MULHERES NO JOGO SEXUAL

Posted on 9/30/2007 by UNITED PHOTO PRESS

Um jantar romântico acompanhado de uma proposta indecente. Pensou num bonitão? Nada disso. A iniciativa partiu da advogada M., há tempos, quando decidiu perder a virgindade com um rapaz com quem estava se relacionando. Encontrar mulheres de atitude que se antecipem ao homem no jogo amoroso é tarefa cada vez mais fácil em nossa sociedade. Mais liberais, elas têm menos medo de expor seus desejos e romper com os tabus associados ao sexo. Você acha que uma mulher que toma a iniciativa espanta ou atrai os homens? - Há 20 ou 30 anos, a mulher não se achava no direito de ter orgasmo. Hoje, um apenas já não basta, ela quer múltiplos - diz Laura Muller, educadora sexual e palestrante na área de relacionamento e sexualidade. - Ela conquistou espaços na sociedade, no mercado de trabalho, e hoje fala de igual para igual com homens em vários setores. E está indo à caça - brinca. " As mulheres estão aparentemente mais liberadas, mas afetivamente ainda são reprimidas (Mariana Maldonado, terapeuta). No entanto, segundo a ginecologista e terapeuta sexual Mariana Maldonado, co-autora do livro "Palavra de Mulher - histórias de amor e de sexo", por trás das atitudes mais assertivas no jogo da conquista, muitas mulheres ainda guardam uma série de questionamentos e inseguranças: - As mulheres estão aparentemente mais liberadas, mas afetivamente ainda são reprimidas. Elas têm atitude, mas muitos dos preconceitos e valores impostos pela sociedade permanecem. Apesar de encararem o sexo de forma mais natural, muitas têm grande dificuldade de se relacionar e se envolver. Para a médica, entre os jovens, o empobrecimento afetivo é ainda mais grave. O ficar evoluiu do beijo à possibilidade de parar no motel e o contato sexual, muitas vezes, é visto como mais importante do que o vínculo afetivo. Respeito e sensibilidade são os segredos de uma boa investida. Depois de driblar a ansiedade e tomar à frente em sua primeira vez, a advogada M. incorporou uma série de atitudes "pró-ativas" em seu dia-a-dia. Ela conta que não tem vergonha de ligar no dia seguinte e acha normal se aproximar se o rapaz despertar interesse. Mas passou alguns anos sem investir num relacionamento sério. Não gostava de presentes, nem daqueles que ligavam muito ou eram carinhosos em excesso. A palavra de ordem era aproveitar. Até que apareceu a pessoa certa. E a iniciativa, é claro, foi dela. - Já nos conhecíamos e estávamos saindo há um tempo. E nossa tentativa de maior intimidade não havia dado certo. Convidei-o então para tomar um champanhe lá em casa. O clima de descontração facilitou as coisas. E estamos juntos até hoje. " Elas têm seus direitos, mas existe um jogo erótico da conquista em que sempre corremos o risco de errar a dose, seja reprimindo ou liberando demais (Laura Muller) . "Segundo Laura Muller, a melhor dica para quem gosta de tomar a iniciativa não se decepcionar com a reprovação do parceiro é ter sensibilidade. Para a educadora, a palavra-chave é respeitar suas vontades e também as do outro. - Elas têm seus direitos, mas existe um jogo erótico da conquista em que sempre corremos o risco de errar a dose, seja reprimindo ou liberando demais. Acertar essa medida é um desafio para o qual, infelizmente, não existem regras. Sexo não é apenas o ato em si, tem a ver com uma série de costumes, valores e crenças. Vivemos ainda numa sociedade machista que delega alguns papéis ao homem e outros ao mulher. Por isso, alguns meninos podem se assustar com um comportamento mais direto. O processo de transformação dos homens . Se elas mudaram e se tornaram mais ousadas, também eles passam por um processo de transformação. Segundo Mariana Maldonado, os homens estão assustados com a atitude feminina e sentem-se cada vez mais cobrados. Precisam ser sensíveis, românticos, ter bom padrão social, ereção etc. Eles também são mais exigidos do que há 50 anos. " Os homens com postura de conquisatadores talvez não se sintam à vontade. Mas os mais tímidos costumam gostar(Mariana Maldonado). "Nem todos, no entanto, reprovam a iniciativa. Segundo a médica, os homens que têm postura de conquistadores e não estão acostumados a serem o objeto de desejo talvez não se sintam à vontade. Mas os mais tímidos, por exemplo, costumam gostar. A farmacêutica Marcela Jardim conta que começou a puxar papo com um menino que furou fila na sua frente e, depois de algumas saídas, ele contou que adorou a forma como ela se aproximou. - Já passou a época de fazer joguinho para não pensarem mal de mim. Tomo a iniciativa para o sexo se sentir um mínimo de segurança sobre o que a pessoa quer. A vida é uma só, e muito curta - diz Marcela.