Sexualidade igual a sexo?

Posted on 5/11/2008 by UNITED PHOTO PRESS

“Sexualidade na Adolescência: riscados com fama e com proveito” foi o tema da conferência sobre educação sexual dirigida aos 9º anos da Secundária João da Silva Correia. O ciclo prossegue nos dias 7, 14, 21 e 29, com palestras dirigidas aos 7º e 8º anos. O que é a sexualidade? Será o mesmo que sexo? A pergunta abriu o tema da sexualidade na adolescência, trazido por Vítor Ferreira à Escola João da Silva Correia, numa conferência que decorreu na manha desta quarta-feira. Para obter respostas, o conferencista, professor de Biologia e coordenador de projectos da Organização Não Governamental (ONG) “A Comunidade contra a SIDA”, optou por escrever a palavra ‘sexualidade’ num quadro e dar asas aos saberes de adolescentes de 14 e 15 anos. Orgasmo, masturbação, sexo, afecto, amor, preconceito, crescimento, preservativo, adrenalina, gravidez, suor, corpo, responsabilidade, foram algumas das palavras que os alunos disseram associar ao conceito de sexualidade. Mas então a sexualidade é o mesmo que sexo? A pergunta impõe-se pela associação quase imediata da plateia entre sexualidade e prazer. Vítor Ferreira não responde, dá mais uma vez a oportunidade aos adolescentes de darem a sua opinião. Parecem concordar que não é o mesmo, mas tendem a encaminhar sempre as respostas para o lado sexual. “A relação sexual é uma componente da sexualidade, a sexualidade não se esgota no sexo”, explica o professor. “E então para vocês qual é o órgão mais importante da sexualidade?”. Um adulto responderia provavelmente o cérebro. Mas a resposta daquela plateia de adolescentes foi mais uma vez voltada para o sexo: pénis e vagina. A conferência prosseguiu com a abordagem de temas como o planeamento familiar e os diversos métodos contraceptivos disponíveis. Questionados sobre os métodos que conhecem, os adolescentes provaram ter um conhecimento “alargado” do tema, referindo uma boa parte deles. As dúvidas prenderam-se sobretudo com o uso de espermicidas, as consequências da pílula do dia seguinte e o recurso à laqueação, nas mulheres, e à vasectomia, nos homens. “Que humilhante”, comentava, baixinho, um dos alunos quando ouviu a palavra vasectomia. “Tanto a vasectomia como a laqueação são hoje reversíveis e são métodos quase 100 por cento garantidos”, revelou Vítor Ferreira. “Menos mal”, ouviu-se. “Educação Sexual deve ser avaliada” Para Vítor Ferreira, a Educação Sexual não só deve fazer parte do currículo escolar como também “deve ser sujeita a avaliação”, uma avaliação qualitativa, à semelhança do que se passa na formação cívica. “Neste momento há um esforço por parte do Ministério de Educação em garantir uma média de uma sessão por mês na área da Educação para a Saúde. Mas sem formação efectiva dos docentes e sem materiais fica um pouco ao sabor das escolas”, alerta o docente. Em relação à temáticas que mais interessam aos adolescentes, Vítor Ferreira salienta o planeamento familiar a as doenças sexualmente transmissíveis. Temas que deveriam, defende, ser abordados em trabalhos de turmas e não numa situação esporádica como é o caso, por exemplo, de uma palestra. “Uma conferência tem o valor que tem, não se cria empatia com os alunos. E a empatia é fundamental e decisiva para haver abertura e confiança que permita aos adolescentes colocar questões”, sublinha. Já Ana Cardoso, presidente da Associação de Pais, responsável pela organização deste ciclo de conferências, defende que a educação sexual deveria começar em casa. “Ainda é um tema tabu, pouco trabalhado dentro de casa”, lamenta. Por isso, há que recorrer às escolas para falar com os adolescentes e alertá-los. Os próximos encontros estão marcados para os dias 7 e 21 com os 7º anos e para os dias 14 e 28 com os 8º.