem a vergonha de praticar o sexo ilícito, dizem “vamos fazer sexo e a vergonha não vai ser descoberta.” Os jovens devem casar e ter moral como forma de não propagação do HIV.
Agência SIDA: E o facto da religião muçulmana permitir a poligamia, em que um homem pode se casar com até quatro mulheres? Isso não possibilita a disseminação do HIV mais do que o incentivo ao preservativo?
Sheik: Nossa religião não permite variedade de parceiros, a religião insiste na limitação de parceiros. A poligamia de forma alguma pode contribuir para a propagação da pandemia, porque no sistema polígamo muçulmano uma mulher está confinada a um marido. Um marido pode ter quatro mulheres, mas elas estão confinadas a um homem. Nós sabemos que os países árabes são polígamos, mas os números (do HIV) lá são baixos. Se a pessoa anda com múltiplos paraceiros sem restrições pode contrair a doença.
Agência SIDA: Mas há relatos, principalmente no Norte de Moçambique, de casos de infidelidade entre um homem muçulmano que está para quatro mulheres. E é possível garantir que essas mulheres também sejam fiéis a um único homem?
Sheik: Se seguirmos a religião islâmica a letra não há problema nenhum, mesmo na monogamia entre mucúlmanos se houver infidelidade pode–se contrair o vírus.
Agência SIDA: De que forma o senhor credita que o islamismo pode contribuir mais no combate da Sida?
Sheik: Ora vejamos, na região Sul estamos com 21 por cento (de seroprevalência entre os adultos), no Centro 15 por cento e no Norte 9 por cento, mas nesses números há um pormenor muito interessante que é o papel da religião. O norte é a zona onde há maior concentração de muçulmanos. Lá, apesar da pobreza toda, o índice do HIV é menor que no Centro e no Sul e isso não é só em Moçambique, é uma questão global. No Norte de África, onde a predominância é de países islãmicos, a seroprevalência é muito reduzida em relação aos países do Sul do Sahara, que é a região subsahariana. A religião tem um papel fundamental nesses números, uma influência enorme nas pessoas, por isso digo vamos utilizar a religião como escudo para travar o avanço desta pandemia.
Agência SIDA: Que avaliação faz da media, das ONGs e do Governo no combate a este flagelo?
Sheik: A imprensa, o Governo e as empresas estão a colaborar para a propagação do HIV, porque passam programas televisivos, revistas… Os jornais são quase todos pornográficos… Tudo isso contribui para a propagação do HIV e Sida. Isso é antagónico, porque, por um lado falamos em prevenção e na doença, mas, por outro, promovemos comportamentos que nos remetem ao adultério. “Se o senhor diz, evite açucar porque sofre de diabete”, nos não estamos nos tratar e fazer dieta para controlar a doença (Sida). A dieta é a prevenção, mas nós queremos acabar com o mal sem fazer a dieta, o que não é possível.
Agência SIDA: Especificamente o Governo, que avalição faz na resposta ao HIV?
Sheik: Olhando para os números, a avaliação do Governo não é positiva, as estatísticas indicam que o número está fora do controlo, alguma coisa não está bem. Há pessoas que dizem que se está a receber muito dinheiro no combate à Sida, mas o dinheiro não chega às pessoas. Talvez o Governo não esteja a cumprir a 100 por cento a sua missão, se estivesse a cumprir os números podiam baixar.
Agência SIDA: O que sugere ao Governo para melhorar a situação na resposta ao HIV?
Sheik: Eu acho que o Governo deveria criar parcerias com as religiões, porque a religião tem uma grande influência na população, juntos a mensagem sobre Sida poderia chegar mais longe, pois 90 por cento da população é religiosa.
Agência SIDA: Sendo algumas religiões contra o preservativo, pode essa aliança entre o Governo e as religiões na prevenção do HIV?
Sheik: Essa é a posição da igreja oficial. Na prática, os adeptos dessas mesmas religiões já estão a chegar a conclusão que o preservativo tem um papel. Eles acreditam que se propagar o preservativo com intensidade sem moralidade irá contribuir para a promiscuidade, esse é o principal problema.
Agência SIDA: Considera o preservativo um meio seguro então?
Sheik: Deve ficar bem claro, apostar só no preservativo acho que está errado, com preservativo a gente tem que apostar na moral, talvez os dois juntos vão dar resultados. A gente quer dar liberdade aos jovens de fazer a sua vida. Basta usar o preservativo não há balizas, limites na vida, isso não vai dar, isso significa que devemos aplicar a moral. Diz–se que até os preservativos não são seguros, mesmo usando o preservativo você corre o risco. Está se a apostar no preservativo como forma de prevenção, mas esta forma falhou, gastou–se milhoes de dólares na produção do preservativo e hoje reconhecem que não é um método 100 por cento seguro. Devíamos pensar noutros métodos. Os números são ascendentes e estudos apresentados mostram que o preservativo não está a dar resultados. Vamos apostar numa coisa que falhou?
Agência SIDA: Qual seria o principal factor para a propagação do HIV em Moçambique, na sua opinião?
Sheik: Em parte o HIV tem a ver com a evolução das coisas, por exemplo, se você deixa fechada uma pessoa dentro de um quarto por uma semana sem dar comida ou outra coisa, depois de retirar–lhe de lá com barriga vazia e perguntar–lhe se quer mulher ou pão ele vai responder que quer pão. Se barriga está vazia, não há pensamento no sexo. Isso significa que como a vida do moçambicano melhorou e a barriga já está cheia, ele procura descarregar em algum lado, na forma de sexo. Não estamos contra o bem estar, temos é que disciplinar as pessoas.
Agência SIDA: Em algum momento, na cerimônia do 1 de Dezembro, o Sheik disse “A potência sexual está a matar mais que do que a potência nuclear.” O que quis dizer com essas palavras?
Sheik: De facto os números indicam isso mesmo. Milhões de pessoas já morreram por causa do sexo, e parece que a bomba nuclear não matou tanta gente assim. Cada um de nós, de facto, tem essa arma entre as pernas, se você andar aí descontroladamente a disparar vai criar estragos. Nós, como religiosos, dizemos que devemos controlar essa arma, não proíbimos o sexo.
UNITED PHOTO PRESS
Fernando Fidélis/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 10.12.2009
Fernando Fidélis/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 10.12.2009
