QUAL A SUA FANTASIA NA HORA DO SEXO?

Posted on 12/03/2007 by UNITED PHOTO PRESS

Imaginar-se na cama com dois homens, outra mulher ou fazer-se de prostituta... os devaneios eróticos são comuns, saudáveis e expressam muito de nós mesmos. Foi o dramaturgo Nelson Rodrigues quem disse certa vez que, se cada um soubesse o que o outro faz na cama, ninguém se cumprimentaria mais. Já pensou se formos além e colocarmos na mesa o que cada um ‘pensa’ em fazer na cama? Ah, aí sim, coisas verdadeiramente inconfessáveis fariam ruborizar os mais devassos! Outras vezes a fantasia é até algo banal. O simples fato de se imaginar, logo mais à noite, na cama com seu namorado, já é uma forma de fantasiar. A questão é: todas as pessoas têm as suas próprias fantasias. Dentro de nossas cabeças, há muito espaço para soltarmos nossas amarras e nos levarmos por nossos mais secretos desejos. Confesse para si mesma, você já se pegou, vez ou outra, imaginando-se na cama com alguém com quem não “deveria” ou numa situação da qual se envergonharia de contar até para a amiga mais íntima. E você adorou! Quando se trata de imaginação, os limites deixam de existir. Com eles vão por água abaixo vários quesitos dos chamados moral e bons costumes. Afinal, quem vai ficar sabendo? Quem vai julgar? O psicólogo Claudecy Souza, terapeuta sexual, concorda: “Na fantasia, podemos fazer e ser o que desejarmos, sem precisar pedir autorização a ninguém, como se fosse o nosso cinema particular”. Por isso fantasiar é uma boa forma de esquentar relações que andam mornas. Compartilhar com o parceiro algumas das suas idéias e ouvi-lo dizer as dele estimulam ainda mais a imaginação e a criatividade. E, se todos os envolvidos concordam, por que não colocar em prática? Lembre-se apenas de uma coisa: “Há um longo caminho entre deixar uma fantasia no terreno da imaginação e colocá-la em prática. Algumas delas devem ficar apenas na mente. Outras não. E quem decide isso? As pessoas envolvidas”. O conselho é da educadora sexual Laura Muller, autora do livro Quinhentas perguntas sobre sexo. Há ainda um outro lado dessa história que é pouco falado: a possibilidade de auto-análise. Fantasia diz respeito a desejos internos, de modo simbólico e inconsciente. “Muita gente tem vontade de fazer algo “diferente” e, em boa parte dos casos que analisamos, há um desejo reprimido de sair do convencional, de experimentar coisas diferentes que, por causa da repressão ou crenças não se faz. Mas é na fantasia que tais pessoas se soltam, já que não há punição e não fará mal a ninguém”, explica Claudecy. Isso não significa, entretanto, que, na chamada vida real, você faria tudo o que lhe parece excitante. “O que vale saber é o porquê de tais vontades e práticas, e que tipo de sentimento você tem logo após”, completa Claudecy. Aliás, o legal da fantasia é mesmo pensar por que, afi- nal, esta ou aquela cena imaginada nos atrai. O que ela fala sobre nós mesmas? Que mistério nos revela sobre nossa própria sexualidade? Algumas são tão comentadas que podemos dizer que já fazem parte do senso comum. E, assim como os sonhos, podemos interpretar seus significados. É preciso levar em conta sua própria história, que momentos de sua vida você associa a essas fantasias, com que freqüência e intensidade elas aparecem em seus pensamentos. Elas podem ir de um rápido vislumbre a uma verdadeira compulsão – caso em que é recomendável procurar ajuda terapêutica. Conheça a seguir as fantasias mais recorrentes segundo terapeutas sexuais: Ménage à trois. Pense no seu passado amoroso e responda: de todos os namorados que você já teve, quantos não expressaram o desejo de fazer sexo a três? Nove entre dez homens acham a idéia de ir para a cama com duas mulheres o máximo. Já as mulheres tendem a se empolgar em fazer uma vontade do parceiro ou simplesmente experimentar algo inusitado. Há por trás dessa fantasia uma mostra de segurança sexual, afinal, imaginar seu parceiro com outra sem se sentir ameaçada é sinal de que você “se garante”. No livro Sexo no cativeiro: Driblando as armadilhas do casamento, a autora Esther Perel comenta que incluir outras pessoas na relação é uma forma de atiçar o desejo. Em primeiro lugar, você está reconhecendo um fato óbvio, mas que a maioria de nós prefere não lembrar: ele não é indiferente às outras mulheres. Saber brincar com a idéia de que outra pessoa é atraente para o seu namorado sem que isso se torne um insulto para você é sinal, no mínimo, de maturidade. Lembre-se, na prática as coisas podem ser um pouco diferentes. “Relações sexuais a três normalmente implica uma alta dose de ciúme”, afirma Laura Muller. Você está preparada? Certas mulheres se sentem tão inseguras com a idéia que se incomodam até mesmo com o fato dos homens terem essa fantasia. Mas os terapeutas garantem que esse desejo é normal e que ele não deve ser interpretado pela parceira como um desinteresse na relação. Os brutos também amamBeijinhos, abraços, carícias, palavras melosas... Os homens sabem que as mulheres gostam de preliminares longas e caprichadas. Levando isso em conta, seu parceiro se esmera em delicadezas sutis. E você aí, secretamente sonhando com um homem que chega tomando as rédeas da situação e partindo logo para a ação, sem nem pedir licença? Pode ser apenas vontade de variar, mas também uma fantasia que fale sobre desejos reprimidos. Pessoas que se sentem tímidas e inseguras, com dificuldade de expressar-se sexualmente, podem ansiar por alguém que aja impulsivamente, tomando as decisões por ela. Isso vale até para casos de fantasiar (ou sonhar) com estupros e outras situações de violência física. É claro que nenhuma mulher desejaria passar por uma experiência dessas, no entanto, algo radical pode fazer parte apenas de seu imaginário.