O Homem que mudou o jeito de olharmos o sexo completa 83 anos

Hugh Hefner sempre é visto em eventos ao lado de suas playmates |
Em 2003, em uma entrevista, Hefner brincou que as três maiores invenções da humanidade foram o fogo, a roda e a Playboy. Segundo ele, antes da revista ser lançada, ninguém fazia sexo. Na realidade o empresário teve sua iluminação criativa em uma época em que sexo começava a sair do escuro e do proibido para entrar nos lares americanos, especialmente depois do controverso relatório Kinsey, que expunha a sexualidade e manias da classe média. A grande sacada é que mais do que uma revista de sexo, a cria de Hefner era uma publicação voltada para um estilo de vida onde sexo era apenas um dos componentes. Não só mostrava a garota da porta ao lado, nua, como também em suas páginas desfilavam grandes escritores, cronistas, matérias interessantes e tudo o que o jovem solteiro da época queria ler para se tornar um homem mais completo. E dentro da visão de Hefner, a revista também alavancou o movimento feminino justamente por mostrar que meninas boazinhas também transavam. Era uma quebra total de paradigmas vigentes na época, onde havia dois tipos de garotas: as virginais e as liberadas, e apenas as primeiras eram consideradas produto para um casamento ou relação de longo prazo. A atual presidente do grupo, Christie Hefner, filha de Hugh, corrobora essa visão na introdução do livro O Mundo de Playboy. "Reconhecemos que mulheres podem ser patrões, e companheiras de bebidas ou mentores ou colegas. A revista escreve sobre isso, sobre ambas as possibilidades e complexidades na relação homem-mulher". Até mesmo um dos mais radicais representantes da direita americana, William F. Buckley Jr, que faleceu em fevereiro de 2008, foi colaborador da revista por mais de 40 anos. Era a idéia de Hefner dar abertura aos vários lados da mesma história, mesmo que este lado fosse, em princípio, contra sua filosofia. Quando perguntado certa vez qual seria a solução para o crescimento populacional, Buckley disse: "faça as pessoas pararem de ler Playboy!". Outro exemplo foi uma visão diferenciada de Cristo, escrita por um pastor batista anti-Playboy, Harvey Cox, que saiu na revista na década de 70 e ainda foi premiada. A brincadeira de que as pessoas compravam Playboy pelas reportagens e entrevistas não era tão infundada assim. Foi nas páginas de Playboy que leitores conheceram a história de Ron Kovic, depois transformada no filme Nascido em 4 de julho ou o texto do hoje diretor, Cameron Crowe, que virou o filme Picardias Estudantis com Sean Penn, leram a última entrevista de John Lennon, a visão de Fidel Castro sobre o mundo nos anos 70 e viram o puritano presidente americano Jimmy Carter discorrer sobre suas fraquezas. A revista investia também em artistas de primeira para ilustrar suas matérias e também não se esquecia da música, quando os leitores participavam de eleições de melhor músico do ano em várias categorias, começando com jazz nos anos 50 e 60 e incorporando o rock depois. Hoje Hefner vive na mansão Playboy com suas muitas mulheres e ainda tem um prestígio inigualável entre políticos e artistas. E quer mais um motivo para invejar o homem? Quando ele entrou na terceira idade, o Viagra foi lançado. Parabéns, Mr. Hefner.