The Dark Revelations of Gerhard Richter
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S. with Child,” from 1995.© Gerhard Richter 2019 (08102019)
Though the artist was previously indirect in his references to the horrors
of the Third Reich,...
Sexo, poder e glória
Posted on 3/21/2008 by UNITED PHOTO PRESS
- Quando moço, a vida se apresenta como um vasto e infinito horizonte, não se enxerga nem se imagina o fim. O fim nunca haverá de chegar! Já quando velho, sem nada pela frente, apercebese que o passado transcorreu estupidamente depressa.
Nas peripécias da vida a sensação de tempo do jovem difere daquela do velho. Parece que as paixões juvenis conseguem reter o escorrer do tempo, ao contrário, as agruras senis o aceleram. Chega-se no momento em que a água quase parada no reservatório do tempo precipita- se por corredeiras, "o abismo nos contempla de volta". A alteração acontece quando os instintos primordiais se acalmam, quando o dever de perpetuar a espécie se apazigua. Curioso: passando-se pelo ponto de mutação do acasalamento, certas espécies animais falecem, suas existências deixam de ter sentido. Já para o homem, substância mais aperfeiçoada, o tempo se acelera e os dias intermináveis da juventude não se repetem. Na primeira parte da existência o homem é movido pelo desejo da mulher, por ela faz loucuras. Na maturidade persegue com obstinação o poder ou o dinheiro que é a mesma coisa do poder, e por ele vende a alma. E no final, quando as perspectivas de permanência no planeta se aproximam do nada, aplica suas forças remanescentes para alcançar a glória - última fantástica ilusão - fórmula que procura a "sobrevivência virtual" num mundo que continuará a escaldar outros indivíduos. A imortalidade se encontra na glória que perpetuou Moisés, Alexandre, Júlio César, Augusto, Napoleão, Einstein. Porém, a glória é de poucos, enquanto o sexo é de todos e o dinheiro de muitos. Glória que esplende nas obras do faraó, no esplendor dos templos de Michelangelo, nos sorrisos pintados por Leonardo, nos anjos de Rafael, nos versos de Dante, nas harmonias de Beethoven e Mozart. Segundo Artur Schopenhauer, "A glória é o sol que ilumina os mortos... é o poente de vida que se converte na aurora da imortalidade". Mais sutil ainda Shakespeare, olhando para o "abismo" usa palavras mágicas, "Senhores, bom dia, apagai as tochas (do mundo)..." a glória já se encarregava de iluminá-lo para sempre. Pois é. Sexo na juventude, poder na maturidade e glória na velhice, eis os nomes da pedra de Sísifo. Três são as idades. Três as mot ivações. Três os pecados principais: luxúria, avidez, orgulho. Os raros fulgurados pela compreensão desaparecem na autosuficiência de seu enlevo, não podem explicar o "estado de ser" que se conquista individualmente como a vida ao sair do ventre que a gerou. Dizem os sábios que a dor acelera a evolução, é banhada de sangue, passa pela cruz e conduz a Deus. Os budistas não enxergam a imortalidade nas obras e nas provações, acreditam que "aniquilando a vontade", matando o Eu, apagando a mente e os desejos, entregando-se ao que há de divino dentro do homem, quebra-se a corrente das reencarnações. Acede-se ao nirvana, morada dos deuses. Já o Eclesiastes afirma que "O dia da morte é melhor do que o dia do nascimento" por considerar que o fim do corpo esgota um ciclo penoso. Iniciaríamos assim um descanso sem sexo, que é transitório, sem poder, que é desgastante, e sem glória, que só a Deus pertence.