No início, filmes que tinham strip e beijo eram catalogados como pornográficos

Posted on 3/29/2009 by UNITED PHOTO PRESS

Nem bem os irmãos Lumière avisaram ao mundo que um novo meio de comunicação passava a existir, e o cinema adulto, ou pornográfico, já começava a existir também. Na ocasião, porém, o material adulto era composto de cenas de strip-tease ou mesmo de beijos. No final do século XIX, nem mesmo o fato de ser mudo, de a barba do ator cair durante a filmagem ou mesmo de o câmera interceder e tirar a perna de uma atrizes do meio da cena atrapalhou o sucesso do filme ‘Free Ride’, revela o site IMDB (especializado em arquivos de cinema). O que importava era ver o que até então só aparecia em parcas páginas de revistas, em panfletos ou dentro de um quarto com um parceiro (a). “A pornografia existe em todos os meios e já foi descoberta até em civilizações antigas”, disse Jéssica Vaccaro, diretora de Comunicações do Museu do Sexo de Nova York (EUA), por e-mail. Em grego, "porn" significa ‘prostituta ou aquele que se prostitui, depravado’, segundo o dicionário Houaiss. Não há registro de quem, como e onde começou a pornografia. Ela surge basicamente onde o homem está. E não importa se o país é governado por censores rígidos ou se existe liberdade total. O tema é sempre bem procurado. “O filme pornô chama atenção pelo sexo em si. O sexo é uma coisa que causa uma certa curiosidade, e tem um pouco de voyeurismo. Assistir a cenas de sexo muitas vezes instiga as pessoas”, afirma a terapeuta e sexóloga da Unifesp, Mara Pusch.


Séculos atrás, indianos já mostravam o que sabiam sobre o sexo e principalmente sobre a pornografia. Depois, ele chegou a ser usado inclusive como forma de crítica política, como revela o livro ‘A invenção da pornografia’, de Lyn Hunt (editora Hedra). O que vem a seguir, pode ser considerado como uma espécie de ‘aparar as arestas’. Na verdade, o sexo saiu de esculturas e poucas obras em papiro e virou uma febre mundial. Principalmente depois da chegada da Revolução Industrial e de suas máquinas gráficas. A partir daí, o que era feito manualmente e levava meses ou anos para ficar pronto passou a ser feito em horas, minutos ou mesmo segundos. E em grandes quantidades. “A partir de 1880, outros países (além de Inglaterra e França) passaram a produzir literatura pornográfica, fato que sugere a relação entre pornografia e democracia”, revela a obra ‘A invenção da pornografia’.

Nas telas

O filme americano ‘Free Ride’ ou ‘Grass sandwich’ (‘sanduíche de grama’) foi um dos primeiros a ser catalogado como ‘adulto’. Mas, antes dele, até filme com beijo na boca chegou a ser registrado como pornô. Em 1896, 'The May Irwin Kiss' (veja o video aqui no site do YouTube) , mostra o beijo (ou o que seria quase um ‘selinho’ nos tempos de hoje) de May Irwin e John Rice. No ano seguinte, porém, aconteceu quase uma ‘revolução’ na indústria pornográfica. O francês 'Après Le Bal' (1897) ou After the Ball, como foi traduzido para o inglês (‘Depois do baile’ em português), também foi um curta mudo. Com duração de 72 segundos, mostra uma mulher entrando em uma banheira e sendo ajudada pela empregada. O que o tornou pornô, na ocasião, foi justamente o strip da patroa. Também mudo, o alemão 'Am Abend' (1910) mostrou provavelmente o primeiro ato de masturbação feminina e, em seguida, cenas de sexo com um homem. A partir da década de 1920, os filmes pornôs começaram a ganhar som. Mas, por ser um material tido como 'proibido' na sociedade, muito dele ficou perdido. Só a partir dos anos 1960, com a chegada da chamada ‘revolução sexual’, o cinema pornô passou a ter destaque e até premiações. Com cenas cada vez mais picantes, os filmes começaram a ganhar astros e estrelas (muito) bem pagos. A partir de 1980, os Estados Unidos passaram a abrir salas de cinemas só com esta finalidade. Desde então, o videocassete e o DVD só ampliaram a comercialização. Atrizes entraram para o mundo político (caso da italiana Ilona Staller, mais conhecida como Cicciolina). E celebridades de outras áreas passaram a ser convidadas para os filmes pornôs.

Como o caso da Miss EUA 1991 ou mesmo de atores e cantoras brasileiras que passaram a figurar a lista de mais vendidos no país, mostrando que a indústria do pornô parece que não vai parar tão cedo.

Foto: Reprodução