Interesse juvenil por sexo se dá cada vez mais cedo

Posted on 10/20/2008 by UNITED PHOTO PRESS

Curiosidade, carência afetiva, preocupação em ter ao invés de ser e influência midiática. Estes são alguns fatores que, segundo profissionais da educação, saúde e psicologia, vêm influenciando o comportamento infanto-juvenil de forma a torná-lo cada vez mais precoce quando o tema é sexo. Desta forma avalia a pediatra Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo, especialista na área de medicina de adolescentes, que aposta nesses fatores como contribuintes para afloramento dos sentimentos sexuais. Segundo Alda, a manifestação da sexualidade está mais liberada nos dias atuais. Diferente de décadas atrás, em que a mulher já iniciava a vida sexual aos 12 ou 13 anos, mas com a finalidade de constituir família. “Hoje, essas crianças convivem com a sexualidade interna, mas a presença do erotismo em tudo em que se vê e que se ouve aguça ainda mais a curiosidade inerente do ser, em especial dessa faixa etária”. A professora de língua portuguesa e literatura, Silvana Alves dos Santos, que atua essencialmente em turmas de adolescentes na Escola Estadual Presidente Médici, vai ainda mais longe. Para ela, o comportamento das crianças atualmente não condiz com a faixa etária.
“Passei a ouvir de alunos da quinta série conversas relacionadas a sexo. Isso há alguns anos era comum ouvir de estudantes do primeiro ano (ensino médio). E isso é preocupante”, avalia. Hoje, segundo Silvana, já se tornou comum abordar crianças de 12 anos grávidas em sala de aula. “Este ano, aqui na escola, eu já vi umas três alunas pelo menos. E isso é reflexo desse comportamento precoce”. Conforme ela, durante a rotina em sala de aula, os alunos não pensam em outra coisa que não esteja relacionado ao sexo – namoro, beijo, transa, camisinha. “Eles só falam e pensam nisso o tempo todo”, reforça. Para a psicopedagoga, que está se especializando em psicanálise, Débora de Souza, tanto a criança, como o adolescente vivem num contexto social totalmente influenciador. Segundo ela, a televisão, apesar de exibir o termo de não-recomendável, está ali e a criança assiste normalmente, sem nenhum impedimento dos pais a programas com apelos sexuais. “O culto ao corpo nas novelas, filmes e propagandas é uma constante. A curiosidade na criança é natural, entretanto os pais não encaram essa situação com naturalidade”, explica. A pesquisa Mosaico Brasil, patrocinada pela indústria farmacêutica Pfizer, que detalha hábitos sexuais de moradores do Centro-Oeste, aponta que a discussão sobre a sexualidade nos lares deixou de ser um tabu para famílias locais. Divulgado em setembro, o estudo mostra que 60% das famílias tratam livremente sobre sexo.
No entanto, a psicopedagoga acredita que a maioria das pessoas, principalmente no ambiente familiar, ainda trata o sexo como algo nojento, feio e proibido. “As pessoas devem considerar o sexo como algo natural, mas sem banalizar o ato”, diz. Conforme a psicopedagoga, outro fator preponderante é a falta de educação dos próprios pais quanto ao assunto. Na casa da estudante Bianca Santiago, de 14 anos, por exemplo, o diálogo entre seus pais e ela, segundo a adolescente, não existe. “As minhas dúvidas, as minhas alegrias, os meus medos, eu conto tudo para as minhas amigas”, revela. “Minha mãe não confia em mim, e tudo que eu quero fazer, que acho legal, tem que ser escondido”, diz Bianca, de mão dada a outro estudante.