Liberdade sexual ou sexo sem afeto ?

Posted on 10/29/2008 by UNITED PHOTO PRESS

Não havendo necessidade de forçar o gesto ele será espontâneo, uma conseqüência natural, e não uma imposição. E o espontâneo não causa incerteza, culpa, medo, mal estar, ansiedade.A revolução sexual liberou os costumes, questionou os papéis tradicionais, dissolveu muitos preconceitos morais e eliminou grande parte dos conflitos, transformações benéficas não podemos negar.Mas, para muitas pessoas, o saldo dessa experiência acabou provocando efeitos devastadores: criou barreiras contra o amor, o carinho, a intimidade, e a continuidade do relacionamento.As pessoas, magoadas na luta por um relacionamento mais significativo, acabaram vestindo a couraça do distanciamento, da frieza, do medo. Foram defesas criadas para proteção, já que, desta forma, ficou mais difícil ferir-se, decepcionar -se.Encarar o sexo despojado de envolvimento, um sexo que apenas reforça a negação dos sentimentos e do conhecimento mútuo, onde não se respeita o próprio limite e o limite do outro, faz com que as pessoas cultivem o hábito de um prazer efêmero e ilusório na tentativa de preencher um vazio, uma "falta", que nunca é preenchida.Aí está a tragédia: pessoas sedutoras, explorando a sede de intimidade, ou carência de outro ser humano. E mais, pessoas que satisfeitas fisicamente, continuam ansiando pelo encontro verdadeiro, pela continuidade, por uma relação mais inteira.
Nos "tempos de liberação" que vivemos, ainda existe o conflito entre a necessidade de se defender até que nasça o sentimento, e a vontade de se entregar sem reservas. E os tropeços acontecem quando se tenta encontrar o elo de ligação entre esses dois pólos. Sem carinho, sem conhecimento prévio, "sintonia emocional", o sexo pode fazer mal pois não consegue suprir o vazio, e a insatisfação vem à tona com uma força ainda maior depois do ato sexual.Sexo sem afeto, sem a segurança de gostar e estar sendo gostado pelo que se é, como pessoa inteira, e não só pelo prazer que se pode proporcionar, é apenas sedução, exploração, manipulação.Um escudo contra a solidão, um hábito, correndo ainda o risco de se tornar uma "arena" na qual se dá vazão a tudo menos ao amor. Desta forma ele pode ser válvula de escape para a ansiedade, necessidade de afirmação, compensação para sentimentos de rejeição, etc. Infelizmente, constata-se que a incessante procura do sexo pelo sexo, pode acabar se tornando apenas numa maneira de se evitar um relacionamento, mais profundo e gratificante, conseqüência natural da ligação entre duas pessoas que se gostam, se "curtem", se admiram, e se desejam.