Global Volatility Drives Demand for European Residence Programs
-
Brexit, Bolsonaro, and the ongoing anti-government protests in Hong Kong
are all contributing towards a significant spike in interest in the
Portugal Gol...
Sexpo – Feira do Sexo Gallagher Convention
Posted on 10/07/2009 by UNITED PHOTO PRESS
Obama e John MacCain, na obra de Pricasso
Junho de 1991. Lá se vão quase vinte anos desde que o último presidente branco da África do Sul – Frederik Willem De Klerk – revogou o regime do Apartheid, que separava brancos de negros.
Corredores e stands concorridos durante a Sexpo
Em abril de 1994 as primeiras eleições democráticas conduziram Nelson Mandela à presidência da República. Mesmo depois de tanto tempo, eu tinha a impressão de que Johanesburgo ainda vivia um comportamento muito conservador, tornando as pessoas reclusas. Some-se a isso a influência do introvertido comportamento britânico de muitos descendentes que vivem na África do Sul.
Analise comigo: aqui a maioria das pessoas dorme cedo. Chega a ser pecado ligar pra alguém depois das 8 da noite. Restaurante aberto depois das dez? Quase impossível. Serviços de entrega nesse horário? Não conheço. Casais de namorados andando pelas ruas ou se beijando em público? É raro.
Enfermeiras, dançarinos e fetiches em Johannesburgo
Mas qual não foi minha surpresa ao visitar a Sexpo – Feira do Sexo – nos últimos dias? A fila pra entrar no Gallagher Convention Centre, um dos maiores do país, dava voltas no quarteirão. Pessoas de todos os sexos, de todas as idades e tendências esperavam felizes (o termo correto em inglês seria “excited”) para entrar no Pavilhão (como diria o jornalista Agamenon Mendes Pedreira: “sem trocadilho, por favor”) de 12 mil metros quadrados e visitar os quase 400 concorridos stands montados no local.
“Sexo é um estilo de vida, não importa se você é conservador ou não. Johanesburgo está abraçando esta causa”, explicou um dos organizadores da Feira à reportagem da Rede Record.
Logo na entrada vimos uma exposição de quadros e estatuetas sensuais. É claro que o artista contratou uma modelo escultural para desfilar entre os objetos de arte. A cada pose da moça, centenas de máquinas e celulares piscavam os flashs em direção à modelo. Entre as obras, havia um busto de Mandela. Pode parecer exagero meu, mas a sensação que tive é que Madiba, como o eterno líder sul-africano é chamado aqui, sorria discretamente. Veja na foto se estou mentindo.
Mulheres com o corpo pintado dão entrevista durante a Sexpo
O que mais chamou atenção das mulheres estava no portão principal do Centro de Convenções: uma escultura de gelo de dois metros de altura, em forma de pênis. As moças sul-africanas, incluindo nossa produtora, tiravam fotos abraçadas com aquele “negócio”. Não ouso publicar a imagem aqui. Acho que Johanesburgo está me deixando conservador também.
Lá dentro o que predominavam eram animação e descontração. Pessoas felizes, sorridentes, se esbarravam nos enormes corredores. Entrei num stand só com camisinhas animadas. Algumas traziam gracinhas impressas do tipo “Não deixe secar”. Outras vinham com signos do Zodíaco e as respectivas características sexuais de cada um. Cada uma em formato de cartão de visitas. Por dentro o preservativo. Na embalagem, nomes e dados do indivíduo. Ou seja, quem ganhava um cartão, levava de brinde o preservativo.
Uma cabine com vários headphones disponíveis convidava o visitante a ouvir relatos de fantasias eróticas vividas por anônimos. Pelos risinhos e outras expressões de surpresa dos ouvintes, imaginei que as histórias eram curiosas. Como havia muito o que conhecer, este repórter preferiu não ouvir os detalhes das gravações. Juro que não foi por conservadorismo. Era tempo curto mesmo.
Outra infinidade de atrações aguardava o público: distribuidores de vinhos atraíam os que não dispensam uma boa uva antes de namorar. Academias de ginástica mostravam exercícios que melhoram o desempenho sexual. Laboratórios mostravam pílulas que prometem potência além do normal. Moças e rapazes vestidos com trajes provocantes cruzavam o caminho dos freqüentadores a toda hora. Uma boate de strip-tease dentro da feira levou milhares de casais a o
Modelo e Mandela
cupar as mesas. Terapeutas montaram suas macas e faziam massagens nas visitantes que pagassem o equivalente a 40 reais. Era preciso tirar a roupa. E as clientes ficavam nuas, à vista de quem passava pelos corredores. Não havia constrangimento.
O artista Pricasso em ação
Mas uma das atrações que mais chamou atenção foi o intrépido Pricasso, um senhor cinqüentão que pinta rostos de anônimos e famosos utilizando o órgão sexual. Primeiro ele tira uma foto do cliente e o computador imprime o desenho numa folha de papel. Depois, Pricasso passa o pênis na bandeja de tintas e colore a moldura. Tudo isso com dezenas de curiosos em volta do stand. Nada mais autêntico.
Tinha espaço para assunto sério também. Palestras promovidas por um fabricante de preservativos davam dicas sobre sexo seguro. Assunto de extrema importância no país que tem onze por cento da população contaminada pelo vírus HIV. O mesmo problema atinge um terço das mulheres grávidas no país. As sessões eram sempre concorridas.
E como sexo não é tudo, os organizadores montaram a Capela do Amor, onde dezenas de casamentos foram realizados por um reverendo de Johanesburgo. Ao pedirmos autorização para filmar um dos casais, a noiva lembrou que não tinha contratado ninguém para fazer imagens e nos pediu cópias da fita.
O sucesso da anual Feira do Sexo em Johanesburgo animou os organizadores. Houve um aumento de vinte por cento no número de visitantes, em relação ao ano passado. Com casa cheia todos os dias e previsão de faturamento equivalente a oito milhões de Rands, cerca de um milhão de dólares, o evento pode ter um dia a mais a partir do próximo ano. Ao invés dos atuais 4 dias de duração, os coordenadores estudam a possibilidade de estender para 5 dias, em 2010. Cada ingresso vendido este ano custou o equivalente a 50 reais, por cabeça. Nada mau para uma exposição que reuniu quase quinze mil pessoas por dia. Além da ex-conservadora Johanesburgo, a Sexpo tem edição também na paradisíaca Cidade do Cabo. Acho que me enganei. O conservadorismo aqui não é tão grande. Agora vou chamar o país de África do Sexo.