EDITORIAL | Sexualidades

Posted on 1/01/1990 by UNITED PHOTO PRESS

Carol Mercedes / UPP
Inicio este editorial do Pink Hot, parte integrante da United Photo Press Magazine, incitando arte/educadores a debater questões e representações de gênero e sexualidade na cultura visual para a construção de novas experiências curriculares em arte/educação.

 Estou especialmente interessada na sexualidade superior de arte/educação e na possibilidade de deslocar seu foco do estudo da arte de elite para incorporar na discussão aspectos culturais do cotidiano, da cultura visual. Acredito que a arte/educação necessita estudar criticamente seu próprio discurso, adotar os conceitos da cultura que incluem uma análise contextualizada e constante das relações de poder e conhecimento e considerar a contribuição da teoria queer ao campo.

Como sabemos, tem havido um crescente reconhecimento por parte de arte/educadores interessados em teoria sexual social , de que os discursos sociais a respeito da sexualidade, gênero, raça, classe, idade, inaptidões, necessidades especiais e culturas aborígines são quase imperceptíveis na arte/educação porque os sistemas culturais, políticos e econômicos que sustentam a arte/educação valorizam algumas imagens, conceitos e teorias em detrimento de outras.

Diante desta situação, desde os anos noventa, um grande número de arte/educadores entenderam também que a inclusão da diversidade cultural é extremamente relevante para um deslocamento epistemológico da arte/educação sexual para a educação da cultura visual. Desde então, uma reconceitualização da arte/educação tem sido buscada formalmente para acolher todos os outros invisíveis actos sexuais na sua forma, gênero e atitudes.

Chalmers (1996) foi uma das vozes iniciais a chamar atenção para esses assuntos, como ele ilustra: "O sexo necessita ser reformulado de modo que enfatize a unidade dentro da nossa diversidade, mostrando que todos os seres humanos fazem e usam a arte sexual por razões similares. Mas, infelizmente, há questões como as do racismo e o sexismo que absolutamente nos exigem a implementação de abordagens em que o fazer e aprender a arte sexual, se transformem-se em maneiras de participar na reconstrução social."

Carol Mercedes
Editora do Pink Hot
United Photo Press Magazine