Nos primórdios da vida, havia muito sexo e nada de predadores
A reprodução sexuada pode ser tão antiga quanto a vida animal, segundo pesquisadores que descobriram uma espécie de organismo que viveu há 540 milhões de anos.
A Funisia Dorothea, uma criatura em forma de tubo, se aglomerava em bandos abundantes nas águas rasas e arenosas do mar onde hoje fica o sertão australiano. Aparentemente, nada havia evoluído para comê-los, de modo que esses animais viviam vidas pacíficas, às vezes usando o sexo para se reproduzir, às vezes não, segundo artigo de Mary Droser, da Universidade de Riverside, na Califórnia, e de seus colegas na revista Science. Por telefone, ela explicou que essas criaturas se comportavam como corais, esponjas e outros organismos multicelulares da atualidade. Os aglomerados muito compactos de organismos, chegando a mais de um palmo de altura, são segundo ela uma característica de animais sexuados, pois permitem que óvulos e esperma flutuem na água e se encontrem.
Os restos fossilizados também mostram que as criaturas formavam "botões" que se desenvolviam até virarem animais plenos, algo que corais e esponjas fazem hoje. "Eles eram complicados a ponto de terem diferentes modos de reprodução e um ecossistema em geral bastante complexo", disse Droser. Eles viviam em grupos densos, de animais de tamanho e idade similar, como fazem mexilhões e ostras. "É uma estratégia ecológica moderna comum, e esses caras faziam isso nos primeiros ecossistemas animais deste planeta", afirmou. Pensamos que essas estratégias foram em reação à competição e em reposta à predação", explicou a cientista. Mas não havia predadores, pois não surgira no planeta nada que tivesse dentes ou mesmo ossos. Supõe-se que a vida multicelular tenha surgido ha cerca de 600 milhões de anos. O nome "Funisia" vem da palavra latina para "corda", enquanto "dorothea" é uma homenagem à mãe de Droser, Dorothy. "Ela se instalou em casa para cozinhar e cuidar das crianças. Eu achei que era a coisa certa a fazer", brincou ela.