Cientista revela passado de prostituta

Posted on 11/17/2009 by UNITED PHOTO PRESS

Cientista que pesquisa o efeito dos pesticidas nas crianças e fetos e investigadora na área do cancro, revela passado de prostituta de luxo, para pagar estudos. Tudo contado num blogue que correu o Mundo e agora assumido na pessoa de Brooke Magnati.


belleO mistério que entusiasmou o Reino Unido e fez sonhar a blogosfera mundial foi desvendado. A autora do blog erótico "Belle de Jour" é uma cientista inglesa da área da oncologia, que viveu uma vida dupla como prostituta de luxo durante 14 meses.

Brooke Magnanti, ou como é tratada nos média britânicos, a Dra. Brooke Magnanti, de 34 anos, assumiu-se como a autora do "Belle de Jour" - "Diário de uma Call Girl", blogue que alimentou páginas de comentários, no estrito senso literário. Porque das linhas desempoeiradas e divertidas de "A bela da tarde" se terão alimentado muitos sonhos e expectativas.

O mistério durou seis anos. Cresceu, de blog erótico na Internet, fez-se best-seller em livro e até deu uma mini-série televisiva protagonizada pela actriz Billie Piper. Meia dúzia de anos volvidos, Brooke Magnati, a Dra Brooke, cientista que combate o cancro, confessa ser a autora dos textos autobiográficos e a mulher que vestiu, durante 14 meses, a pele de uma prostituta de 300 libras à hora (cerca de 335 euros).

A nu, como Catherine Deneuve

Prostituta de luxo durante 14 meses, entre 2003 e 2004, actualmente a trabalhar como cientista na área da oncologia, escolheu as páginas do sério jornal "The Times" para se revelar e acabar com o mistério sobre a verdadeira identidade da autora de “Belle de Jour”, blogue que bebe o nome no título do filme homónimo de Luís Buñel, com Catherine Deneuve a mostrar mais pele do que era habitual em 1967.

A mulher que se iniciou na prostituição de luxo quando se mudou para Londres, para pagar o doutoramento, é especialista nas áreas de desenvolvimento neurotoxicológico e no cancro epidmogólgico. O sexo pago a 335 euros à hora ajudou-a a obter o doutoramento em Ciência Forense, a que soma outros dois diplomas: Informática e Epidemiologia.

Brooke Magnati, a Dra Magnati, trabalha no Centro de Pesquisa de Saúde Infantil de Bristol. Prostituta de luxo durante 14 meses, faz parte de uma equipa que estuda os efeitos da exposição a pesticidas de fetos e crianças.

Pai fez sexo com 150 prostitutas

Respondido o quando (entre 2003 e 2004), o quem ("com dezenas ou centenas de homens") e até o quanto (335 euros à hora) vai-se além do como ("em sessões, normalmente, de duas horas"), até aos porquês: precisava de dinheiro e não tinha objecções a ser paga por sexo.

“Não posso ter a certeza enquanto não falar com ela, mas talvez o meu comportamento a tenha influenciado”, admitiu Paul Magnati, ao confessar, nas páginas do “The Daily Telegraph”, que fez sexo com mais de 150 prostitutas.

“Acho que ela percebeu que as prostitutas são apenas pessoas, que não são o estereótipo a que as pessoas normalmente as associam”, argumentou Paul Magnati, que enveredou pelo caminho do sexo pago após o divórcio com a mãe de Brooke, há 10 anos. As prostitutas, companheiras de tantas viagens, “são pessoas com bons corações que tiveram problemas nas suas vidas”, acrescentou o pai da mulher que fez sonhar tanta gente, de borla, com um blogue vivaço e bem escrito, e uma quantas dezenas de homens por 300 libras à hora.

"Não queria mais guardar este gigantesco segredo"

Um mistério que acabou, esta semana, nas páginas dos jornais. "Estava na hora de contar. Sentia-me tão desprotegida e tinha tanta paranóia por permanecer anónima. Estava a mexer muito com as minhas emoções. Não me preocupa o que vai acontecer, só não queria mais este gigantesco segredo a pairar sobre mim”, disse Brooke Magnati, ao “The Times”, em entrevista única e exclusiva.

“Sabe tão bem estar deste lado. Não ter de contar mais mentiras e esconder coisas das pessoas de quem realmente gosto”, desabafou, ainda no “Times”. O mestrado em informática ajudou-a a apagar as pegadas digitais e a manter-se anónima durante seis anos, apesar de inúmeras especulações e cogitações sobre a verdadeira identidade da “Belle de Jour”.

Será homem, será mulher? Será que existe, além de escritora da blogosfera, como mulher verdadeira? Será verdade e autobiográfica a história contada em pequenas histórias de uma prostituta de luxo relatadas anonimamente na blogosfera? “Fui um dos primeiros bloggers anónimos, comecei a escrever em 2003 e na altura era relativamente fácil permanecer no anonimato”, revelou a dra Magnati.

Disse mais, ao “Times”, sobre o segredo seis anos guardado a sete chaves e meia dúzia de amigos e um namorado compreensivo, que soube tudo antes de o relacionamento entre ambos se tornar sério, há cerca de um ano. “Cheguei a um ponto em que manter segredos e não ser verdadeira com os outros já não funciona”, disse a “Belle de Jour”, Brooke para as colegas da equipa trabalho, todas mulheres. “Apoiaram-me imenso e foram muito compreensivas quando lhes disse a verdade”, recordou.

Universidade sem preconceitos

Compreensão, ou se calhar apenas simples profissionalismo, também da parte da Universidade de Bristol. “Este aspecto do passado da Dra Magnati não é relevante para as funções que desempenha actualmente na universidade”, disse Barry Taylor, director de marketing e comunicação daquele estabelecimento de ensino, em declarações à CNN.

A revelação do passado como prostituta de luxo está a suscitar reacções muito diversas na sociedade britânica. Mas no mês passado, ainda antes de se saber a identidade da “Belle de Jour”, o arcebispo de Iorque, John Sentamu, escrevia no website que protagoniza que “ficção” como esta ajudava a criar o “mito” de que as trabalhadoras do sexo “eram mulheres independentes e poderosas com a supremacia que tinham sobre os homens”.

Brooke Magnati fez questão de responder. “Não podem dizer que não sou real e que a minha experiência não é real”, disse. Reconhecendo que as trabalhadoras do sexo têm “histórias terríveis”, como é o caso de uma tia que se prostituiu nas ruas para pagar o vício da droga, a Dra. Brooke reconheceu que teve “uma grande sorte”, por ter entrado e saído do mundo da prostituição sem mazelas aparentes ou assumidas.